sexta-feira, 26 de abril de 2013

Lições dos Índios Pima

Esta história é contada em detalhes no livro Why We Get Fat.

O artigo abaixo, de autoria de Stephan Guyenet, foi traduzido pelo site www.musculacao.net.



Lições dos índios Pima



Lições dos índios PimaCom 38% e a aumentar em 2006, os índios Pima (Akimel O’odham) do Arizona têm a maior taxa de diabetes de qualquer população do mundo. Eles também têm taxas surpreendentes de obesidade (~ 70%) e hipertensão.
As coisas eram muito diferentes para eles antes de 1539, quando entraram em contacto com o primeiro espanhol pela primeira vez. Eles viviam numa dieta agrícola de feijão, milho e abóbora, com peixes selvagens, carne de caça e plantas. Tal como acontece com a maioria das pessoas nativas, eles mantiveram-se e saudáveis ​​e definidos enquanto seguiram a sua dieta tradicional.
Em 1859, os Pima foram restritos a uma pequena fracção de suas terras originais ao longo do rio Gila, a Reserva dos Pima. Em 1866, começaram a chegar colonos começaram à região e a desviar o rio Gila a montante da reserva para a sua própria agricultura. Em 1869, o rio secou pela primeira vez. 1886 foi o último ano passado em que fluiu alguma água no rio Gila para a reserva Pima.
Os Pima não tinham nenhuma forma de obter água, e nenhuma forma de cultivar e produzir alimentos. A sua outrora produtiva economia de subsistência, tinha chegado a um fim. Seguiu-se a fome durante 40 desesperados anos. Os Pima reduziram as suas extensas florestas de algaroba para venderem de forma a poderem adquirir comida e água. Eventualmente, depois de bastantes protestos e manifestações públicas, o tio Sam interveio.
O governo auxiliou os Pima com “comida” subsidiada: farinha branca, açúcar, gordura parcialmente hidrogenada, e enlatados. Eles rapidamente se tornaram diabéticos e obesos, e permaneceram assim desde então.

Os Pima são um modelo perfeito para a maioria dos investigadores de nutrição dos EUA por várias razões:

  • Primeiro de tudo, a sua dieta antes do contacto com o homem branco era provavelmente bastante pobre em gordura, e os investigadores gostam de apontar que eles agora ingerem mais gordura (comparável à dieta americana média). (nota do Dr. Souto: na verdade, eles consumiam a gordura natural dos alimentos, e passaram a consumir gordura vegetal extraída de sementes)
  • Outra razão é que há um outro grupo de Pima no México que ainda vivem numa dieta relativamente tradicional e são muito mais saudáveis. Eles são muito semelhantes em termos genéticos, apoiando a ideia de que é o estilo de vida dos Pima norte-americana que lhes está a causar os seus problemas.
  • A terceira razão é que os Pima mexicanos exercitam-se mais do que os índios Pima do Arizona e comem um pouco menos.

Um exemplo dos “alimentos” que constituem a base da dieta dos Pima.
Eu, concordo, naturalmente, com a conclusão de que o seu estilo de vida está por trás dos seus problemas, e isso é bastante óbvio. Penso que a maioria dos Pima também sabe disso. Se eles voltassem a ter acesso à sua água, talvez as coisas fossem diferentes para eles.
No entanto, por vezes o foco nos macronutrientes, obscurece o fato de que a dieta moderna dos Pima é uma porcaria pura. É constituída principalmente por alimentos processados ​​com baixa densidade de nutrientes. E também contém os dois maiores destruidores da saúde indígena: a farinha branca e açúcar.
Existem numerosos exemplos de culturas que passaram de uma dieta rica em gordura para uma dieta do tipo”reserva alimentar”, com um menor teor de gordura, e sofrem o mesmo destino:
Os Inuit do Alasca, os Maasai e Samburu do Quénia, tribos do noroeste do Pacífico dos EUA e Canadá, certos grupos aborígenes, e muito mais. O que têm todos eles em comum? Farinha branca, açúcar e outros alimentos processados.
A questão do exercício também é um tanto questionável. É verdade que os Pima mexicanos exercitam-se 2,5 vezes mais do que os Pima do Arizona, mas mesmo assim, os índios Pima do Arizona ainda realizam muito mais exercício do que o americano médio!
As mulheres exercitam-se 3,1 horas por semana, enquanto os homens realizam 12,1 horas de exercício por semana! Eu ando bastante de bicicleta e pratico musculação, e mesmo assim não faço tanto exercício como eles. Por isso perdoem-me se estou um pouco céptico em relação a ideia de que eles não estão se estão a exercitar o suficiente para manter o excesso de peso afastado.
A história da Pima é uma história comovente que tem sido repetida centenas, talvez milhares de vezes em todo o mundo. Os europeus trazem consigo farinha branca, açúcar e outros alimentos processados, que destroem a saúde de uma população nativa “, e depois os investigadores ou agem como se não entendessem porque motivo é que isso aconteceu, ou dão explicações insatisfatórias acerca do fenómeno.

O Pima são os canários na mina de carvão, e nós podemos aprender muito com eles.

Os seus problemas de saúde são semelhantes aos de outros norte-americanos e ocidentais pobres (e ricos também, em menor grau). Isso acontece porque estão ambos a ingerir tipos similares de “alimentos”. No entanto, o problema está a infiltrar-se na sociedade em geral, à medida que vamos ingerindo cada vez mais e mais trigo processado, milho, soja e açúcar, e menos alimentos completos e saudáveis.
O nível de obesidade nos EUA duplicou nos últimos 30 anos, e a obesidade infantil triplicou. A diabetes está a acompanhar a tendência. A esperança média de vida começou a diminuir em algumas partes (pobres) do país. Entretanto, a nossa dieta está a ficar cada vez mais parecida com os alimentos ingeridos na reserva dos Pima. Está na hora de aprender uma lição com a sua tragédia.
Autor: Stephan Guyenet

domingo, 21 de abril de 2013

Mary Vernon - especialista em Low Carb - entrevista legendada

A Dra Mary Vernon é uma das maiores especialistas em dieta low carb no manejo de pacientes diabéticos, hipertensos e no tratamento da obesidade. Ela é ex-presidente da Sociedade Americana de Médicos Bariátricos. No vídeo que legendei, abaixo, o Dr. Andreas Eenfeldt entrevista a Dra. Mary Vernon.

 

sábado, 20 de abril de 2013

Prezado Dr. Souto: me disseram que (...) faz mal

Recebi a seguinte pergunta, representativa de várias outras:

Doutor, hoje discuti com uma amiga nutricionista, e falei, por alto, da dieta paleo pra ela. Ela chegou a discutir comigo! Me respondeu que é uma falácia - que os bois, por exemplo, ingerem hormônios, antes de ir pro açougue, supermercados; hormônio que, por sua vez, ingeridos pelo ser humano, geram consequências ruins, e nos engordam. Faz sentido?


