terça-feira, 29 de outubro de 2013

Um experimento natural - Kiribati e Vanuatu - 2 ilhas, mesma etnia, duas dietas diferentes

A reportagem saiu publicada em uma revista da Nova Zelândia.

Vanuatu e Kiribati são dois minúsculos arquipélagos do pacífico sul, países independentes, povoados por pessoas de uma mesma etnia. Então, porque uma ilha tem pessoas tão saudáveis, e a outra tem pessoa tão doentes? 




http://www.stuff.co.nz/life-style/wellbeing/9327862/Fighting-fat-with-fat

Combatendo a gordura com gordura

diet doctors

A epifania veio quando o professor Dr. Grant Schofield estava trabalhando em duas pequenas ilhas do Pacífico, Kiribati e Vanuatu, em uma missão de saúde pública.

Em Vanuatu, ele encontrou a maior parte da população saudável e feliz, vivendo da forma que sempre viveram, em vilarejos isolados com mínima influência do mundo exterior. Em Kiribati, entretanto, onde as pessoas dependem fortemente em ajuda humanitária do exterior, virtualmente todos os adultos tinham sobrepeso ou eram obesos. As crianças eram mal nutridas. O diabetes estava tão fora de controle que o hospital local amputava até 20 membros por semana.

"Eu saí de Kiribati pensando 'não há motivo para otimismo aqui'", disse 
Schofield. "Em saúde pública, você tende a ser sempre positivo, mas eu lembro de pensar, durante aquele voo, 'esqueça a elevação do nível do mar, essas pessoas têm um problema muito maior'"

A diferença? A comida. Especificamente, a quantidade de carboidratos. Em Vanuatu, as pessoas comem da forma que vêm comendo há décadas - mantimentos que eles mesmo plantam, colhem ou pescam - principalmente peixes, hortaliças e coco.


Em torno de 60% de suas calorias vêm da gordura, mais do que o dobro da ingesta na Nova Zelândia. Havia muito pouco carboidrato, apenas uma pequena quantidade de arroz.

Enquanto isso, em Kiribati, os ilhéus sobreviviam com base em importações baratas tais como refrigerantes, arroz branco, farinha de trigo, açúcar, peixes enlatados e macarrão instantâneo.

"Foi então que a ficha caiu!", 
Schofield disse. "Duas ilhas, uma funcionando com comida de verdade, a outra com as calorias mais baratas disponíveis - carboidratos refinados. Se você jamais quis evidências de que os carboidratos refinados prejudicam os humanos, você deveria ir a Kiribati e ver com os próprios olhos"


Foi este momento que impeliu 
Schofield, um professor no Centro de Potencial Humano da Universidade de Tecnologia de Auckland, a retornar à Nova Zelândia e tentar uma dieta de baixo carboidrato e alta gordura em si mesmo (Low Carb, High Fat, ou LCHF).

Ao invés de usar pão, arros e massa como principais fontes de energia, Schofield trocou para carnes, peixes e laticínios gordos -  incluindo queijo e nata - nozes, sementes e azeite de oliva, obtendo 80% de suas calorias da gordura.

O resto de sua energia vinha de frutas e hortaliças - com uma ocasional taça de vimho. Um dia típico começava com um smoothie de leite de coco com frutinhas vermelhas; atum, queijo e aipo no almoço; e filé grelhado e brócolis refogado no azeite de oliva na janta.

"Eu primeiro experimentei em mim mesmo pois achei que seria ridículo", disse 
Schofield. "Mas então eu fiz alguns experimentos com máscara respiratória e descobri: 'espere um pouco - parece haver algo interessante aqui!'"

Isso foi no ano passado. Hoje, depois que Schofield testou sua teoria de dieta LCHF em atletas no Instituto Millennium para o Esporte na Praia Norte de Auckland e comparou os resultados com os de 20 estudos clínicos randomizados de vários lugares do mundo, ele não apenas acredita que uma dieta LCHF funciona, mas que esta pode ser a chave para uma vida mais saudável - a chave para reduzir o diabetes e a obesidade.

"O que nos foi dito é que se você comer gordura, engorda", disse ele. "Mas, na verdade, a confusão é apenas porque se usa a mesma palavra para as duas coisas - gordura no corpo e gordura na dieta"

Ele prefere olhar a ciência por trás do assunto - "Ela faz sentido", ele diz. 

A melhor forma de explicar a ciência é usando roedores. Em seu computador, Schofield mostra uma imagem de dois ratos de laboratório lado a lado. Um tem tamanho normal. O outro é do tamanho de uma pequena bola de rugby, deitado, inchado e grotesco.

"OK, diz 
Schofield". "Nos foi dito que a única solução para a obesidade é se as pessoas comerem menos e se exercitarem mais - balanço calórico - certo? Bem, se por um lado isto, de certa forma, é verdade, eu penso que a fisiologia é um sistema MUITO mais complexo do que isso".

Basicamente, ele diz, há alguns hormônios no corpo que têm muito a ver com o controle do peso. Um é chamado de leptina. É secretado pelas células gordurosas e ajuda o cérebro a regular o quanto se come - como um interruptor que diz "eu já comi o bastante".

O rato obeso é de uma variedade que foi produzida para não fabricar leptina. Embora tenha sido alimentado com exatamente a mesma quantidade que o rato normal, ele acaba ficando mais gordo e comeria até morrer, se pudesse.

O segundo hormônio é a insulina, que é produzida pelo pâncreas para regular o açúcar no sangue (glicose).

Quando nós comemos carboidratos, elevamos a glicose no sangue, diz 
Schofield, e a insulina atua sobre as células adiposas desligado a sua capacidade de queimar gordura.

A insulina tenta fazer a glicose entrar nas células musculares para ser usada como energia. Se isso não pode ocorrer (pois já estão cheias de glicose), há ainda o fígado. E se o fígado também já está repleto de glicogênio (a forma com que nosso corpo estoca a glicose), a insulina faz que com armazenemos estes carboidratos como gordura.

Se você está em boa forna, diz 
Schofield, seu consumo de carboidratos provavelmente não será estocado como gordura. Entretanto, esta não é a única questão.

O segundo problema é a insulina propriamente dita - particularmente entre aqueles propensos ao diabetes tipo 2, que produzem insulina mas são resistentes a ela, o que significa que mesmo pequenas quantidades de glicose induzem grandes quantidades do hormônio no corpo.

O problema, diz Schofield, é que o excesso de insulina pode bloquear a ação do outro - e muito importante! - hormônio, a leptina, no cérebro.

"Ao fim e ao cabo, você se torna como aquele rato deficiente em leptina que só quer comer, comer e comer", diz Schofield. "Não se trata de força de vontade aqui. Sua fisiologia está trabalhando contra você".

Portanto, Schofield diz, a resposta parece óbvia. Restrinja os carboidratos e você resolve ambos problemas - seu corpo aprende a queimar gordura como fonte de energia ao invés de carboidratos e os níveis de insulina ficam sob controle.

E isso não é apenas para os que estão acima do peso. Eu seus testes iniciais, Schofield convenceu o praticante de Ironman Bevan McKinnon a fazer a dieta LCHF, e o levou para o laboratório.

Então, eles avaliaram a proporção de gordura e carboidratos que
 McKinnon estava metabolizando antes e durante a dieta - medindo a proporção de oxigênio inspirado e CO2 expirado durante o exercício.

Schofield descobriu que McKinnon podia agora metabolizar uma maior proporção de gordura depois de comer LCHF por 10 semanas - indo de 80% de energia proveniente de carboidratos para 80% da energia proveniente de gordura em 10 semanas.

McKinnon disse que ele se sentia, surpreendentemente, melhor agora, depois da dieta LCHF - até mesmo seu colesterol alto melhorou.

Outro que se converteu é o triatleta e ironman 
Graham Brewster, que já vem comendo LCHF há 1 ano.

"Eu sou uma das primeiras cobaias de Grant. Ele sentou comigo e disse: 'olha meu chapa, por que você treina tanto e continua tão gordo?'"

Em pouco tempo ele perdeu 7 Kg, e está com apenas 7,3% de gordura corporal. "Precisei de um pouco de experimentação para achar o nível certo de combustível para meus treinos, mas eu me sinto muito melhor"

Embora a teoria soe perfeitamente lógica em princípio, e os resultados sejam bons até agora, há um problema. A abordagem de Schofield é completamente contrária às diretrizes nutricionais do Ministério da Saúde da Nova Zelândia - que advoga o consumo de muitos grãos e vegetais, laticínios desnatados e carnes magras.

A Fundação do Coração, que advoga evitar a gordura saturada das carnes e laticínios, diz que tem receio da abordagem High Fat (alta gordura).

Schofield ficou em conflito com vários experts de muita expressão, como o professor de nutrição humana da Universidade de Otago Jim Mann, que diz não haver nenhuma evidência de que qualquer pessoa devesse se manter por longo prazo em uma dieta de muito baixo carboidrato (nota do tradutor - e as ilhas de Vanuatu e Kiribati??).

Mann disse que, de fato, algumas pesquisas mostraram que a "moda" de dietas de baixo carboidrato  (dietas em que os carbs perfazem menos de 40% das calorias) produz aumento dos níveis de colesterol (nota do tradutor - isso está comprovadamente errado - clique aqui) - o maior fator de risco para doença cardiovascular - em alguns países (nota do tradutor - o maior fator de risco para doença cardiovascular, na atualidade  é a síndrome metabólica, o diabetes e a obesidade; mesmo que o colesterol dos habitantes de Kiribati seja mais baixo por comerem low fat, eles são obviamente muito mais doentes - a preocupação obsessiva - o obcecada - com o valor do colesterol impede a pessoa de ver o todo!!).

"Esta abordagem é vista como uma coisa lunática", diz 
Schofield.

"Algumas pessoas pensam que estou louco. E talvez eu esteja. Mas, na ciência da nutrição, como em todas as ciências, temos que estar preparados para mudar nossas ideias frente às evidências. Se estivéssemos corretos, então não estaríamos em meio a uma epidemia de obesidade e diabetes".
Schofield conseguiu convencer alguns profissionais de saúde, incluindo colegas da Universidade, a unirem-se a ele em sua saga.

Ele já tem vários colegas a bordo graças ao seu incansável entusiasmo - um dia ele atravessou o escritório bebendo nata pura para da o exemplo - e palestras públicas sobre a dieta têm estado lotadas.

A Dra. Caryn Zynn, uma nutricionista, é uma das que está adotando a abordagem e já começou a recomendar a seus clientes.

"No geral, as pessoas gostam da dieta", ela diz. "Eles se sentem saciados. Muitos dizem que eles sentem como se fossem viciados em carboidratos - o que provavelmente é verdade, pois o açúcar, como sabemos, é viciante".

Zynn diz,no entanto, que há muitos obstáculos a serem superados. Um problema é que as pessoas têm medo da gordura.

O segundo problema é se a coisa é factível e acessível - dado o custo relativamente alto da comida fresca - para famílias, no longo prazo.

"Estaremos olhando para os que têm sobrepeso, diabetes - tais como a população dos habitantes das ilhas do Pacífico", diz ela.

"Queremos ver o quanto irá beneficiar estes grupos."

Zynn diz que, embora seja uma abordagem pouco convencional, ela sente-se confortável em recomendá-lo e está ansiosa para realizar mais pesquisas. "Nós apenas temos que pensar - esta dieta irá prejudicar alguém? E as evidências claramente dizem que não".

Schofield aponta para o prato de comida de sua mesa como exemplo - carne, queijo, abacate, nozes - e diz: "De que forma isso poderia ser ruim para você? Estamos falando de comida fresca, do tipo que as pessoas vêm comendo por 99% do tempo em que existimos na face da terra. São os produtos (processado) que duram semanas e semanas que me preocupam mais".

Zynn irá agora conduzir mais pesquisas com pessoas obesas.

Schofield, por outro lado, é mais ambicioso. Ele quer convencer os experts em saúde pública de que esta abordagem merece ser testada.

Depois de 20 anos apoiando a abordagem tradicional, ele agora quer que seus colegas de nutrição considerem que podem ter estado errados durante todo esse tempo.

"O que vínhamos fazendo não está funcionando." "A recomendação de comer produtos nacionais foi uma tentativa válida por um certo tempo. Eu argumentaria que podemos fazer muito melhor", diz Schofield. Sua pesquisa ainda precisa ser publicada.

Esta semana, o número de obesos deverá atingir 1 milhão (na Nova Zelândia). O número de diabéticos segue aumentando.

"Então, sim, estamos avançando rapidamente", diz Schofield, "mas não rápido o suficiente".

- © Fairfax NZ News

domingo, 27 de outubro de 2013

Documentário australiano legendado - parte 1 - espetacular!

A comunidade low carb do twitter estava em polvorosa esta semana em virtude de um programa da TV australiana: Catalyst, uma produção semanal que aplica o jornalismo investigativo a questões científicas.

E não era para menos! O programa foi a fundo na investigação das origens do mito de que o consumo de gordura saturada causa doença cardiovascular, das consequências não antecipadas que resultaram do consumo excessivo de carboidratos e no papel que isto teve em produzir nossa atual epidemia de obesidade, síndrome metabólica e diabetes.

A excelente Maryanne Demasi, jornalista e PhD em medicina, conseguiu inclusive colocar a Associação Australiana do Coração em uma saia justa, quando exigiu que os mesmos fornecessem as evidências que embasam suas recomendações de cortar a gordura, e eles não conseguiram :-)

Dra Maryanne Demasi


Sem mais delongas, segue o programa legendado por mim. Esta é a parte 1. A parte 2 vai ao ar no próximo dia 31/10/2013.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Consequências não antecipadas e incentivos perversos

Em sistemas simples, com poucas e isoladas variáveis, é possível manipular tais variáveis com consequências previsíveis. Mas, à medida que os sistemas crescem em complexidade, a noção de que seja possível controlar os efeitos manipulando-se variáveis torna-se ingênua, quando não perigosa.

Na física isto é estudado pela teoria do caos. O exemplo clássico é o clima, no qual o número de variáveis é incontável, e pequenas perturbações iniciais podem desencadear efeitos imprevisíveis.

Mas é na economia que encontramos o conceito mais fascinante para analisarmos o impacto de condutas em saúde pública: a Lei das Consequências Não-Antecipadas.

A lei das consequências não antecipadas (ou não pretendidas) indica que, em um sistema altamente complexo, como o corpo humano, um sistema ecológico ou uma sociedade, intervenções levadas a cabo com um objetivo em mente, frequentemente produzirão desfechos completamente diferentes dos que se pretendia. Para se obter os desfecho necessário, frequentemente usam-se incentivos. Em economia, incentivos que levam à consequências não antecipadas desastrosas são denominados incentivos perversos.

Vejamos alguns exemplos clássicos, retirados da wikipedia:

  • Em Hanói, Vietnam, durante o jugo colonial francês, as autoridades francesas decidiram resolver o problema da infestação de ratos na cidade (boa intenção). Para isso, bolaram um plano engenhoso: pagar uma soma em dinheiro (incentivo perverso) para cada pessoa que lhes trouxesse uma cauda de rato. O objetivo era exterminar os ratos. A consequência? As pessoas começaram a criar ratos em casa, para ganhar mais dinheiro (consequência não antecipada).

  • Paleontólogos no século 19 descobriram que havia muitos fósseis pré-históricos na China. Para aumentar as chances de encontrar novas espécies (boa intenção)  ofereceram uma soma em dinheiro para cada osso que os camponeses lhes entregassem (incentivo perverso).  A consequência? Cada vez que um chinês encontrava um fóssil inteiro, preservado, ele o quebrava em vários pedaços, de modo que podia ganhar mais dinheiro do que se entregasse o fóssil inteiro (consequência não antecipada).

  • Uma lei para a proteção das espécies ameaçadas (boa intenção)  nos EUA, ordena que se faça uma inspeção nos terrenos em que se pretende construir. Se forem encontradas espécies ameaçadas naquele terreno, o projeto de construção é abortado. A consequência? As pessoas exterminam todo e qualquer bicho ou planta rara em seu terreno, de modo que a inspeção não corra o risco de achar nada (consequência não antecipada).
Uma coisa que me fascina é o fato de que, uma vez que a coisa já tenha acontecido, e que alguém tenha nos apontado a consequência desastrosa (porém não-antecipada), essa consequência parece óbvia. Mas, ANTES da intervenção, as consequência são, muitas vezes, imprevisíveis.

O fenômeno que vivemos hoje, esta epidemia sem precedentes de síndrome metabólica, diabetes e obesidade, é uma consequência não-antecipada de uma intervenção que tinha a melhor das intenções - a orientação de cortar a gordura da dieta.

Afinal, na época havia a teoria de que a gordura na dieta causava doença cardiovascular (teoria que hoje já se sabe errada - clique aqui,aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,aqui,aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

A pergunta, FATAL, na época, era: QUE MAL poderia haver em cortar a gordura da dieta? Afinal, na pior das hipóteses, não mudaria nada, e na melhor das hipóteses, salvaria milhões de vidas.

No vídeo abaixo, eu legendei um pequeno trecho do documentário Fat Head, de Tom Naughton, no qual este raciocínio pode ser apreciado nas palavras do Senador McGovern, o presidente do comitê do Senado americano que acabaria por nos lançar nesta enrascada: 

"Eu só quero argumentar que nós, senadores, não temos o luxo que os cientistas têm de poder esperar até que o último pedaço de evidência esteja estudado".



Ah, se eles conhecessem a lei das consequências não antecipadas!! Porque esta frase contém em si a essência do desastre! Veja, se decisões bem pensadas, e baseadas em ciência sólida, ainda assim têm grande probabilidade de redundar em consequências não antecipadas, que dizer de uma decisão apressada de políticos que "não têm o luxo de poder esperar pela ciência"?

E não foi por falta de aviso. O Dr. Philip Handler, Presidente da Academia Nacional de Ciências à época, citado no vídeo acima, proferiu as seguintes palavras:

"Que direito tem o Governo Federal de propor que o povo americano conduza um vasto experimento nutricional, tendo a si mesmos como cobaias, com base em evidências tão fracas de que isso possa lhes trazer qualquer benefício?"

Sábias palavras, sabemos hoje. E que "vasto experimento nutricional foi esse?" A dieta low fat (de baixa gordura) - algo jamais antes tentado na história da humanidade. Repito, NUNCA antes o gênero humano tentou, propositalmente, evitar a gordura na dieta. Mas ninguém podia antecipar, no final do anos 1970, as consequências desastrosas do que estava por vir...



A seta marca a introdução das diretrizes nutricionais pelo governo americano, a linha cinza marca o consumo de gordura na dieta, e a linha preta marca o percentual de pessoas acima do peso nos EUA. O que saiu errado?? 

Vou recapitular aqui a história dos colonizadores franceses no Vietnam:
  • Em Hanói, Vietnam, durante o jugo colonial francês, as autoridades francesas decidiram resolver o problema da infestação de ratos na cidade (boa intenção). Para isso, bolaram um plano engenhoso: pagar uma soma em dinheiro (incentivo perverso) para cada pessoa que lhes trouxesse uma cauda de rato. O objetivo era exterminar os ratos. A consequência? As pessoas começaram a criar ratos em casa, para ganhar mais dinheiro (consequência não antecipada).
Nos EUA, nos anos 1970, o governo resolveu que cortar a gordura da dieta seria algo bom (boa intenção)  O objetivo seria reduzir os problemas cardíacos. A consequência? As pessoas começaram a comer cada vez mais carboidratos (consequência não antecipada). E os incentivos perversos? Foram dados à indústria alimentícia, que começou a lançar todo o tipo de produto light e diet, cada vez mais processados, cada vez mais artificiais, cada vez mais low fat, cada vez mais cheio de carboidratos!!

A comida de verdade

...deu lugar à comida processada, low fat, high carb



...e as consequências não antecipadas não tardaram a aparecer:

Seta: introdução das diretrizes
Linha cinza: consumo de gordura na dieta
Linha preta: consumo de carboidratos
Área Cinza: percentual de pessoas acima do peso


Seta: introdução das diretrizes
Linha cinza: consumo de gordura na dieta
Linha preta: consumo de carboidratos
Área Cinza: percentual de pessoas diabéticas


E qual a saída para não repetirmos o erro?

A evolução por seleção natural. Diferente da arrogância intelectual que nos leva à ilusão de que somos capazes de prever todos os cenários possíveis que podem decorrer de nossas intervenções em sistemas complexos - já vimos vários exemplos acima mostrando que as consequências não-antecipadas são inevitáveis - a evolução já testou virtualmente TODAS as combinações de circunstâncias possíveis em um intervalo de milhões de anos. Como já aludi em postagem prévia, não é necessário conhecimentos de biologia para saber qual a composição ideal da atmosfera para um ser humano - é aquela com a qual evoluímos. Da mesma forma, não precisamos estudar os efeitos deletérios da falta de gravidade nos astronautas para sabermos, com certeza absoluta, que a gravidade ideal para o ser humano é a da terra - nem mais, nem menos - pelo simples fato de que foi com ela que evoluímos.

Resulta que a evolução, pelo simples fato de lidar simultaneamente com todas as variáveis existentes e com todas as suas interações, atuando num período de tempo de escala geológica, consegue resolver da única forma possível o dilema das consequências não-antecipadas: ela não antecipa nada, testa tudo, e elimina o que não deu certo. Em uma escala suficientemente longa de tempo, o que restou é o que dá certo. Simples assim.

A atmosfera ideal é a da terra, pois é aquilo que o gênero humano sempre respirou; a gravidade ideal é aquela sob a qual o gênero humano se desenvolveu; e a dieta ideal é aquela com a qual o gênero humano evoluiu. Qualquer grande desvio tem altas chances de produzir consequências não-antecipadas. Não seja mais uma cobaia - coma páleo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A mídia se rende III - Gordura saturada não é a vilã

Toda verdade passa por três estágios.
No primeiro, ela é ridicularizada.
No segundo, é rejeitada com violência.
No terceiro, é aceita como evidente por si própria.
Arthur Schopenhauer
Se você já acompanha o blog há algum tempo, já sabe que a gordura saturada não faz mal à saúde, e que isso já não é mais passível de discussão do ponto de vista científico, na medida em que há ampla evidência científica de nível I neste sentido. Para ler algumas postagens que já escrevi sobre este tema, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

No que diz respeito a esse assunto, creio que já passamos da primeira fase, e estamos em plena fase 2: a ideia ainda é rejeitada com violência.

Porém, matérias como a que reproduzo abaixo, que foi traduzida pela mídia brasileira a partir de matéria original da BBC, me fazem pensar que em poucos anos estaremos chegando na fase em que as pessoas, DO NADA, começarão a dizer que SEMPRE SOUBERAM que a gordura não era o problema, e que o problema reside no excesso de carboidratos (fase 3  de Schopenhauer).

Schopenhauer nasceu em 1788, de modo que o comportamento humano tem sido assim, e será sempre assim. Mas, quando todo mundo "descobrir" que a gordura não é a vilã, lembre-se: você leu primeiro aqui :-)

http://folha.com/no1360847


23/10/2013 - 13h05

Gordura saturada não é a vilã para o coração, diz artigo

DA EFE

As gorduras saturadas da manteiga, do queijo e da carne vermelha não são tão prejudiciais para o coração como se pensava até agora, de acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira na revista "British Medical Journal" por Aseem Malhotra, um dos cardiologistas mais prestigiados do Reino Unido e especialista do hospital universitário de Croydon, em Londres.

Em seu artigo, Malhotra afirma que o consumo de produtos com pouca gordura "paradoxalmente" aumentou o risco de ter doenças cardiovasculares.

Segundo o especialista, as pessoas consomem todo tipo de produtos desnatados pensando que são melhores para a saúde e que ajudarão a perder peso, mas que, na realidade, muitos deles contêm grandes quantidades de açúcar adicionado.

A explicação é que a indústria alimentícia substitui as gorduras eliminadas nos alimentos por açúcares e adoçantes, já que a comida livre de gordura não é tão saborosa, acrescentou Malhotra.

No entanto, afirma o especialista, é necessário diferenciar as chamadas "gorduras trans" (encontradas em fast food, produtos de confeitaria e margarina), que são prejudiciais, e as gorduras do leite, do queijo e da carne, que não são ruins para a saúde.

O especialista criticou a "obsessão" médica com os níveis de colesterol (clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), que levou milhões de pessoas a tomarem remédios para reduzir a quantidade de gorduras prejudiciais no sangue.

Para isso, o cardiologista recomenda que as pessoas com risco de sofrer doenças cardiovasculares façam uma dieta mediterrânea rica em peixes oleosos, azeite de oliva, verduras e frutos secos.

"É hora de romper o mito do papel das gorduras saturadas nas doenças do coração" que esteve presente na indicação dietética e nas recomendações nutricionais durante quase quatro décadas, afirmou Malhotra.

A teoria foi respaldada por outros especialistas como David Haslam, Chefe do Fórum Nacional sobre a Obesidade, que afirmou que a evidência científica está demonstrando atualmente que os carboidratos refinados e o açúcar são na realidade os culpados pelo aumento da gordura no sangue.

Timothy Noakes, professor de ciências do esporte e da atividade física na Universidade da Cidade do Cabo, acrescentou que "o pior erro médico de nossa época foi considerar a alta concentração de colesterol no sangue como a causa exclusiva da doença cardíaca coronária".

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Páleo low carb na Revista Runner's World

Uma reportagem espetacular, sobre dieta páleo low carb adaptada a corredores, foi publicada hoje na revista Runner's World, da Editora Abril. E faz AMPLA menção a este blog.

A jornalista Patrícia Julianelli está de parabéns pela qualidade do texto produzido. Recomendo a todos que adquiram a revista, que já está nas bancas.


***ATUALIZAÇÃO 21/10/2013***

A partir de hoje, já tenho autorização para oferecer a íntegra do artigo - clique aqui.

Runner´s World Edição 60

1a página da reportagem:




Em tempo - reportagem da Record sobre o livro barriga de trigo:



A despeito da ênfase errônea em farinhas igualmente ricas em carboidratos e a da afirmação (da qual discordo) de que trigo integral é um alimento saudável (cigarro com filtro é melhor do que cigarro sem filtro, mas isso não torna cigarro com filtro um produto "saudável"), ao menos serviu para divulgar o livro e o assunto.

sábado, 19 de outubro de 2013

Carboidratos viciam - III

Já fiz postagens prévias indicado o forte poder viciante dos carboidratos - salientando o fato de que são os únicos macronutrientes com real potencial de abuso e compulsão.

Reveja as postagens:




A notícia abaixo é mais um lembrete neste sentido:

http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2013/10/16/estudo-biscoito-recheado-oreo-tao-viciante-quanto-cocaina-512238.asp


Estudo: biscoito recheado Oreo é tão viciante quanto cocaína

Estudo conduzido por Joseph Schroeder (foto ao lado), professor de neurociência doConnecticut College, descobriu que a ingestão de biscoitos recheados da marca Oreo é capaz de ativar mais neurônios na região do cérebro associada ao prazer do que consumir drogas como cocaína.

O objetivo da pesquisa era tentar decifrar como alimentos de alto poder calórico e de alta concentração de açúcar podem viciar o consumidor. Nos testes, foram usados ratos.

"A pesquisa reforça a teoria de que alimentos calóricos e com muito açúcar estimulam o cérebro da mesma maneira que as drogas. Isso pode explicar por que algumas pessoas não conseguem resistir a esse tipo de alimento mesmo sabendo que não são saudáveis", afirmou Schroeder em nota liberada pela universidade.

O estudo constatou que as cobaias tiveram tanto prazer comendo um Oreo, considerado o "biscoito favorito dos EUA", quanto teriam se ingerissem cocaína ou morfina. Os biscoitos ativaram muitos mais neurônios do que as drogas.
Jamie Honohan, estudante envolvido no estudo, explicou o motivo da escolha da marca do biscoito:

"Escolhemos o Oreo não apenas porque ele é o biscoito preferido nos EUA e muito bem aceito pelos ratos, mas também porque sua composição bastante é semelhante a de produtos comercializados em comunidades de nível socioeconômico mais baixo".
Schroeder tem licença da U.S. Drug Enforcement Administration, agência federal americana de combate às drogas, para realizar estudos dessa natureza.
Foto: Divulgação/Connecticut College

Mensagem principal? Comida de verdade não vicia e não provoca compulsão. Alimentos processados ricos em carboidratos refinados, açúcar, ou na combinação açúcar+gordura, são desenhados especificamente para sequestrar os seus sentidos e despistar os mecanismos normais que sinalizam a saciedade. Isso, aliás, não é nem mesmo um segredo. Os fabricantes, de fato, jactam-se disso, com slogans como "é impossível comer um só". Para fins de comparação, pense em como este slogan seria inadequado para, digamos, um ovo cozido...

Hora de reler uma postagem sobre o grande John Yudkin, que discorre justamente sobre este tema: clique aqui.

domingo, 13 de outubro de 2013

O melhor site primal/páleo/low carb - traduzido para o português

O leitor / colaborador Hilton Souza está começando a traduzir artigos selecionados do Mark's Daily Apple - o famoso site de Mark Sisson.

Marks Daily Apple

Já traduzi umas poucas postagens do Sisson (veja aqui, aqui e aqui), e só não fiz mais por falta de tempo: parabéns ao Hilton pela iniciativa!

O blog do Hilton é o Paleodiário: http://paleodiario.blogspot.com.br/

Não deixe de visitar!!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Biscoitinhos de queijo provolone

Quem me deu esta ideia foi uma paciente em uma consulta - simplesmente genial. E muito, MUITO simples.

É portátil, não precisa de refrigeração, é CROCANTE, e é delicioso - o lanche perfeito para para levar no avião, no trabalho, etc.

Ingredientes: 1 queijo provolone comprido. Só.

1) Corte o queijo em fatias finas:
Espalhe as fatias em uma forma de pizza:
Asse no forno comum até ficarem com cor mais dourada e com maravilhoso aroma de pizza;

Resultado:



A principal qualidade é a "crocância". Pedi à minha filha Alice que comesse uma delas para que vocês possam ter uma ideia:


sábado, 5 de outubro de 2013

Camundongos com pouca insulina simplesmente não conseguem engordar

Quando li o artigo abaixo, tive que sorrir. Tive que sorrir por causa da surpresa de seus autores com seus próprios resultados; um resultado que deveria ser óbvio para qualquer um que já estudou fisiologia ou bioquímica nos últimos 50 anos.

http://www.medicalnewstoday.com/articles/253713.php

Altos Níveis de Insulina Podem Levar à Obesidade


Data: 06/12/2012

Uma descoberta inesperada mostrou que crenças disseminadas sobre hábitos saudáveis de alimentação podem ser falsos, e em verdade podem fazer com que as pessoas engordem

O achado veio de um pesquisador da University of British Columbia e foi publicado na revista Cell Metabolism.

O estudo começou com o objetivo de estudar a insulina, que é o hormônio empregado pelo corpo para estocar o açúcar, de modo a poder usá-lo mais tarde como fonte de energia. Uma falta de insulina causa o diabetes tipo 1 e, de acordo com outro estudo publicado no mesmo periódico, uma atividade cerebral prejudicada da insulina pode ser causa de lipólise excessiva que piora o diabetes tipo 2.

Depois de analisar o papel da insulina em animais, James Johnson, um professor associado de ciências celulares e fisiologia, descobriu que insulina demais pode ser ruim.

Johnson separou os camundongos em dois grupos, e alimentou ambos com uma dieta de alta gordura (nota do tradutor: gordura essa obtida de óleos de sementes o que leva à inflamação e resistência à insulina em roedores - e uma dieta com carboidratos também, além da gordura). Um grupo, o grupo controle, consistiu de camundongos normais e o outro consistiu em camundongos que foram modificados para produzir  apenas metade da quantidade normal de insulina.

Os resultados mostraram que os camundongos normais ficaram com sobrepeso, como se imaginava. Entretanto, os camundongos que tinham baixos níveis de insulina não engordavam devido ao fato de que suas células gordurosas queimavam mais energia e armazenavam menos. Os camundongos que permaneceram magros tinham menos edema e seus fígados estavam mais saudáveis.

Isto significava, de acordo com Johnson, que a obesidade era resultante da insulina excessiva que era produzida pelos camundongos normais expostos à dieta de alta gordura (nota do tradutor: gordura essa obtida de óleos de sementes o que leva à inflamação e resistência à insulina em roedores - e uma dieta com carboidratos também, além da gordura). Em outras palavras, camundongos, assim como humanos, podem produzir mais insulina do que o necessário.

A pesquisa indica que as pessoas podem manter um peso saudável ao constantemente trazer os níveis de insulina para um mínimo saudável. Isto pode ser feito aumentando o intervalo entre as refeições, eliminando lanches, sem comer demais na hora das refeições (nota do tradutor: esqueceram apenas de citar o método mais óbvio de todos para reduzir a secreção de insulina - restringir carboidratos!).

A crença generalizada de que as pessoas deveriam comer pequenas quantidades de comida durante todo o dia para manter-se magras demonstrou-se ineficaz neste estudo.

Johnson concluiu:


"Embora a insulina seja crucial para regular o açúcar no sangue, o excesso de uma coisa boa pode acabar sendo ruim. Se pudéssemos manter a insulina em um valor ideal, poderíamos reverter a epidemia de obesidade que é um fator de risco para tantos outros problemas - diabetes, doença cardíaca e câncer".

A surpreendente relação entre insulina e obesidade

Considerando-se que Johnson, um membro do Instituto de Ciências da Vida da UBC, não conduziu esta pesquisa para examinar obesidade, ele ficou um tanto surpreso pelo que encontrou. Originalmente, ele queria determinar se as células beta do pâncreas - que produzem insulina - seriam encorajadas a aumentar pela sua própria secreção de insulina.

Ambas descobertas de Johnson foram não-antecipadas:

 - camundongos com baixa insulina eram incapazes de engordar
 - a maioria destes camundongos, mesmo com níveis significativamente reduzidos de insulina, não desenvolveram diabetes.

De acordo com dados de altura e peso de 2007 a 2009, 1 em cada 4 canadenses luta contra a obesidade. As taxas de obesidade dobraram entre 1981 e 2007-2009.


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O grau de bloqueio mental que tomou conta da mente dos médicos, nutricionistas e pesquisadores no que tange ao controle metabólico da obesidade é algo sem paralelo em toda a pesquisa biomédica.

 Se os pesquisadores produzissem camundongos com pouco hormônio do crescimento, eles seriam camundongos-anões, e isso seria óbvio, e não uma surpresa!! Mas o fato de que camundongos que secretassem menos insulina não engordariam TAMBÉM É ÓBVIO!! Por que então foi recebido como uma surpresa? Porque, quando se fala de obesidade, o paradigma vigente de que trata-se apenas de um problema de balanço calórico é capaz de cegar os pesquisadores mais eminentes para questões de bioquímica absolutamente BÁSICAS - no caso, o fato de que a insulina é o principal hormônio que atua favorecendo a lipogênese.

Quem leu Good Calories, Bad Calories sabe que, até meados do século passado, o papel fundamental da insulina para o ganho de peso era conhecimento corrente de TODOS os médicos.

Há 42 anos, em 1972, este que vos escreve estava com apenas 1 ano de idade, e o Dr. Atkins já escrevia: "Nos últimos dez a quinze anos, a origem do distúrbio metabólico da obesidade foi bem esclarecida pelos cientistas. A causa nada tem a ver com o metabolismo da gordura que você ingere, mas com o hiperinsulinismo e a resistência à insulina. O hormônio insulina e o efeito que o mesmo produz sobre seus níveis de açúcar no sangue (que sobem e descem constantemente como resposta ao alimento que você come) relacionam-se muito mais diretamente com seu estado geral de saúde e com a probabilidade de você ser vitimada por assassinos tais como ataque cardíaco e derrame cerebral do que se suspeitava no passado. E é também o determinante isolado mais importante de seu peso. Este é o motivo por que, na quinta década de vida, 85% de diabéticos do Tipo II são obesos. Esse defeito metabólico ligado à insulina pode ser evitado mediante restrição à ingestão de carboidratos."

Ou seja, a grande DESCOBERTA dos autores do estudo acima, já estava no livro do Dr. Atkins 40 anos atrás!!

É incrível mesmo. Todos nós, médicos, já estudamos bioquímica. Fui olhar no meu livro de bioquímica, e o livro não deixa nenhuma dúvida; está lá, na página no. 821:




Este livro é de 2008. Acham muito novo??

Quem sabe este aqui:

É de 1975, e era o livro adotado lá na UFRGS quando eu estudei (embora a minha fosse uma edição mais "moderna", dos anos 1980).

E vejam - SURPRESA!! - em 1975 já se sabia que a gordura era fabricada a partir de glicose sob o efeito da insulina! Uau!


Lutamos aqui contra um paradigma tão forte e tão arraigado - o paradigma do balanço calórico - que é capaz de apagar das mentes mais brilhantes, como a do Dr. Johnson, da University of British Columbia, fatos que ele já estudou quando era mais jovem - o controle hormonal do tecido adiposo. Repito - o que ele "descobriu", produzindo manchetes pelo mundo em 2012 - é algo trivial e que já pega poeira em páginas amareladas de livros há décadas. Que reduzir a insulina é a chave para controlar o peso. Um dia, no futuro, nossos descendentes ainda hão de se referir à nossa era como a grande idade das trevas da ciência da nutrição. E se perguntarão "como é possível que essa gente não se desse conta de algo tão óbvio?". E nos compararão às pessoas que se recusavam a acreditar que a terra era redonda.