domingo, 15 de janeiro de 2012

Trigo, nosso maior inimigo?

Já vimos que os grãos são elementos estranhos à dieta humana durante 99,5% da evolução. Isto se aplica a todos os grãos. Mas o trigo é especial. Quem compilou os motivos pelos quais o trigo está especialmente implicado na gênese da obesidade, diabetes e um sem número de patologias auto-imunes foi o Dr. William Davis, em seu instigante livro "Wheat Belly". Para uma entrevista na qual o autor descreve em linhas gerais as suas teses, clique aqui. Segue breve resumo:


  • O trigo moderno é muito diferente do trigo que nossos avós consumiam. É o resultado de milhares e entrecruzamentos e hibridizações feitas nos anos 50, resultando em uma planta diferente, com maior quantidade de amido e um glúten mais problemático para o ser humano
  • O tipo de amido presente do trigo (amilopectina A) é o de mais fácil digestão, produzindo aumento de glicose (e portanto de insulina) mais intenso do que o consumo de açúcar de mesa (sacarose). É isso mesmo, uma fatia de pão integral aumenta mais a sua glicose do que a mesma quantidade de sacarose (açúcar de mesa)
  • A Gliadina, uma das proteínas do glúten, leva a um aumento da permeabilidade intestinal, o que por sua vez permite que proteínas inteiras sejam absorvidas para a corrente sanguínea, provocando reações de auto-imunidade.
  • O glúten parcialmente digerido produz peptídeos denominados de "exorfinas", um estimulante dos receptores opioides no cérebro, assim como a heroína. Estas exorfinas aumentam a fome e levam a um verdadeiro vício no consumo de produtos derivados do trigo. O simples bloqueio farmacológico das exorfinas já leva a um consumo de 400 calorias diárias a menos. Ou seja, o trigo é um poderoso estimulante do apetite.
  • Além da conhecida Doença Celíaca, na qual os pacientes experimentam dores abdominais e diarreia com o consumo de glúten, há um grande número de patologias autoimunes associadas ao consumo de trigo. Podemos citar, por exemplo, atrite reumatoide, lupus, dermatite herpetiforme, ataxia cerebelar, esclerose múltipla, colite ulcerativa, cólon irritável, enxaquecas, entre outras. Muitos destes pacientes não apresentam os sintomas de doença celíaca, mas tem os anticorpos para d. celíaca positivos. Outros tem estes anticorpos negativos e, não obstante, melhoram com a retirada total do trigo.
Em resumo, o trigo é um grão que não faz parte da dieta paleolítica, mas cujos efeitos vão muito além do fato de representar a principal fonte de carboidratos da dieta. Trata-se do alimento que mais eleva a glicose no sangue, de um estimulante do apetite, e de um indutor de inflamação crônica e doenças auto-imunes. É possível que a retirada total do trigo represente a intervenção isolada mais importante de toda a dieta paleolítica.

Atualização - 16/09/2012
Entrevista traduzida por Thiago Witt, e postada no blog de Luiz Nassif:

Cortar o trigo da sua dieta é benéfico, diz Dr William Davis


Por cyro
Do Blog Vida Primal
A medicina descobre os malefícios do trigo.
Entrevista com o Dr. William Davis
Publicado em 2 de outubro de 2011 e no original em inglês, no site www.fathead-movie.com em 12 de setembro de 2011

Traduzido por Thiago M. Witt

Fat head: Você é um cardiologista por profissão, e no entanto você acaba de escrever um elaborado livro sobre os efeitos negativos do consumo de trigo. Como o trigo apareceu no seu radar? O que o fez suspeitar que o trigo pode estar por trás de muitos de nossos problemas de saúde modernos?

Dr. Davis: Tudo começou vários anos atrás quando eu pedi aos pacientes do meu consultório que considerassem eliminar todo o trigo de suas dietas. Eu fiz isso seguindo uma lógica muito simples: Se alimentos feitos com trigo elevam o açúcar no sangue mais do que quase todos os outros alimentos (devido ao seu alto índice glicêmico), incluindo o açúcar de cozinha, então remover o trigo deve reduzir o açúcar no sangue. Eu estava preocupado com os altos níveis de açúcar no sangue já que 80% das pessoas que chegavam no meu consultório tinham diabetes, pré-diabetes ou o que eu chamo de “pré-pré-diabetes”. Resumindo, a grande maioria das pessoas mostravam marcadores metabólicos anormais.
Eu forneci aos pacientes um simples folheto de duas páginas sobre como fazer isso, isto é, como eliminar o trigo e substituir as calorias perdidas com alimentos saudáveis como mais vegetais, oleaginosas, carnes, ovos, abacates, azeitonas, azeite de oliva, etc. Eles voltavam três meses depois com taxas de açúcar no sangue em jejum menores, hemoglobina A1c menor (um reflexo da taxa de açúcar no sangue dos últimos 60 dias); alguns diabéticos se tornaram não-diabéticos, pré-diabéticos se tornaram não pré-diabéticos. Eles também voltavam cerca de 15 quilos mais leves.
Então eles começavam a me contar sobre outras experiências: alívio de artrite e dores nas juntas, irritações de pele desaparecendo, asma melhorando o suficiente para que parassem com os inaladores, sinusites crônicas indo embora, inchaço nas pernas indo embora, enxaquecas cessando pela primeira vez em décadas, sintomas de refluxo ácido e intestino irritável aliviados. No começo, eu dizia aos pacientes que era apenas uma estranha coincidência. Mas aconteceu tantas vezes e a tanta gente que ficou claro que isso não era coincidência; era um fenômeno real e reprodutível.
Foi aí que eu comecei a remover sistematicamente o trigo da dieta de todo mundo e continuei a testemunhar reviravoltas similares na saúde afetando dezenas de doenças. Não houve volta atrás desde então.

Fat Head: Você cita um bocado de pesquisa acadêmica no seu livro, mas você também cita casos do seu histórico de prática médica. Então, como uma questão do ovo-ou-galinha, qual veio primeiro? Você começou notando que os pacientes que consumiam muito trigo tinham mais problemas de saúde e então saiu em busca de pesquisas que apoiassem as suas suspeitas, ou você cruzou com pesquisas que o levaram a notar como os seus pacientes estavam se alimentando?

Dr. Davis: A experiência do mundo real veio primeiro. Mas o que me surpreendeu foi que já havia uma extensa literatura médica documentando tudo isso, mas era largamente ignorada ou não alcançava a consciência geral nem a consciência da maioria dos meu colegas. E a maior parte da documentação vem da literatura de genética agricultural, uma área, eu posso garantir, que meus colegas não estudam. Mas eu desenterrei esta área da ciência e falei com pessoas da USDA e no departamento de agricultura em universidades para ganhar entendimento total de todas as questões.
Uma das dificuldades que explicam parcialmente por que muitas destas informações nunca viram a luz do dia é que os geneticistas agriculturais trabalham em plantas, não em humanos. Há uma ampla e pervasiva presunção seguida por estes cientistas bem intencionados: Não importa quão extremas as técnicas usadas para alterar a genética de uma planta como o trigo, ela ainda é perfeitamente boa para o consumo humano… sem nenhuma dúvida. Eu acredito que isto é completamente errado e está por trás de muito do sofrimento infringido em humanos consumindo este produto moderno da pesquisa genética ainda chamada, enganosamente, de “trigo”.

Fat Head: Então depois de apontar o trigo como o causador de vários problemas de saúde, você começou a aconselhar seus pacientes a eliminá-lo de suas dietas. O que o inspirou a dar o passo extra – e é um grande passo – de escrever um livro?

Dr. Davis: O que eu testemunhei nas milhares de pessoas que removeram o trigo de suas dietas não foi nada menos que incrível. Quando eu vi uma perda de peso de mais de 30 quilos em seis meses, níveis de humor e energia disparando, reversão de doenças inflamatórias como colite ulcerosa e artrite reumatóide, alívio de irritações de pele crônicas e artrite – e os efeitos foram consistentes caso após caso – eu percebi que não poderia deixar essa questão passar silenciosamente apenas na prática do meu consultório.
Reconhecidamente, o mundo vai precisar de mais dados confirmatórios antes que o trigo, ou pelo menos a versão moderna geneticamente alterada do trigo que estão nos vendendo, seja removido do prato de jantar do mundo. Mas os dados que já estão disponíveis são mais que suficientes, eu acredito, para trazer esta informação ao público para que as pessoas tomem suas decisões por si mesmas. Eu comparo esta situação a viver em um vilarejo onde todos bebem a água do mesmo poço. Nove em cada 10 pessoas ficam doentes quando bebem a água do poço; todos se recuperam quando param de beber. Quando voltam a beber, todos adoecem novamente; param e ficam melhores. Com uma relação causa-e-efeito tão consistente e reprodutível como essa, precisamos mesmo de um ensaio clínico para prová-lo para nós? Eu não preciso.
Isto será uma longa e difícil batalha na arena pública. O trigo compõe 20% de todas as calorias humanas. Ele requer uma enorme infraestrutura para o plantio, colheita, extração de sementes, fertilização, processamento e distribuição. Esta mensagem vai potencialmente prejudicar o sustento de milhares, talvez milhões de pessoas que fazem parte desta infraestrutura. Isso me lembra das batalhas que foram travadas (e são ainda hoje) quando se tornou amplamente aceito que fumar cigarros fazia mal. Quando as pessoas de dentro da indústria do tabaco eram indagadas sobre como elas podiam trabalhar para uma companhia que destruía a saúde das pessoas, elas respondiam “Eu tinha que sustentar minha família e pagar meu aluguel”. A discussão elimine-todo-o-trigo-da-dieta-humana que eu proponho vai atingir muita gente onde dói mais: no bolso. Mas, pessoalmente, eu não estou disposto a sacrificar a minha própria saúde, a da minha família, amigos, vizinhos, pacientes e da nação para permitir que um status quo incrivelmente insalubre continue.

Fat Head: Quanto mais eu leio o livro, mais eu me pego pensando, “Uau, eu sabia que o trigo era ruim para nós, mas é ainda pior do que eu pensava”. Você teve a mesma reação enquanto fazia a pesquisa para o livro? Você ficou surpreso ao ver quantos problemas físicos e mentais o trigo pode causar?

Dr. Davis: Sim. Eu sabia que o trigo era ruim desde o início do projeto. E houveram momentos em que eu me perguntava se não estava deixando passar alguma coisa, dada a adoção unânime dos grãos pelo agronegócio, fazendeiros, cientistas agriculturais, o USDA, FDA, Associação Dietética Americana, etc. Mas o oposto aconteceu: Quanto mais a fundo eu ia, mais esta coisa sendo vendida para nós com o nome de “trigo” parecia pior… e pior, e pior, quanto mais longe eu ia.
Eu sou consciente da armadilha “para alguém com um martelo, tudo parece um prego” que podemos cair, mas quando você vê doença após doença desaparecer com a eliminação do trigo, não dá pra deixar de se convencer que ele tem um papel crucial em centenas, literalmente centenas, de condições comuns.

Fat Head: Você descreve no seu livro como o trigo de hoje é o produto de cruzamento genético. Os cruzamentos são inerentemente ruins? Não acontecem cruzamentos na natureza o tempo tudo?