Prezada leitora: Ok, então sua amiga é vegana? Ela não come carne? Porque as pessoas com a dieta "balanceada" comem a mesma carne que você, então não entendo exatamente qual é a crítica. Veja, é evidente que você deve procurar os melhores alimentos disponíveis. Aqui em Porto Alegre, por menos de 6 reais compram-se ovos de galinhas criadas soltas e alimentadas com pasto - é menos de 2 reais mais caro do que os ovos de gema desmaiada que normalmente se compram no super. Mas não podemos deixar o ótimo ser o inimigo do bom. A farinha mais integral é MUITO pior do que a carne mais cheia de hormônio. Pense: a carne poderá conter resíduos de hormônios e antibióticos, mas são apenas resíduos, enquanto o trigo é quase puro amido e glúten. Tirando a (pouca) fibra, o resto é PURO veneno do ponto de vista metabólico. Da mesma forma, hortaliças podem estar contaminadas com pesticidas. Na lógica de sua amiga, não deveríamos comer salada nunca? Discordo. Se pudermos comer salada orgânica, é obviamente melhor. Mas se não tivermos acesso (ou dinheiro para comprar) a alface e tomate orgânicos, devemos então comer pizza, MacDonalds, arroz, batata?? Você entende o absurdo deste pensamento? Alface convencional é melhor do que alface nenhuma. Carne convencional é melhor do que carne nenhuma. Carne de boa procedência e vegetais orgânicos são melhores ainda. E farináceos são ruins de qualquer forma. E se forem integrais? E daí? O fato de o tabaco ser convencional ou orgânico afeta a sua intenção de fumar? Algo que é inerentemente ruim, como o trigo, o açúcar e o tabaco, não passa a ser bom apenas porque se apresenta em uma versão um pouco menos pior (orgânicos). E algo que é inerentemente bom, como a carne, os ovos e as saladas, não fica péssimo apenas porque não são as melhores versões disponíveis (orgânicos). Desculpa ser repetitivo, mas me espanta que alguém faça este argumento, então lá vai mais uma analogia: o dinheiro que eu tenho não é suficiente para eu comprar o antibiótico de marca, apenas o similar. Então, já que o similar pode não ser tão bom quanto o de marca, eu não vou tomar remédio nenhum?? É simplesmente EVIDENTE que o antibiótico similar é muito melhor do que nada.

As pessoas não precisam de uma aula de nutrição, precisam mesmo é de uma aula de lógica.

Mas, no fundo, nem isso adianta. Sabe por que? Porque há um DOGMA nutricional vigente. E dogmas são dogmas, em qualquer área - são imunes à lógica, imunes às evidências. Meu grande ídolo, Carl Sagan, já dizia:



Assim, minha recomendação é a seguinte: não percam seu precioso tempo tentando convencer pessoas dogmáticas - é como esmurrar uma parede, é como querer questionar a fé religiosa de alguém - é uma batalha que já começa perdida.

Existem pessoas que mudam de opinião quando expostas a novas evidências. Eu mesmo, há 2 anos, acreditava e orientava meus pacientes a seguirem a pirâmide alimentar. Mas bastou eu ser exposto às contradições de minhas condutas, para abandoná-las em favor de uma teoria com maior consistência científica. Mais uma vez, Carl Sagan:

"- In science it often happens that scientists say, 'You know that's a really good argument; my position is mistaken,' and then they would actually change their minds and you never hear that old view from them again. They really do it.
- Keynote address at CSICOP conference, 1987"
"Na ciência é bem comum um cientista dizer, Quer saber, seu argumento é realmente bom; minha posição estava errada, e então eles realmente mudam de opinião e você nunca mais ouvirá deles aquela visão antiga novamente. Eles realmente fazem isso."

Mas não se enganem. Sagan foi um cientista admirável - uma exceção. 90% dos cientistas e médicos dedicam-se manter o status quo, reagindo ao questionamento de suas ideias como se fosse um ataque pessoal à sua honra. Se você encontrar um médico / nutricionista de mente aberta, argumente, indique este blog, indique os livros sugeridos aqui. Mas não perca seu tempo com os outros 90% - como dizia Carl Sagan, "Não é possível convencer um crente de coisa alguma".

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um endocrinologista admirável

O Dr. Rennan Caminhotto, leitor deste blog, trouxe ao meu conhecimento um fascinante texto publicado em 2004 pelo Dr. Luiz Cesar Póvoa, endocrinologista. Infelizmente, o Dr. Póvoa faleceu em 2012. Sinto-me obrigado a prestar aqui uma homenagem a este grande médico, que não tive a oportunidade de conhecer em vida, mas cuja obra, como verão, fala por si.

Primeiramente, reproduzo abaixo a nota de falecimento da página da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ASBESO)

:: Notícia - 17/12/2012 - Morre Dr. Póvoa
Endocrinologista Luiz Cesar Póvoa, um dos maiores da Endocrinologia brasileira, morre no RJ.

Morre Dr. Póvoa
O endocrinologista Luiz Cesar Póvoa, um dos mais importantes e respeitados na Endocrinologia brasileira, faleceu no último sábado, 15/12, em Búzios, RJ, durante o 41° Encontro Anual do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), evento que ajudou a criar. O falecimento foi causado por problemas cardíacos e diabetes e sua cremação aconteceu no Rio de Janeiro.
Autor de diversos livros, dos quais um dos mais importantes é aHistória da Endocrinologia Brasileira, Dr. Póvoa construiu uma carreira admirada por todos e um currículo extenso e respeitável. Foi membro de diversas instituições internacionais, como a American Endocrine Society e a British Society of Endocrinology.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Dr. Airton Golbert, afirmou que ele “foi uma das mais proeminentes personalidades da medicina do Rio de Janeiro e da Endocrinologia brasileira”.
O Instituto e o Flamengo: Paixões
O especialista dedicou-se também a lecionar, exercendo o posto de professor titular da UFRJ e da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Recentemente foi homenageado pela PUC com o título de professor emérito.
Sempre que havia oportunidade, gostava de reafirmar sua paixão pelo IEDE e pelo Flamengo. Por causa disso, os familiares e o Clube de Regatas Flamengo promoveram seu velório na sede rubronegra, enquanto comentavam que Dr. Póvoa havia morrido como sempre disse desejar: em atividade, durante um Encontro do IEDE, evento que era seu xodó.

Segue, abaixo, reprodução do editorial publicado pelo Dr. Póvoa na revista Arq Bras Endocrinol Metab vol 48 nº 2 Abril 2004:

Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

Print version ISSN 0004-2730

Arq Bras Endocrinol Metab vol.48 no.2 São Paulo Apr. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302004000200003 

EDITORIAL

Calorias são calorias?


Luiz Cesar Póvoa
Sócio Honorário da SBEM, Professor Titular de Endocrinologia da PUC/UFRJ, Diretor de Ensino e Pesquisa do IEDE, Membro Titular da Academia Nacional de Medicina
Endereço para correspondência


HÁ CERCA DE 4 DÉCADAS, a mídia começou a trazer a público milagres sobre "dietas sadias". Coincidentemente, ou talvez por causa desta coincidência, deu-se um enorme aumento na incidência de obesidade e suas co-morbidades. Nesta época, aparece o livro de Teller com o título "Calorias não engordam", pioneiro no campo da literatura leiga acerca das dietas hipoglicídicas.

