domingo, 16 de setembro de 2012

Novo estudo comprova que as dietas low carb reduzem os riscos cardiovascuares

O jornal americano USA TODAY repercutiu um novo estudo, recentemente publicado, sobre os efeitos das dietas low carb sobre os fatores de risco cardiovasculares. Reproduzo aqui a história:





As dietas low carb ganham ainda mais apoio com novo estudo

By Nanci Hellmich, USA TODAY

Updated 8/30/2012 10:00 PM 


À medida que as pessoas acendem suas churrasqueiras para o próximo feriado, um novo estudo promove os benefícios das dietas de baixo carboidrato (low carb), a dieta dos amantes de carne.

Uma revisão de 17 estudos diferentes, que acompanhou um total de 1141 pacientes obesos em dietas low carb - algumas das quais muito similares à dieta Atkins - concluiu que os mesmos perderam uma média de 9 Kg em 6 meses a um ano.

De uma forma geral, os participantes também melhoraram no que diz respeito à sua circunferência abdominal, pressão arterial, triglicerídeos (gordura no sangue), glicose (açúcar no sangue) e proteína C reativa (uma medida de inflamação crônica, e também fator de risco cardiovascular). Houve ainda aumento do HDL ("bom" colesterol). O colesterol LDL ("ruim") não mudou significativamente.

"Estas melhorias ocorreram durante a perda de peso, e sabe-se que a perda de peso produz estas melhorias", diz Wiliam Yancy, professor associado de medicina na Duke University e um dos pesquisadores que trabalhou neste estudo. O artigo foi publicado no periódico científico Obesity Reviews.

Yancy já conduziu várias pesquisas sobre a dieta Atkins, incluindo algumas com fundos do Atkins Foundation. "Uma dieta low carb é um plano sensato a seguir para perder peso e para melhorar os fatores de risco cardiovascular", diz ele.

"Uma dieta low carb é um plano sensato a seguir para perder peso e para melhorar os fatores de risco cardiovascular"

As dietas low carb eliminam o consumo de pães, massas, batatas, arroz, bolos, biscoitos e algumas frutas e alguns vegetais ricos em amido, e encorajam o consumo de peixes, aves, carne, ovos, manteiga, queijo e algumas frutas e vegetais pobres em amido (saladas).

Gary Foster, diretor do Centro para Pesquisa e Educação sobre Obesidade da Universidade de Temple, fez eco às observações de Yancy: "muitos destes benefícios são devidos à perda de peso propriamente dita, e não à uma dieta específica, com exceção do HDL, que realmente parece melhorar mais com as dietas low carb do que com as demais".

Ele não estava envolvido com este estudo em particular, mas já já conduziu um estudo comparando uma dieta low carb com uma dieta restrita e calorias e gorduras e concluiu que ambas produziram perdas de peso e melhoras metabólicas semelhantes.

"Nós já superamos a época em que podíamos dizer que a dieta Atkins era perigosa para a saúde. Esta é uma posição ultrapassada", disse Foster. "Esta é uma alternativa viável para perda de peso".

"Nós já superamos a época em que podíamos dizer que a dieta Atkins era perigosa para a saúde. Esta é uma posição ultrapassada. Trata-se de uma alternativa viável para perda de peso".

Robert Atkins, um cardiologista, publicou seu primeiro livro em 1972. A versão revisada, chamada A Nova Dieta Revolucionária do Dr. Atkins, foi um best seller duas décadas mais tarde. Ele morreu em abril de 2003, após um queda com traumatismo craniano.

Os experts em nutrição têm há muitos anos favorecido uma abordagem convencional, que reduz as calorias e as gorduras mas permite o consumo de grande variedade de alimentos.

Um pequeno estudo recentemente publicado descobriu que pessoas que estavam tentando manter o peso (após perder peso em uma dieta) queimaram uma quantidade significativamente maior de calorias - cerca de 300 calorias a mais por dia - comendo uma dieta low carb do que comendo uma dieta low fat (restrita em gorduras).

Cerca de dois terços das pessoas nos EUA têm sobrepeso ou são obesas, o que aumenta o risco de doenças cardíaca, diabetes tipo II, muitos tipo de câncer e outras doenças crônicas.