Dr. Davis: Sim, acontecem. Humanos, assim como todas as plantas e animais, são o produto de cruzamentos ou hibridização. Amor, sexo, e cruzamento fazem o mundo girar e tornam a vida interessante. O problema é que estes termos são usados muito vagamente pelos geneticistas.
Por exemplo, se eu expor sementes e embriões de trigo ao potente veneno industrial azida de sódio, posso induzir mutações no código genético da planta. Primeiro, deixa eu falar sobre a azida de sódio. Se ingerida, as pessoas do controle de venenos do Centro para Controle de Doenças recomenda que você não tente ressuscitar a pessoa que a ingeriu e parou de respirar como resultado – apenas deixe a vítima morrer – porque a pessoa tentando salvá-la pode morrer também. E, se a vítima vomitar, não jogue o vômito na pia porque ela pode explodir (isso já aconteceu). Então, exponha sementes e embriões de trigo à azida de sódio e você obtêm mutações. Isto é chamado de mutagênese química. Sementes e embriões também podem ser expostos a irradiação gama e altas doses de radiação de raio-x. Todas estas técnicas caem sob nome de hibridização ou, ainda mais enganador, técnicas de reprodução tradicionais. Eu não sei quanto a você, mas a reprodução entre os humanos que eu conheço não envolvem massagear um ao outro com venenos químicos ou uma tarde romântica em um ciclotron para induzir mutações na nossa prole.
Estas “técnicas de reprodução tradicionais”, por falar nisso, são consideravelmente mais disruptivas para a genética da planta que a engenharia genética. Os americanos estão em guerra com os alimentos geneticamente modificados (transgênicos, ou seja, com a adição ou remoção de um único gene). A grande ironia é que a engenharia genética é uma substancial melhoria sobre as “técnicas de reprodução tradicionais” que ocorreram durante décadas e que ainda ocorrem.

Fat Head: Eu o conheci em pessoa a mais de um ano atrás, e você é um cara bem magro, então eu fiquei surpreso ao ler no livro que você costumava carregar por aí a sua própria barriga de trigo. Descreva as diferenças entre você como um consumidor de trigo e você agora, em termos de ambos o seu físico e a sua saúde.

Dr. Davis: Quinze quilos atrás, enquanto eu ainda era um entusiástico consumidor dos “saudáveis grãos integrais”, eu lutava contra constantes dificuldades em manter o foco e a energia. Eu dependia de potes de café ou caminhadas e exercício só para combater a letargia e a mente enevoada. Meus números de colesterol refletiam meus hábitos de consumo de trigo: HDL 27 mg/dl (muito baixo), triglicérides 350 mg/dl (MUITO alto), e açúcar no sangue na faixa de diabetes (161 mg/dl). Eu tinha pressão alta, com valores ao redor de 150/90. E todo o meu excesso de peso era ao redor da cintura – sim, minha própria barriga de trigo.
Dar adeus ao trigo me ajudou a perder o peso ao redor da cintura; meus números de colesterol: HDL 63 mg/dl, triglicérides 50 mg/dl, LDL 70 mg/dl, açúcar no sangue 84 mg/dl, pressão 114/74—sem usar nenhum remédio. Em outras palavras, tudo se reverteu. Tudo foi revertido incluindo a luta para manter a atenção e o foco. Agora eu posso me concentrar e focar em alguma coisa por tanto tempo que minha esposa me manda parar.
Levando tudo em conta, eu me sinto melhor hoje com 54 anos do que eu me sentia quando tinha 30.

Fat Head: Como aprender o que você sabe sobre o trigo e outros grãos mudou sua prática médica?

Dr. Davis: Catapultou o sucesso em ajudar as pessoas a recuperarem a saúde para a estratosfera. Entre as pessoas seguindo esta dieta, isto é, eliminar o trigo e limitar outros carboidratos (junto com outras estratégias saudáveis para o coração que eu advogo, incluindo suplementação com óleo de peixe, suplementação com vitamina D para alcançar um nível desejável de vitamina D 25-hidroxi de 60-70 ng/ml, suplementação de iodo e normalização de disfunção da tireóide), eu não vejo mais ataques cardíacos. Os únicos ataques cardíacos que eu vejo são de pessoas que eu recém conheci ou aqueles que, por um motivo ou outro (normalmente falta de interesse) não seguem a dieta. Um padre de quem eu cuido, por exemplo, um homem generoso e maravilhoso, não conseguiu se obrigar a rejeitar os muffins, tortas e pães que seus fiéis lhe traziam todos os dias; ele teve um ataque cardíaco apesar de fazer todo o resto corretamente.
Esta abordagem dietética, apesar de parecer peculiar superficialmente, é extremamente poderosa. Que dieta, afinal, causa perda de peso substancial, corrige as causas das doenças cardíacas como partículas LDL pequenas, reverte a diabetes e a pré-diabetes, e melhora ou cura múltiplas condições variando de artrite reumatóide a refluxo ácido?

Fat Head: Você viu centenas de seus próprios pacientes ficarem curados de doenças supostamente incuráveis após abrirem mão do trigo. Descreva um ou dois dos exemplos mais dramáticos.

Dr. Davis: Duas pessoas estão na minha cabeça quase todos os dias, principalmente porque eu sou especialmente gratificado pela magnitude de suas respostas e porque eu tremo de pensar em como seriam suas vidas se eles não se engajassem nesta mudança de dieta.
Eu descrevo a história de Wendy no livro, uma mãe e professora de 36 anos que tinha uma colite ulcerosa quase incapacitante; são grave que, apesar de três medicações, ela continuava a sofrer constantemente de cólicas, diarréia e sangramento suficiente para requerer transfusões de sangue. Quando eu conheci a Wendy, ela me contou que seu gastroenterologista e cirurgião tinha agendado para ela uma cirurgia para remoção do cólon e criação de uma bolsa de ileostomia. Estas seriam mudanças para o resto da vida; ela estaria fadada a usar uma bolsa para coleta de fezes pelo resto da vida. Eu insisti para que ela removesse o trigo. No começo ela se opôs, já que suas biópsias intestinais e exames de sangue falharam para o teste de doença celíaca. Mas, tendo visto tantas coisas incríveis acontecerem com a remoção do trigo, eu sugeri que não havia nada a perder. Então ela concordou. Três meses depois, ela não apenas tinha perdido 17 quilos, mas todas as cólicas, diarréias e sangramentos haviam parado. Agora já fazem dois anos. Ela foi retirada de todas as medicações e não há mais sinais da doença – colón intacto, nenhuma bolsa de ileostomia. Ela está curada.
O segundo caso é o Jason, também descrito no livro, um programador de software de 26 anos, neste caso incapacitado por dores nas juntas e artrite. Consultas com três reumatologistas não conseguiram chegar a um diagnóstico; todos prescreveram anti-inflamatórios e medicação para dor, enquanto Jason continuava a mancar por aí, incapaz de se envolver em mais que pequenas caminhadas. Dentro de cinco dias desde que removeu todo o trigo, Jason estava 100% livre de dores nas juntas. Ele disse que ele achou isso absolutamente ridículo e se recusou a acreditar. Então ele comeu um sanduíche: As dores nas juntas voltarem correndo. Agora ele está estritamente livre do trigo e das dores.

Fat Head: Seus pacientes são sortudos – você prefere mudar a dieta de um paciente a fazer uma receita médica sempre que possível. Infelizmente, você está entre a minoria. Como eu contei no meu blog recentemente, a esposa de um colega de trabalho foi finalmente curada de suas dores de cabeça quando um conhecido sugeriu que ela parasse de comer grãos. Ela havia ido a diversos médicos que meramente prescreviam medicações. Então… porque tão poucos médicos estão cientes de como os grãos podem afetar nossa saúde?

Dr. Davis: Eu acredito que a área da saúde foi desviada em direção à alta tecnologia, procedimentos que produzem altos lucros, medicações, e cuidados catastróficos. Muito na área da saúde perderam a visão de ajudar as pessoas e cumprir sua missão de curar. Enquanto isso soa fora de moda, eu acredito que é uma tendência ruim para a saúde ser reduzida a uma transação financeira sujeita a restrições legais. Ela precisa voltar a ser uma relação de cura.
Eu acredito que muitos na área da saúde também tenham se desencantado com a ineficácia da orientação alimentar. Porque a “sabedoria” alimentar tem estado errada em tantos pontos durante os últimos 50 anos, as pessoas ficaram desconfiadas da capacidade da nutrição e dos métodos naturais para a melhora da saúde. Pelo que eu testemunhei, no entanto, a nutrição e os métodos naturais tem um poder enorme para curar – se os métodos corretos forem aplicados.

Fat Head: Você espera que seu livro eduque mais doutores no assunto, ou esta é uma daquelas situações onde o público terá que ignorar seus médicos e aprender sozinhos?

Dr. Davis: Lamentavelmente, muitas pessoas lerão a mensagem em Wheat Belly, irão experienciar as incríveis transformações na saúde e peso que podem acontecer, então vão contar aos seus médicos, que irão declarar seu sucesso como uma “coincidência”, “força de vontade”, “efeito placebo” ou outra desculpa. Muitos de meus colegas se recusam a reconhecer o poder da dieta mesmo quando confrontados com resultados poderosos. Isto só poderá mudar após um período muito longo.
Felizmente, mais e mais de meus colegas estão começando a ver a luz e não procurar pelas respostas em drogas e procedimentos. Estes são os profissionais da saúde que eu espero que irão emergir para ajudar pessoas como defensores e treinadores em conduzir uma experiência como a que é descrita em Wheat Belly.

Fat Head: Se mais médicos fossem informados das questões sobre as quais você escreve em Wheat Belly, você acha que eles mudariam suas recomendações alimentares, ou a mentalidade “gordura é má, grãos são bons” está enraizada demais na profissão?

Dr. Davis: Não há absolutamente nenhuma dúvida de que o argumento “gordura é má, grãos são bons” vai persistir nas mentes de muitos de meus colegas por muitos anos. No entanto, eu acredito que se eles lessem os argumentos expostos logicamente em Wheat Belly, eles iriam primeiramente reconhecer que o “trigo” não é mais trigo e sim um produto incrivelmente transformado da pesquisa genética. Então eles começariam a seguir a lógica e entender que a longa lista de problemas associados ao consumo do “trigo” moderno começa a explicar por que estamos testemunhando uma explosão em doenças comuns. É aí que espero que todos nós ouçamos um coletivo “Aha!”.

Fat Head: O Dr. Robert Lustig acredita que o excesso de frutose é singularmente responsável por induzir a resistência à insulina e outros aspectos da síndrome metabólica. Você culpa o trigo. Quando eu comecei a apresentar sinais de pré-diabetes no meus trinta e tantos anos, eu quase não consumia açúcar – eu sabia que o açúcar era ruim para mim – mas eu comia um monte de massa, cereais e pães. Descreva como você acredita que o consumo de trigo pode levar ao diabetes tipo 2 mesmo entre aqueles que não tomam litros de refrigerante ou comem bolinhos Ana Maria.

Dr. Davis: Não há dúvidas que a frutose é realmente um grande problema na dieta dos americanos modernos. Como o trigo, fontes de frutose como a sacarose, o xarope de milho de alta frutose, o mel e o xarope de ágave aumentam a gordura visceral, o açúcar no sangue, e causam uma curiosa demora na limpeza das partículas sanguíneas (restos de quilomícrons) após as refeições que levam à aterosclerose. Então o livro Wheat Belly, logicamente, não argumenta que o único problema na dieta americana é o trigo.
No entanto, como muitos de nós aprenderam, cortar as fontes de açúcar e frutose é uma grande idéia, mas não resolve o problema inteiro, apenas um aspecto. E o trigo é o culpado nas pessoas que acreditam que estão seguindo um caminho mais saudável ao incluir bastante dos “saudáveis grãos integrais”.
Duas fatias de pão integral aumentam o açúcar no sangue mais do que açúcar de cozinha, mais do que muitos doces. Estranhamente, isto não impede os nutricionistas de encorajá-lo a comer mais disso. Coma mais trigo e as elevações dos níveis de açúcar no sangue aumentam em magnitude e frequência. Isto leva a elevações maiores e mais frequentes dos níveis de insulina que, por sua vez, criam a resistência à insulina, a condição que leva à diabetes.
Estas elevações nos níveis de açúcar no sangue também são intrinsecamente danosas às delicadas células pancreáticas beta, que produzem a insulina, um fenômeno chamado glucotoxidade. As células betas possuem pouca capacidade de regeneração. Danos repetidos devido à glucotoxidade levam a um número cada vez menor de células beta saudáveis e funcionais produzindo insulina. É aí que o nível de açúcar no sangue fica persistentemente em níveis elevados – mesmo quando seu estômago está vazio: pré-diabetes, seguida em pouco tempo pela diabetes.
Então o trigo que nos aconselham a comer mais não é a solução para a epidemia de diabetes que se espera que inclua um a cada dois adultos americanos em um futuro próximo, e 346 milhões de pessoas mundialmente – comer mais dos “saudáveis grãos integrais” é, creio eu, a causa desta situação. E removê-los nos traz de volta ao caminho para deter ou até mesmo reverter isso.

Fat Head: Você descreve em Wheat Belly como o trigo anão de hoje contém mais proteínas do glúten e causa um aumento mais dramático na glicose no sangue que o trigo que nossos bisavós consumiam. Mas Jared Diamond e outros apresentaram argumentos convincentes que a troca para uma dieta baseada em grãos fez com que o humanos se tornassem mais baixos, mais gordos e mais doentes mesmo em tempos pré-bíblicos, quando o trigo mutante de hoje em dia não existia. Então você diria que o trigo passou de um alimento bom para um alimento ruim, ou de um alimento ruim para um ainda pior?

Dr. Davis: Eu iria com a segunda opção, indo de um alimento ruim com efeitos adversos para a saúde em algumas pessoas, para um alimento incrivelmente ruim com efeitos adversos para quase todo mundo.
É lógico, se você estivesse faminto e a sua única opção de comida fosse pão, você deveria comer o pão. Não há dúvidas que o trigo, como um produto dos primórdios da agricultura, serviu para alimentar os humanos quando o a caça ou coleta falhava. Como o Dr. Diamond aponta, esta fonte de calorias, este seguro contra os dias de caça infrutífera, e alimento de conveniência teve consequências adversas para a saúde mesmo para os humanos antigos, mesmo em suas primeiras formas, como o einkorn e emmer.
Nós temos como um fato que o consumo de trigo tem sido prejudicial para os humanos desde que começamos a consumi-lo através de observações como as apontadas pelo Dr. Diamond: humanos diminuindo de estatura, aumentando de peso e adoecendo mais (doenças ósseas, apodrecimento dos dentes, câncer, talvez aterosclerose) com o consumo de trigo, assim como as descrições de doença celíaca tão antigas quanto 100 AC.
São as alterações introduzidas pelos geneticistas durante os últimos 40-50 anos, em conjunto com a recomendação para que se consuma mais trigo, que conspiraram para a criação da atual bagunça em que nos encontramos, transformando o trigo de um ingrediente problemático a um flagelo que exerce efeitos adversos à saúde em escala internacional.

Fat Head: Vamos falar sobre alguns dos problemas de saúde específicos que podem ser causados ou acelerados pelo trigo. Um dos meus leitores tem uma irmã que foi curada de esclerose múltipla após eliminar o trigo. Outros me contaram que foram curados de fibromialgia, transtorno de déficit de atenção ou depressão. Eles estão todos loucos, ou os “saudáveis grãos integrais” tem alguma coisa a ver com essas doenças?

Dr. Davis: Mesmo eu tendo testemunhado os incríveis efeitos da eliminação do trigo em milhares de pessoas durantes muitos anos, mesmo eu ainda aprendo novas lições sobre seus efeitos. Parece que não passa uma semana sem que eu aprenda algum novo benefício da eliminação do trigo.
Eu também ouvi incontáveis casos de alívio evidente, e ocasionalmente cura, de fibromialgia, TDA e depressão. Eu tenho apenas algumas instâncias em que eu testemunhei melhoras em esclerose múltipla, já que esta doença é incomum na população que eu atendo na prática de cardiologia e na minha experiência de saúde cardíaca on-line. Mas dado o alcance do trigo em tantos aspectos da saúde, eu não ficaria nem um pouco surpreso de ver uma remissão substancial da doença, dado os potenciais efeitos inflamatórios dos componentes do trigo no sistema nervoso central.
Infelizmente, a maioria dos meus colegas tratam isso como pura coincidência, apesar do fato disso poder ser ligado com o consumo de trigo, e desligado com a eliminação do trigo, ligado novamente à vontade – repetidamente, reprodutivelmente, e em muitas, muitas pessoas. A noção que grãos integrais são saudáveis está tão profundamente infiltrada no pensamento das pessoas na área da saúde que elas são muito resistentes a mudar suas visões.
Eu comparo esta situação a viver em um vilarejo onde todos bebem a água do mesmo poço. Um dia, 9 entre 10 pessoas ficam doentes bebendo dessa água; eles melhoram quando param de beber a água. Por conveniência, eles voltam a beber a água do poço e 9 entre 10 prontamente adoecem novamente; melhoram de novo quando param. Nós exigimos um estudo clínico para provar que existe realmente um problema? Insistimos que é apenas a imaginação das pessoas e que a diarréia e desnutrição resultantes do consumo da água é devido a alguma outra coisa? Esta é a situação em que nos encontramos com esta coisa que nos vendem e chamam de “trigo”.
Eu não acho que estou causando uma histeria coletiva, com todo mundo atirando loucamente seus produtos feitos com trigo no lixo porque eu mandei. As pessoas estão relacionando suas experiências de perda de peso substancial sem restrição calórica, alívio de múltiplas condições e doenças, assim como sentimentos subjetivos de bem-estar e humor melhorados. De fato, eu diria que a eliminação do trigo é a estratégia mais incrível e consistentemente efetiva para a melhora da saúde que eu jamais testemunhei em 25 anos de prática de medicina.

Fat Head: Eu abri mão do trigo e outros grãos primeiramente para perder peso, então eu fiquei agradavelmente surpreso quando vários problemas de saúde irritantes foram embora logo em seguida… psoríase, uma asma leve, refluxo gástrico e artrite entre eles. Com que frequência você vê resultados como o meu, e por que o trigo causa estes problemas em primeiro lugar?

Dr. Davis: Resultados como o seu são a regra, não a exceção. De fato, é apenas ocasionalmente que uma pessoa diz “eu perdi 2 quilos em um mês mas nada mais aconteceu.”
Sendo conservador, eu estimaria que 70% das pessoas experienciam benefícios substanciais além da perda de peso. Pode ser o alívio de um problema de pele como psoríase, alívio de problemas nas vias respiratórias como asma e sinusite crônica, alívio de problemas gastrointestinais como refluxo ácido e síndrome do intestino irritável, ou pode ser alívio da artrite simples ou da inflamatória como a artrite reumatóide. A série de problemas causados ou piorados por esta coisa não é nada menos que espantosa.
Não há nenhum componente isolado do trigo que seja responsável por sua miríade de efeitos adversos para a saúde. A proteína gliadina é responsável por efeitos inflamatórios diretos, enquanto ao mesmo tempo estimula o apetite. A proteína glúten é responsável pelo efeito inflamatório destrutivo no intestino e no sistema nervoso central. As lectinas no trigo provavelmente estão por trás do aumento da permeabilidade intestinal para múltiplas proteínas de fora que se cascateiam em problemas inflamatórios e auto-imunes como artrite reumatóide e lupus. A amilopectina A é responsável pela expansão da gordura visceral no abdômen, a “barriga de trigo” que por sua vez leva à inflamação, resistência à insulina, diabetes, artrite e doença cardíaca.

Fat Head: Então são primariamente o glúten e as lectinas no trigo que causam tantos problemas digestivos, ou há alguma outra coisa envolvida também?

Dr. Davis: Incrivelmente, ainda que o efeito do trigo no rompimento da saúde do sistema digestivo seja ubíquo – certamente é muito mais do que a doença celíaca – tem havido pouca exploração dos motivos. Então eu só posso especular o porquê do trigo exercer efeitos gastrointestinais tão frequentes e generalizados.
Provavelmente tem a ver com a gliadina, o glúten e as lectinas – um ou uma combinação de todos eles. Também estou convencido que há componentes no trigo além destes três que exercem efeitos adversos para a saúde que explicam por que eu vejo que o todo é maior que a soma das partes, isto é, que a remoção do trigo parece proporcionar maiores benefícios do que cada componente prejudicial sugeriria.

Fat Head: Todos os tipos de glúten são igualmente ruins ou alguns são piores que outros? Se alguns são piores, será o glúten do trigo moderno particularmente danoso?

Dr. Davis: A estrutura do amino ácido do glúten pode variar amplamente, mas todo glúten compartilha a viscoelasticidade característica desejada pelos padeiros e consumidores, a propriedade que permite ao pizzaiolo jogar a massa para o alto para dar forma à pizza e permite que as massas sejam moldadas em múltiplas formas.
As piores, mais nocivas formas de glúten são as variedades recentes criadas por geneticistas. As mudanças introduzidas na coleção de genes “D” características do trigo moderno semi-anão são provavelmente responsáveis por quadruplicar os casos de doença celíaca no nossos tempos, dobrando somente nos últimos vinte anos. Formas menos destrutivas de glúten são aquelas encontradas em variedades antigas de trigo como a eikorn, emmer e spelt – menos destrutivas, mas não inofensivas.
Minha visão: O glúten, em todas as suas formas, mas especialmente em suas formas modernas, é potencialmente tão destrutivo para a saúde humana que a solução ideal é dizer adeus a ele completamente.

Fat Head: Você aconselha a seus pacientes a ficarem livre do trigo, ou livres do trigo e do açúcar? Eu pergunto porque se eles se livram de ambos, algumas pessoas diriam que era o açúcar que estava causando problemas, não os grãos.