No entanto, o primeiro livro escrito sobre as mesmas foi em 1863 por William Banting (1796-1878), marceneiro de renome, que publicou um opúsculo com a dieta que fazia, criando, assim, a "dieta de Banting"; são quase 150 anos de observação que permitiu, de certa forma, uma avaliação epidemiológica, tendo, inclusive, criado, na língua inglesa, o verbo to bant, sinônimo de emagrecer, muito utilizado no princípio do século passado. Aos 30 anos, tendo começado a engordar, fez exercícios, dietas com comidas leves, spas em Seamington, Cheltenham e Harrogale, além de banhos turcos que o levavam à exaustão. Aos 66 anos, pesando mais de 100kg e medindo cerca de 165cm, escreveu que não podia amarrar os sapatos, falar lhe cansava, doíam-lhe as juntas, descia escadas com dificuldade e achava estar ficando surdo. Em agosto de 1862, procurou o otorrinolaringologista famoso, Dr. William Harvey, que, recém chegado de Paris, havia ouvido uma conferência de Claude Bernard que atribuía ao fígado a secreção de uma substância açúcar-símile que, eventualmente, poderia ser nociva e aumentava o peso das pessoas. Quando Dr. Harvey examinou Banting, associou a surdez à obesidade e deu-lhe uma dieta com restrição de bolos, tortas, doces e açúcar, tão em moda na época. Tal orientação fez com que Banting, ao Natal, pesasse 80kg e, após um ano, chegou aos 60kg. Tendo perdido cerca de 40kg (quase 1kg por semana) e a cintura diminuindo em cerca de 36cm, sentia-se magnificamente bem, melhorando de todas as queixas, inclusive da surdez, e ficou tão feliz que amealhou, junto à família e amigos, 5000 libras esterlinas, iniciando um fundo para manutenção do Middlesex County Convalescente Hospital, priorizando o estudo da Nutrição. Como era de se esperar, seus livros e folhetos sobre a "Banting diet" passaram a ser ridicularizados e distorcidos.

Dr. Harvey, fellow do Royal College of Surgeons, passou a ter problemas com os colegas, problemas estes, ao nosso ver, existentes até hoje, pois é um tratamento que apresenta resultados, porém faltam elementos convincentes para explicá-los. Programas com pequenas alterações, modificando o conteúdo de gorduras, foram feitos pelos Dr. Felix Niemeyer (Stutgart), Dr. Yan Freden (Upsalla) e Dra. Helen Denswore (USA), tendo resultados semelhantes.

Em 1906, um fato histórico contribuiu para a avaliação da dieta. Um antropólogo de Harvard, Stefanssen, famoso por ter cruzado o Ártico sozinho por ter se perdido de uma expedição, viveu com os esquimós durante o inverno e se alimentou de carne e peixe durante todo o período. Voltou anos após com outro antropólogo, Dr. Anderson, para um trabalho do Museu Americano de História Natural, e ficaram 4 anos vivendo com o padrão alimentar dos esquimós, nada sentindo. Em 1928, internaram-se no Bellevue Hospital de New York, para um estudo clínico controlado orientado pelo Dr. Eugene Dubois, médico chefe e professor da Cornell, com 5 perguntas a serem respondidas:
1.A retirada dos vegetais causa escorbuto ?
2.Dieta somente de carnes causa doenças por deficiência?
3.Haverá deficiência de minerais e de cálcio em particular?
4.Haverá efeitos deletérios em coração, vasos e rins ?
5.Haverá crescimento de bactérias patológicas no intestino ?
Os resultados do estudo de um ano foram publicados no Journal of Biological Chemistry com a seguinte resposta para os 5 itens – Não.
Em 1933, um estudo clínico feito na Royal Infirmary, em Edimburgo, mostrou que, com dietas de 800 a 2700Kcal, observa-se que a perda de peso diária era a seguinte:
a) € Carboidratos / Gorduras Ø - 49g
b) € Carboidratos / Proteínas Ø - 122g
c) Ø Carboidratos / Proteínas € - 183g
d) Ø Carboidratos / Gorduras € - 205g
Isto permitiu que os autores afirmassem que as perdas são inversamente proporcionais ao conteúdo de carbohidratos na alimentação (Lyon e Dunlop).
Em 1955, Albert Pennington (USA) reafirmava que a perda de peso parecia ser inversamente proporcional a ingesta de material glicogênico. Em outras palavras, quanto mais a alimentação aumentasse a produção de insulina, menor era a perda. Concluía, o autor, que a dieta recomendada é caloricamente irrestrita com o baixo teor de carboidratos, alto em gordura e moderado em proteínas.

Pouco após, os Drs. Alan Kexwick e Gaston Pawan, em uma observação no Middlesex Hospital em Londres, demonstraram resultados semelhantes em estudos controlados.

Apesar das evidências, em sua grande parte cientificamente corretas até então, foi o Dr. John Yudkin, professor de Nutrição e Dietética do Queen Elizabeth Hospital, da Universidade de Londres, que, confirmando os estudos, afirmou que uma dieta com teor ilimitado de gorduras e proteínas, porém com pouco ou nenhum carboidrato, era mais efetiva na perda de peso, até mesmo com a ingestão de 2.600 calorias, do que uma dieta hipocalórica clássica.

No ano 2000, 51 indivíduos foram avaliados por 6 meses em Durham, Carolina do Norte, tendo com este tipo de dieta perdido 10% do peso, e o colesterol baixado, em média, 10,5mg; 20 indivíduos que continuaram com a dieta perderam cerca de 11% do peso e o colesterol diminuiu, em média, 14mg.

William Banting foi, sem dúvida, o pai da dieta hipoglicídica, e a maioria dos dados históricos aqui citados foi retirada de uma monografia premiada com o Sophie Coe Prize 2002, no Simpósio Oxford de História da Alimentação, patrocinado por esta Universidade.

Continuo, no entanto, a ressaltar o papel de John Yudkin (1911-1995), que, tornando-se diabetologista, foi participante do UKPDS e manteve seus pontos de vista exteriozados em centenas de trabalhos e nos 12 livros que publicou.

O Centro de Nutrição de Populações Indígenas chama-nos a atenção para a tribo dos Massai, nômades que vivem nos atuais territórios do Quênia e Tanzânia, e somente alimentam-se de carne e leite e são muito altos e magros.

Também o Dr. Farid Alakbarov fez um estudo, Nutrition for Longevity, onde analisa a dieta da população do Azerbaijão, baseada em kebabs (carneiro, peixe ou galinha), com poucos vegetais e rica em laticínios. No censo de 1981, haviam 48,3 habitantes com 100 anos ou mais para cada 100.000, hoje certamente este número é maior, sendo a maior relação de centenários no mundo. Ao comentar este estudo, o Prof. Yudkin diz "not fat, but sugar leads to coronary heart disease". Após "Calorias não engordam", inúmeros outros livros populares foram editados, entre os quais poderíamos citar "Dieta Específica de Carboidratos", "Dieta da Idade da Pedra", "Poder da Proteína", "Dieta dos Astronautas", "Dieta dos Esquimós", "Vivendo sem Pão", "Coma Gorduras e Fique Magro" e, certamente tendo omitido muitas, chegamos à dieta do Dr. Atkins, que, consolidada em um programa mercadológico fantástico, tornou-se um "best seller" em suas diversas apresentações.

Talvez este sucesso não acadêmico tenha afastado as Universidades, por temor de terem seus resultados utilizados indevidamente. Foi, no entanto, ao nosso ver, uma omissão criticável.

Somente em 2003, as Academias se manifestaram de forma definida no New England Jornal of Medicine. Cary Foster e cols. fizeram um estudo randomizado em 63 pacientes que, fazendo uso da dieta hipoglicídica ou hipocalórica, concluíram que, nos primeiros 6 meses, a dieta hipoglicídica produziu uma perda de peso 4% maior que a hipocalórica clássica, não repetindo tal diferença em um ano. No entanto, chamou atenção o fato da dieta hipoglicídica ter corrigido melhor os fatores de risco cardiovascular.
No mesmo número, Samaha e cols. compararam a dieta hipoglicídica com a dieta hipolipídica em grandes obesos (IMC 43), com 39% de diabéticos, num total de 32 pacientes, e concluíram que, durante 6 meses, os pacientes emagreceram mais quando tinham redução de carboidratos do que com redução de lipídeos. Houve melhora na sensibilidade à insulina e dos níveis de triglicerídeos.

Neste mesmo ano, Bravata e cols. publicaram um artigo de revisão no JAMA sobre a eficácia e segurança das dietas hipoglicídicas, tendo analisado todos os estudos publicados em inglês no período de 01/01/1966 até 15/02/2003. Reviram 2.609 artigos e analisaram dados de 3.268 pacientes, concluindo que não existem evidências suficientes para recomendar ou combater este tipo de dieta, cujo resultado depende, em seu ponto de vista, do teor de calorias, ou seja, emagrecem os que comerem menos calorias.

Apesar dos números apresentados, este trabalho é retrospectivo e, como tal, com as interpretações subjetivas que este tipo de desenho permite.
No mesmo número, George Bray escreve um artigo com o título "Dietas hipoglicídicas – Realidades sobre a perda de peso", chamando atenção para os diversos pontos entre os quais destaca o seguinte: dois tipos de tratamento são indicado para obesidade – os cognitivos e os não cognitivos. Os cognitivos, tais como mudança de estilo de vida, dieta e exercícios, são fundamentais para a manutenção da perda de peso. Os não cognitivos incluem drogas, cirurgia e modificações ambientais, e não podem ser analisados isoladamente.

Esta pequena revisão, que não teve pretensões de ser um trabalho científico, mas nos adverte do perigo dos prejulgamentos, pois estamos em um momento em que precisamos de dados e não de novas opiniões sobre os pontos obscuros desta dieta que, sem dúvida, apresenta excelentes resultados em alguns pacientes, sendo ferramenta auxiliar importante para quem trata de obesidade - doença complexa, multifacetada e poligênica, onde não existe uma dieta ideal, permite-nos até mesmo especular se uma caloria é sempre uma caloria.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

O pecado da carne

A mídia não consegue passar 1 mês sem publicar com estardalhaço o último estudo (epidemiológico) indicando que a carne vermelha vai lhe matar.

A mais recente coqueluche é que a "L-carnitina" da carne vermelha vai lhe matar. Coloque "carnitina" e "carne" no google, e você achará dezenas de histórias, todas iguais (pois todas vêm do mesmo "press release", traduzido para o português com algumas imperfeições). Uma machete típica, do site da Veja:

Pesquisa descobre nova relação entre consumo de carne vermelha e risco cardiovascular

Digestão do nutriente L-carnitina, presente na carne, resulta na produção de uma substância que aumenta riscos de entupimento dos vasos sanguíneos

Mais adiante, nesta postagem, vou explicar o que penso sobre qual o importância do fato de que L-carnitina parece fazer mal à saúde de ratos, mas vou aproveitar para traduzir um texto publicado no mês passado na excelente revista Mother Jones (uma revista semelhante à nossa Piauí - nada de jornalismo rasteiro). Enquanto você lê o artigo, quero que pense o seguinte: por que eu não ouvi nada sobre este estudo na mídia??

Ciência: carne faz bem, e o bacon não é tão ruim
Um novo estudo europeu sugere que um aumento no consumo de carne processada aumenta o risco de morrer mais cedo. Mas qual é a verdadeira notícia? A carne vermelha não irá lhe matar.
By Stephanie Mencimer on Mon. March 18, 2013 3:00 AM PDT
Large-scale European study reiterates link between processed meats, cancer, and heart disease. But you can still eat chicken!
No início deste mês, pesquisadores anunciaram os resultados de um grande novo estudo sobre nutrição na Europa que pareceu fornecer mais evidências de que carnes processadas tais como bacon e salsichas possam levar mais cedo ao túmulo.  A mídia respondeu com as habituais manchetes do tipo "o salame irá lhe matar". O que as agências de notícia desconsideraram a respeito deste estudo é que, a despeito de seus melhores esforços, os pesquisadores europeus não conseguiram achar evidências de que a carne vermelha irá lhe matar. Em verdade, o estudo mostra que não comer carne vermelha é um fator de risco para morte prematura.

Após fazer as correções para alguns erros de medida, os pesquisadores europeus tiveram de concluir que não apenas o consumo de carne vermelha "não estava mais associado com mortalidade" mas que "a mortalidade por todas as causas era maior entre os participantes com consumo muito baixo ou sem consumo de carne vermelha".

O governo, as pessoas que promovem a saúde pública, e a Associação Americana de Cardiologia há tempos alertam os americanos de que o consumo excessivo de carne vermelha poderia levar a doenças cardíacas e outros males. E, no entanto, a evidência científica que dava suporte a esta hipótese sempre foi muito fraca. E, de fato, este novo estudo não é o primeiro a contradizer estas suposições. Um grande estudo japonês também não achou aumento na mortalidade por doença cardíaca em relação ao consumo de carne vermelha.

E, no ano passado, pesquisadores de Harvard publicaram outro grande estudo similar. A forma como a mídia relatou o estudo declarava que os pesquisadores haviam achado que "adicionar uma porção extra de carne não processada à dieta diária de alguém aumentaria o risco de morte em 13%. O risco para carnes processadas era maior, 20% de mortalidade geral". Mas os dados de Harvard também mostraram que o consumo de carne tinha um efeito protetor para muitas pessoas. Até um certo limite, pessoas que comiam mais carne vermelha morriam menos do que as que comiam muito pouco ou nada. A fonte de toda esta confusão é simples: pessoas que consomem "junk food" ("comida-lixo", isto é, porcarias, fast food, etc.) têm uma vida pouco saudável em inúmeros aspectos, o que torna impossível encontrar um único alimento que seja responsável por sua má saúde.

Para entender isso, vamos olhar mais de perto o estudo europeu. Conhecido como European Prospective Investigation in Cancer and Nutrition (EPIC) (Estudo Europeu Prospectivo sobre Câncer e Nutrição), ele incluiu mais 500.000 pessoas de 10 países diferentes que foram questionados sobre um conjunto de diferentes fatores dietéticos, desde o quê e o quanto comiam até seu nível de escolaridade, idade, peso, altura, e tabagismo. O estudo indicou que pessoas que comiam muita carne processada também tinham uma chance muito maior de fumar, comer menos frutas e saladas, e ter níveis mais baixos de educação. Eram muito mais gordos e se exercitavam muito menos do que o restante da amostra. E os homens que comiam mais carne processada bebiam muito. Ah, e os maiores comedores de carne eram também mais velhos - muitos já haviam passado dos 70 anos quando sofreram as consequências das salsichas.

E as pessoas que comiam a maior quantidade de carne processada - que o estudo qualificou como mais de 160g por dia (equivalente a cerca de 6 salsichas) - não morreram apenas de de doenças cardiovasculares ou câncer, as coisas que costumamos associar à uma dieta ruim; eles também morreram mais de "outras causas", uma categoria que inclui acidentes de carro, ferimentos acidentais e outras causas não relacionadas à comida. Os maiores consumidores de carne branca, por outro lado, eram os "escoteiros" do grupo: não fumavam muito, comiam bastante salada, faziam exercício, iam à faculdade, e com certeza escovavam os dentes, usavam cinto de segurança e faziam seus check-ups regularmente.

Os pesquisadores tentaram fazer o ajuste matemático dos dados levando em consideração cigarro e bebida, educação, e mesmo o consumo de açúcar, mas não puderam remover completamente estes fatores ou não sobraria quase ninguém no estudo. De um total de 127.000 homens, apenas 619 comiam bastante carne processada sem nunca ter fumado. De fato, os pesquisadores não conseguiram achar uma associação significativa entre doença cardiovascular e consumo pesado de carne processada em não fumantes, apenas em fumantes e ex-fumantes, um achado que eles admitem ser "compatível com efeito residual do tabagismo". O que nos leva à pergunta que não quer calar: seria o bacon, ou seria o cigarro que está matando estas pessoas? Concluir que o bacon seria o culpado aqui parece injustificável.

O que é pior, apenas 1% das pessoas que morreram durante os 12 anos de duração do estudo estavam entre os que comeram mais carne processada. Zoe Harcomb, uma pesquisadora britânica sobre obesidade (e uma das participantes do estudo EPIC), salientou que os pesquisadores tiveram de agrupar os participantes de uma forma pouco usual, de forma que o número de pessoas no grupo de alto consumo de carne processada era muito pequeno (havia tão poucas mulheres nesta categoria que a associação de carne processada e mortalidade não foi estatisticamente significativa para elas). Com tão poucas pessoas no grupo de risco, seria talvez precipitado produzir tantas manchetes.

Claro que há sobra de boas razões para evitar carnes processadas - pense por exemplo em "pink slime", a gosma rosa com que se fabricam os nuggets, e Listeria, a bactéria que pode infectar produtos animais em más condições de higiene - sem contar as razões ambientais como criação intensiva e aquecimento global. Os pesquisadores europeus também apontam para o sal, gordura extra e carcinogênios tais como os nitratos encontrados nos alimentos processados como potenciais culpados. Mas nem todas as carnes processadas são criadas iguais. A diferença entre um bom presunto de Parma italiano e aquela coisa disforme servida nos almoços de microondas dos EUA é vasta (e talvez explique porque os italianos têm uma expectativa de vida maior do que os americanos).

No cômputo final, comer bacon no café de vez em quando provavelmente não vá lhe matar, e comer um bom filé (de gado alimentado com pasto) pode até mesmo fazer você viver mais.

A coisa é repetitiva. Vocês devem lembrar que em julho de 2012 já escrevi sobre isso. É sempre a mesma coisa. Estudos epidemiológicos mostram resultados que refletem a crença nutricional vigente. Quanto mais bem feito o estudo, menor o efeito observado. Até que, nos estudos realmente bem controlados, como o estudo referido acima e os ensaios clínicos randomizados, o efeito desaparece completamente.

Ok, e a L-carnitina? Eis um artigo que, se não tivesse "carne vermelha" no título, JAMAIS faria nenhuma manchete.

Trata-se de um artigo extremamente técnico, e altamente especulativo.

Estudando 2595 pacientes que submeteram-se a avaliação cardiológica, os pesquisadores detectaram uma ASSOCIAÇÃO entre os níveis séricos de L-carnitina e doença cardiovascular grave, mas apenas naquelas pessoas que além de L-carnitina alta apresentavam também níveis elevados de trimethylamine-N-oxide (TMAO). Resulta que TMAO é produzido a partir de L-carnitina por certas bactérias intestinais. Resulta ainda que L-carnitina está presente na carne. Além disso, quando se elimina estas bactérias do intestino de ratos, a L-carnitina não eleva o TMAO. E pessoas vegetarianas têm poucas dessas bactérias no intestino. Assim, ser carnívoro irá lhe matar, e ser vegetariano é bom.

Alguém vê algum problema com a lógica acima, ou sou só eu??

São tantos problemas, que precisamos abordá-los um a um.

  1. Associação não é o mesmo que causa e efeito. Há uma história famosa que ilustra este fato. Certa feita, na Austrália, observou-se que havia forte associação entre o consumo de sorvete e os ataques de tubarões. Qual a explicação? Nossa mente tende a estabelecer relações causais. Coisas como "talvez as pessoas fiquem mais doces e atraiam os bichos". Na verdade, havia uma variável oculta, a temperatura. Quanto mais quente, mas sorvetes, e mais pessoas dentro do mar. O sorvete era apenas um MARCADOR de altas temperaturas, e as temperaturas levavam às pessoas ao banho de mar, aumento seu risco de serem atacadas por tubarões. Assim, como saber se o TMAO CAUSA doenças cardiovasculares, ou se está apenas associado a elas? E se o TMAO for apenas um marcador de um estilo de vida que, como vimos no artigo acima, inclui beber e fumar mais, fazer menos exercício e ser mais obeso? No caso da história da Austrália, se você reduzir o consumo de sorvetes, isso afetaria os ataques de tubarão? Claro que não.
  2. Vegetarianos não possuem as bactérias que transformam L-carnitina em TMAO. Ok, você se surpreende com isso? Se uma pessoa nunca come carne, por que eu esperaria que esta pessoa tivesse bactérias que metabolizam carne em seu intestino? Assim, estes vegetarianos não produzem TMAO quando expostos a L-carnitina na dieta. E eles morrem menos. Eles também fumam e bebem menos, fazem exercício, têm curso superior, fazem Yôga, votam na Marina Silva, mas a explicação é o TMAO??
  3. Apenas as pessoas que tinham L-Carnitina e TMAO elevados no sangue tinham risco cardiovascular aumentado. Ok, e quem são estas pessoas? As pessoas que comem carne todos os dias. E quem são estas pessoas? Como vimos acima, são as pessoas que fumam mais, bebem mais, fazem menos exercício, etc. Percebem? Não há como escapar destes problemas com estudos populacionais que não sejam experimentos. Apenas um experimento, ou seja, separar aleatoriamente milhares de pessoas em 2 grupos e alimentá-las de forma diferentes e ver o resultado lá adiante, é capaz de diminuir estes vieses de confusão. Se as pessoas ESCOLHEM suas dietas, farão esta escolha baseada em seus preconceitos. Quem for natureba, magro e ecológico, vai comer peixe, fazer Yôga, se exercitar, não fumar, não beber, E não vai comer carne vermelha. Quem for bebedor de cerveja, tomador de trago, fumante e sedentário, vai comer mortadela, salsicha e churrasco o tempo todo. E se você tentar analisar apenas as pessoas que comem carne vermelha mas não fumam, não bebem, se exercitam e cuidam da saúde? Vai ter que achá-las antes! Elas são uma minoria, elas são VOCÊ, leitor deste blog. No estudo referido na reportagem acima, correspondem a apenas 0,5% das pessoas (619 / 127.000). As outras 99,5% das pessoas se encaixam no perfil propositalmente estereotipado pintado por mim. Estudos baseados nestes 99,5% de pessoas não se aplicam a você, que faz parte dos 0,5%, e isto precisa ficar CLARO.
  4. Os autores, no fundo, estão especulando sobre uma nova possível causa de doença cardiovascular. É interessante, e merece ser estudado. Mas seria realmente interessante se, de fato, houvesse alguma correlação entre carne vermelha e doença cardiovascular. Como vimos acima, não parece ser o caso, uma vez que se controle as variáveis de confusão (trago, fumo, sedentarismo e obesidade). Assim, é uma sofisticada hipótese para explicar um fenômeno não existente.
  5. Há que se colocar as coisas, como sempre, sob o prisma evolutivo. Se TMAO é produzido a partir de L-carnitina presenta na carne, e temos comido carne a 2,5 milhões de anos, era de se esperar que estivéssemos bem adaptados aos efeitos desta substância. Isto não significa que o TMAO não seja ruim. Mas vai precisar mais do que este estudo de natureza epidemiológica para me convencer disso.
  6. Lembre-se de que não adianta parar de comer carne porque talvez, quem sabe, faça mal, e substituir por pão, arroz e macarrão que fazem mal com certeza absoluta. Está com medo da carne vermelha? Coma peixe, frango, salada, frutas e raízes (com moderação). Provavelmente tenham L-carnitina também, mas como ninguém fala mal deles em público, você poderá dormir em paz :-)
Mas não se preocupe. Logo, logo, este estudo cairá no esquecimento, até que o próximo estudo "provando" que a carne vermelha irá lhe matar for publicado. Sempre um estudo epidemiológico, com seus problemas irreconciliáveis, mas se tiver "carne vermelha" no título, estará em todas a manchetes, sem NENHUMA análise crítica.

domingo, 7 de abril de 2013

Ptolomeu, os epiciclos e as calorias

Quem me conhece sabe que sempre gostei de astronomia, física, e ciência de uma forma geral. Assim, analogias que envolvem estas áreas sempre me ocorrem. Como o leitor pode não estar familiarizado com o assunto, faço aqui um breve resumo. Depois deste desvio astronômico, segue a tradução de um artigo imperdível sobre calorias e obesidade. Vale a pena!

Na antiguidade, acreditava-se que a terra era o centro do universo. Todo mundo sabia que era assim. O grande astrônomo grego Ptolomeu, há cerca de 2000 anos, descreveu em grande detalhe matemático, o movimento dos corpos celestes. Isto permitia que os gregos pudessem, inclusive, prever com razoável precisão a posição dos planetas.

Havia um problema, porém. Todos acreditavam que os 5 planetas conhecidos descreviam órbitas perfeitamente circulares ao redor da terra. As estrelas percorriam trajetos (aparentes) perfeitamente circulares no céu, e os gregos acreditavam que a ordem celeste deveria ser perfeita, ao contrário do caos da terra.

StarRotation
Estrelas e seu movimento aparente no céu noturno: círculos perfeitos.

 No entanto, o comportamento dos planetas no céu era bem diferente. Descreviam movimentos estranhos, e às vezes, chegavam mesmo a andar para trás! (o termo "planeta" vem do grego, e significa "errante", ou seja, que anda sem rumo):

Apparent_retrograde_motion_of_Mars_in_2003
Movimento "errante" de marte - o planeta parece andar para trás

Como conciliar a nossa teoria de que a terra é o centro do universo, e de que todos os corpos giram em órbitas perfeitamente circulares, com o desconfortável fato, visível à todos no céu noturno, de que alguns planetas "recusavam-se a obedecer a teoria"?

Há 3 formas de lidar com esta contradição:
1) Emendar a teoria;
2) Descartar a teoria e mudar o paradigma;
3) Negar-se a aceitar os fatos (e queimar seus proponentes na fogueira).

A inquisição católica, os nutricionistas e médicos em geral adotam a estratégia número 3. Kepler, Galileu e um número crescente de pesquisadores atuais adotam a estratégia número 2. Os gregos adotaram a estratégia de número 1.

Ptolomeu (baseando-se em outros que o antecederam) introduziu o conceito de EPICICLOS. Segundo a teoria, as órbitas dos planetas eram, de fato, circulares. Mas os planetas estavam ligados a esferas ou círculos invisíveis (os epiciclos), que por sua vez giravam ao redor da terra, como pode ser visto na animação abaixo (o epicíclo é o círculo vermelho):

Ninguém se preocupou em saber se de fato os epicíclos existiam, ou de que seriam feitos. O importante, para os gregos, não era tanto o mundo real, mas a beleza matemática e geométrica de suas teorias. Se um planeta não descrevia uma trajetória perfeitamente circular no céu, não se abandonava a teoria, apenas se inventava um novo conceito, um novo círculo perfeito, para fazer com que os fatos se adequassem à teoria, e não o contrário. Retirar a terra do centro do universo estava fora de cogitação.

Levou mais de 1500 anos para que finalmente houvesse a mudança de paradigma - para que a teoria se dobrasse aos fatos, como deve ser. Eis o que realmente explica o aparente movimento retrógrado de marte:

Explicação do estranho movimento aparente de marte no céu, no modelo heliocêntrico.

Esta história fascinante ilustra uma verdade maior. Quando ficamos frente a frente com uma anomalia, ou seja uma série de observações que refutam nossas teorias, podemos reformular nossas teorias ou inventar epicíclos, tentando remendar uma teoria capenga. Com isto em mente, leiam agora o artigo abaixo, publicado recentemente no Medscape.com

http://www.medscape.com/viewarticle/780389

A despeito do aumento da obesidade, o consumo calórico nos EUA está diminuindo.

New York (Reuters Health)  - 06/03/2013 - Adultos dos EUA têm comido cada vez menos calorias por quase uma década, a despeito do contínuo aumento das taxas de obesidade, de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças - CDC.

"É difícil reconciliar o que estes dados mostram, e o que está acontecendo com a prevalência de obesidade" disse o Dr. William Dietz, ex-diretor de nutrição, atividade física e obesidade do CDC.


Os resultados, publicados na edição de 20 de fevereiro do American Journal of Clinical Nutrition, são baseados em 9 levantamentos das Pesquisas Nacionais de Saúde e Nutrição (NHANES) que o CDC conduziu de 1971 a 2010. Milhares de adultos entre 20 e 74 anos foram aleatoriamente selecionados a cada 2 a 4 anos para responder o que comeram nas últimas 24 horas. 


O Dr. Dietz e seu colega Dr. Earl Ford analisaram as tendências desde os anos 1970 e descobriram que, entre adultos, o consumo energético diário aumentou cerca de 313 calorias de 1971 a 2002, e então caiu 74 calorias entre 2003 e 2010.


"Setenta e quatro calorias é muito e, como eu disse antes, nós esperaríamos ver um impacto mensurável na obesidade", disse Dietz.


Não obstante, cerca de 35% das mulheres americanas adultas são obesas, e este percentual permanece estável desde 1999, de acordo com o CDC. Para homens, a obesidade aumentou de 27% para 35% no mesmo período.


O Dr. Dietz diz que ele esperaria que as taxas de obesidade houvessem estabilizado para ambos sexos, e já estivessem caindo a essas alturas, já que as pessoas estão consumindo menos calorias.


O CDC liberou resultados semelhantes mês passado para crianças: os meninos cortaram 150 calorias, e as meninas, 80, desde 1999. A taxa de obesidade dos meninos continua a aumentar, contudo, e permanece estável para as meninas.


Os experts dizem que é possível que mais tempo seja necessário para que as taxas de obesidade respondam a mudanças no consumo calórico. Também é possível que os americanos tenham mudado seus hábitos alimentares mas ainda não esteja praticando exercício suficiente para queimar as calorias que consomem. Ou os levantamentos do NHANES estão errados.


"Se você cortar 100 calorias, você perderá 5 quilos", mas você verá apenas metade deste progresso no primeiro ano, a Dra. Claire Wang disse à Reuters Health. Ela estuda consumo e gasto calórico na Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade de Columbia, em New York, mas não estava envolvida com este estudo.


Não haveria uma redução imediata na obesidade em níveis populacionais, disse a Dra Wang.


Ela acredita que a redução no consumo calórico possa dever-se a mais consciência sobre refrigerantes e bebidas adoçadas com açúcar, e campanhas de conscientização tais como as promovidas pela Casa Branca.


Mas, a essas alturas, "as pessoas já deveriam estar perdendo peso", disse o Dr. Dietz. O fato de que não estão pode representar más notícias, ele disse, pois poderia indicar que as pessoas estão queimando menos calorias com exercício.


Também é possível que, com maior conscientização, as pessoas fiquem envergonhadas em consumir porcarias e refrigerantes com açúcar, de modo que elas podem estar comendo essas coisas, mas não admitem na hora de responder os questionários, disse o Dr. Dietz.


Em geral, dados de questionários não fecham com o consumo calórico real medido por terceiros, de acordo com a nutricionista Marion Nestle da New York University.


Por exemplo, o levantamento do NHANES indica que homens consomem uma média de 1500 calorias por dia, e as mulheres 1800. Quando os médicos e nutricionistas medem o consumo calórico, eles encontram uma média de 3000 calorias para homens e 2400 calorias para mulheres, Nestle disse à Reuters por email.


Conquanto as estimativas possam conter erros, tais levantamentos são os melhores instrumentos para identificar tendências populacionais, ela disse.


"NHANES fornece os melhores dados que podemos conseguir em termos de tendências populacionais", disse ela. "Se acreditarmos nos dados, até que as notícias são boas".


Quando leio algo assim, tenho a nítida impressão de que esta seria a sensação de voltar no tempo, aos tempos de Ptolomeu. Imagine-se voltando no tempo e, já sabendo como realmente funciona nosso sistema solar, observar a angústia daqueles homens - pessoas inteligentes, porém presas a um paradigma superado - tentando desesperadamente fazer sentido de de dados que, PARA ELES, são paradoxais, mas que são completamente explicáveis pelo paradigma que você já domina!!


Vou copiar novamente o texto da Reuters, abaixo, comentando cada passagem sob esta perspectiva:


A despeito do aumento da obesidade, o consumo calórico nos EUA está diminuindo.



New York (Reuters Health)  - 06/03/2013 - Adultos dos EUA têm comido cada vez menos calorias por quase uma década, a despeito do contínuo aumento das taxas de obesidade, de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças - CDC (os planetas insistem em descrever trajetórias estranhas no céu, a despeito de sabermos que deveriam descrever círculos perfeitos).

"É difícil reconciliar o que estes dados mostram, e o que está acontecendo com a prevalência de obesidade" 
("é difícil reconciliar o que os dados mostram, e nossas teorias sobre a terra ser o centro do universo") disse o Dr. William Dietz, ex-diretor de nutrição, atividade física e obesidade do CDC.

Os resultados, publicados na edição de 20 de fevereiro do American Journal of Clinical Nutrition, são baseados em 9 levantamentos das Pesquisas Nacionais de Saúde e Nutrição (NHANES) que o CDC conduziu de 1971 a 2010. Milhares de adultos entre 20 e 74 anos foram aleatoriamente selecionados a cada 2 a 4 anos para responder o que comeram nas últimas 24 horas. 


O Dr. Dietz e seu colega Dr. Earl Ford analisaram as tendências desde os anos 1970 e descobriram que, entre adultos, o consumo energético diário aumentou cerca de 313 calorias de 1971 a 2002, e então caiu 74 calorias entre 2003 e 2010.


"Setenta e quatro calorias é muito e, como eu disse antes, nós esperaríamos ver um impacto mensurável na obesidade" 
("um planeta andar para trás no céu é uma anomalia muito grande, esperaríamos vê-lo andar para frente"), disse Dietz.

Não obstante, cerca de 35% das mulheres americanas adultas são obesas, e este percentual permanece estável desde 1999, de acordo com o CDC. Para homens, a obesidade aumentou de 27% para 35% no mesmo período 
(não obstante, os planetes insistem em, nitidamente, descrever trajetórias estranhas no céu).

O Dr. Dietz diz que ele esperaria que as taxas de obesidade houvessem estabilizado para ambos sexos, e já estivessem caindo a essas alturas, já que as pessoas estão consumindo menos calorias. 
(Ptolomeu diz que esperaria que os planetas descrevessem trajetórias perfeitamente circulares, pois é isto que se espera de algo matemática e geometricamente perfeito)

O CDC liberou resultados semelhantes mês passado para crianças: os meninos cortaram 150 calorias, e as meninas, 80, desde 1999. A taxa de obesidade dos meninos continua a aumentar, contudo, e permanece estável para as meninas. 
(Os dados referentes à Júpiter também contradizem a teoria de que a terra está no centro do universo)

Os experts dizem que é possível que mais tempo seja necessário para que as taxas de obesidade respondam a mudanças no consumo calórico. 
(os especialistas dizem que devem existir EPICÍCLOS, esferas de cristal invisíveis, que expliquem o movimento dos planetas - elas PRECISAM existir, pois a terra É o centro do universo) Também é possível que os americanos tenham mudado seus hábitos alimentares mas ainda não esteja praticando exercício suficiente para queimar as calorias que consomem (tais epiciclos são compatíveis com a teoria de que a terra é o centro do universo, logo eles existem). Ou os levantamentos do NHANES estão errados (ou então, os planetas de fato descrevem trajetórias perfeitamente circulares no céu, e as observações de todo mundo é que estão erradas - a teoria não pode mudar!).

"Se você cortar 100 calorias, você perderá 5 quilos" 
(a Terra é o centro do universo), mas você verá apenas metade deste progresso no primeiro ano, a Dra. Claire Wang disse à Reuters Health. Ela estuda consumo e gasto calórico na Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade de Columbia, em New York, mas não estava envolvida com este estudo.

Não haveria uma redução imediata na obesidade em níveis populacionais, disse a Dra Wang.


Ela acredita que a redução no consumo calórico possa dever-se a mais consciência sobre refrigerantes e bebidas adoçadas com açúcar, e campanhas de conscientização tais como as promovidas pela Casa Branca.


Mas, a essas alturas, "as pessoas já deveriam estar perdendo peso", disse o Dr. Dietz
(mas a essas alturas, já deveríamos ter enxergado os epiciclos no céu - por que não conseguimos vê-los??). O fato de que não estão pode representar más notícias, ele disse, pois poderia indicar que as pessoas estão queimando menos calorias com exercício.

Também é possível que, com maior conscientização, as pessoas fiquem envergonhadas em consumir porcarias e refrigerantes com açúcar, de modo que elas podem estar comendo essas coisas, mas não admitem na hora de responder os questionários, disse o Dr. Dietz 
(Também pode ser que os astrônomos estejam mentindo - na verdade, as trajetórias SÃO circulares).

Em geral, dados de questionários não fecham com o consumo calórico real medido por terceiros, de acordo com a nutricionista Marion Nestle da New York University.


Por exemplo, o levantamento do NHANES indica que homens consomem uma média de 1500 calorias por dia, e as mulheres 1800. Quando os médicos e nutricionistas medem o consumo calórico, eles encontram uma média de 3000 calorias para homens e 2400 calorias para mulheres, Nestle disse à Reuters por email. 
(as pessoas acham que enxergam trajetórias irregulares, mas na verdade estão tendo uma ilusão de ótica)

Conquanto as estimativas possam conter erros, tais levantamentos são os melhores instrumentos para identificar tendências populacionais, ela disse.


"NHANES fornece os melhores dados que podemos conseguir em termos de tendências populacionais", disse ela. "Se acreditarmos nos dados, até que as notícias são boas".


Bem, terminada a sessão humorística, vamos analisar NOVAMENTE o texto, à luz do que sabemos modernamente sobre nutrição e seus efeitos hormonais.

Reproduzo, abaixo, um gráfico do soberbo livro "The Smarter Science of Slim", de Jonathan Bailor (ver na postagem sobre livros):


Neste gráfico, a linha preta indica o consumo de carboidratos, a linha cinza indica o consumo de gordura, e a área cinzenta indica o percentual de pessoas com sobrepeso e obesidade. A seta indica o ano em que se passou indicar a pirâmide alimentar. Observem que o gráfico sequer fala em calorias. Tudo o que precisamos está nele: no final da década de 1970, as pessoas foram orientadas a consumir menos gordura e mais carboidratos. Como o gráfico evidencia, as pessoas de fato fizeram isso: passaram a comer mais carbs (linha preta), menos gordura (linha cinza) e, como era óbvio, engordaram. Ou seja, podem até estar consumindo menos calorias hoje do que em 1999, mas nunca consumiram tantos carboidratos.


A despeito do aumento da obesidade, o consumo calórico nos EUA está diminuindo.

New York (Reuters Health)  - 06/03/2013 - Adultos dos EUA têm comido cada vez menos calorias por quase uma década, a despeito do contínuo aumento das taxas de obesidade, de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças - CDC.

"É difícil reconciliar o que estes dados mostram, e o que está acontecendo com a prevalência de obesidade"
(é difícil apenas para quem está preso no paradigma do balanço calórico; uma população que consome mais carboidratos refinados irá particionar mais calorias no sentido do armazenamento) disse o Dr. William Dietz, ex-diretor de nutrição, atividade física e obesidade do CDC.

Os resultados, publicados na edição de 20 de fevereiro do American Journal of Clinical Nutrition, são baseados em 9 levantamentos das Pesquisas Nacionais de Saúde e Nutrição (NHANES) que o CDC conduziu de 1971 a 2010. Milhares de adultos entre 20 e 74 anos foram aleatoriamente selecionados a cada 2 a 4 anos para responder o que comeram nas últimas 24 horas. 


O Dr. Dietz e seu colega Dr. Earl Ford analisaram as tendências desde os anos 1970 e descobriram que, entre adultos, o consumo energético diário aumentou cerca de 313 calorias de 1971 a 2002, e então caiu 74 calorias entre 2003 e 2010.


"Setenta e quatro calorias é muito 
(MUITO? 74 calorias não é nada. UM ovo tem 74 calorias. UMA maçã tem 65 calorias! Só pessoas com uma compreensão MUITO míope podem achar que uma maçã a mais ou a menos fará diferença. CLIQUE AQUI para saber por que esta lógica é ridícula) e, como eu disse antes, nós esperaríamos ver um impacto mensurável na obesidade", disse Dietz.

Não obstante, cerca de 35% das mulheres americanas adultas são obesas, e este percentual permanece estável desde 1999, de acordo com o CDC. Para homens, a obesidade aumentou de 27% para 35% no mesmo período.


O Dr. Dietz diz que ele esperaria que as taxas de obesidade houvessem estabilizado para ambos sexos, e já estivessem caindo a essas alturas, já que as pessoas estão consumindo menos calorias 
(A não ser, Dr. Dietz, que sua teoria esteja errada, não é mesmo? Afinal, milhares de pessoas fazem dietas com restrição de mais de 1000 calorias - não apenas 74 calorias - e não conseguem emagrecer, não é mesmo??).

O CDC liberou resultados semelhantes mês passado para crianças: os meninos cortaram 150 calorias, e as meninas, 80, desde 1999 
(mas estão comendo mais açúcar do que NUNCA antes - assistam este documentário). A taxa de obesidade dos meninos continua a aumentar, contudo, e permanece estável para as meninas.

Os experts dizem que é possível que mais tempo seja necessário para que as taxas de obesidade respondam a mudanças no consumo calórico 
(Ok, deixa ver se entendi: 74 calorias a menos por dia x 365 = 27000 calorias a menos por ano. Isso significaria 3,85Kg a menos por ano. Em 10 anos, cada americano deveria estar 38 Kg mais magro em média. Então, por que 10 anos não seria tempo suficiente para perder o peso? Leia (novamente) por que o motivo pequenas variações diárias de calorias são irrelevantesTambém é possível que os americanos tenham mudado seus hábitos alimentares mas ainda não esteja praticando exercício suficiente para queimar as calorias que consomem (Não existe nenhum estudo prospectivo e randomizado que demonstre que o exercício ajuda a perder peso - LEIA AQUI).  Ou os levantamentos do NHANES estão errados.

"Se você cortar 100 calorias, você perderá 5 quilos" 
("se você comer UM ovo a menos por dia, você perderá 5 Kg" - desafio qualquer pessoa a conseguir esta façanha - a ignorância desses "doutores" realmente não têm limites), mas você verá apenas metade deste progresso no primeiro ano, a Dra. Claire Wang disse à Reuters Health. Ela estuda consumo e gasto calórico na Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade de Columbia, em New York, mas não estava envolvida com este estudo.

Não haveria uma redução imediata na obesidade em níveis populacionais, disse a Dra Wang.


Ela acredita que a redução no consumo calórico possa dever-se a mais consciência sobre refrigerantes e bebidas adoçadas com açúcar, e campanhas de conscientização tais como as promovidas pela Casa Branca.


Mas, a essas alturas, "as pessoas já deveriam estar perdendo peso", disse o Dr. Dietz
(Pois é, mas estão engordando. Será que a terra, quem sabe, não é o centro do universo??). O fato de que não estão pode representar más notícias, ele disse, pois poderia indicar que as pessoas estão queimando menos calorias com exercício (como são repetitivos - lembra um pouco aquelas moscas que ficam aprisionadas dentro do vidro - batem a cabeça eternamente no vidro, nunca dá certo, mas continuam batendo a cabeça até morrer).

Também é possível que, com maior conscientização, as pessoas fiquem envergonhadas em consumir porcarias e refrigerantes com açúcar, de modo que elas podem estar comendo essas coisas, mas não admitem na hora de responder os questionários, disse o Dr. Dietz. 
(Isso é verdade. Mas é verdade também para TODOS os estudos epidemiológicos que os MESMOS autores usam para justificar suas teorias bizarras de que carne faz mal, por exemplo)

Em geral, dados de questionários não fecham com o consumo calórico real medido por terceiros, de acordo com a nutricionista Marion Nestle da New York University.


Por exemplo, o levantamento do NHANES indica que homens consomem uma média de 1500 calorias por dia, e as mulheres 1800. Quando os médicos e nutricionistas medem o consumo calórico, eles encontram uma média de 3000 calorias para homens e 2400 calorias para mulheres, Nestle disse à Reuters por email.


Conquanto as estimativas possam conter erros, tais levantamentos são os melhores instrumentos para identificar tendências populacionais, ela disse.


"NHANES fornece os melhores dados que podemos conseguir em termos de tendências populacionais", disse ela. "Se acreditarmos nos dados, até que as notícias são boas".
(se estas são notícias boas, só imagino o que sejam notícias ruins).