23 comentários:

  1. Muito bom ver isso!
    Dia após dia vamos acompanhando as conclusões científicas de que a dieta funciona e é segura, não tem como não ser assim os resultados estão por ai com inúmeras histórias de sucesso e não digo apenas de emagrecimento mas de saúde, de taxas de colesterol e triglicerídeos normais e HDL melhor ainda. Dr. José Carlos amei isso: "Nós já superamos a época em que podíamos dizer que a dieta Atkins era perigosa para a saúde. Esta é uma posição ultrapassada..." Q bom q já ultrapassamos isso! ;)
    Sucesso querido

    ResponderExcluir
  2. Querido não precisa aceitar esse comentário mas tb nem sei se te interessa é sobre a vitamina D e novos estudos sobre ela, gostei muito e se depois puder falar me algo sobre a correlação dela com os rins agradeço!
    http://www.istoe.com.br/reportagens/226714_A+PODEROSA+VITAMINA+D
    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vou ler a reportagem, mas o assunto é quente nos meios médicos ultimamente. Muitos de nós precisam de reposição. Sua falta está relacionada ao um monte de patologias crônicas. Pegar sol sem protetor por uns 20 ou 30 minutos (dependendo da cor da pele, e nunca tanto tempo que permita a queimadura solar) é uma forma de tentar manter os níveis mais altos. Relação com o rim? Bem, é nos rins que a vitamina-D inativa é ativada. Pacientes com insuficiência renal crônica grave acabam desenvolvendo problemas no metabolismo do cálcio em função disso. Para as demais pessoas, não é um problema.

      Excluir
    2. Quanto a vitamina D, recomendo uma visita a este site:
      http://vitaminadporumaoutraterapia.wordpress.com/a-vitamina-d/manifesto-por-um-novo-paradigma-de-conduta-e-tratamento/

      Abs
      Jorge

      Excluir
  3. Tenho algumas dúvidas. A primeira é: vegetarianos são ou seriam menos saudáveis? Não há diferenças significativas para a saúde entre alimentos orgânicos e não orgânicos? O fato de aves, por exemplo, alimentarem-se de cereais, no mais das vezes transgênicos, não compromete o seu aporte nutricional, numa dieta low carb? Grãos como o gergelim não são proteicos? A linhaça dourada não faz bem à saúde? Uma pessoa que enche o carrinho do super de carnes, queijos e ovos, de hortifruti não orgânicos está consumindo alimentos mais saudáveis do que uma pessoa que vai a uma feira orgânica e consome hortifruti orgânicos, queijos orgânicos, tofu e cereais orgânicos? Eu sei que as perguntas são muitas, mas a mim a defesa do super consumo de carnes e de gordura animal soa contraintuivo. Todos os meus amigos que tiveram câncer tiveram contra-indicação do consumo de proteína animal. Fico me perguntando se a defesa da preservação do pâncreas não estaria ou não implicaria o estafamento hepático ou renal...Obrigada pelas respostas, se possível.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prezada Katarina,

      São muitas perguntas! Sim, eu creio que a maioria dos vegetarianos são menos saudáveis do que os seguidores de uma dieta páleo (embora possam ser MAIS saudáveis do que os seguidores da dieta padrão ocidental). Se você lê inglês, leia isso: http://curezone.com/forums/am.asp?i=1728051

      Se vc tiver acesso a aves criadas soltas e que se alimentam com pasto, obviamente é a melhor escolha. Mas é preferível comer galinha alimentada com soja do que comer soja. O ótimo não pode ser inimigo do bom.

      Grãos contém uma pequena quantidade de proteínas de baixa qualidade. Conseguir uma balanço adequado de aminoácidos (que qualquer bife te dá) em uma dieta vegetariana é complicado, requer esforço, e se consegue às custas de um consumo exagerado de carboidratos - não há muito como fugir disso.

      A linhaça dourada é uma exceção. Bem, tecnicamente NÃO É UM GRÃO (não é uma gramínea), tem poucos carbs e contém ômega 3. É, sim, saudável.

      Sim, na minha opinião, uma pessoa que consome cereais orgânicos estará fazendo uma opção menos saudável em qualquer circunstância, exceto se vc comparar com o pior dos mundos, os cereais não-orgânicos. Soja em grande quantidade é sempre uma opção ruim.

      Não há nada na literatura que indique que uma dieta low carb seja tóxica para os rins ou fígado (veja http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/05/dieta-e-perigosa-para-os-rins.html)

      É plenamente possível fazer uma dieta páleo rica em vegetais orgânicos, que não seja hiper-protéica, e com proteínas animais obtidas de gado criado no pasto e aves criadas soltas - depende apenas de quanto vc pretende investir na qualidade da sua alimentação. A sua comparação contrasta frequentadores de feiras orgânicas e frequentadores de supermercado. Não é a melhor comparação. A melhor comparação é 2 frequentadores de supermercado, um comprando biscoitos recheados, cereais matinais, refrigerante com açúcar e massa miojo, e o outro comprando saladas, carnes, peixes e laticínios. Não tenho dúvida de quem terá melhor saúde. E não tenho dúvida de que este último consumidor estará melhor servido em uma feira ecológica, e ele não precisa consumir grãos e nem ser vegetariano para fazer isso.

      Excluir
  4. Muito obrigada pelas respostas. Ficou em aberto por que pacientes com câncer recebem a recomendação de não consumo de proteína animal. Eu tenho a intuição de que isso de deve ao fato de que proteína animal mobiliza mais o organismo e, em caso de neoplasias em geral, isso poderia ser um mecanismo gatilho de formação tumoral. Mas isso é uma intuição. Bom, eu sou darwinista e tenho levado muito a sério as implicações morais do darwinismo. Considero calamitosa a economia e a prática de rebanhos e me assombra a quantidade de carnes que as pessoas consomem, sejam elas embutidas ou não. Eu não como soja, em tempo. Meu consumo de carboidratos é um consumo de tubérculos, banana, maçã (nem sei se tem, mas é isso), cenoura, massas e pães integrais, uma ou no máximo duas vezes ao dia. Como bastante chocolate 70%, sobretudo à noite. Muitas oleaginosas e muita verdura e ovo (não galado) e de empreendimentos que criam as aves soltas, alimentadas sem ração. Digo isso tudo porque, desde que parei de comer carnes de rebanho (eu nunca comi porco nem molusco), como carne bovina e aves, no início de 2011, meus índices metabólicos melhoraram muito. Em 6 meses eu baixei 20 pontos de triglicerídeos e 6 de colesterol ruim (o meu colesterol sempre foi ótimo, mesmo quando engordei muito depois de parar de fumar). Eu malho bastante, eu bebo bastante, também (uma taça de vinho por dia, durante a semana, e algumas a mais, de vinho ou espumante ou cerveja, no finde). Claro que gostaria de estar mais magra, mas o meu ganho de saúde com o consumo prioritário de orgânicos é no mínimo coincidente. Quais as proteínas que ingiro? Cogumelos, muitos cogumelos, gergelim, linhaça, peixes e crustáceos (pretendo parar de comê-los em breve e tenho comido cada vez menos), queijos (de cabra e vaca e búfala) e ovos não galados. Também faço manteiga ghee em casa. Bom, eu nunca me senti tão bem, baixei em quase dois anos mais de dez quilos e ganhei muita massa muscular, porque puxo muito ferro. Mas estou realmente assombrada com essa defesa do consumo de carne. Bem, era isso, não quero ser chata. Obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Katarina, é evidente que nossas semelhanças são MUITO maiores do que nossas diferenças. Eu não tenho dúvida de que devemos perseguir os melhores alimentos disponíveis. Esta semana fui abastecido com 24 ovos de um paciente meu que tem 50 galinhas criadas soltas - a gema chega a ser laranja - alimentos orgânicos e animais criados soltos devem ser o objetivo. Mas volto a dizer, por todos os motivos já expostos no início deste blog: prefiro um ovo desmaiado destes de supermercado do que o mais orgânico dos trigos.

      Eu trato câncer - aliás, a oncologia é a minha principal área de atuação dentro da urologia. Desconheço QUALQUER orientação baseada em evidências no sentido de restringir carne para pacientes com câncer. O que há são condutas baseadas no senso comum (o mesmo senso comum que manda comer 60% de carboidratos). E o senso comum convenceu-se de que a carne vermelha faz mal. De onde vem isso? De estudos epidemiológicos, repletos de fatores de confusão. Quando compara-se um "carnívoro" e um vegetariano (não precisa ser vegetariano, mas alguém que evita carne), estamos comparando seres completamente diferentes em muitos aspectos. É evidente que o vegetariano tende a cuidar mais da saúde, fazer mais exercício, não fumar, não beber, etc. Assim, terá menos problemas devido ao conjunto de seu estilo de vida, e nenhum estudo epidemiológico pode estabelecer se a carne é a causa deste risco menor ou apenas um MARCADOR de um estilo de vida diferenciado. Se eu te disser: homem de 45 anos que come carne vermelha todos os dias, que imagem surge em sua mente? Um sujeito meio embrutecido, que toma trago e fuma, reunido com seus amigos num bar, assistindo o Datena. Bem, como saber se a carne vermelha não é apenas um marcador de um estilo de vida? Mas e se esse homem de 45 anos for um guerreiro Masai? Neste caso, trata-se de um caçador-coletor com muita atividade física e que, por definição, só come orgânico. Esta população (os Masai - http://en.wikipedia.org/wiki/Maasai_people#Diet) têm os menores índices de colesterol já medidos em qualquer população humana, e comem praticamente só carne.

      Os estudos do Dr Weston A Price (http://gutenberg.net.au/ebooks02/0200251h.html#ch6) no início do século passado, com inúmeras populações de estilo de vida primitivo, evidenciaram que o câncer era uma coisa praticamente desconhecida até que estas populações passassem a adotar a farinha e açúcar dos colonizadores (estamos falando da década de 30, não havia transgênicos nem hormônios nem ração de soja).

      Por fim, MUITOS estudos atuais indicam que o consumo de carboidratos produz hiperinsulinismo e que a insulina é um fator de crescimento para câncer. E há agora estudos também sugerindo que uma dieta cetogênica seja adjuvante à QT e radioterapia, pois as células de câncer são estimuladas pela glicose.
      Veja estes estudos: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23038057
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22563484
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22029671

      Deste último estudo, reproduzo aqui um pedacinho do resumo:

      ABSTRACT: Over the last years, evidence has accumulated suggesting that by systematically reducing the amount of dietary carbohydrates (CHOs) one could suppress, or at least delay, the emergence of cancer, and that proliferation of already existing tumor cells could be slowed down. This hypothesis is supported by the association between modern chronic diseases like the metabolic syndrome and the risk of developing or dying from cancer.

      Excluir
  5. Obrigada, mesmo, pelos esclarecimentos. De fato, se pensarmos em termos de tipos ou de comportamentos, estamos muito próximos, sim. Tenho uma dificuldade muito grande de viver sem carboidratos, porque meu trabalho é prioritariamente intelectual e se eu ficar sem açúcar (que seja no chocolate, na banana ou nos integrais, mesmo que poucos), eu me deprimo (não estou falando de tristeza). Faço exames de glicose e demais marcadores a cada seis meses (sou bastante hipocondríaca, rá) e acredito que as tuas observações sobre o estilo de vida dos vegetarianos estão corretas. Bom, vou ler estes links. Sei de um estudo (não lembro onde li ou se ouvi, há muito tempo), que associa o consumo de carnes pelos humanos à origem do pensamento abstrato, em função da necessidade de os homens pararem para metabolizar a carne recém caçada. Bom, mas no dia a dia, na lida com o trabalho, eu sinto necessidade de malhar, para funcionar bem, sobretudo mentalmente. E para tanto eu preciso ao menos comer uma banana antes de ir para a academia. Se não fizer isso, fico triste e com cãimbra. O uso do pharmaton tem me dado disposição a mais, também, além do chocolate com 70%. Li uma longa entrevista daquele cara, o Williams lá, da barriga de trigo, e entrei numas de que há dois problemas ali: 1) embora ele aborde a toxidade do por assim dizer trigo moderno, as considerações sobre o trigo parecem aplicáveis, ceteris paribus, a todos os grãos e demais vegetais e fungos cultivados. Será que a toxidade do "trigo moderno" é também a do "milho moderno", da "aveia moderna", do "arroz moderno", etc. Enfim, é por causa disso que todo o carboidrato deve ser retirado? O Williams também considera o uso de integrais bullshit. Bom, confesso que, fora a acusação da toxidade do trigo soe bem fundada, essa contra os integrais em geral me deixou meio assombrada. O fato de que não tenho mais hipoglicemia, na medida em que não consumo farinha branca há mais de dois anos e só integrais, seria um delírio induzido por placebo? 2) Considerando uma redução ao absurdo, que uma pessoa passe o resto da vida sem carboidrato ou com um nível mínimo de, digamos, 20% na sua dieta. Considerando que o sujeito praticamente quebrou tudo de gordura acumulada e tenha se acostumado a dragar toda a gordura consumida diariamente na quantidade de proteína animal que consome, o estado de cetose deixa de ser o estado de cetose, ou não? A pessoa vai virar uma fábrica de acetona for good? Falando sério: soa bizarro, parece demandar muito do fígado (então o fígado é uma fábrica de cetose e era isso?) e eu gostaria de saber de onde viria a energia da pessoa, quer dizer, a glicose. Por fim, já me descupando, todos os meus amigos com câncer têm a indicação prioritária de alimentos orgânicos e do não consumo de proteína animal, sobretudo de não consumo de gordura animal. Eu pensava que era porque a alimentação vegetariana e orgânica demanda menos do corpo, em termos de metabolismo celular. Mas eu sou leiga, embora hipocondríaca. Tinha de vir aqui perguntar essas coisas e sigo pensando sobre tudo isso, muito. Chego a me angustiar, porque quero emagrecer, mas tenho de fazer projetos de pós-doc agora e preciso correr e sem energia não dá para correr e eu realmente não tenho a mínima intenção de voltar a comer carnes de rebanho, enfim. Até e obrigada, mais uma vez. Agora vou ler os links.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Katarina, vou acabar abrindo uma seção do blog só pra vc! São perguntas e comentários muito pertinentes, e o tempo é curto... Mas vamos lá:

      Sobre carbs, bem, meu trabalho também é fundamentalmente intelectual, e também malho (e BASTANTE). E faço isso há quase um ano e meio com menos de 50g de carbs. Mas é necessário um período de lipoadaptação (ou cetoadaptação - mudar o metabolismo de carbs para ácidos graxos e corpos cetônicos) - e isso leva algumas semanas de abstinência meio desagradáveis.

      Vai na minha postagem http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/01/como-devo-comer-comida-de-verdade.html e lê TODA a minha troca de comentários com o usuário Luciano Tambosi.

      Eis alguns highlights:
      LUCIANO: "estou fazendo atkins há 13 dias e sábado saí pra pedalar num pedal bem forçado. Subida de uma serra muito linda aqui da região.
      Eu passei muito mal em razão da alimentação."

      LUCIANO: "Tenho tido cãibras, coisa que nunca tive. O que posso fazer para melhorar isso?"

      Depois que lhe dei dicas (e literatura) para enfrentar o problema, veio esta resposta:

      LUCIANO: "Comentário de quem está na dieta há uns 45 dias.

      LUCIANO: "Comecei lowcarb pq as visitas à endo e nutricionista não estavam me trazendo perda de peso. Malhava, pedalava, cuidava das calorias e nada de emagrecer. Hj me causa desconforto quando preciso comer carbos em razão dos treinos de bike, mal necessário.
      Tenho comido omeletes incríveis, carne, presunto, queijos, muita salada e vegetais. Bebo muito chá, água, refri zero. Sofri com a falta de sal e agora to regularizando isso.
      As dicas do blog do nosso amigo José são valiosas e todo gordinho deveria ler e seguir. Foram elas que me conscientizaram e me deram tranquilidade para entender as mudanças no organismo e seguir firme. O livro dieta TNT é fantástico. A rotina de exercícios do livro dá resultados muito bons e rápidos.
      Se permitam emagrecer e continuem magros. Não façam a dieta pra tirar 10 kg´s pra depois voltar aos carbos e ao engordamento. Permaneçam firmes e sem carbos.
      Assinado: um H mais magro e mais feliz."

      E por fim:
      LUCIANO: "Disse que ia comentar sobre não consumir carbos num exercícios mais fortes e pedais longos e.... bingo!!!
      Tá sendo maravilhoso pedalar e ver meus amigos devorando malto, barrinhas, géis, e outros tantos carbos e eu ali do lado só com o lanche que fiz em casa.
      Pedalei 80km no findi e foi bem forte o pedal. Levei 3 sanduíches de pão de queijo atkins (menos de 1g de carbo cada) com presunto e muita água... comi apenas 1 e nem precisava. Pedalei de MTB com os speedeiros a 40 km/h, entrei no trecho de terra com os amigos de MTB e socamos a bota em tantas subidas e não senti fraqueza alguma.

      Está sendo ótimo pedalar e malhar forte na academia sem carbo."

      Excluir
    2. Katarina, continunado:

      Eu li o livro do William Davis. De uma forma geral, recomendo. Ele tem alguns pontos muito bons. 1) O tipo de amido presente no trigo (amilopectina A) é absorvido muito mais rapidamente, o que lhe confere um impacto sobre a glicemia (e portanto sobre a insulina) muito maior do que outras fontes comuns de carbs. 2) É um trigo altamente modificado, com muito mais amido e um glúten combinado de várias espécies, muito mais imunogênico 3) trigo integral tem mais fibra e mais nutrientes, mas o resto (amilopectina A, glúten) continuam lá. 4) há estudos indicando um potencial de dependência química provocado pelo trigo, por substâncias que atuam em receptores opióides (o FDA, inclusive, aprovou recentemente a droga naltrexona para perda de peso. Sua ação? Bloquear os receptores opioides estimulados pelo trigo!)

      Quando vc comprara cereais integrais com a dieta ocidental padrão, o resultado é uma melhora. Claro: vc está comparando donuts e pães brancos com pão integral 7 grãos! Mas cuidado: só por que cereais integrais são melhores do que farinha branca refinada, não significa que eles sejam saudáveis!

      Eis uma falácia lógica interessante: só porque X faz mal à saúde e Y faz MENOS mal, não significa que devamos consumir bastante Y. Digamos que cigarro com filtro seja melhor do que cigarro sem filtro. Isto não significa que DEVAMOS fumar MAIS cigarros com filtro. Não há dúvida que uma dieta de menor índice glicêmico (com grãos integrais) é melhor do que a dieta ocidental padrão. Mas e daí?? Postulo aqui que uma dieta SEM grãos seja melhor que as duas. Um pouco de algum ruim é melhor do que muito de algo ruim, mas evidentemente a AUSÊNCIA de algo ruim será melhor, e isto se evidencia na prática clínica e nos estudos clínicos (http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/08/restringir-gorduras-ou-carboidratos-o.html).

      Excluir
    3. Katarina, ainda continuando:

      Em pessoas que fazem uma dieta low carb de longo prazo (como este que te escreve, com menos de 10% das calorias em carbs), a gordura do corpo não desaparece completamente. Todos temos um ponto de equilíbrio, geneticamente determinado (talvez nunca consigas ficar com o índice de gordura da Kate Moss, por mais que o consumo de carbs seja ZERO). Este ponto de equilíbrio pode ser movido para baixo ou para cima dependendo de quantos carboidratos consumimos (e de outros aspectos da dieta e do estilo de vida), mas infelizmente (ou felizmente!) há limites no quanto podemos alterá-lo.

      Sabemos que a cetose nutricional é um estado fisiológico normal para a nossa espécie e para outras espécies também. Se vc for ler tudo que eu indico, não vai terminar nunca o seu trabalho de post-doc, mas mesmo assim, te recomendo MUITO este texto: http://www.biblelife.org/stefansson1.htm Trata-se de um explorador que morou anos com esquimós no início do século XX, com uma dieta de zero carbs. As pessoas na época (assim como hoje...) achavam que isto era impossível, então ele topou ficar trancando um um hospital em N York por muitas semanas para mostrar que sua saúde estava MELHOR assim do que antes - é genial (texto escrito em 1935, muito antes da loucura de colesterol, etc).
      O que realmente demanda do fígado é o excesso de carbs, que faz com que o órgão trabalhe dobrado para transformar glicose em triglicerídeos, causando síndrome metabólica e fígado gorduroso (esteatose), que pode levar à cirrose e é curado por uma dieta low carb. A cetose nutricional é um estado fisiológico, repito.

      Por fim, não se angustie. Faça as adaptações que achar necessárias. Termine seu trabalho. Mas, depois disso, sugiro tentar uma dieta sem grãos por um período mais longo, até que o organismo se adapte. Quem sabe não terás uma experiência transformadora como a do Luciano, acima?

      Excluir
  6. Doutor, sou adepto da dieta low carb desde 2009, perdi 11 kilos naquele ano, e permaneço na dieta de manutenção low carb, não tendo mais ganhado os kilos perdidos. Este mês procurei um médico ortomolecular que me passou uma bateria de exames. Tenho 46 anos e os resultados básicos condizem com a dieta low carb, triglicerideos 114, glicose 91, hdl 40 (já foi melhor 47 durante a dieta low carb de perda de peso contínua) e LDL 161 (já foi melhor 129 durante a dieta low carb de perda de peso contínua). Só que dessa vez foram solicitados uma enormidade de exames e tive os seguintes desvios: GAMA GT 65 U/L com TGO e TGP normais; IGF-1 46,70 ng/mL; PSA Livre : 0,47 ng/mL; PSA Total 2,71 ng/mL; Relação PSA Livre/Total.: 17,3 %; SDHEA 57 mcg/dL; TESTOSTERONA TOTAL 327 ng/dL; TESTOSTERONA LIVRE 8,90 pg/mL; ESTRADIOL - 17 BETA 40 pg/mL; PROGESTERONA 0,20 ng/mL ; EAS - Muco : Presente (+); Gostaria de perguntar se poderia haver correlação desses desvios com a dieta low carb? Pelo que li, vejo complicações no fígado por conta de GAMA GT; complicações na Suprarenal por conta da baixa SDHEA; e complicações na prostata pelos resultados do PSA. A dieta low carb mantida por 3 anos pode sobrecarregar o figado?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Amilton.

      Em primeiro lugar, parabéns pela perda e manutenção do peso. Não vejo correlação entre dieta low carb e estas alterações. Seu PSA deve ser avaliado por um urologista. A supra-renal pode estar relacionada à stress. O gama-GT alterado pode estar relacionado a qualquer coisa que afete o fígado, como uso de medicamentos de uso contínuo, álcool, hepatite, etc, e terá de ser investigado. Não há MADA na literatura sugerindo que uma dieta low carb seja tóxica para o fígado.

      Eis um estudo sugerindo uma dieta low carb como TRATAMENTO para esteatose (fígado gorduroso): http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22652776

      Eis outro estudo sugerindo uma dieta hiperprotéica como TRATAMENTO para pacientes com cirrose grave:
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16200232

      E eis um estudo mostrando que, em ratos, uma dieta de ALTO carboidrato é tóxica para o fígado: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22436699

      Os hominídeos passaram 2 milhões de anos consumindo uma dieta low carb, 10 mil anos consumindo uma dieta com grãos e 40 anos consumindo horrores de carbs refinados, e por que o fígado deveria estar adaptado ao que nunca viu antes e não àquilo com o que evoluiu?

      Excluir
    2. Dr José Carlos, antes de mais nada, agradeço a atenção dispensada. Fiz uma fatídica US TR, que não apresentou nódulos, com tamanho da prostata de 31g. O Radioterapeuta sugeriu repetir nos próximos 6 meses, e ainda levarei o resultado para o urologista.
      Quanto ao Gama GT, não uso medicamentos contínuos, só omega 3, lecitina de soja e suplemento vitamínico Centrum. Estou cismado com o shake herbalife, pois almoço o shake há 2 anos, trocando o leite desnatado por 50g de cream cheese, diminuindo 10 g de carboidratos em relação ao shake com leite. Li um artigo do Journal of Patology de 2007: http://hepato.com/p_tratamentos_alternativos/herbalife_1.pdf ; que trata de Intoxicação do fígado pelo Herbalife: http://www.hepato.com/p_tratamentos_alternativos/herbalife_20071015.html.
      Dessa forma, parei de tomar o shake e semana que vem levarei os resultados e minhas dúvidas ao meu médico.
      Minha torcida é que seja o shake, pois assim terei descoberto o agente intoxicador e poderei reverter o problema no fígado.

      Excluir
    3. Como sabes, sou urologista. A ecografia transretal só tem valor se acompanhada de biópsia. Ela não exclui nem confirma alguma coisa mais grave na próstata. Fale com o seu urologista a respeito.
      Minha sugestão? Dessas coisas que vc usa, só o Centrum não me preocupa. Quero distância de soja, e comida de verdade é o oposto de shake da herbalife. O shake é pra substituir uma refeição? Pra quê? A cura para a fome é comida, COMIDA DE VERDADE.

      Excluir
  7. Dr José Carlos, venho acompanhando o seu blog já há bastante tempo e sempre achei de grande valia os conhecimentos aqui adquiridos. Venho lutando contra o peso há 3 meses. Nesses exatos 3 meses, perdi 20kg de peso corporal. Já no final do segundo mês de dieta que a nutricionista passou, estava com dificuldades em perder peso (que antes estava em média de 1,5 kg por semana).


    Por fim, acabei aderindo à dieta low-carb e intensificando o treino na academia (hipertrofia), o que me permitiu voltar com a média de 1kg por semana de perda de peso. Porém, fiz um exame de sangue hoje e o meu ácido úrico deu alterado, com o valor de 8,2 mg/dl. O restante dos resultados foram: HDL 37mg/dl, triglicerídeos 62mg/dl, LDL 96mg/dl, VLDL 12mg/dl, glicose 70mg/dl e creatina 1mg/dl.


    A minha dúvida é: essa alteração do ácido úrico é devido à dieta low-carb (cetose) e exercícios físicos intensos? Tenho me preocupar com esse valor do ácido úrico?


    Desde já, agradeço a sua atenção.

    ResponderExcluir
  8. Olá, que resultados incríveis em termos de saúde, hein?

    Bem, o ácido úrico elevado por si só não parece trazer malefícios. Se você não for um formador de cálculos renais nem apresentar episódios de gota, o valor do ácido úrico em si é irrelevante. Às vezes o ácido úrico elevado pode ter um componente genético, de forma que a dieta não ajuda nem atrapalha. Ele já era elevado antes?


    Em 15 de março de 2013 15:00, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  9. Com relação ao ocorrido, deixa eu contar um pouco de mim: Tenho 29 anos, 1.77m de altura e estou com 82kg. Já fiz diversos exames laboratoriais na minha vida, porém não tenho parâmetros para fins de comparação, pois não recordo se já fiz esse exame, só soube agora pois foi a nutricionista que pediu para poder me passar suplementação, pois já estou em fase de hipertrofia (seguindo conselhos da própria nutricionista e do meu personal trainer).

    A nutricionista atribuiu essa alteração do ácido úrico a minha dieta "errada" e não aprovou a modificação que fiz (low-carb). Ainda quis me encaminhar para um psicólogo, pois segundo ela eu estaria muito "impressionado" em perder peso utilizando-se de métodos radicais e que iriam prejudicar a minha saúde.

    Por conta do resultado do ácido úrico, a nutricionista não aconselhou whey protein. Realmente não é prudente suplementar com whey no pós-treino nesses casos?

    Obrigado pela prontidão na resposta. Abraços!

    ResponderExcluir
  10. Duvido que seu ácido úrico tenha aumentado por uma dieta páleo / low carb. Na verdade, é evidente que trata-se apenas de preconceito contra uma abordagem dietética que ela desconhece. Se vc comesse de acordo com a pirâmide alimentar e tivesse ácido úrico elevado, ela diria para vc procurar um médico que lhe prescreveria uma medicação para ácido úrico, e vc usaria whey. Mas, se vc está comendo low carb, se chover no fim de semana a culpa é da dieta.

    ResponderExcluir
  11. Dr. Souto

    Minha mãe começou esse estilo de vida Paleo/Low Carb na terça-feira da semana passada. Ela toma um medicamento manipulado com a seguinte fórmula: Estrógenos conjulgados e Norestiterona Base. Segundo ela, embora tomando o medicamento, ela continua sentindo aqueles sintomas desagradáveis da menopausa, como por exemplo, aquelas ondas de calor....será com qto tempo de nova alimentação esses sintomas vão passar? O senhor conhece algum caso ou comentários a respeito?

    Desde já, agradeço

    ResponderExcluir
  12. Dr, Souto
    Isso quer dizer que um ex alcoolatra pode levar uma vida low carbo sem comprometer ainda mais o figado?

    ResponderExcluir
  13. Nem entendi a pergunta. O que é bom para o fígado é não beber. O que low carb (algo saudável) tem a ver com isso?

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 03/12/2013 20:48, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir