sábado, 29 de setembro de 2012

Matéria do G1 - perdeu 83 Kg em 1 ano

Esta matéria saiu no site do G1: http://g1.globo.com/bemestar/VC-no-Bem-Estar/noticia/2012/09/com-exercicio-fisico-e-dieta-saudavel-jovem-do-df-perde-83-kg-em-um-ano.html

A matéria (naturalmente) não enfatiza este aspecto, mas observe quais alimentos o rapaz cortou na sua alimentação:

29/09/2012 09h00 - Atualizado em 29/09/2012 09h00

Com exercício físico e dieta saudável, jovem do DF perde 83 kg em um ano

Ítalo Fávero de Moura, de Brasília, chegou a pesar 170 kg aos 20 anos.
Um ano depois, ele chegou aos 87 kg com mudanças no estilo de vida.

Mariana Palma Do G1, em São Paulo
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As quatro imagens mostram Ítalo ao longo do ano em que perdeu 83 kg (Foto: Arquivo pessoal)As quatro imagens mostram Ítalo ao longo do ano
em que perdeu 83 kg (Foto: Arquivo pessoal)
O último ano não foi fácil para o estudante Ítalo Fávero de Moura, de Brasília, no DF. Foram meses de alimentação saudável e exercícios físicos diários para sair dos 170 kg apenas aos 20 anos de idade. O resultado demorou, mas apareceu: atualmente, aos 21 anos, ele pesa 87 kg -  83 kg a menos.
“Tinha uma alimentação ruim e não comia frutas nem salada”, lembra o jovem. Aos 18 anos, quando tirou a carteira de motorista, ele passou a sair mais e a comer mais fora de casa, o que contribuiu muito para o aumento de peso.
“Cheguei ao meu peso máximo, 170 kg. Dieta para mim era palhaçada e eu achava que não tinha efeito”, diz.
Mal sabia o jovem que a dieta seria determinante na sua luta para emagrecer. No começo, eu não mudei a alimentação e só fazia exercício, então eu não emagreci. Quando comecei a comer melhor, emagreci 10 kg logo no primeiro mês”, conta Ítalo, que atribui 70% do resultado à alimentação e apenas 30% à atividade física.
A mudança começou em uma viagem com o tio ciclista. “Ele disse que me passaria o telefone do personal trainer dele e que me pagaria academia por um ano”, lembra.
Foi o empurrãozinho que o jovem precisava para mudar seu estilo de vida e adotar hábitos mais saudáveis. “Eu curso direito e não queria ser um advogado com riscos de infarto ou problemas de saúde, como pressão alta e diabetes”, diz.
Na alimentação, Ítalo cortou massas e refrigerantes. “Não consigo mais beber refrigerante, não desce mais, é esquisito”, conta o estudante.
Mesmo com tentações por perto e com familiares oferecendo doces, como pudins e bolos, ele jura que resistiu e não escapou da dieta em nenhum momento. “Para algumas pessoas, saúde é sinal de prato cheio. Então quando eu comia pouco, achavam que eu estava doente”, lembra aos risos.
Para ele, a dieta é essencial para trabalhar o peso. Na academia, ao longo do tempo, ele direcionou os treinos aos músculos e já ganhou 7 kg de massa muscular. “Hoje tenho um preparo físico excelente, consigo ficar 5 horas pedalando e correr normalmente”, conta.
Eu não tinha medo da balança, me pesava todos os dias para manter o controle"
Ítalo Fávero de Moura
Uma das principais dicas do estudante é estabelecer metas possíveis durante o emagrecimento. “Não adianta tentar perder muito peso em poucos dias. Precisa facilitar e ir conquistando metas pequenas e aceitáveis”, indica.
Para avaliar as metas que estabelecia, ele teve como aliada a balança, um tabu para a maioria. “Eu não tinha medo da balança, me pesava todos os dias para manter o controle”, lembra.
Segundo Ítalo, o esforço na academia não precisa ser exagerado e o que importa é o treino correto e diário, mesmo que por pouco tempo. “Pode ser só 40 minutos. Não pode faltar um dia e compensar no outro, tem que ir sempre”, recomenda. Foi com essa atitude e determinação que ele conseguiu o resultado que tanto se orgulha. “Vou levar esses hábitos para a minha vida inteira, com certeza”, conclui.
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Na primeira imagem, Ítalo ainda com seus 170 kg; depois ele posa ao lado de seu personal trainer (Foto: Arquivo pessoal)Na primeira imagem, Ítalo ainda com seus 170 kg; depois ele posa ao lado de seu personal trainer (Foto: Arquivo pessoal)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Carboidratos viciam mais do que cocaína?

Obrigado ao leitor Fábio Mossmann por me indicar esta reportagem.

Saiu na revista GQ, da editora globo:

http://gq.globo.com/gastronomia/carboidratos-viciam-mais-do-que-cocaina/

Só não caiam naquela conversa da nutricionista no final da reportagem: o índice glicêmico do pão preto é igual ao do pão branco e ambos são maiores do que o índice do açúcar puro (sacarose). Não acredita? Veja aqui. Veja também o índice dos cereais e do arroz - no final, é tudo açúcar.

Carboidratos viciam mais do que cocaína?

O desejo incontrolável por pizza e sorvete pode ser seu corpo gritando por socorro. Será que você é um dependente?
Por Paul John Scott e Thaís Cavalheiro


A edição de setembro da GQ traz grátis um suplemento especial de 66 páginas sobre saúde e bem-estar. Uma de nossas matérias especiais na edição pergunta se “é possível os carboidratos viciarem mais do que cocaína?”. A resposta é assustadora. Leia…
Estou em um estabelecimento que vende drogas. Observo uma fila de pessoas no balcão, comprando livremente uma mercadoria que, para algumas, poderá se transformar (se ainda não se transformou) em um vício capaz de arruinar sua vida. Quem sabe você esteja no mesmo caminho. O problema nem sempre é evidente: nada que se compare ao massacre associado à cocaína ou ao álcool. É um vício que demora a se revelar, mas com percurso igualmente traiçoeiro. O lugar é uma padaria. E, certamente, aqui vende-se saladas e produtos light. Mas por que a oferta de bolos e docinhos supera a de alimentos saudáveis? Porque os carboidratos – assim como a cocaína – dão barato. E esse barato pode levar à fissura quando se fica muito tempo sem uma “dose”. Só que, diferentemente da cocaína, o consumo de carboidratos faz mais do que estabelecer novas conexões no sistema neurológico: o corpo sofre uma espécie de curto-circuito. Nosso metabolismo normalmente armazena energia para ser usada como combustível. Só que calorias não queimadas viram estoque de gordura. Quando a fome bate, você não fica doido para comer o que estiver à mão, mas deseja as mesmas besteiras cheias de calorias que o levaram à dependência. Pense nesse efeito como o de uma droga.

Em defesa dos carboidratos: a recomendação internacional defende que esses nutrientes componham 30% das refeições principais. Sob forma de amidos e açúcares, estão em pães, cereais, massas, frutas, doces, sucos e cerveja – basicamente qualquer coisa que não seja proteína ou gordura. “Mas você pode passar a vida toda sem ingerir um único carboidrato – exceto aquele do leite materno ou da diminuta quantidade da carne – e provavelmente viverá bem”, afirma Gary Taubes, autor do livro Boas Calorias, Más Calorias (Good Calories, Bad Calories, inédito no Brasil).
Dormindo, o organismo queima gordura
Açúcar e amido fornecem energia em forma de glicose, fonte para as células vermelhas do sangue – e também a preferida pelo cérebro. Na falta de glicose, o organismo queima gordura para gerar energia. É o que acontece enquanto você dorme, sem comer por oito horas. “O cérebro necessita de carboidratos como combustível”, diz Taubes (que acaba de lançar Por que Engordamos (Why We Get Fat, também inédito aqui). “Mas o corpo é perfeitamente capaz de buscar energia nas proteínas, nos vegetais e na gordura animal.” Como escreveram doutores da Universidade Harvard no Journal of the American Medical Association, “carboidratos são nutrientes absolutamente desnecessários para o ser humano”.
Dependência
O problema não está exatamente nos carboidratos, mas na dependência que estabelecemos deles. Ao ativar áreas do cérebro ligadas ao prazer, eles derrubam nossas defesas contra a comilança desenfreada e nos deixam gordos e mal nutridos. Quanto mais comemos alimentos ricos em carboidratos, mais queremos comer – o processo é semelhante ao das drogas viciantes. Em 2007, um experimento feito com ratos na Universidade de Bordeaux, na França, mostrou que, quando os bichos podiam escolher entre cocaína intravenosa e um adoçante, 94% preferiram o substituto do açúcar. A conclusão foi a de que a doçura intensa funciona, para os receptores cerebrais, como um estímulo maior do que o da cocaína, de tal forma que, ao chegar ao centro de recompensa cerebral, suprime os mecanismos de autocontrole, levando à dependência.
Sintomas de abstinência
Nicole Avena, especialista em neurociência comportamental da Universidade da Flórida (EUA) que se dedicou à análise de cobaias alimentadas com açúcar, afirma que o consumo de doces leva ao desejo compulsivo e a sintomas de abstinência. Isso porque tanto carboidrato como cocaína e anfetamina envolvem os mesmos circuitos cerebrais sob o comando do sistema nervoso central. Alimentos altamente calóricos injetam no sangue dopamina, neurotransmissor que, ao atingir o centro de recompensa do cérebro, gera um efeito imediato de bem-estar e felicidade – o mesmo que causa a dependência química. Tudo o que dá prazer, guloseima ou droga, aciona uma rede complexa de neurônios que, ao ser ativada, reconhece a sensação agradável, cristaliza-a na memória e provoca a repetição do gesto.

Como a natureza é sábia, a sensação de prazer associada à macarronada ou ao sorvete é a arma do cérebro para garantir que não falte energia para o corpo funcionar. Assim que você põe na boca um alimento calórico, começa a produção da dopamina. “Esse mecanismo é fundamental para nossa sobrevivência”, explica Paulo Jannuzzi Cunha, neuropsicólogo do Laboratório de Investigações Médicas do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). “O consumo de carboidratos provoca um prazer intenso que vai embora rápido, o que leva ao desejo de ingerir aquilo de novo para ter de volta a satisfação perdida.”
Ação da dopamina
“Brigadeiro e pão francês, por exemplo, ativam o centro de recompensa de maneira tão rápida e intensa que a mensagem de saciedade é simplesmente ignorada pelo cérebro”, continua Cunha, especialista em comportamentos impulsivos. Resultado: você continua a se empanturrar. E, assim como acontece com dependentes de drogas, o córtex pré-frontal (centro moral do cérebro) não consegue se sobrepor à ação da dopamina. Assim, o que prevalece é a memória da satisfação proporcionada pela guloseima, na região do hipocampo. E aí tudo o que você quer é, mais uma vez, cair de boca nos bombons e nos sonhos de padaria para ter bem-estar. “Não é o caso de declarar guerra ao carboidrato”, enfatiza o neurologista. “O importante é controlar o impulso, adiar a gratificação e evitar o imediatismo.”
Receptor prejudicado
Se você adotar uma dieta pobre nesse nutriente, seu corpo vai queimar estoques de gordura. Já comer carboidratos em grande quantidade (principalmente os refinados, como açúcar, farinha branca e refrigerantes) obriga o pâncreas a liberar cada vez mais insulina. Esse hormônio, como uma chave que se encaixa com perfeição na fechadura, se liga a seu receptor localizado na membrana da célula e “abre a porta” para a passagem da glicose. A ingestão excessiva de carboidratos prejudica o funcionamento do receptor, pois em altas doses a glicose desequilibra a fabricação de insulina e modifica a própria membrana das células, que passam a negar a entrada do açúcar. Ele, então, sobra na circulação e acaba armazenado em forma de gordura.
Pré-diabetes
Para piorar, o tecido adiposo favorece a resistência à insulina – o chamado pré-diabetes. Em altas doses, esse hormônio não apenas predispõe o corpo a estocar gordura, mas dificulta sua queima e aciona uma fome de leão. Para saciá-la, você não come qualquer coisa, mas algo rico em… açúcar e farinha. Os cartéis de droga apenas sonham com um narcótico que crie um ciclo de dependência tão poderoso (e pernicioso) quanto o dos pós brancos que guardamos na despensa. Este ano, o americano Robert Lustig, endocrinologista da Universidade da Califórnia (EUA), foi capa da revista do New York Times defendendo restrições à venda de doces e refrigerantes, como acontece com álcool e cigarros, por causarem igual dependência. Lustig foi além ao afirmar que, como a frutose, o açúcar das frutas, produz um efeito nocivo sobre o fígado comparável ao das bebidas alcoólicas (por causa do mesmo tipo de metabolização), deveríamos limitar o consumo de sucos. Para ele, as frutas são saudáveis por conterem fibras, mas seu suco, nem tanto.
Índice glicêmico
A nutricionista brasileira Anna Castilho, especializada em reeducação alimentar, lembra que carboidratos têm papel importante na recuperação e no crescimento muscular. A insulina liberada por pães e massas transporta os aminoácidos (“tijolos” de proteínas) para as células musculares, melhorando o desempenho. Em vez de banir os carboidratos, diz Anna, fique de olho no índice glicêmico (IG), medida que indica a velocidade com que a glicose é liberada no sangue assim que se ingere um alimento. Quanto mais alto o IG (caso de biscoitos, arroz e pão brancos), mais rápidas a digestão, absorção e sensação de fome. Alimentos com baixo IG (como cereais, pão e arroz integrais, verduras e legumes), ao contrário, retardam o esvaziamento gástrico e prolongam a saciedade.
É possível livrar-se da dependência dos carboidratos? Segundo Gary Taubes, não nos resta alternativa a não ser tentar. “Há evidências de que a fissura acaba depois de um tempo, mas é difícil precisar se isso acontece em semanas ou anos”, afirma. O assustador é que, como um viciado em recuperação, você provavelmente nunca estará 100% curado e ainda correrá o risco de recaídas.

domingo, 16 de setembro de 2012

Low Carb e Osteoporose

Recentemente, um leitor deste blog foi advertido por sua nutricionista de que uma dieta low carb era perigosa, pois prejudicaria seus rins, provocaria osteoporose e levaria a perda de massa muscular. Todas estas alegações são incorretas. Já lidamos extensamente com o assunto dos rins - leia o post "A dieta é perigosa para os rins?" (a resposta curta é não, não é).

Nesta postagem, vamos tratar sobre dietas low carb e metabolismo do cálcio.

A primeira questão é, de onde saiu a ideia de que uma dieta low carb produziria osteoporose?

Ao que parece, tudo se resume, mais uma vez, à ingesta de proteínas. Existe uma ideia esquisita segundo a qual uma dieta low carb é a "dieta da proteína". Já tratamento sobre isso na postagem sobre a dieta e os rins. As dietas low carb incluem algo entre 1,5 e 2g de proteína por quilo de peso ideal. Isso corresponde a cerca de 90 a 150 g de proteína ao dia - não muito diferente do que a maioria das pessoas já come numa dieta normal. Portanto, pela milésima vez, não se trata de uma dieta "da proteína". O que define a dieta é a baixa quantidade de carboidratos.

Pois bem, ocorre que a quantidade MÍNIMA de proteínas recomendada é cerca de 0,8g por Kg. O consumo de 1,5 a 2g produz um pequeno, mas mensurável, aumento da excreção de cálcio urinário em relação a quem consome o mínimo recomendado. Este é, pelo que pude ver, a origem deste rumor de que as dietas low carb causariam osteoporose. Mas e a ciência, o que diz a respeito?

O estudo mais importante a este respeito foi publicado em 2006. Intitulado "O efeito de Uma Dieta de Baixo Carboidrato Sobre a Renovação Óssea", este artigo recrutou 30 voluntários, e os dividiu em dois grupos de 15. Um grupo seguiu sua dieta habitual, e o outro foi colocado em uma dieta low carb de 20g de carbs no primeiro mês e 40g no segundo e terceiro mês. Foram medidos os valores de marcadores de renovação óssea (N-telopeptídeo urinário (UNTx), fosfatase alcalina osso-específica (BSPA) e a razão de remodelação óssea (BSAP/UNTx)), pois o que queremos saber é se há perda de massa óssea, e não se há excreção de cálcio na urina. Qual foi a única diferença em 3 meses?? Sim, óbvio: o grupo low carb perdeu quase 6 Kg e meio, e o grupo controle perdeu apenas 1 Kg.

Eis a conclusão do estudo: "Although the patients on the low-carbohydrate diet did lose significantly more weight than the controls did, the diet did not increase bone turnover markers compared with controls at any time point. Further, there was no significant change in the bone turnover ratio compared with controls." "Embora os pacientes em dieta low carb tenham perdido significativamente mais peso do que os controles, a dieta não aumentou os marcadores de remodelação óssea comparado com os controles em nenhum momento. Além disso, não houve mudança significativa na taxa de remodelação óssea em comparação aos controles".

Na verdade, o que acontece é que uma dieta com mais proteínas aumenta a absorção intestinal de cálcio, e é este o motivo da excreção levemente aumentada de cálcio na urina.

Um estudo mais recente indica a mesma conclusão: "A diet high in meat protein and potential renal acid load increases fractional calcium absorption and urinary calcium excretion without affecting markers of bone resorption or formation in postmenopausal women." Traduzido este título, que já diz tudo: "Uma dieta rica em proteína de carne e em carga ácida renal potencial aumenta a absorção fracional de cálcio e sua excreção renal sem afetar os marcadores de reabsorção ou de formação óssea em mulheres pós-menopáusicas".


Outro estudo muito recente (maio de 2012) avaliou os efeitos de uma dieta Low Carb versus Low Fat sobre a função renal e sobre o metabolismo do cálcio. Foram 307 pacientes alocados para uma das duas dietas por 2 anos! O resultado? A dieta low carb levou a uma MELHORA da função renal. Houve ainda um aumento de cerca de 35% na excreção urinária de cálcio, sem mudanças na densidade mineral óssea (avaliada por densitometria óssea) e sem episódios de cálculo renal.

Este outro estudo não encontrou diferenças em excreção de cálcio ou função renal em 99 pacientes diabéticos submetido a uma dieta de alta proteína versus normal.

Este outro estudo, também em pacientes diabéticos, indicou que não houve mudança na excreção de cálcio, mas que houve uma balanço protéico positivo (ou seja, o consumo maior de proteínas ajudou a fabricar MAIS massa muscular e óssea - já adiantando a futura postagem sobre como low carb NÃO leva a perda de massa muscular).

Este estudo em ratos indicou que uma dieta extremamente alta em proteínas (50% - uma dieta low carb páleo em geral fica entre 20 a 30% no máximo) não teve nenhum impacto sobre o metabolismo do cálcio, mas teve uma série de impactos positivos sobre a saúde dos animais (menor massa gorda, maior massa magra, menos manifestações de síndrome metabólica).

Este estudo indicou que voluntários consumindo uma dieta de alta proteína consumiam também 50% mais cálcio (laticínios são ricos em cálcio). Em função disso, excretavam 42% mais cálcio na urina - portanto não era cálcio dos ossos que estavam perdendo.

Em resumo - não há nenhuma evidência científica de que uma dieta low carb cause osteoporose.

O que há, isso sim, são evidências de que uma dieta com apenas 0,8g de proteína por Kg pode levar à osteoporose. 

Se você quiser manter sua massa magra (músculos e ossos), consuma mais proteínas, que é disso que a massa magra é feita. Em vista de todas as evidências elencadas acima, é constrangedor que alguém ainda afirme o contrário.

Novo estudo comprova que as dietas low carb reduzem os riscos cardiovascuares

O jornal americano USA TODAY repercutiu um novo estudo, recentemente publicado, sobre os efeitos das dietas low carb sobre os fatores de risco cardiovasculares. Reproduzo aqui a história:





As dietas low carb ganham ainda mais apoio com novo estudo

By Nanci Hellmich, USA TODAY

Updated 8/30/2012 10:00 PM 


À medida que as pessoas acendem suas churrasqueiras para o próximo feriado, um novo estudo promove os benefícios das dietas de baixo carboidrato (low carb), a dieta dos amantes de carne.

Uma revisão de 17 estudos diferentes, que acompanhou um total de 1141 pacientes obesos em dietas low carb - algumas das quais muito similares à dieta Atkins - concluiu que os mesmos perderam uma média de 9 Kg em 6 meses a um ano.

De uma forma geral, os participantes também melhoraram no que diz respeito à sua circunferência abdominal, pressão arterial, triglicerídeos (gordura no sangue), glicose (açúcar no sangue) e proteína C reativa (uma medida de inflamação crônica, e também fator de risco cardiovascular). Houve ainda aumento do HDL ("bom" colesterol). O colesterol LDL ("ruim") não mudou significativamente.

"Estas melhorias ocorreram durante a perda de peso, e sabe-se que a perda de peso produz estas melhorias", diz Wiliam Yancy, professor associado de medicina na Duke University e um dos pesquisadores que trabalhou neste estudo. O artigo foi publicado no periódico científico Obesity Reviews.

Yancy já conduziu várias pesquisas sobre a dieta Atkins, incluindo algumas com fundos do Atkins Foundation. "Uma dieta low carb é um plano sensato a seguir para perder peso e para melhorar os fatores de risco cardiovascular", diz ele.

"Uma dieta low carb é um plano sensato a seguir para perder peso e para melhorar os fatores de risco cardiovascular"

As dietas low carb eliminam o consumo de pães, massas, batatas, arroz, bolos, biscoitos e algumas frutas e alguns vegetais ricos em amido, e encorajam o consumo de peixes, aves, carne, ovos, manteiga, queijo e algumas frutas e vegetais pobres em amido (saladas).

Gary Foster, diretor do Centro para Pesquisa e Educação sobre Obesidade da Universidade de Temple, fez eco às observações de Yancy: "muitos destes benefícios são devidos à perda de peso propriamente dita, e não à uma dieta específica, com exceção do HDL, que realmente parece melhorar mais com as dietas low carb do que com as demais".

Ele não estava envolvido com este estudo em particular, mas já já conduziu um estudo comparando uma dieta low carb com uma dieta restrita e calorias e gorduras e concluiu que ambas produziram perdas de peso e melhoras metabólicas semelhantes.

"Nós já superamos a época em que podíamos dizer que a dieta Atkins era perigosa para a saúde. Esta é uma posição ultrapassada", disse Foster. "Esta é uma alternativa viável para perda de peso".

"Nós já superamos a época em que podíamos dizer que a dieta Atkins era perigosa para a saúde. Esta é uma posição ultrapassada. Trata-se de uma alternativa viável para perda de peso".

Robert Atkins, um cardiologista, publicou seu primeiro livro em 1972. A versão revisada, chamada A Nova Dieta Revolucionária do Dr. Atkins, foi um best seller duas décadas mais tarde. Ele morreu em abril de 2003, após um queda com traumatismo craniano.

Os experts em nutrição têm há muitos anos favorecido uma abordagem convencional, que reduz as calorias e as gorduras mas permite o consumo de grande variedade de alimentos.

Um pequeno estudo recentemente publicado descobriu que pessoas que estavam tentando manter o peso (após perder peso em uma dieta) queimaram uma quantidade significativamente maior de calorias - cerca de 300 calorias a mais por dia - comendo uma dieta low carb do que comendo uma dieta low fat (restrita em gorduras).

Cerca de dois terços das pessoas nos EUA têm sobrepeso ou são obesas, o que aumenta o risco de doenças cardíaca, diabetes tipo II, muitos tipo de câncer e outras doenças crônicas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Site: Uma Outra Visão

O Dr. José Carlos Peixoto, de Porto Alegre, tem uma série de artigos interessantes, alguns traduzidos, outros de sua autoria, que podem ser vistos em seu site http://www.umaoutravisao.com.br/

Excelente infográfico de seu artigo mais recente: pirâmide alimentar low carb:

 

Por que engordamos? Gráfico

Diretamente do site FATOPIA.ORG, que recomendo ao leitores deste blog:


domingo, 2 de setembro de 2012

Dieta Balanceada

Todos os dias escutamos frases tais como "devemos consumir uma dieta balanceada" ou "o segredo é consumir tudo com moderação". Mas o que se esconde por trás deste senso comum? Como e, mais importante, QUEM define o que é uma dieta balanceada?

Pesquisando no google, o primeiro site que encontro diz o seguinte:

"Basicamente, para ser considerada balanceada, a alimentação deve conter alimentos de diversos tipos como: carne, verduras, legumes, arroz, macarrão, feijão, frutas, leite e derivados, e até mesmo gordura e açúcar, e atender às necessidades nutricionais do indivíduo."

Quem disse que deve ser assim? Baseado em que critérios?

Pense comigo: qual é a dieta balanceada de uma vaca? Deve conter carne, macarrão, leite, açúcar? Sorvete quem sabe?



Claro que não, você dirá. Mas por quê?  Afinal, "para ser considerada balanceada, a alimentação deve conter alimentos de diversos tipos", não é mesmo? Grama e capim representam apenas um grupo. E a dieta de um leão, deve ser balanceada? Certamente! Mas o que é uma dieta balanceada de um leão? Deve conter carne, mas será que só carne é suficiente??

No passado, os administradores de zoológicos pensavam que sim. Afinal, ele é um carnívoro, não?

O seguinte trecho é extraído do excelente livro de Weston A. Price, que viajou o mundo estudando todas as tribos de estilo de vida tradicional e suas dietas, Nutrition and Physical Degeneration (1938):



"Até recentemente, era tido como fato pelos superintendentes dos zoológicos da América e da Europa que os felinos não se reproduziam em cativeiro, a não ser que a fêmea tivesse nascido em liberdade, na selva. Até então, isso tornava necessário repor os leões, tigres, leopardos e outros felinos a partir de reservas selvagens na mesma velocidade em que as jaulas se esvaziavam devido à morte dos animais.
Conta-se a história de uma viagem feita por um especialista em vida selvagem do zoológico de Londres à África com o propósito de obter alguns leões adicionais e para estudar este problema. Durante sua estadia na área em que encontravam-se os leões, observou um leão matar uma zebra.



O leão rasgou, então, o abdômen da zebra e começou a devorar as entranhas no flanco direito do animal. Isso levou-o diretamente ao fígado. Depois de gastar algum tempo selecionando diferentes órgãos internos, o leão afastou-se, virou-se, e jogou terra sobre a carcaça, a qual abandonou para os chacais.



O cientista então dirigiu-se rapidamente à carcaça e espantou os chacais a fim de estudar a zebra morta e anotar quais tecidos foram deixados intactos. E isto forneceu-lhe a pista que, quando posta em prática, revolucionou completamente a história da reprodução dos felinos em cativeiro. A adição de órgãos à dieta dos animais cativos nascidos na selva fornecia-lhes os nutrientes necessários para tornar a reprodução possível. Seus filhotes passaram, também, a reproduzir-se com eficiência. Eu estudei este assunto com o diretor de uma grande colônia de leões cativos - ele listou em detalhes os órgãos e tecidos que eram particularmente selecionados pelos animais em seu ambiente selvagem, bem como os que eram fornecidos aos animais em cativeiro. Ele explicou que, enquanto o preço dos leões costumava ser de US$ 1.500,00 por um bom espécime (valores da década de 1930), agora havia tantos deles que você poderia comprar um por 15 centavos".

Bem, agora já sabemos o que é uma dieta balanceada para um leão. Precisa haver um equilíbrio entre carne e vísceras. Mas quem determinou isso? Os nutricionistas? Os veterinários? Não, foi a observação da dieta natural destes animais na natureza - aquilo que eles vinham comendo por milhões de anos era a dieta a que estavam adaptados.

Agora, pergunto novamente, como poderemos determinar qual a dieta a que os humanos estão evolutivamente adaptados? Que tipos de alimentos, e em que proporções, nossa espécie consumiu por 2,5 milhões de anos?

E então, você ainda acha que uma dieta balanceada para a espécie humana contém macarrão? Farinha? Açúcar? Coca-cola?

A "dieta balanceada" não é a que contém um pouco de cada coisa. A dieta balanceada para uma determinada espécie é a que contém aqueles alimentos com os quais a espécie evoluiu.

As doenças da civilização nada mais são do que o descompasso entre nosso genes paleolíticos e nosso estilo de vida moderno. O tempo necessário para que a seleção natural adapte nossos genes aos farináceos e ao açúcar é medido em centenas de milhares de anos. Pensando bem, não é mais fácil adaptar os hábitos aos genes, do que esperar que a evolução e a seleção natural mudem o ser humano?