Dr. Davis: Sim, o açúcar está na lista a evitar. Não há dúvidas que, pelo menos para algumas pessoas, especialmente os mais jovens, a exposição ao açúcar em refrigerantes, junk foods e petiscos é um grande problema.
No entanto, apenas eliminar o açúcar e comer mais “saudáveis grãos integrais” faz a maioria das pessoas não perder peso, mas ganhá-lo. Esta é a luta de pessoas que acreditam que estão seguindo conselhos saudáveis para limitar os doces e comer mais “saudáveis grãos integrais” para depois se encontrarem 15, 20, 50 quilos além do peso ideal.
Troque a ordem, isto é, elimine todo o trigo, e o desejo por doces é quase sempre reduzido sensivelmente, já que a gliadina, a proteína do trigo estimulante de apetite foi eliminada. É uma tarefa bem mais fácil eliminar o trigo primeiro, ao invés de eliminar o açúcar primeiro.
E, é claro, não se trata apenas do peso. Se trata de todos os outros efeitos do trigo que mesmo o açúcar não pode provocar, como inflamação nas juntas, refluxo ácido, síndrome do intestino irritável, efeitos no cérebro, retenção de líquidos, etc.

Fat Head: No livro Nutrition and Physical Degeneration (Nutrição e Degeneração Física) do Dr. Weston A. Price, ele descreveu como pessoas em sociedades tradicionais fermentavam ou deixavam de molho os seus grãos antes de consumi-los. Você acredita que fazer isso torna os grãos um perigo menor para a saúde, ou o trigo mutante atual é muito cheio de proteínas problemáticas para se tornar seguro usando estes métodos?

Dr. Davis: Deixar de molho e fermentar transformam o trigo, uma coisa ruim, em uma forma que contém menos lectinas e menos glúten (entre outras alterações), uma coisa menos ruim. Mas devemos tomar cuidado para não cair na mesma armadilha que enganou nutricionistas e agências “oficiais”: Substituir uma coisa ruim (farinha branca) por uma coisa menos ruim (grãos integrais), e então consumir bastante desta coisa menos ruim é bom para você. Esta é a lógica falha que nos levou a esta confusão.
Deixar de molho, por exemplo, reduz o conteúdo de lectinas em cerca de 35% – melhor, mas não ótimo. Você ainda estará exposto a todos os efeitos adversos do trigo, que incluem o estímulo de apetite da gliadina, altos níveis de açúcar no sangue da amilopectina A, respostas inflamatórias dos glútens e das gluteninas, e aumento da permeabilidade intestinal a proteínas de externas pelas lectinas.
Da mesma forma, a fermentação reduz a carga de carboidratos mas deixa os outros aspectos indesejáveis do trigo intactos. Melhor, claro, mas ainda não é ótimo.
Até os geneticistas estão tentando fazer a re-engenharia do trigo para torná-lo menos nocivo. Uma área de pesquisa é tentar remover todas as sequências mais destrutivas do glúten. Como usual, eles entendem a genética da planta mas não entendem nada dos efeitos do consumo desta planta na saúde humana.
Então não importa o que um padeiro ou geneticista faça para maquiar esta coisa, ela continua essencialmente a mesma, com os mesmos efeitos estimulantes de apetite, alteradores de mente, inflamatórios, auto imunes e acumuladores de peso.

Fat Head: E os outros grãos como aveia, amaranto e trigo mourisco (ou sarraceno)? Eles fazem bem ou são tão ruins quanto o trigo?

Dr. Davis: A aveia, de fato, têm sobreposição imunológica modesta com trigo. Mas o problema com a aveia recai na sua capacidade extravagante de elevar os níveis de açúcar no sangue. Uma tigela de farinha de aveia orgânica – sem adição de açúcar – pode elevar o açúcar no sangue em uma pessoa não diabética a 150 mg/dl, 200 mg/dl, as vezes até mais. Em um pré-diabético ou diabético, 300 mg/dl não é incomum. Uma das estratégias que eu ensino aos pacientes é a medir a glicose no sangue uma hora depois de uma refeição para averiguar a severidade da elevação do açúcar no sangue; foi aí que eu vi, caso após caso, níveis extravagantemente altos de açúcar no sangue após o consumo de aveia.
Amaranto e trigo sarraceno são grãos que, para todos os efeitos, são apenas carboidratos. Eles não possuem os efeitos negativos do trigo. Como a aveia, no entanto, eles elevam os níveis de açúcar no sangue, seguido de todos os efeitos adversos deste fenômeno (resistência à insulina, glicação nos olhos, cartilagens, artérias e partículas de LDL). Então eu digo para as pessoas consumirem estes grãos em pequenas quantidades, ou seja, porções de não mais que meia xícara (cozidas) no contexto de uma dieta com carboidratos limitados (40 a 50 gramas por dia para a maioria das pessoas).

Fat Head: Que tipo de reação o seu livro despertou? Ou ainda é cedo para julgar?

Dr. Davis: A reação tem sido incrível. Nos primeiros 9 dias após o lançamento, Wheat Belly entrou para a lista dos mais vendidos do The New York Times.
Mas ainda mais importante para mim, diariamente eu ouço sobre a diferença que esta mensagem está fazendo na vida das pessoas: perda de peso rápida onde pouca ou nenhuma estava ocorrendo; alívio de dores crônicas; níveis de açúcar no sangue despencando, etc. O que tem sido especialmente gratificante é que, graças ao feedback instantâneo das mídias sociais, eu fico sabendo destas histórias apenas dias depois das experiências dos leitores. Mesmo no meu consultório, eu geralmente espero vários meses para ter o feedback dos resultados dos pacientes livres do trigo. Agora fico sabendo sobre eles literalmente em dias. A efusão de feedbacks positivos tem sido absolutamente maravilhosa e reforçou ainda mais a minha convicção que este é um dos maiores problemas de saúde do nosso tempo.

Fat Head: Você ouviu algo dos chamados especialistas que insistem que os grãos integrais são parte de uma dieta saudável? Eu assumo que você não seja muito popular com esse pessoal atualmente.

Dr. Davis: A nutrição é um tópico importante. Mas é também um tópico surpreendentemente emocional. Nutricionistas e outros “especialistas” em nutrição tem sido tão profundamente doutrinados no argumento “grãos integrais são bons” que sua reação instantânea é a raiva, e que isso é uma modinha boba passageira para perda de peso rápido. Qualquer um que tenha lido o livro percebe que isto é precisamente o que Wheat Belly não é. Ele expõe todas as coisas que não lhe disseram sobre este grão geneticamente alterado, construído para aumentar o rendimento mas também aumentar o apetite.
Grupos de comércio de trigo, como a Grain Foods Foundation, emitiram comunicados de imprensa declarando sua intenção de lançar uma campanha pública para desacreditar a mim e à mensagem que trago com o Wheat Belly. Em resposta, eu publiquei uma carta aberta que também enviei por diversas mídias, convidando-os a se juntar a mim em um debate público, com câmeras de TV e tudo; eles ainda não aceitaram o meu convite – e suspeito que nunca aceitarão. Com o que eu revelei, eu duvido que eles queiram uma exposição pública de todos estes argumentos.

Fat Head: Última pergunta… Agora que o livro foi lançado, você alguma vez perde o sono à noite, pensando se as boas pessoas da Monsanto e Pillsbury estarão planejando seu sumiço? Porque se eu fosse você, eu evitaria becos escuros por em tempo.

Dr. Davis: Obrigado pelo aviso, Tom! Esta campanha anti-trigo faz inimigos em algumas forças muito influentes, incluindo a indústria alimentícia, o agronegócio, grupos de comércio de trigo e, para minha grade surpresa, a indústria farmacêutica. Eu fiquei chocado recentemente (ainda que eu suponho que não deveria ficar, sabendo do que algumas pessoas são capazes) de saber que pelo menos um grupo de comércio de trigo é largamente populado por pessoas na folha de pagamento da indústria farmacêutica. Agora, isso é uma coisa preocupante.
O que me mantém focado na transmissão desta mensagem, no entanto, são as maravilhosas histórias que eu continuo ouvindo diariamente de pessoas redescobrindo sua saúde perdida, alívio de dores, etc., tudo fazendo o oposto do que nossas agências oficiais nos dizem para fazer e fugindo para longe dos “saudáveis grãos integrais”.

Fat Head: Muito obrigado pelo tempo cedido para responder nossas questões, Dr. Davis. Eu espero que você venda um milhão de cópias.
  

131 comentários:

  1. Olá Dr.,

    Vejo que há muitas receitas low-carb que usam o trigo em farelo ao invés de farinha de trigo. Pelo que li neste post, o trigo é prejudicial de qualquer maneira. Correto?

    []s
    Andre

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro André:
      É o seguinte: o farelo de trigo não contém amido, portanto não contém carboidratos digeríveis. Assim, não altera a insulina e não engorda. Contudo, contém glúten. Muitas pessoas são intolerantes ao glúten e não sabem (só descobrem os benefícios após a suspensão do mesmo). As exorfinas do trigo podem também aumentar o apetite. Disto isso, se o objetivo é apenas emagrecer, pode comer à vontade. Para a SAÚDE, no contexto de uma dieta páleo, eu recomendaria não consumir grãos de uma forma geral, ok?

      Excluir
  2. Olá Dr. André,

    Lendo essa entrevista dá vontade de largar o trigo ontem... Mas estou começando minha dieta - 1.000.000 kg para perder! A minha dúvida é a seguinte: o gérmen de trigo funciona como a fibra de trigo?

    Obrigada
    Juliana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu, se fosse você, fugiria de qualquer derivado de trigo. A parte pior é o endosperma, onde fica o amido. Mas o germe de trigo tem glúten. Livre-se dos grãos em geral: é a minha sugestão.

      Excluir
    2. Puxa, mas olha o que você disse acima: Disto isso, se o objetivo é apenas emagrecer, pode comer à vontade.
      Por favor, esclareça melhor...

      Excluir
    3. Sim, eu estava me referindo a farelo, que não é digerível (pura fibra). Você pode comer 1 Kg de areia todos os dias e isso não terá nenhum impacto metabólico (por favor, não comam areia! :-)

      Excluir
  3. Muitas receitas low carb usam o farelo de aveia como substituto de farinha de trigo, é uma boa idéia ou não? Como é o índice glicêmico da aveia?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O índice glicêmico da aveia é elevado. O farelo em si tem menos carbs, mas contém glúten. Use farinha de coco ou de amêndoas.

      Excluir
  4. Sobre a Proteina Isolada de Soja, podemos utiliza-la sem restrição??

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É um dos alimentos mais processados que existe, o oposto de comida de verdade. Quer proteína? Coma um bife, ou um peixe, ou ovos...
      Leia isso: http://www.umaoutravisao.com.br/artigos/soja/Proteina%20de%20soja.htm

      Excluir
  5. Doutor, eu costumo comer um pão low carb preparado no micro-ondas no café-da-manhã, que leva 1 colher de sopa de farelo de trigo, 1 ovo, 1 colher de azeite e 1 de parmesão. Gosto porque praticamente mata minha fome até o meio-dia. Vi suas considerações sobre o farelo de trigo nos comentários acima. O que o senhor diz a respeito do farelo de soja? Parabéns pelo blog, grato pela atenção.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado.
      Briga feia, esta, qual o pior, soja ou trigo. Fico longe dos dois.

      Fazer substitutos low carb de pão é algo como manter na cabeceira uma foto da mulher amada que nos deixou - achamos que nos conforta, mas só aguça a saudade! Precisa jogar a foto fora e partir pra outra - como um bife com queijo ou um omelete com vegetais.

      Quando eu ainda fazia substitutos para o pão, usava farinha de coco ou de amêndoas.

      Excluir
  6. Dr. José, congratulações pela sua capacidade de expor conteúdos científicos de forma tão prática e didática. Parabenizo-o sobretudo pela disposição em partilhar seu tempo e conhecimento para ajudar tanta gente que, como eu, nem o conhece pessoalmente. O mundo seria bem melhor se houvesse mais altruístas como o senhor.
    Se possível, gostaria de tirar algumas dúvidas, visto que conto com apenas 3 semanas de dieta e, apesar de vir lendo sobre o tema, ainda não sou experiente.
    1)Para aplacar a vontade de doces que infelizmente ainda me atinge muito, ando pensando em testar algumas receitas low carb que vi em sites "linkados" aqui no seu blog. A maioria utiliza PIS e farinha de soja ou farelo de trigo. Vi uma receita de cheesecake utilizando PIS e chocolate amargo diet e fiquei tentada, mas pelo que entendi as únicas "farinhas" que o sr. recomenda são a de coco e amêndoas. É isso mesmo? E quanto aos adoçantes eritritol e stevia, indicados na receita, há restrição?
    2)Guaraná zero e coca zero estão liberados? Consumo todos os dias mas temo que possa travar a dieta, pois tenho lido em outras fontes, ainda que sem maior caráter científico, que a cafeína e o aspartame poderiam interferir na liberação de insulina e prejudicar a cetose.
    3)Em quase 3 semanas de dieta, perdi 2kg e estacionei há alguns dias. Mesmo assim eu já poderia me dar o luxo de tentar algumas sobremesas low carb, como cacau em pó sem açúcar misturado com creme de leite?
    Obrigada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Mônica.
      A vontade de comer doces desaparece, mas leva TEMPO. Acho que coisas como gelatina diet, PIS, pizza low carb, são todas válidas na jornada. Não gosto de soja, mas consumi leite de soja nos primeiros meses da minha jornada, até estudar e descobrir que não me fazia bem. Mas não atrapalhou em nada a perda de peso. Um dia, vc se livrará dessas coisas, mas até lá, se julgar necessário, use todas essas ferramentas, ok? O ótimo não pode ser inimigo do bom. Se vc encontrar eritritol, me avise, desconheço que isso exista no brasil (é uma boa opção para doces low carb). Estevia: ok.
      De fato todo adoçante artificial libera um pouquinho de insulina, mas NEM SE COMPARA ao açúcar. Perdi 15 Kg tomando coca zero TODOS os dias. Hoje, não tomo mais. Mas levei 1 ano para largar o vício. Cacau com creme de leite é uma boa opção. Minha sobremesa preferida é Whey de chocolate com nata.
      Vá fazendo a coisa certa, que aos poucos o peso vai embora. Quando vc perceber que a fissura pelos doces diminuiu, vá largando os adoçantes, mesmo que leve 1 ano.

      Excluir
  7. Obrigada, Dr! Esclareceu bem as minhas dúvidas. De fato, quando fui procurar o eritritol para fazer a receita, não consegui encontrar em lugar nenhum em minha cidade. Encontrei o Stevita em pó para uso culinário, mas vi que possui maltodextrina, portanto não comprei. A sucralose em pó(Finn) também leva maltodextrina, então comprei sucralose líquido mesmo e um de ciclamato e sacarina em pó. Espero que sejam adequados. Quanto ao whey, é o isolado que o sr. usa? Vi que há vários tipos. É possível comer creme de leite 0 carb à vontade? Tenho comido com morangos e sucralose de sobremesa e está me ajudando na falta dos doces. Obrigada novamente pelos esclarecimentos e pelo estímulo. O senhor me respondeu justo num dia em que eu estava propensa a fraquejar, mas resisti!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os adoçantes em pó que conheço no Brasil sempre tem algum açúcar junto (maltodextrina ou lactose), vá entender por quê?? Vá de adoçantes líquidos, que não terá problemas (verifique no rótulo sempre, mas a maioria usa água como diluente). Quanto ao Whey, eu uso o BioWhey da Performance Nutrition, que tem zero carbs e, embora caro, é um dos mais acessíveis.
      Outro dia, em visita à minha irmã em São Paulo, descobri que em S Paulo não há NATA para vender no supermercado, apenas creme de leite. Nata é realmente ZERO carbs, é 50% gordura (quase igual à manteiga, mas é branca e não amarela). A vantagem da nata é que é feita apenas de leite. Creme de leite tem um monte de coisas (caaragena, conservantes, etc.). E tem um pouco mais de lactose (ele podem colocar 0% quando a quantidade por PORÇãO for menor do que 0,5%, e a porção é uma colher de sopa). Assim, pode comer o creme de leite sim, mas se vc puder achar NATA para vender, é mais gostoso, mais natural e mais low carb.
      E, lembre-se, o bom é melhor que o ótimo. Não achou nata? Coma creme de leite. Não achou adoçante líquido? Compre em pó, que 2 ou 3 gramas de maltodextrina ainda são melhor do que várias colheres de açúcar.

      Excluir
    2. Dr., logo que li seu comentário fui verificar a minha "nata". No rótulo diz: creme de leite pasteurizado e entre parentese a palavra "nata" e ainda consta 49%, não contém glúten. Nos ingredientes diz: creme de leite pasteurizado. Não constam informação quanto à quantidade de carboidratos. É nata ou não é? hehe
      Abraços!

      Excluir
    3. É esse mesmo, vc acertou em cheio!! Pode comer com morangos, amoras, misturado no café preto, enfim...

      Excluir
    4. Em Salvador nunca vi nata. Uma pena. :(

      Excluir
  8. Dr. gostaria de saber se o Sr. indica o livro do Atkins, se é um bom guia para seguir dieta low-carb e paleolítica. No caso desta última, tem algum bom livro em português?
    Obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Livro do Dr. Atkins: ótimo para low carb.

      Páleo: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/10/livro-em-protugues-sobre-dieta.html

      Excluir
  9. Ola Dr.! Gostaria de saber se todos os alimentos considerados "nuts" (amendoas, amendoim, avelas, nozes...) sao permitidos.
    Sei que os niveis de gordura neles sao altos e de carboidratos baixos, mas o consumo dos mesmo faz bem a saude? Fiquei em duvida, ja que eles tambem sao "sementes".
    Obrigado!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá. As nuts são outra categoria, nada a ver com os grãos. E estão liberadas sim. Só lembre que eles têm carbs. Um punhado, ok. Dois sacos inteiros, muitos carbs... Eu às vezes como um saco grande, daqueles de 100g - mas isso sou eu, e eu estou em fase de manutenção. Quando eu estava na fase de perda de peso, comia bem menos do que um saco inteiro.

      Excluir
  10. Dr. Joao, foi por acaso que cheguei ao seu blog, mas confesso que ao ler este texto fiquei motivada a retomar com afinco a minha reeducação alimentar, que iniciei em março deste ano, e com a qual perdi 10 quilos. Sou jornalista, busco sempre informações, e costumo dizer que faço a "dieta da informação", rsrsrsrs... A minha base inicial foi o livro do Dr. David Servan-Scheiber, que defende a retirada do açúcar e de outros alimentos. Fiz isso, segui as regras, e optei por tirar o trigo para desintoxicar o organismo. Perdi peso bem, e melhorei da enxaqueca. Mas o meu erro foi introduzir os grãos integrais após fazer o desmame da farinha branca. Vou tentar buscar mais informações sobre a dieta low carb e gostaria de saber aonde posso encontrar receitas, e mais informações. Além do livro "A Dieta dos nossos Ancestrais", o senhor me indicaria outro? Muito obrigada pela atenção.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Renata. O livro Anticâncer a que você se refere é sensacional, mas peca neste detalhe (grãos integrais). Sobre trigo, o melhor livro é este referido acima, Wheat Belly. Leia também o "Paleo Solution", de Rob Wolf. Em português? Só este blog... :-)

      Excluir
    2. Sobre receitas, há blogs brasileiros listados à direita nos "LINKS".

      Excluir
  11. Olá Doutor, gostaria de saber se o Glúten pode causar dores e queimação na região pélvica? Grato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Edson, cada vez mais me convenço que o glúten pode causar as coisas mais bizarras (desde enxaqueca, dores articulares até cistite intersticial). Sugestão: 4 semanas de abstinência TOTAL de glúten, e vê o que acontece.

      Excluir
  12. A muitos anos sempre me alimentei a mim e aos meus filhos com uma base de dieta paleolitica. Neste momento estou a comer graos de soja cozidos mas a minha alimentaçao foi durante muitos anos a base de uma dieta paleolitica mas de uma maneira anarquica. Gostava , se fosse possivel, de ter uma lista mais ou menos aceitavel dos diversos alimentos que eu possa passar a ingerir ou dos alimentos verdadeiramente reprovaveis. Tenho 70 anos, tenho parkinson, sou totalmente independente por enquanto.Sempre tive uma atividade fisica e neste momento limito-me a fazer a marcha todos os dias(conforme onde eu esteja uma hora ou mais). Espero a sua resposta.
    obrigada pela sua disponibilidade e compreensao.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prezada Maria Helena,

      Soja definitivamente não faz parte de uma dieta páleo. Na verdade, é simples: come-se animais e, dentre as plantas, não se come grãos e legumes (legumes são as sementes que crescem em vagens, como soja e feijão). E evita-se produtos industrializados e artificiais. Na seguinte postagem, vc pode ver isto de forma mais detalhada: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/01/como-devo-comer-comida-de-verdade.html

      Excluir
  13. Dr. José Carlos parabéns por esse blog tão informativo! Tive uma doença autoimune que atacou meus rins (GEMFS) e segundo meus médicos (nefro, endocrino, nutricionista e até dermato) minha boa alimentação contribuiu e muito para que meu corpo pudesse responder bem a medicação e combater a doença até que ela entrasse em remissão total. Graças a minha preocupação com os alimentos também sofri impactos muito menores de efeitos colaterais do uso em longo prazo de doses altas de corticóides. Mas mesmo sempre me alimentando bem alguns alimentos do nosso cotidiano realmente não fazem o bem que esperamos deles ao nosso organismo. A dieta paleolítica foi um achado para mim embora gostaria de tirar algumas dúvidas: quase não consumo leite mas seus derivados (queijos e iogurtes, embora sempre prefira os queijos magros como cottage, ricota e minas frescal light) eu gosto de consumir moderadamente. Seria ineficaz para a dieta consumí-los? Outra questão: cortar o trigo não é nenhum problema para mim, mas posso substituir a farinha de trigo por farinha de cevada, berinjela, maracujá, amora e banana? A de linhaça e soja acredito que por serem oriundas de grãos não sejam benéficas. Quanto ao açúcar, já o substitui faz tempo pelo adoçante stevia. Também costumo regular e muito o uso de sal (quase não uso quando cozinho, apenas para as comidas do meu marido que faz questão) e compro um sal com 66% de redução de sódio, existe alguma contra-indicação nessa dieta quanto ao uso de sal? Com relação a manteiga e requeijão, sempre compro light, o uso deve também ser moderado como os demais laticínios? Uma última dúvida, prometo, rs, o pão sem glúten é recomendado nessa dieta? Desde já agradeço a atenção!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Raquel:

      1) os derivados de leite são bons para quem tolera bem os laticínios. Têm pouca lactose, ao contrário do leite.

      2) Não vejo problemas com as farinhas que vc citou, exceto cevada, que contém glúten.

      3) Linhaça - ótima opção. Soja, péssima opção.

      4) Sem contraindicações quanto ao uso de sal (siga a orientação de seu nefrologista).

      5) Vc não precisa temer a gordura natural dos alimentos - compre as versões normais das coisas, não-light.

      6) Pão sem glúten - não sou muito fã. É obviamente melhor que o com glúten, mas são cheios de carboidratos (farinha de arroz, milho, etc) - aumentam a insulina igual.

      Excluir
    2. Muito obrigada Dr. me esclareceu muito! Mas quanto a farinha acabei me enganando e colocando cevada quando na verdade queria dizer centeio.
      Depois de algum estudo realmente verifiquei que versões light não são benéficas como as pessoas pensam; pois os fabricantes de alimentos eliminam ou reduzem alguns componentes mas adicionam outros.

      Não sou mesmo fã de soja, muito menos do leite, então a dúvida foi só para saber se eu teria algum benefício que desconhecia consumindo soja.

      Mas quanto ao pão, confesso que de vez em quando sinto uma vontade, hábito mesmo, de comer mais pela consistência e pelo fato do sanduíche ser uma opção rápida e leve, se bem feita, de se alimentar quando o tempo é muito curto para tal. Talvez seja melhor pesquisar alguma receita de pão caseiro com os componentes da dieta low carb para criar um novo hábito, o que acha, boa opção?

      Excluir
    3. Raquel, dê uma olhada nos blogs em português citados à direita - tem um monte de receitas.

      Excluir
  14. Olá Dr.José Carlos, me intriga um fato.A cultura brasileira nutricional é a combinação do arroz e feijão e é consumido desde sempre...Minha filha tem uma amiga em que o pai é italiano (come massa TODOS os dias) e a esposa Holandesa (não come açúcar e é vegetariana). Elas adaptaram suas receitas e as massas são feitas com uma variedade maravilhosa de alimentos vegetarianos. Ambos são magros, assim como as crianças. Pode ser uma razão genética sim, mas da mesma forma conheço pessoas que comem arroz e feijão todos os dias e não engordam. Sei que o açúcar é o grande vilão, e tudo o que contem farinha refinada, e que o arroz branco vira açúcar no organismo. Minha pergunta é: como ser possível alterar a tradicional dieta brasileira? Abraços e obrigada,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A tolerância individual aos carboidratos é MUITO variável. Já escrevi neste blog que ninguém irá engordar por consumir dietas tradicionais ricas em carbs tradicionais (arroz, mandioca, frutas). Mas, UMA VEZ QUE tenham adoecido após décadas de abuso, o TRATAMENTO envolve uma dieta com restrição de carboidratos. O grande vilão é o açúcar (sacarose, que é glicose + frutose). O amido é bem menos problemático.

      Veja um exemplo aqui de uma sociedade que não come low carb, mas é saudável (nada refinado): http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/01/entrevista-com-staffan-lindeberg.html

      E todo mundo pode modificar a dieta, é só querer. A indústria já fez isso com a dieta tradicional brasileira: as pessoas não usam mais banha, usam óleo de soja. Não usam mais manteiga, usam margarina. Isso é péssimo, mas mostra que é possível mudar a cultura de um povo com propaganda.

      Excluir
  15. Fantástico!!! É uma pena não ter o livro traduzido para o português, gostaria muito de ler. :/

    ResponderExcluir
  16. Bom dia dr. Parabens pelo blog. No minimo interesantissimo. Estou na segunda semana do low carb e gostaria de saber uma media de ate qto de carb o corpo continua em cetose . Posso coca zero e trident sem coprometer a cetose? Obrigado dr. Vou comprar os livros e aprofundar mais no assunto. Abs

    ResponderExcluir
  17. Bom dia dr. Parabens pelo blog. No minimo interesantissimo. Estou na segunda semana do low carb e gostaria de saber uma media de ate qto de carb o corpo continua em cetose . Posso coca zero e trident sem coprometer a cetose? Obrigado dr. Vou comprar os livros e aprofundar mais no assunto. Abs

    ResponderExcluir
  18. Obrigada pela otima traducao! Moro na inglaterra e tenho e jah li o livro em ingles "wheat belly", porem, ler a material em portugues e saber que essa informacao preciosa esta chegando aos que nao falam ingles eh otimo!Eu tinha comentario do livro e seu conteudo para membros da minha familia mas eles nao tinham entendido o conceito direito, entao esse artigo foi muito esclarecedor....obrigada!

    ResponderExcluir
  19. Tem livro em português sim! Mas parece que só vende em livrarias de Portugal. "Sem Trigo, Sem Barriga" de William Davis. Amostra-> http://m.wook.pt/ficha/?id=14828337. Venda-> http://www.fnac.pt/Sem-Trigo-Sem-Barriga-William-Davis/a672953

    ResponderExcluir
  20. Ola Dr estou comecando com a dieta ja fazem 3 dias ainda, tenho 1.63 altura e estou pesando quse 100k, peso que nunca tive antes. Ja estou morando na Dinamarca ha 2 anos e depois que cheguei aqui disparei engordando e ganhei mais de 20 k neste pais frio, ja me esforcei com todo tipo de dieta e sempre paro no meio do caminho..porem estou chegando a consciencia atraves de seu blog que nao temos saida so poderemos perder peso e estar bem e saudavel com a retirada do carboidrato e acucar..estou entendendo tudo agora e claro fazia tudo errado neh..na luta para emagrecer..tenho quase 40 anos ai fica muito mais dificil chegar la e o pior nunca tive facilidade de perder 1 grama se quer , portanto, estou apostando que com todas as suas informacoes e orientacoes enfim posso chegar la. ESTOU APOSTANDO NISSO ! Entao quero muito que me diga se estou no caminho : pela manha como panqueca de ovo com queijo brie ou mussarela com salada ou nao e 2 cafe preto sem acucar claro! E tenho tomado agua com gas que ja vem com citrus e ainda assim coloco suco de limao natural. Como castanhas diversas ao longo do dia , no jantar, pois aqui na Dinamarca so fazemos 2 refeicoes por dia , como uma carne com salada tipo alface tomate brocolis ou couve flor..e entao o que vc me diz? Tenho duvida qto a agua com gas , ela pode engordar? Nao estou comendo fruta por um tempo vou evitar por causa da frutose. Dr preciso perder tantos kilos que nao posso imaginar por qto tempo vou subir na balanca e ver o ponteiro baixar bemmm pra menos! Obtigada pela colaboracao e seu site é divino! Bjus

    ResponderExcluir
  21. Olá Jecika.

    Ao que tudo indica, você está indo muito bem. Se a água não tem açúcar, tudo bem. Eu não sei se existem águas saborizadas com açucar, na dúvida olhe a composição.

    fique atenta tbm com a quantidade de castanhas, não exagere! E fique tranquila, não é em um mês que conseguimos ajustar estragos de anos, certo? Devagar é o melhor.

    ResponderExcluir
  22. Sim, está muito bom!

    E vc está na Escandinávia, a terra do LCHF (bem verdade que mais na Suécia, mas mesmo assim...).

    Siga nesta linha, e vc terá resultados!
    Em 03/07/2013 20:19, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  23. Patricia obrigada pelo carinho em responder e com tamanha precisao, isso só mostra a competencia e consideracao de vces neste blog...assim ja subiram muito em meu conceito! Rs
    Veja Pat, a agua com gas nao contem acucar mas por vias das duvidas nao vou mais tomar vai que ela seja a causadora do problema ne...qto as castanhas já segui seu conselho e estou manerando...estou feliz em ver que com esta dieta nao sinto fome e nem uma vontade agucada de comer doces e assim vamo que vamo qdo eu tiver resultados nas minhas medidas farei questao de postar ...vamos ver em 30 dias o que passa neh..bju e bigadao!,

    ResponderExcluir
  24. Obrigada Dr Souto, fiquei muito contente por sua atencao e cuidado em ser útil e prestativo a nós carentes de informacoes e incentivo a alcancarmos nosso objetivo na luta contra o sobrepeso..sim estou na Escandinavia e a Suecia é nosso vizinho sempre estamos por la, que bom que LCHF veio dessas bandas ...rs..em breve te direi a que pé estamos na balanca viu...beijos e inteh Dr querido!

    ResponderExcluir
  25. Ok!

    Água com gás: não vejo problemas
    Em 04/07/2013 18:08, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  26. Andreia Rodrigues2 de agosto de 2013 21:10

    Olá! muito bom esse site, excelente conteúdo. Faço nutrição e estou cursando o 4° semestre e to achando que faculdade de nutrição no geral é mais pra pegar o diploma porque muito do que se vê lá é totalmente contraditório e ultrapassado!!! Que bom que te achei porque a maioria esmagadora do conteúdo dentro da blogosfera sobre nutrição é a mesma balela de sempre...salvou meu curso rsrs por favor continue sempre :)



    Abraços

    ResponderExcluir
  27. Viva! Vc estuda onde?
    Em 02/08/2013 21:10, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  28. Andreia Rodrigues3 de agosto de 2013 10:34

    Uniplan- DF . Não é nenhuma federal rsrs mas tenho amigos na UNB que dividem o mesmo problema! Eu sinto muita carência de boas fontes como esta aqui no blog, até mesmo os seminários de nutrição deixam muito (muito mesmo) a desejar! Ironicamente, nunca gostei de nutricionistas! Mas não desacredito na nutrição, pelo contrário, mas sim no sistema que ela está seguindo cegamente!! Achar estes estudos foi como me sentir em casa :)

    ResponderExcluir
  29. Precisamos cada vez mais de gente como vc!! Troque uma ideia com esta estudante de Porto Alegre: larissascalabrini@hotmail.com


    Em 3 de agosto de 2013 10:34, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  30. Andreia Rodrigues4 de agosto de 2013 07:51

    ok!! obrigada por responder :)

    ResponderExcluir
  31. Sidnei Leal Pércilla Mendes6 de agosto de 2013 19:14

    Dr. algum problema quanto a NATA industrializada? E requeijão e creme de leite?

    ResponderExcluir
  32. Nata é tudo de bom.
    Requeijão, observe os carbs, nada light.
    Creme de leite Nestlê de lata.

    ResponderExcluir
  33. Eu como nata de colher, todos os dias. Requeijão - olhe o rótulo - faz tempo que não uso. Creme de leite precisa ser o Nestle de lata. Todos os de caixa, inclusive o da própria Nestle, são cheios de porcarias (espessantes, carragena, etc).


    Em 6 de agosto de 2013 19:14, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  34. Dr,Souto,ontem fui numa confraternização,que no final claro tinha os comes e bebes,pois é na mesa todos os tipos de salgadinhos como coxinhas,risolis, pizzas,um bolo maravilhoso,muitos tipos de doces e refrigerantes,e eu ali parada vendo se eu podia comer alguma coisa,e o pior é lidar com o pessoal nossa tanta coisa gostosa e vc não come nada,pior realmente não tinha nada que eu pudesse comer,eu queria ver o que vc faria numa situação dessa,saberia emprovisar?que dica me daria?dureza viu!!!!

    ResponderExcluir
  35. Eu diria que sou intolerante ao glúten, e nunca vou a nada disso com fome. Em 16/08/2013 01:20, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  36. Quando são programadas, eu levo frios. As vezes essas confraternizações acontecem de última hora. Eu literalmente 'descasco' os salgados, e como só o recheio, e desfaço os sanduíches! Quando alguém olha torto ou pergunta alguma coisa respondo com cara de nojo: "eu não como essa massaroca, credo!" Se não tem nada diet, peço um café ou tomo água.
    Teve uma vez que tirei o pão de um sanduíche e uma senhora me olhou torto e falou: "que desperdício"... Eu peguei o pão, amassei na mão e virou uma 'bola' de massa. Mostrei pra ela e disse: agora joga essa bola dentro do seu copo de refrigerante... já viu o tamanho que ela fica? Imagina isso dentro de vc? o que é melhor deixar no lixo ou em mim?...

    ResponderExcluir
  37. Obrigado, Dr.Souto pela dica,acho que vou mesmo tendo que dar essa desculpa,porque é por demais de chato ficar explicando o tempo todo porque você não esta comendo determinadas coisas,mesmo porque tem pessoas que não entendem e ainda nos dizem,desse jeito não se pode comer mais nada,pois tudo faz mal,tudo engorda,até mesmo os familiares,desisti de falar,mais valeu obrigado.

    ResponderExcluir
  38. Muitas vazes essas coisas não são programadas ai já viu né?sem contar os finais de semana que quando vem gente em casa ou mesmo que não venha ,o maridão acaba dizendo vamos pedir uma pizza?ai se vc fala que não vai comer é outra briga,a gente vive em uma sociedade que come errado a anos e fomos criados assim,mudar isso de uma hora pra outra na cabeça das pessoas é uma loucura,mais devagar e sempre,obrigada

    ResponderExcluir
  39. Dr.Souto o que seria doces low carb e pizzas low carb?

    ResponderExcluir
  40. Olá Rosemary

    São doces e massas com baixo teor de carboidratos. Para entender e ver receitas olhe os blogs em português citados à direita da pag do blog.

    ResponderExcluir
  41. Dr., pode acontecer de iniciar a dieta e perder bastante peso, ter uma recaída de 7 meses engordando o dobro e qdo iniciar a dieta novamente nao emagrecer nada? E ainda durante a dieta amanhecer inchada? Obrigada.

    ResponderExcluir
  42. Quanto mais dieta ioiô vc fizer, mais difícil será perder peso. Mas como é uma mudança para o resto da vida, não há pressa, persista e vc terá resultados novamente.
    Em 18/08/2013 16:07, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  43. Sidnei Leal Pércilla Mendes24 de agosto de 2013 00:08

    Não achei nata no supermercado... tem alguma indicação de marca Patrícia?

    ResponderExcluir
  44. Retirar o trigo da dieta ou reduzi-lo ajuda a melhorar psoríase tb?

    ResponderExcluir
  45. No caso de um indivíduo com diabetes tipo 2, que já teve infarto, tem ponte de safena, mas tem colesterol abaixo de 300 (toma medicamento), é seguro alimentação low carb, com mais gordura?
    obrigada!

    ResponderExcluir
  46. Reduzir, não. Eliminar, SIM

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 11/10/2013 20:21, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  47. Se fosse meu paciente, sim

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 11/10/2013 20:23, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  48. Caraca! Que depoimento!!!


    Dr, to nessa fase, carência matinal com os pães.


    Mas vou com calma..um dia omelete, outro um pão de amêndoas...e assim sigo intercalando.


    Chega de aguçar essa 'saudade"


    Momento: blogterapia rsrsrs


    Valeu, Doutor!!

    ResponderExcluir
  49. Doutor José, será que posso seguir essa dieta sendo ultramaratonista?

    Já fiz uma dieta com restrição de carboidrato e eliminei mais de 15kg, mas não praticava esportes.

    Atualmente não tenho problema com meu peso e tenho a corrida como atividade física principal, mas tb pratico natação, ciclismo e musculação. O meu problema, devido a corrida de longas distâncias (em minha última prova alvo percorri 110km), é dificuldade em ganhar massa magra. Meu percentual de gordura deveria ser baixo com tantas atividades, mas não foi isso que descobri em minha última avaliação. Com isso, resolvi mudar minha alimentação e lembrei de sua entrevista no corrida no ar sobre a dieta paleolítica.

    Se eu puder seguila, tenho que fazer alguma alteração para os meus treinos de corrida de mais de 3h? Devo abolir o isitônico? Continuo utilizando o gel de carboidrato?

    ResponderExcluir
  50. http://www.bengreenfieldfitness.com/


    Em 7 de novembro de 2013 16:09, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  51. https://drive.google.com/file/d/0BwtrwUCsRkDDelRJSEd4dUV5OFk/edit?usp=sharing

    Em 7 de novembro de 2013 16:30, Jose Carlos Souto escreveu:

    ResponderExcluir
  52. Muitíssimo obrigada!

    ResponderExcluir
  53. ;-)


    2013/11/7 Disqus

    ResponderExcluir
  54. Dr. Solto, por gentileza, em uma das perguntas da entrevista diz que o problema maior da aveia é: "elevar os níveis de açúcar no sangue". E com relação ao glutén? A aveia contém glutén, certo? Minha intenção não é perder peso, pois sou magra (até a baixo do peso para minha altura) e por mais que eu coma até refinados não engordo. Mas quero ter uma alimentação saudável. Obrigada.

    ResponderExcluir
  55. Em lojas especializadas vc encontra aveia sem glúten

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 02/05/2014 22:31, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  56. Concordo 100% que a farinha de trigo se tornou persona non grata na dieta da população sedentária. Mas para os que pegam no cabo da enxada, quer carpindo quer misturando cimento, na estiva ou correndo maratona, não tem jeito. Para esses, o trigo não faz mal. É gasto assim que entra na corrente sanguínea. Será que falei besteira?

    ResponderExcluir
  57. Um terço dos maratonistas têm sobrepeso e/ou síndrome metabólica. Aliás, isso está no livro do William Davis. Isso sem falar nas doenças autoimunes, que nada tem a ver com peso ou exercício.

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 16:33, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  58. Sem chance. Eu me refiro a maratonista profissional mesmo, e não esses desavisados de final de semana. pra manter a forma. A São Silvestre tem o pelotão de elite e o resto não conta, né?

    ResponderExcluir
  59. Eles não são magros porque correm, correm porque são magros. Leia sobre Tim Noakes.

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 19:18, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  60. Concordo que quem tem doença celíaca não vai se beneficiar de alto carbo pra correr maratona porque vão faltar outros nutrientes além da energia requerida pra correr, inclusive o ferro. Fora isso, o termo resistência ao carboidrato parece não fazer parte da literatura médica e científica ainda, né? Nós não podemos é nos entupir de alto carbo porque não temos onde gastar, porque vai produzir pico glicêmico, glicação, inflamação e tudo o mais. Mas não aceito que seja uma resistência propriamente dita, pois o que para de funcionar é a produção de insulina e não a digestão do carbo.

    ResponderExcluir
  61. O problema é RESISTÊNCIA À INSULINA, não falta de produção.

    Façamos o seguinte: Leia esse livro, e conversamos após: https://docs.google.com/file/d/0BwtrwUCsRkDDTHFhQUJUdHFaS3M/edit?usp=docslist_api
    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 20:01, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  62. 40% das pessoas com síndrome metabólica são magras. O erro é justamente tratar como várias coisas separadas. Síndrome metabólica é causada por uma coisa ÚNICA: resistência à insulina e hiperinsulinismo.

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 20:14, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  63. IMC < 25

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 21:19, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  64. Eu conheço um senhor sexagenário, magro que foi diagnosticado com diabetes II tarde na vida. Meu vizinho de porta, menino de uns 15-16 anos sofre de diabetes I, magro toda vida. De vez em quando ele exagera nas porcarias e vai pra UTI. Nenhum dos dois é diagnosticado com síndrome metabólica. Meus pais são octogenários, ambos tomam lozartan. Papai come muito pouco, mamãe tb. Não são gordos, embora já tivessem sido. Nem um nem outro foi diagnosticado com síndrome metabólica.

    "O problema é mais frequente na faixa entre os 40 e 60 anos, com prevalência entre 12% e 28% nos homens e entre 10% e 40% nas mulheres. A pessoa é considerada portadora da síndrome metabólica quando tem alterações em pelo menos três dos seguintes indicadores: cintura abdominal igual ou maior que 94 cm nos homens e 80 cm nas mulheres; índice de massa corporal (IMC, índice obtido dividindo-se o peso pela altura ao quadrado) igual ou maior que 25; glicemia de jejum acima de 100 mg/dl ou diabetes diagnosticada; HDL (colesterol bom) menor que 40 mg/dl nos homens e 50 mg/dl nas mulheres; triglicérides acima de 150 mg/dl; e pressão arterial maior que 130 x 85 mmHg."

    http://www.einstein.br/einstein-saude/saude-executivo/Paginas/sindrome-metabolica.aspx

    ResponderExcluir
  65. "O perfil clássico do paciente com síndrome metabólica é a pessoa com sobrepeso, particularmente quem tem acúmulo de gordura abdominal. “Mas a síndrome pode atingir todos os biotipos. Pessoas magras terão IMC e cintura abdominal normais, mas estão sujeitas a outras alterações metabólicas que definem a síndrome.”, afirma o Dr. Marcos Knobel, cardiologista do Einstein."

    Ibdem link acima.


    Eu sou magra, sou portadora de traço talassêmico.
    Sempre fui anêmica. Vai ver que tenho síndrome metabólica...(kidding :) )

    ResponderExcluir
  66. Diabetes tipo 1 não tem NADA a ver com síndrome metabólica.

    É muito raro um diabético tipo 2 que não seja. Vc tem certeza de que o sujeito não tem HDL baixo, triglicerídeos altos, hipertensão, etc? Pq glicemia acima de 100 ele já tem (afinal, é diabético).

    Que bom que seus pais não tem síndrome metabólica, mas o que estávamos discutindo é que 40% das pessoas que têm sm são magras, e não que as pessoas magras tenham que ter síndrome metabólica.

    Leia o livro que lhe mandei.

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 21:40, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  67. http://m.circ.ahajournals.org/content/109/6/706.full

    Conclusions— The metabolic
    syndrome but not BMI predicts future
    cardiovascular risk in women.
    Although it remains prudent to
    recommend weight loss in overweight
    and obese women, control of all
    modifiable risk factors in both normal
    and overweight persons to prevent
    transition to the metabolic syndrome
    should be considered the ultimate
    goal.

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/05/2014 21:45, "Jose Carlos Souto" escreveu:

    ResponderExcluir
  68. Tudo bem, eu estava com 24,9 de IMC e posso garantir que magra eu não era. POsso até postar minha foto. Magra estou agora, com IMC 20,08 hoje (49,5 kg). A terminologia é peso ideal, que podemos discutir também.

    ResponderExcluir
  69. Já estou lendo. Como eu disse, matei vários coelhos com uma cajadada. Quem me disser que come alto carbo nas três principais refeições do dia, TODO DIA, tem tendência normal para engordar como quase todo mundo, é sedentário e mesmo assim não engorda, está mentindo. Não tem como gastar um alimento que tem mais de 3 X mais calorias que o peso da porção, a menos que faça como eu: uma fatia de pão integral sem açúcar por dia e nem é todo dia. E se comer proteína, legumes, verduras e alguma fruta, queijo cottage e outros alimentos baixo carbo, e perto de zero de açucar mas não emagrece, também está mentindo. E se tiver síndrome metabólica com esta dieta, a alimentação está excluída da causa. Tudo pode acontecer. Exceção é isso.

    ResponderExcluir
  70. Boa tarde, tenho lido este blog depois de encontrar uma reportagem no site do emagrecer de vez! Estou adorando e tentando absorver toda informação que leio aqui! Já fiz dieta da proteína há alguns anos atrás, hoje estou vendo que o meu médico seguia essa linha do Dr. Atkins. Emagreci 40 kg, mas naquela época achava que era uma dieta e não um novo modo de vida e então, logo que recomecei a comer tudo que comia antes voltei a engordar tudo de novo. Achava também que não poderia fazer aquilo para o resto da vida, pois prejudicaria minha saúde, no que eu estava completamente equivocada, vejo agora! Ainda tenho algumas dúvidas, o os feijões, ervilhas, lentilhas e grão de bico são considerados grãos tão danosos assim como o trigo??

    Desde já Obrigada !

    ResponderExcluir
  71. Olá Simone,

    depende... leguminosas não são indicadas pra quem tem síndrome metabólica, doenças autoimunes, dificuldade em emagrecer, problemas intestinais. Aí cabe vc avaliar! Leia: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2014/01/reflexoes-sobre-postagem-anterior.html

    ResponderExcluir
  72. Fui diagnosticada com uma tireoidite de hashimoto há uns 5 anos atrás. A partir de então comecei a pesquisar sobre a doença e encontrei várias pesquisas relacionando-a com o consumo de gluten. No ano passado decidi eliminá-lo da minha alimentação por um tempo para fazer uma desintoxicação. Permaneci de maio a dezembro sem consumi-lo. Senti-me muito melhor, mais leve, enfim. Só que nas férias, liberei o gluten novamente e até a uns 15 dias atrás estava consumindo o glúten com moderação. Ocorre que neste intervalo, há mais ou menos um mês e meio iniciou uma cistite que, apesar de não ser incapacitante, persistia com um desconforto. Há 15 dias voltei a dieta sem glúten, e para a minha surpresa, a cistite desapareceu. Será coincidência, ou também pode ter relação com o glúten?

    ResponderExcluir
  73. Já vi isso MUITAS vezes. Lembrando que sou urologista...

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 24/05/2014 22:31, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  74. Quem desejar disponho do livro em pdf :D

    ResponderExcluir
  75. Dani Silvani de Moura18 de junho de 2014 23:31

    Ola regina! Esta em português?
    Eu quero, se puder... danisilvani@gmail.com
    Muito obrigada!!

    ResponderExcluir
  76. Yuri Castello Branco20 de junho de 2014 23:52

    Li que existiam variaveis atestando que pessoas com maior porte fisico tendem a morrer mais cedo, pois estao mais predispostas a infecções. Na dieta paleolitica, porem, se diz que diminuirmos a estatura ao aumentar o consumo de grãos foi algo ruim! Como explicamos essa questão - confere com estudos?

    ResponderExcluir
  77. As pessoas eram em média mais altas E mais longevas no paleolítico do que no neolítico.

    Dentro de uma MESMA população (a nossa, moderna), pessoas muito altas tendem a, na MÉDIA, ser menos longevas.
    Em 20/06/2014 23:52, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  78. Yuri Castello Branco20 de junho de 2014 23:59

    temos que ver que não ha muita clareza sobre o que gera a resistencia a insulina. No entanto uma dieta sem farinha de trigo ou açucar simples, rica em goduras e verdura, consegue sumir com o DIABETES! Eu sou vegetariano, mas curamos diabetes com a ALIMENTAÇÂO VIVA. Ou seja: ou a causa é o exesso de açucares desnaturados ou tambem pode ser o proprio consumo exessivo de gorduras ,aliado a esses fatores, que sobrecarrega o sangue, dificuldano a metabolização da glicose.

    ResponderExcluir
  79. Yuri Castello Branco21 de junho de 2014 00:04

    Permitam-me um resumo final: O PROBLEMA È INGERIR MAIS CARBOIDRATOS DO QUE GASTAMOS, OU SEJA< PRA COMER ESSES CARBOIDRATOS MODERNOS, DE ALTO IGF, É PRECISO COMER POUCO, PRA PODER GAStAR - ai o diabetes não chega!

    ResponderExcluir
  80. O limite para a maioria das pessoas saudáveis é 150g por dia.
    Em 21/06/2014 00:05, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  81. Yuri Castello Branco21 de junho de 2014 00:28

    então, qual seria a utilidade dessa constatação? sempre é referida quando falamos dos cereais...

    ResponderExcluir
  82. Yuri Castello Branco21 de junho de 2014 01:26

    gostaria tb

    ResponderExcluir
  83. Há uma especulação de que as pessoas geneticamente mais altas tenham maior nível de IGF-1, e por isso tenham mais câncer, etc. É só epidemiológico, e apenas um fenômeno observado na MÉDIA de uma MESMA população, onde todo mundo é bem nutrido.

    Não confundir com o fato de que quando se compara diferentes populações ou, historicamente, a mesma população em momentos de má nutrição versus boa nutrição, quando a nutrição melhora as pessoas ficam mais altas E mais longevas, seus ossos ficam melhores, dentição, etc, etc.
    Em 21/06/2014 00:28, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  84. http://www.editorametha.com.br/gluten-toxicidade-reacoes-e-sintomas.html

    GLÚTEN - TOXICIDADE REAÇÕES E SINTOMAS

    Denise Carrero

    Resumo

    Este livro pretende alinhar algumas informações com fatos que demonstram claramente que o nosso atual comportamento alimentar, destacando-se o alto consumo de trigo associado à redução no consumo de alimentos protetores e moduladores do nosso sistema imune e a oferta de novas variedades de trigos hibridizados são, em parte, responsáveis pelo incremento de casos de doenças imunológicas em todas as faixas etárias da população

    ResponderExcluir
  85. Eu tambem fellipe.ce@gmail.com

    ResponderExcluir
  86. Se for possível, poderia encaminhar para mim também?
    Desde já agradeço.

    ResponderExcluir
  87. Mande pra mim tb. Rodrigodiegog@hotmail.com

    ResponderExcluir
  88. Olha...dos requeijões, tenho dado preferência aos tradicionais da marca Itambé e Nestlê, para mim são marcas mais confiáveis. Uma colher de sopa caprichada tem 1,2g de carbo. Usar essa quantidade numa carne pra incrementar um molho de carne ou salada, num ovo mexido na manteiga, como minha noiva faz, fica muito bom. Tanto por conta do preço e por conta de dar uma variada no sabor também.

    ResponderExcluir
  89. Oi Regina, se nao for incomodo, poderia me enviar tambem? Meu email: shdaila@zipmail.com.br . Obrigada

    ResponderExcluir
  90. Preciosa Patricia Pbf14 de agosto de 2014 10:28

    Amei a matéria!

    ResponderExcluir
  91. Boa tarde Dr. Souto.
    Venho "namorando" esse blog faz tempo. Parabéns!
    Meu marido tem uma dor crônica fruto de uma hérnia de disco na lombar que vem comprimindo o nervo ciático há meses. Fora a depressão diagnosticada e que ele não admite. Ele é bem magro apesar da barriguinha de trigo (16% gordura corporal), tem 40 anos e é sedentário. Consegui convencê-lo a tirar o gluten por 30 dias, o que já é uma vitória. Será que "só" isso pode melhorar?

    ResponderExcluir
  92. Não duvido

    Sent from mobile phone
    Em 15/08/2014 16:13, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  93. Por favor, gostaria que mandasse para o email lasg1948@hotmail.com. Fico grata.
    La

    ResponderExcluir
  94. Olá, estou super interessada na dieta, mas não tenho como objetivo emagrecer,tenho 2 semanas que comecei e já notei que perdi peso.. O que posso fazer para recuperar e até mesmo ganhar um pouco mais de peso? Porque até então só vem na minha mente comer aipim e batata doce.. Mas isso enjoa comer todos os dias.

    ResponderExcluir
  95. Arroz branco, frutas à vontade, mais comida em geral

    Em 20 de outubro de 2014 14:06, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  96. Arroz branco, frutas à vontade, mais comida em geral.

    Em 20 de outubro de 2014 14:06, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  97. O objetivo é ganhar, manter ou perder peso? Páleo é uma coisa, low carb (para emagrecer) é outra.

    Sent from mobile phone
    Em 21/10/2014 13:05, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  98. Quero seguir a paleo,não preciso perder peso.Ainda estou no inicio aprendendo.Como já não tenho hábito de comer cereais e doces,achei que a Paleo se encaixa perfeitamente.

    ResponderExcluir
  99. Então, pode arroz

    2014-10-22 11:32 GMT-02:00 Disqus :

    ResponderExcluir
  100. Desculpe a ignorancia ,arroz é cereal e a paleo não consome cereais.Certo?

    ResponderExcluir
  101. A dieta paleolítica original, desenhada pelo Cordain, é assim. Aqui, eu uso também conceitos modernos. Arroz não tem glúten, se for branco também não tem antinutrientes. É apenas glicose.

    Sent from mobile phone
    Em 22/10/2014 11:47, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  102. Olá Carla. O que Dr. Souto não disse é que a Dieta Souto é uma variante paleo, e pode ter uma variante lowcarb. Onde lê-se produtos agrícolas, na restrição paleo tradicional, leia-se produtos processados na Dieta Souto. Tá na hora, aliás, de batizar esta criança, que já tem lá uma idade avançada ;)

    ResponderExcluir
  103. Chama de dieta Primal, o que eu defendo é o mesmo que o Mark Sisson.

    Sent from mobile phone
    Em 22/10/2014 13:29, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  104. Ok, mas daqui a pouco o Sisson muda de ideia, libera a batata frita e daí, fica aquela confusão na e-memória ;) Mas o Sr. é o pai da criança, não quer batizá-la, então que assim seja. Um abraço.

    ResponderExcluir
  105. Não sou o pai, sou no máximo o padrasto, pai adotivo ;-)

    Em 23 de outubro de 2014 15:36, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir