sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Veja de 11 de abril de 2001 - Gordura não faz mal - Gary Taubes

Pesquisando no Google, eis que me deparo com esta pérola: uma bela reportagem da revista VEJA repercutindo o antológico artigo de Gary Taubes na revista Science em 2001: The soft science of dietary fat.

Este artigo marcou época por ter sido publicado na mais prestigiosa revista científica do mundo, e foi o germe do que viria a ser Good Calories, Bad Calories, a obra prima de Taubes.

Fascinante também é o fato do artigo ter sido escrito 2 anos antes da morte do Dr. Atkins. E, para aqueles que acreditam na lenda urbana de que ele morreu do coração e obeso, eu reproduzo aqui um pequeno trecho de outra reportagem de 2001 da Veja:

O Dr. Atkins deu uma entrevista a "Ângela Pimenta, de VEJA, que o entrevistou em sua clínica, que ocupa um prédio em Nova York" (..) "Isso tudo é uma grande besteira", rebate Atkins. "Você acha que se isso fosse verdade eu estaria vivo depois de 38 anos seguindo minha própria dieta?" De fato, o doutor Atkins parece estar em forma. Com 1,83 metro de altura e 89 quilos, ele é ativo e lúcido. Garante também que sua pressão arterial, níveis de açúcar e gordura do sangue estão estáveis."

E, por fim, achei o obituário dele na veja No. 1799 de 23 de abril de 2003:


Ou seja, como consta na Wikipedia, ele morreu após escorregar no gelo em Nova York e bater com a cabeça no meio-fio. Aos 72 anos. E com IMC de 26.

***** ATUALIZAÇÃO  18/09/13 *******
O leitor Newton Pessoa me enviou uma matéria de Veja de 2004, que mostra ter havido controvérsia real sobre o estado de saúde do Dr. Atkins no momento de sua morte: http://veja.abril.com.br/180204/p_086.html
Ao que parece, era portador de miocardiopatia dilatada (uma patologia que não tem nenhuma com dieta (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cardiomiopatia_dilatada). Para saber mais sobre a controvérsia, veja aqui: http://www.snopes.com/medical/doctor/atkins.asp
Mas, enfim, mesmo que fosse verdade, não muda muita coisa: se seu avô fumava todos os dias e viveu até os 100 anos, isso não prova que fumar é bom. Casos individuais são apenas isso - casos individuais.
**********


Mas, enfim, estou desviando do assunto principal.


Penso que rever este artigo de 2001 serve também de motivo para reflexão. Afinal, cá estamos, 12 anos depois, ainda tentando convencer o mundo daquilo que a revista Veja traduziu de forma tão genial em 2001: "a demonização da gordura na dieta nasceu sem muita base científica e se firmou na medicina moderna sem contestação, em parte, por absoluta falta de senso crítico dos pesquisadores."


Isso me faz pensar em frases como estas:

The highest form of ignorance is when you reject something you don't know anything about.
Wayne Dyer 
Truth is by nature self-evident. As soon as you remove the cobwebs of ignorance that surround it, it shines clear.
Mahatma Gandhi 
Nothing is more terrible than to see ignorance in action.
Johann Wolfgang von Goethe 
I am one of those scientists who feels that it is no longer enough just to get on and do science. We have to devote a significant proportion of our time and resources to defending it from deliberate attack from organised ignorance.
Richard Dawkins 
Against logic there is no armor like ignorance.
Laurence J. Peter 


A seguir, o artigo da revista Veja:





 NOTÍCIAS DIÁRIAS

Geral Saúde

Pela primeira vez uma publicação científica
de prestígio abre suas páginas para um artigo
bombástico que afirma que a gordura não faz mal

Gabriela Carelli
Artigos como o publicado na semana passada pela mais prestigiosa revista científica do mundo, a americana Science, são raríssimos. Assinado pelo jornalista Gary Taubes, o artigo faz a demolição ponto por ponto de um dos dogmas mais aceitos da medicina moderna, o de que uma dieta rica em gorduras é prejudicial à saúde da maioria das pessoas. O articulista da Science lista uma seqüência impressionante de dados tirados de pesquisas de centros de excelência, como Harvard, Cambridge e Johns Hopkins. Ele mostra que a demonização da gordura na dieta nasceu sem muita base científica e se firmou na medicina moderna sem contestação, em parte, por absoluta falta de senso crítico dos pesquisadores. O artigo intitulado "A frágil ciência da gordura na dieta" é também um soco no estômago da indústria de alimentos. "Durante os últimos trinta anos, o conceito de comer saudavelmente passou pela eliminação ou redução da gordura nos alimentos. Cerca de 15.000 produtos dietéticos com teor mais baixo de gordura chegaram às prateleiras dos supermercados. Eles geraram bilhões de dólares para a indústria", diz Taubes. A conclusão dele é inevitável. Evidências de que a gordura dos alimentos não pode ser responsabilizada pela obesidade e pelas doenças do coração sempre existiram. Mas não foram aceitas em virtude da enorme influência da indústria alimentícia e de seus lobbies poderosos exercidos sobre as autoridades de saúde americanas.
"Nos Estados Unidos nós não tememos mais a Deus nem os comunistas. Nós só tememos a gordura." A frase acima, dita pelo médico David Kritchevsky, autor em 1958 de um dos primeiros livros sobre dietas pobres em gorduras, é usada por Taubes para mostrar a força que essa noção ganhou no país. "Apesar de tanta convicção, o que se sabe é que a ciência tradicional gastou milhões de dólares dos contribuintes em pesquisas que, na verdade, nunca provaram que as dietas pobres em gordura prolongam a vida das pessoas", escreveu Taubes. Segundo ele, o melhor dos dados compilados para provar a tese da malignidade da gordura chegou à patética conclusão de que deixar de comer carne, ovos ou manteiga ajuda as pessoas a viver "algumas semanas mais" que aquelas que não se privaram desses alimentos.
"Em toda a literatura médica, não há estudo científico que prove que uma dieta sem gordura evita infarto. Existe o contrário", sustenta. E que fim levaram essas pesquisas? Taubes garante que elas foram sistematicamente desprezadas pela ciência tradicional, mesmo quando vinham de fontes cujas credenciais não podiam ser colocadas em dúvida . É o caso de um grande levantamento feito pela Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard. Durante duas décadas, os pesquisadores avaliaram os hábitos de 300.000 profissionais de saúde americanos, na maioria enfermeiros e médicos, pessoas que, por seu conhecimento, técnica e disciplina, são consideradas ideais para esse tipo de investigação. Pois bem, os resultados mostraram que praticamente não havia diferenças de saúde entre os grupos que comiam alimentos gordurosos e os que se privavam deles. O estudo foi levado ao conhecimento das agências governamentais americanas e solenemente ignorado.
Enquanto os cientistas viravam o rosto para as evidências de que a gordura dos alimentos parecia não ser a causa da obesidade e da doença cardíaca, a população americana – e por influência dela boa parte dos moradores do mundo ocidental industrializado – continuava sendo vitimada pela epidemia de infartos. Mesmo com a redução da gordura na dieta, a doença cardíaca persistia e aumentava. Só muito recentemente o número de mortes por disfunções cardíacas diminuiu nos Estados Unidos. Também no Brasil, entre 1980 e 2000, houve um declínio de 10% no número de mortes por doenças do coração. "Isso é incontestável, mas com certeza não tem relação alguma com o fato de comer vegetais", diz um dos mais atualizados cardiologistas brasileiros, Whady Hueb, do Instituto do Coração, em São Paulo. "A diminuição está muito mais ligada aos avanços médicos e farmacológicos que à quantidade de verduras ingeridas. Os esquimós comem só gordura e alguns deles chegam a viver 120 anos", diz Hueb.
Um jornalista, obviamente, não tem autoridade para ditar regras sobre nutrição. O trabalho de Taubes só foi levado a sério porque é o primeiro a citar num mesmo artigo quase todas as fontes científicas dignas de crédito que pesquisaram o assunto. Entre elas, a mais respeitada é o epidemiologista americano Walter Willet, de Harvard. Ele considera "escandaloso" o fato de o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o famoso NIH, ter ignorado – e continuar ignorando – os resultados das pesquisas com enfermeiros e médicos que absolviam a gordura do crime de estar matando os americanos do coração. "Eles dizem que precisamos ainda de evidências mais sólidas para mudar as recomendações nutricionais tradicionalmente aceitas. Não deixa de ser irônico, porque eles próprios nunca tiveram evidências sólidas para fazer as recomendações." Willet põe o dedo na ferida. Ele explica que o desastre maior não foi deixar de comer gordura, mas substituí-la por um inimigo alimentar muito mais sutil e destruidor quando ingerido em grandes quantidades, os carboidratos. "As pessoas ficaram assustadas com as gorduras, mas deitaram e rolaram no açúcar, nos pães e nas massas", escreve Taubes. Resultado: enquanto a ingestão média de gordura caía para 34% do total de calorias da alimentação do americano médio, as artérias continuaram se entupindo.
Campeão da luta contra a ingestão de carboidratos, o médico americano Robert Atkins foi intelectualmente massacrado nos anos 70 quando reavivou a tese de que as gorduras sozinhas não eram as vilãs da saúde. "Quem advogava contra o dogma era tachado de irresponsável", disse Atkins a VEJA. Sua dieta, baseada na ingestão de 20 gramas de carboidratos por dia e na liberação da carne, dos ovos e cremes, foi dinamitada. Estava-se então no auge da ojeriza à gordura no prato. Mas, como nada de muito auspicioso ocorria na balança, ou seja, os americanos continuavam engordando, Atkins teve uma nova chance. O livro com os fundamentos de sua dieta foi reeditado recentemente e vendeu milhões de exemplares. Os compradores? Bem, os frustrados pacientes das mais variadas dietas.
O Centro Nacional de Estatísticas de Saúde do Centro de Controle e Prevenção de Doenças indica que o número de adultos obesos nos Estados Unidos aumentou 32% entre 1980 e 1991 e 57% de 1991 até hoje. Para essas pessoas, a chamada "pirâmide alimentar", a que prescreve uma dieta equilibrada com quantidades de carboidratos que Atkins abominaria, de nada adiantou. A pirâmide aconselha que se coma de 55% a 60% de carboidratos. "A literatura científica mostra que dietas de alto consumo de carboidratos não são melhores – e podem ser piores – que as de alto consumo de gorduras", diz Taubes.
O pavor à gordura nasceu de uma descoberta real. A primeira luz vermelha se acendeu durante a Guerra da Coréia, nos anos 50. Os soldados americanos mortos no conflito foram as primeiras vítimas de guerra sistematicamente submetidas a autópsia. Os médicos militares descobriram que muitos dos jovens abatidos pelos coreanos e seus aliados chineses tinham obstruções nas artérias que alimentam o coração. A análise dessas obstruções mostrou que eram feitas de substâncias gordurosas, entre elas o colesterol. Como um tigre sobre a presa, os médicos saltaram para a conclusão de que a gordura era a causa principal dos ataques cardíacos. Foram necessárias décadas de estudos para acreditar que talvez a história não seja tão simples. "O enredo ficou mais complexo", diz Taubes. Os pesquisadores citados por ele lembram que as dietas vegetarianas conseguem reduzir no máximo de 10% a 15% das gorduras no sangue, o que para eles é prova suficiente de que a relação entre nutrição e saúde é mais complicada do que parece. O raciocínio é reforçado pela constatação de que ainda é misterioso o processo pelo qual as estatinas, drogas mais eficientes e modernas usadas com o objetivo de baixar as gorduras no sangue, especialmente o colesterol, protegem o coração. Suspeita-se que parte significativa do efeito protetor das estatinas esteja em seu poder antiinflamatório, e não apenas no de diminuir a gordura circulante.
Os dados cuidadosamente garimpados por Taubes a pedido da revista Science e reproduzidos nesta reportagem não encerram a questão do papel das gorduras na dieta. Não devem ser tomados, obviamente, como um convite à indisciplina à mesa. "Dizer que gordura não faz mal é um risco à saúde de milhares de pessoas", diz Francisco Fonseca, coordenador do setor de lípides, aterosclerose e biologia vascular da Universidade Federal de São Paulo (não é não). Gary Taubes enfatiza que nenhum de seus entrevistados aconselha as pessoas com doenças cardíacas ou propensão a tê-las a comer gorduras. Eles apenas não acham razoável que essa restrição feita aos doentes possa ser tomada como uma regra de saúde pública. O artigo do americano teve enorme repercussão não por querer ditar novas regras de alimentação saudável, mas por abrir a discussão sobre uma questão tratada há décadas como um dogma.

"Durante trinta anos, o conceito de comida saudável foi sinônimo de pouca gordura. Apesar de décadas de pesquisas, ainda não está devidamente comprovado que o consumo de gordura abrevie a vida de pessoas saudáveis."
"Uma pesquisa sobre dieta e saúde conduzida durante vinte anos pela Universidade Harvard concluiu que o total de gordura consumida não tem relação com doenças cardíacas. A gordura não saturada, como o azeite de oliva, não faz mal. A gordura saturada, das frituras, é um pouco pior, se tanto, que as massas e outros carboidratos."
  Gary Taubes, revista Science

"O movimento antigordura está baseado na noção puritana de que alguma coisa ruim tem de ter uma causa maligna. Se você sofreu um ataque cardíaco, é porque fez alguma coisa errada. O ataque cardíaco seria decorrente do fato de você ter comido uma quantidade enorme de coisas ruins, e não uma quantidade muito pequena de coisas boas."
John Powles, da Universidade de Cambridge

35 comentários:

  1. Lendo assim parece ainda mais uma religião que prega a gordura como herege e promove uma inquisição onde bacons são caçados e livros como os de Atkins entram para a lista proibida...

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  2. Ah, ultimamente é sensacional como até a comida de verdade esta sendo falsificada. Aqui em Minas (ñ tem nata... okay) a manteiga está marcando 35g (deve ser 3,5... ñ é possível 35) de carboidrato por colher. A MANTEIGA DE LEITE! Fiquei boba.

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  3. Priscila: de fato é uma religião. http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/04/prezado-dr-souto-me-disseram-que-faz-mal.html

    2013/9/13 Disqus

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  4. Dr. Souto, quanto mais evidências científicas, melhor. Só quem sabe que estou na paleo low carb é meu marido, isso porque não quero ouvir a mesma ladainha que todo mundo repete. Mas o tempo vai passar e os resultados vão aparecer. Quando isso acontecer, vou mandar o povo assistir àquele vídeo que você postou, engraçadíssimo, sobre low carb.
    AbS.

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  5. Ola,
    Parabéns pelo belo post, muito esclarecedor, pois algumas pessoas dizem que Dr Atkins morreu obeso e por problemas cardíacos.

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  6. Já tinha lido. E ainda assim dei a bobeira de tentar convencer algumas pessoas... Pelo menos algumas me ouvem e meus pais e minha avó estão tentando. (com bolos de fibra de soja e farelo de trigo ainda, mas é melhor do que nada ou do que farinha de trigo...). Assim, quando ela controlar a glicose, talvez mais gente me escute... ou não né? Pq meu pai já emagreceu e as pessoas insistem em fechar os olhos... Falar de HIIT então? Tem sido pior ainda. Às vezes penso em responder assim: http://www.youtube.com/watch?v=OB5zw4UVjUo

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  7. À propósito, perdão se aparecerem alguns 'religiosos' xingando aqui... pode ter sido eu que indiquei o blog.

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  8. Encontrei essas matérias da revista Época sobre colesterol, talvez possa interessar. Muito disso já foi dito aqui no seu blog.

    "Colesterol: o que o médico não lhe diz
    Novas pesquisas sugerem que as pílulas mais receitadas não beneficiam a maioria dos pacientes"

    http://saibavocetambem.com.br/2008/05/19/materia-sobre-estatinas-x-colesterol-revista-epoca-edicao-520-de-05052008/

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  9. http://saibavocetambem.com.br/2008/05/19/materia-sobre-estatinas-x-colesterol-revista-epoca-edicao-520-de-05052008/

    Encontrei essas matérias da revista Época sobre colesterol, talvez possa interessar. Muito disso já foi dito aqui no seu blog.
    "Colesterol: o que o médico não lhe diz
    Novas pesquisas sugerem que as pílulas mais receitadas não beneficiam a maioria dos pacientes"

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  10. Flávio Ricardo Custódio14 de setembro de 2013 12:51

    OI DOUTOR E PATRÍCIA , SUCO DE LIMÃO COM ADOÇANTE DE SUCRALOSE POR SER TOMATE DO JEJEUM INTERMITENTE , FIQUEI COM ESSA DUVIDA , OBRIGADO

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  11. Pode

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 14/09/2013 12:51, "Disqus" escreveu:

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  12. Flávio Ricardo Custódio14 de setembro de 2013 13:01

    Obrigado Drº

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  13. e mesmo que o Atkins tivesse morrido de ataque cardíaco, isso não provaria nada, seria apenas mais uma falácia

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  14. Sim, claro. Mas é muito ridículo precisar de mentiras por não dispor de dados.

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  15. Ola,
    Uma pergunta que não quer calar.
    Pelos estudos que li aqui no blog, sei que dieta LCHF aumenta a produção dos hormônios esteroidais, entretanto gostaria de saber Dr. Souto, se o Sr. sabe de algum estudo com nível de evidencia de primeira, sobre a relação entre percentuais de ingesta de gordura na dieta e tais hormônios.
    Pois nos meus últimos exames a testosterona deu abaixo de 500ng/dl. Inclusive a algum no ano passado meu nutrólogo me receitou testosterona e GH bioidenticos. mandei manipular a testosterona em uma farmácia em Florianópolis-SC, porém, como o preço é meio salgado, tive que parar com a suplementação, e o GH não tive coragem pois ó preço me assustou muito, penso que esse tal de GH deve ser o Kara mesmo, pois o preço é.
    No mês que vem vou fazer novos exames e como ja estarei a algum tempo em LCHF vou poder comparar os exames.
    Ficarei eternamente grato se puder me ajudar Dr. Souto.

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  16. Em estudos de curta duração, a testosterona não aumenta nem diminui. Na minha experiência, precisa mais tempo para a testosterona subir quando ela é BAIXA, coisa que a sua não é.

    Metabolism. 2002 Jul;51(7):864-70.

    Body composition and hormonal responses to a carbohydrate-restricted diet.

    Volek JS, Sharman MJ, Love DM, Avery NG, Gómez AL, Scheett TP, Kraemer WJ.

    Source

    Human Performance Laboratory, Department of Kinesiology, University of Connecticut, Storrs, CT 06269-1110, USA.

    Abstract

    The few studies that have examined body composition after a carbohydrate-restricted diet have reported enhanced fat loss and preservation of lean body mass in obese individuals. The role of hormones in mediating this response is unclear. We examined the effects of a 6-week carbohydrate-restricted diet on total and regional body composition and the relationships with fasting hormone concentrations. Twelve healthy normal-weight men switched from their habitual diet (48% carbohydrate) to a carbohydrate-restricted diet (8% carbohydrate) for 6 weeks and 8 men served as controls, consuming their normal diet. Subjects were encouraged to consume adequate dietary energy to maintain body mass during the intervention. Total and regional body composition and fasting blood samples were assessed at weeks 0, 3, and 6 of the experimental period. Fat mass was significantly (P <or=.05) decreased (-3.4 kg) and lean body mass significantly increased (+1.1 kg) at week 6. There was a significant decrease in serum insulin (-34%), and an increase in total thyroxine (T(4)) (+11%) and the free T(4) index (+13%). Approximately 70% of the variability in fat loss on thecarbohydrate-restricted diet was accounted for by the decrease in serum insulin concentrations. There were no significant changes in glucagon, total or free testosterone, sex hormone binding globulin (SHBG), insulin-like growth factor-I (IGF-I), cortisol, or triiodothyronine (T(3)) uptake, nor were there significant changes in body composition or hormones in the control group. Thus, we conclude that a carbohydrate-restricted diet resulted in a significant reduction in fat mass and a concomitant increase in lean body mass in normal-weight men, which may be partially mediated by the reduction in circulating insulin concentrations.

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  17. Obrigado Dr.

    Bom, meu nutrólogo faz parte da turma do grupo Longevidade Saudável:
    http://www.longevidadesaudavel.com.br/

    E eles defendem a modulação hormonal bioidentica, e segundo ele, meus níveis de testosterona deveriam estar entre 700ng/dl e 1000ng/dl pois tenho 41anos.

    Ele também me recomenda além da Testosterona, modulação com GH, Melatonina, DHEA e Progesterona, pois segundo ele, isso vai me dar uma melhor qualidade de vida na andropausa e uma grande sobrevida na minha 3ª idade sem as comorbidades características da velhice. E segundo ele, devo me preocupar com isso agora.

    Penso que isso seja, e acredito que é verdade se eu continuasse com aquela alimentação carregada de açucares e farinhas refinadas, incluindo trigo e consumindo todo tipo de Junk Food na qual estava habituado aliado ao sedentarismo, sem tomar sol, etc. Mas agora que estou em LCHF não consumo refrigerantes, sucos e bebidas alcoólicas, não uso trigo e nem açúcar de tipo algum, acredito que não seja necessário as tais reposições hormonais sugeridas pelo médico citado.

    Mas a testosterona me preocupava, e com as informações que o Sr. postou, fico mais tranquilo em relação a Testosterona.

    Agora e quanto ao GH e aos outros hormônios?

    Sei que o GH não é um hormônio esteroidal, sei que é importante para a reconstrução dos tecidos musculares etc. Agora, como a ingesta de gorduras na dieta pode influenciar a produção do GH? ou se não for as gorduras, talvez o baixo consumo de carbs, ou até mesmo a ausência de Junk Food.

    Quais os mecanismos de ação desses importantes hormônios? Como isso melhora na dieta paleo o LCHF?

    Podes me ajudar?

    Fico grato.

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  18. Iremar, essas coisas que lhe disseram carecem completamente, para lhe parafrasear, de "estudos com nível de evidencia de primeira".

    E vão contra a minha filosofia, de que não precisaríamos um monte de intervenções terapêuticas, e de que - se não atrapalharmos, nosso corpo tende à saúde.

    Como diz o grande Angelo Coppola: "Humans are not broken by default".

    Sabe o que todos precisamos? Comida de verdade, água e ar puros, um pouco de sol sem protetor solar, manejo do stress, um sono de qualidade, atividade física composta de caminhadas de laser e episódios esparsos de esforço repentino e de curta duração. E, claro, de convivência familiar e de bons amigos. É isso. E é só isso.

    Eu não vejo lugar para um monte de exames, suplementos, comprimidos e hormônios nesta equação.


    Em 14 de setembro de 2013 21:37, Disqus escreveu:

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  19. Obrigado Dr.


    Sábias palavras.


    Penso que se tivéssemos mais uns 10 médicos com essa visão, nossa saúde seria bem melhor.


    Vida longa para todos nós.

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  20. Olá Dr. Souto. Apesar de não ser obeso, sempre busquei em dietas "convencionais" pregadas pela mídia a boa forma e saúde. Já experimentei muitas outras, cometi loucuras, como a dieta da sopa. Apesar de manter a forma, me sentia fraco, sem forças, até sem libido. Eu emagrecia, porém perdia as forças até para andar, meu corpo ficava gelado e sonolento, carente das calorias restringidas na marra. Eu gosto muito de carnes, gordura animal, especialmente nata e banha. Mas não comia por temor de engordar. Comecei a seguir a dieta do seu blog apesar de achar que iria me encher de espinhas e passar mal do estômago. Mas não aconteceu nada disso. Imediatamente a disposição voltou e agora, depois de um mês, nada de espinhas nem aumento de peso. Parei com os exercícios aeróbicos porque comecei a emagrecer demais e faço musculação duas vezes por semana. Nunca me senti tão bem. Eu não era afeito a verduras, mas agora uma couve na banha parece a melhor coisa do mundo. Estou dormindo melhor e a barriga está ficando definida sem me matar na academia. O pessoal acha que estou tomando alguma coisa para emagrecer. Eu digo que apenas como nata, banha, bacon, carne com gordura e ovos. Me olham como se eu fosse mentiroso. Um amigo duvidou que essa dieta existisse mesmo e quando saiu na Zero Hora me ligou para perguntar mais e indiquei o seu blog, que ao que parece, vai chegar esta semana a um milhão de acessos. É uma guerra contra tudo e todos, mas tenha a certeza de que os efeitos benéficos sentidos pelas pessoas adeptas da dieta serão a melhor arma de convencimento para aqueles que ainda se matam aos poucos com a dieta "tradicional" da pirâmide alimentar. Da minha parte, serei mais um a tentar replicar o seu conhecimento em meus círculo social, nessa luta contra os grandes fabricantes de alimentos tóxicos. Porque longe de ser uma simples dieta da moda, a Low carb paleo é um novo modo de vida. Um grande abraço.

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  21. Ganhei meu dia

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 15/09/2013 23:01, "Disqus" escreveu:

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  22. Dr. olha o que eu achei lendo um artigo. Isso é um absurdo não é!!!
    "A origem das gorduras saturadas é animal, por isso, estão presentes na carne vermelha, bacon e laticínios, principalmente os integrais. A ingestão exagerada destes alimentos diminui a sensibilidade do corpo à insulina, hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue. Quanto mais açúcar, maior a reserva de energia e gordura acumulada na região abdominal. Além disso, as gorduras saturadas também estão associadas aos altos níveis de colesterol."

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  23. :-)


    2013/9/16 Disqus

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  24. O alimento com mais gordura saturada que eu conheço é o coco, que é um vegetal.
    Já o Bacon tem um perfil de gorduras semelhante ao do azeite de oliva ( http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/03/gordura-vegetal-versus-gordura-animal.html )

    A gordura saturada até pode aumentar o colesterol, mas aumenta o HDL também.
    Enfim, mesma bobajada de sempre


    Em 16 de setembro de 2013 10:41, Disqus escreveu:

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  25. Fatima Aparecida Rocha Guimara16 de setembro de 2013 17:32

    Clap..Clpa..Clap..Clap!!!!!!

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  26. Boa, Newton, eu não tinha conhecimento desta notícia.
    Mas a coisa foi controversa, à época: http://www.snopes.com/medical/doctor/atkins.asp
    Haveria um documento mostrando que ele entrou no hospital com peso bem menor, e que teria ganho muitos quilos de peso por edema em sua estadia na UTI.
    De qualquer forma, a matéria de 2001 que citei mostra que, aos 70 anos, 2 anos antes, ele estava ok.
    Mas gostei da contribuição, e vou fazer uma atualização da postagem agora mesmo.


    2013/9/18 Disqus

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  27. Já atualizei, Newton. Meu compromisso aqui é sempre com a verdade. Obrigado pela dica!

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  28. Boa tarde Dr. jose Carlos, comecei a dieta paleo a 30 dias e tenho algumas duvidas, pratico crossfit e musculacao e tenho 43 anos consumo diariamente antes e depois dos treinos beef protein (carnivor) e mais 5g de glutamina em po e antes de dormir caseina com glutamina(5g)' ta certo ?
    TodOs suplementos nutricionais sao paleo ? Se não, quais devo evitar ?
    E os pré treinos ?
    Tomo tambem diariamente 2g de omega-3 3 x ao dia e de manha BioPqq com CQ10
    100mg de 7-keto/ 400mg de Cla
    2g de vitamina C em jejum.
    Com a dieta paleo devo parar com td isso ?

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  29. Olá Max,

    Se fizer uma busca rápida pelo blog digitando na caixa de pesquisas 'suplemento', verá que o Dr. Souto não os recomenda, salvo o óxido de mg. Veja alguns comentários:

    "E vão contra a minha filosofia, de que não precisaríamos um monte de intervenções terapêuticas, e de que - se não atrapalharmos, nosso corpo tende à saúde.
    Como diz o grande Angelo Coppola: "Humans are not broken by default".
    Sabe o que todos precisamos? Comida de verdade, água e ar puros, um pouco de sol sem protetor solar, manejo do stress, um sono de qualidade, atividade física composta de caminhadas de laser e episódios esparsos de esforço repentino e de curta duração. E, claro, de convivência familiar e de bons amigos. É isso. E é só isso.
    Eu não vejo lugar para um monte de exames, suplementos, comprimidos e hormônios nesta equação. " http://lowcarb-paleo.blogspot.com/2013/09/veja-de-11-de-abril-de-2001-gordura-nao.html#comment-1045063641

    "Já adianto que não sou fã de suplementos alimentares a não ser quando exames demonstram deficiências específicas." http://lowcarb-paleo.blogspot.com/2012/01/como-devo-comer-comida-de-verdade.html#comment-992302224

    "Esse (óxido de mg) é bom tomar sempre - também não sou fã de suplementos, mas o que se diz é que os solos estão muito empobrecidos pela agricultura abusiva, e há menos Mg do que costumava haver.Outra coisa que pode ajudar MUITO no sono é consumir um carboidrato antes de dormir. Não precisa ser muito, nada que vá travar o emagrecimento. Tipo uma laranja." http://lowcarb-paleo.blogspot.com/2013/09/o-bolinho-mais-facil-do-mundo.html#comment-1062014649

    Sobre Whey: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/12/whey.html

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  30. Suplementos proteicos não são paleo, é claro, mas eu acho que são interessantes no contexto de hipertrofia associados ao treino.


    Em 7 de outubro de 2013 15:44, Disqus escreveu:

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  31. Mais dúvidas: banha de porco e óleo de palma contêm altas concentrações de ácidos graxos mirístico e palmítico. Estes não não inflamatórios?

    Obrigada.

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  32. Não

    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
    Sent from Android phone
    Em 18/10/2013 12:10, "Disqus" escreveu:

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  33. Chambiswolff Tilo7 de maio de 2014 20:42

    Também acho que estou com cara de mentirosa.. kkkk 13 kg em 2 meses. Adoramos ser "mentirosos"

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  34. Mari, está ótimo, e tem um monte de gente saudável com pressão de 100/60.
    Dr. Jose Carlos Souto, M.D.
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    Em 18/05/2014 20:26, "Disqus" escreveu:

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