segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Restaurante páleo em São Paulo

Nos EUA, eles estão por todo o lugar, mas é bom saber que restaurantes Páleo-amigáveis estão surgindo no Brasil:

https://www.facebook.com/cincobocas



Restaurante Cinco Bocas
Restaurante e Rotisseria.
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1280
Fone: (11) 2476-5006

Exemplo de cardápio:


Nos EUA, por exemplo, já é possível encontrar opções até em aeroportos (foto tirada no Aeroporto de Atlanta, enviada via twitter):
Link permanente da imagem incorporada

Ou seja - o mercado oferece as coisas quando há demanda: cabe a nós criar a demanda e, quando os produtos surgem, prestigiá-los.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Por que a glicemia de jejum pode aumentar?

Tenho recebido vários relatos do seguinte fenômeno:

1) A pessoa tinha glicemia de jejum normal;
2) A pessoa passa a seguir um estilo de vida low carb páleo;
3) A pessoa perde peso, e sente-se muito melhor;
4) Todos os exames melhoram, mas...
5) A glicemia de jejum AUMENTA;
6) Este aumento da glicemia de jejum é acompanhado de MELHORA ou manutenção dos valores de hemoglobina glicada (Hb A1c).

O que está acontecendo aqui? Bem, temos a explicação simples, e a explicação complexa. Se você não é da área biomédica ou interessado em muitos detalhes, pode parar de ler depois do próximo parágrafo.

a) Explicação simplificada: quando reduzimos significativamente os carboidratos da dieta, o corpo passa a usar a gordura como fonte de energia (por isso perde-se peso!). Mas alguns tecidos necessitam de certa quantidade de glicose (sistema nervoso central, rins, células do sangue), e o fígado produz esta quantidade. Ao mesmo tempo, os demais tecidos (músculos, gordura) deixam de utilizar esta glicose para que a mesma fique disponível para os órgãos que precisam. Isso faz com que, às vezes, a glicemia de jejum fique mais alta (pois os músculos estão usando gordura, e não glicose!) - mas o fato de a hemoglobina glicada continuar normal (ou mesmo baixar) prova que a sua glicemia, durante as 24 horas do dia, nos últimos meses, está mais BAIXA, na média, e não mais alta.

b) Explicação nerd: Quando em cetose - e, portanto, POR DEFINIÇÃO com insulina muito baixa (afinal, sem isso não se atinge a cetose nutricional), o metabolismo muda de oxidação de glicose para beta-oxidação de ácidos graxos. Estes ácidos graxos passam a ser liberados em grande quantidade por ação da lipase hormônio-sensível (enzima que, nos adipócitos, é fortemente inibida pela insulina - ergo, novamente, isso acontecerá com insulina BAIXA). O aumento de Ácidos Graxos Livres (Free Fatty Acids - FFA) na circulação é o responsável pela indução de resistência à insulina, especialmente nos músculos. Isto é fisiológico, isto é normal, e isto é necessário, pois em virtude da dieta low carb, a quantidade de glicose disponível (produzida por gliconeogênse) é limitada, e precisa ser reservada para as células que dependem de glicose (como é o caso das hemácias, que não têm mitocôndrias, e dos neurônios do SNC, que podem ser supridos apenas parcialmente por corpos cetônicos). Não é maravilhosamente elegante esse nosso metabolismo?


Assim, uma dieta low carb é terapêutica na reversão da resistência insulínica induzida pela hiperglicemia e pela disfunção mitocondrial em virtude do excesso de glicose. Mas ela produz OUTRO tipo de resistência à insulina: a resistência à insulina FISIOLÓGICA. Só que esta resistência fisiológica é transitória, induzida pelo aumento dos FFA na circulação, de modo a poupar a glicose para o cérebro e outros tecidos. Como ela ocorre no contexto de BAIXA insulina e BAIXA glicemia, não causa nenhum dano e se acompanha de Hb glicada normal.

CONTUDO, todos nós temos um aumento noturno do GH, que produz lipólise na madrugada para manter o corpo durante as horas de jejum - o que aumenta ainda mais os FFA, deixando os tecidos ainda mais resistentes à insulina neste horário; além disso, todos temos um aumento do cortisol no final da madrugada, antes de despertar, a fim de produzir um aumento da gliconeogênese para produzir a glicose sanguínea necessária para acordarmos após as várias horas de jejum noturno. Nos diabéticos tipo II, isto provoca o DAWN PHENOMENON (http://high-fat-nutrition.blogspot.com.br/2008/05/physiological-insulin-resistance-2-dawn.html), visto que eles têm resistência à insulina em virtude da doença. Só que estas pessoas têm resistência à insulina, insulina ALTA e hiperglicemia o dia inteiro, motivo pelo qual adoecem e suas Hb glicadas são ELEVADAS. Já quem faz low carb tem resistência à insulina FISIOLÓGICA, na qual o aumento da gliconeogênese matinal leva a um aumento TRANSITÓRIO da glicemia DE JEJUM, quando medida DE MANHÃ. Mas são valores próximos de 100, e não há hiperglicemia em nenhum momento durante o dia (diferente do diabético), o que é comprovado pela Hb glicada normal - indicando não haver dano por glicação de proteínas (o que não deveria surpreender ninguém por tratar-se de algo fisiológico - é tautológico, eu sei).

Outra consequência conhecida da resistência à insulina fisiológica é a alteração de testes de tolerância à glicose. A curva de 1 e 2 horas (após os 75g de glicose) pode dar valores alterados (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22669333) - cujos motivos já expliquei acima. Isso não é novidade, e está escrito nos livros mais importantes sobre low carb (é comum nos livros a recomendação de que, caso seu médico solicite uma curva glicêmica e vc estiver fazendo dieta cetogênica, você deverá comer carboidratos em abundância por no mínimo 3 dias para que seu teste "normalize", em outras palavras, para que você consiga metabolizar um caminhão de glicose na mesma velocidade média das pessoas que consomem cronicamente a dieta ocidental padrão). (Veja http://www.proteinpower.com/drmike/uncategorized/low-carb-caveat/). Isso significa que um "low carber" está em maior risco de desenvolver diabetes? Obviamente não (veja aqui e aqui)!

Veja, por exemplo, neste trecho do excelente livro Diet 101: The Truth About Low Carb Diets, um comentário sobre as distorções provocadas pelas dietas cetogênicas nas leituras de glicemia:


Espero ter esclarecido que embora o resultado dos exames pareça semelhante (níveis um pouco maiores de glicemia em jejum, curva glicêmica alterada), as CAUSAS e a interpretação destes resultados são completamente diferentes. E é por isso que podemos reverter frequentemente o DM tipo 2 com low carb; caso contrário, COMO uma estratégia que pioraria a resistência à insulina poderia tratar uma condição caracterizada, etiologicamente, por resistência à insulina??

O artigo abaixo mostra como qualquer dieta (low fat ou low carb) pode ajudar diabéticos, mas low carb (LCHF) é superior: o que importa é a Hb glicada e a glicemia pós prandial de 1 hora, e não a glicemia de jejum.

Diabetes Obes Metab. 2013 Aug 2. doi: 10.1111/dom.12191. [Epub ahead of print]

Two Diets with Different Hemoglobin A1c and Antiglycemic Medication Effects Despite Similar Weight Loss in Type 2 Diabetes.


Division of Endocrinology, Metabolism and Nutrition, Department of Medicine, Duke University Medical Center, Durham, NC.

Abstract

We analyzed participants with type 2 diabetes (n = 46) within a larger weight loss trial (n = 146) who were randomized to 48 weeks of a low-carbohydrate diet (LCD; n = 22) or a low-fat diet + orlistat (LFD+O; n = 24). At baseline, mean BMI was 39.5 kg/m2 (SD 6.5) and HbA1c 7.6% (SD 1.3). Although the interventions reduced BMI similarly (LCD -2.4 kg/m2 ; LFD+O -2.7 kg/m2 , p = 0.7), LCD led to a relative improvement in hemoglobin A1c:-0.7% in LCD vs. +0.2% in LFD+O (difference -0.8%, 95% CI= -1.6, -0.02; p = 0.045). LCD also led to a greater reduction in antiglycemic medications using a novel medication effect score (MES) based on medication potency and total daily dose; 70.6% of LCD vs. 30.4% LFD+O decreased their MES by ≥50% (p = 0.01). Lowering dietary carbohydrate intake demonstrated benefits on glycemic control beyond its weight loss effects, while at the same time lowering antiglycemic medication requirements.


CONSIDERAÇÕES FINAIS:
  • Valores um pouco mais altos de glicemia de jejum são comuns e esperados em dietas cetogênicas;
  • Desde que a hemoglobina glicada (HbA1c) esteja normal e a glicemia 1 hora pós-prandial fique abaixo de 120, isto não é problema;
  • Ainda assim, o fato é que dietas cetogênicas podem produzir resistência à insulina - embora de natureza fisiológica;
  • Não sei - e penso que ninguém sabe - qual a melhor estratégia no longo prazo (décadas) para reduzir a resistência à insulina, mas penso que não seria uma dieta cetogênica. Vejo uma dieta cetogênica mais como uma intervenção terpêutica para emagrecimento e controle de síndrome metabólica. Minha impressão é a de que, no longo prazo, o ideal seja uma dieta paleo low carb, com até 100g de carboidratos (páleo) por dia - na qual a quantidade de FFA circulantes diminuiria, assim como a necessidade de gliconeogênese, mas os níveis de insulina ainda permaneceriam baixos - o melhor de dois mundos.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Em inglês

Amigos, não adianta. Se vivêssemos no império romano, teríamos de falar latim. E assim é com o inglês nos dias de hoje.

Faço o possível para traduzir algumas coisas por aqui. Mas, para quem domina o inglês (para quem não domina, NUNCA é tarde!), ficam aqui algumas dicas:

Na postagem sobre livros, há vários que considero indispensáveis.

Em meu twitter, é onde realmente posto TUDO o que há de melhor e mais novo no mundo low carb. Uma pequena porção acaba aqui no blog (pois meu dia só tem 24 horas!) - mas o grosso, em termos de artigos científicos e notícias, está lá, atualizado MUITAS vezes por dia. Não deixe de seguir em twitter.com/jcsouto

E há os podcasts. Devo muito aos podcasts. Aliás, foi em um podcast que eu ouvi pela primeira vez uma entrevista sobre low carb - que deu origem a tudo isso aqui. É uma forma sensacional de se atualizar em horas mortas - como no trânsito.

Eu ouço sempre:

Podcasts de Jimmy Moore (do Living la Vida Lowcarb show): cerca de 3 podcasts por semana - já entrevistou TODO mundo.
Link do podcast

Podcast Latest in Paleo, de Angelo Coppola. Muito bom , quase filosófico.
Link do podcast

Podcast de Jonathan Bailor, autor de Smarter Science of Slim, um dos melhores livros que há - mas que está esgotado. O ebook, no entanto, está circulando pela internet...
Link do podcast

Então, fica a dica - para notícias realmente quentes, sigam-me pelo twitter:





sábado, 21 de setembro de 2013

Vídeos



Um bom vídeo, às vezes, é melhor do que mil palavras.

Há vários vídeos espalhados pelo blog, a maior parte deles legendados por mim mesmo. Resolvi compilá-los em um único lugar, para facilitar. Apenas cliquem nos itens sublinhados, e serão encaminhados à respectiva postagem.

  1. Emagrecer é simples -> se você é novo neste blog, ou se quer mostrar algo para alguém que nunca ouviu falar no assunto, este é O VÍDEO.
  2. Documentário australiano espetacular - parte 1 - legendado
  3. Documentário australiano espetacular - parte 2 - legendado
  4. Big Fat Fiasco - uma excepcional palestra de Tom Naughton sobre low carb e ciência.
  5. Entrevista com Dra. Mary Vernon - especialista em Low Carb
  6. Palestra do Dr. David Diamond - uma aula sobre Low Carb e Colesterol.
  7. Consequências não antecipadas - pequeno vídeo legendado mostrando as obscuras origens da pirâmide alimentar, não na ciência, mas no Senado amiericano e no departamento americano não de saúde, mas sim de Agricultura (USDA).
  8. Vídeo divertido sobre como seria uma consulta com um médico que não irá desistir enquanto não lhe prescrever uma estatina
  9. Vídeo MUITO engraçado sobre como é conversar sobre low carb com as outras pessoas
  10. Dois vídeos com Robert Lustig sobre açúcar e frutose. O segundo vídeo, no final da postagem, está legendado.
  11. Vídeo curto mostrando a ausência de associação entre colesterol e doença cardíaca entre países.
  12. Allan Savory explica como criar herbívoros pode ser a salvação contra a desertificação - ADORO herbívoros.
  13. Entrevista deste que vos escreve com o grande Andreas Eenfeldt - legendado pelo Rorigo, do emagrecerdevez.com
  14. Uma nutricionista falando várias verdades em rede nacional
  15. Vídeo fascinante de Christopher Gardner sobre seu estudo comparado diferentes dietas - desculpa, sem legendas.
  16. Documentário da BBC sobre Dieta Atkins

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Colesterol VIII - é melhor ter um colesterol mais alto ou mais baixo?

Na postagem anterior, eu disse que não pretendia mais escrever sobre isso. Mas é mais forte do que eu...

Em Colesterol I, eu expliquei como surgiu a ideia de que colestrol pudesse ser algo ruim: uma combinação de má ciência básica e de um estudo epidemiológico mal feito da década de 1950.

Em colestrol II, eu mostrei que até 1957 nem mesmo a Associação Americana de Cardiologia estava convencida de que se deveria mudar a dieta das pessoas por causa de colesterol. No entanto, apenas 4 anos após, a maré começava a mudar, por motivos políticos, e não científicos.

Em colesterol III, eu detalhei os grandes estudos prospectivos e randomizados que demonstraram que reduzir a gordura na dieta não tem NENHUM impacto na mortalidade em homens e mulheres. Além disso, que estudos epidemiológico mais bem feitos sugerem que quanto maior o consumo de gordura per capita, menor a incidência de doenças cardiovasculares.

Em colesterol IV, vimos como o colesterol é um marcador de risco sofrível, como a redução de colesterol não traz benefício para a maior parte das pessoas, como a indústria manipula as estatísticas para nos convencer de que intervenções que têm o potencial de ajudar apenas 1 em cada 250 pessoas seriam "essenciais", e como modificações de estilo de vida podem ter impacto superior ao das drogas, sem o custo e efeitos colaterais.

Em colesterol V, vimos como o reducionismo feriu de morte o pensamento científico, levando-nos à crença ingênua de que podemos efetivamente dominar a complexa teia de causas e efeitos que compõem sistemas infinitamente complexos como o organismo humano. E citamos o ilustrativo exemplo da droga torcetrapib, que aumentava o HDL (colesterol "bom") e diminuía o LDL (colesterol "ruim"). E, no entanto, os pacientes morreram MAIS com esta droga - estes exames de sangue são apenas isso: exames de sangue, e o que queremos é viver mais e MELHOR, e não apenas mudar os números impressos no papel, apenas para morrermos com resultados "normais".

Na postagem denominada Conflitos de Interesse, abordamos o grau extremo com que os vultuosos interesses financeiros contaminam de forma decisiva (e infundada) as diretrizes que estabelecem que o colesterol "normal" seja abaixo de 200 e o LDL abaixo de 130 (ou 100, ou mesmo 70 como se fala agora!).

Em colesterol VI mostramos um vídeo curto para salientar que não existe correlação entre os níveis de colesterol e doença cardiovascular em nível populacional (diversos países).

Em colesterol VII, legendei uma longa palestra do Dr. David Diamond, que faz um belo sumário de todo este assunto.


Hoje, vamos avaliar um dos fatos mais elementares relacionados à essa discussão. Afinal, o que é colesterol "alto", e isso é bom ou ruim?


A pergunta parece meio absurda: "todos sabem que colesterol alto é ruim". Será?

Famingham é uma pequena cidade nos EUA. Qual sua importância? Como diz o "portal do coração, do site UOL":

"Cerca de 60 anos atrás, uma cidade dos Estados Unidos, Framingham (estado de Massachusetts), foi selecionada pelo governo americano para ser o local de um estudo cardiovascular. Foram inicialmente recrutados 5.209 residentes saudáveis entre 30-60 anos de idade para uma avaliação clínica e laboratorial intensa. Desde então a cada 2-4 anos, esta população e, atualmente as gerações descendentes, é reavaliada cuidadosamente e acompanhada em relação ao desenvolvimento de doença cardíaca.
O consagrado estudo de Framingham foi o primeiro a demonstrar a importância de alguns fatores de risco para o desenvolvimento de doença cardíaca e cérebro-vascular (derrame cerebral)."
Este estudo continua até os dias de hoje - já são várias gerações de moradores de Framingham minuciosamente acompanhados.

A seguinte figura, publicada há mais de 40 anos, mostra os níveis de colesterol de pessoas com doença coronariana e sem doença coronariana no estudo de Framingham:


Observem o seguinte:



  1. O colesterol médio das pessoas era em torno de 220. Não é curioso que o número defendido como "normal" (200) seja, de fato, abaixo da média??
  2. A linha contínua corresponde ao colesterol das pessoas saudáveis. A linha pontilhada, corresponde ao colesterol das pessoas com doença coronariana. Observe que há pessoas com colesterol "baixo" e "alto" em AMBAS categorias.
  3. O colesterol médio de AMBAS populações é de 220;
  4. As curvas só começam a divergir em níveis de colesterol acima de 290.

Outra coisa importante, e que frequentemente é esquecida por quem olha estes estudos, é que nenhum de nós sairá vivo deste jogo. Ou seja, todos morreremos de ALGUMA coisa. Assim, o desfecho mais importante de qualquer intervenção é a chamada mortalidade por todas as causas ("all cause mortality"). Além disso, a mortalidade por todas as causa é imune a questões de classificação ou à subjetividade. Muitos dos estudos sobre mortalidade cardiovascular baseiam-se em atestados de óbito. E atestados de óbito são notoriamente imprecisos. Veja, a grande maioria das pessoas que morre não sofre uma necrópsia. Assim, o médico que atende aquela pessoa, escreve o que lhe vem na cabeça, a coisa mais provável naquela circunstância. E nunca teremos certeza do que realmente foi a causa da morte. 

Mas a mortalidade por todas as causas não sofre desses vieses. Afinal, não há ambiguidade - ou você está vivo, ou está morto - é o diagnóstico menos sujeito a erro que existe. Ou seja, o desfecho que mais importa dentre todos é, ao mesmo tempo, o único cuja aferição é 100% precisa - MORTE.

Um autor português, Ricardo Carvalho, que infelizmente desativou seu blog em 2011 por falta de leitores, montou uma inacreditável compilação de dados de mortalidade por todas as causa versus níveis de colesterol, com dados de todos os países do mundo.


É um gráfico incrivelmente rico em informações. Cada ponto corresponde a um país (vermelho para mortalidade cardiovascular, azul para mortalidade por todas as causas), com seus níveis médios de colesterol. A escala vertical é a mortalidade; o eixo horizontal é o colesterol total. As curvas de diferentes cores correspondem à mortalidade por diferentes causas.

Chamo sua especial atenção para algumas curvas:

Em vermelho pontilhado (-----), a mortalidade cardiovascular
Em vermelho contínuo (______), a mortalidade por doenças não transmissíveis
Em verde (______), mortalidade por infecções e mortalidade materna
Em azul (______), mortalidade por todas as causas.

Olhe com atenção - observe todas as curvas (clique aqui para ampliá-lo):




Olhou o gráfico com atenção? Então, responda às seguintes perguntas:


  1. Qual o nível de colesterol associado com a menor mortalidade por TODAS as causas?
  2. O que acontece com a chance de morrer do coração à medida que o colesterol DIMINUI abaixo de 200?
  3. O que acontece com a chance de morrer de infecção na medida em que o colesterol diminui?
  4. O que acontece com a chance de morrer de câncer na medida em que o colesterol diminui?

Caro leitor, estes não são dados isolados. Veja, por exemplo, este estudo recente:



Tradução: "Será o uso do colesterol nos algoritmos de risco de morte nas diretrizes válido? Dados prospectivos de 10 anos do estudo norueguês HUNT 2"



Conclusão: nosso estudo fornece uma indicação epidemiológica atualizada de possíveis erros nos algoritmos de risco cardiovascular um muitas diretrizes clínicas. Se nossos achados forem generalizáveis, recomendações clínicas e de saúde pública no que diz respeito aos "perigos" (aspas no original) do colesterol deveriam ser revistas. Isto é especialmente verdadeiro para mulheres, para as quais níveis moderadamente elevados de colesterol (de acordo com os padrões atuais) podem ser não apenas inofensivos, mas até mesmo benéficos.

Mais uma vez, vou respeitar a inteligência dos leitores e vou me abster de fazer recomendações. Os dados estão aí - para que você possa estudá-los e tirar suas próprias conclusões.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Fluxograma paleolítico - genial

Não sei a autoria da tradução, mas é muito engraçado (e, de uma forma geral, correto!)

O original está neste site: https://thenutribox.com/being-paleo-or-buying-paleo, inspirado no trabalho de Nicole Voelzke


E a versão original de Nicole Voelzke você confere aqui:


domingo, 15 de setembro de 2013

Blog de receitas da Polyana Freitas

Gostaria de apresentar a vocês o blog de receitas da Polyana Freitas, nutricionista com experiência em dieta páleo, aqui em Porto Alegre:


Nas palavras da autora: "Nutrição foi a minha escolha profissional e de vida. Desde sempre tive medo de engordar e seguia os passos dietéticos de uma prima querida na luta contra a balança. Aquele esforço grande, restrição calórica e exercícios foi presente na maior parte da minha vida, apesar de nunca ter sido obesa. Assim escolhi a nutrição, para aprender e aplicar em mim. O resultado real foi um caderninho neurótico em que eu anotava tudo o que comia, por 20 anos, nos mínimos detalhes... E quando me dava o luxo de comer à vontade, sentia uma culpa enorme e grande desconforto físico.
Essa prática nunca foi natural, sempre rodeada de rituais e logística, sem falar da condenação social. Até reencontrar um amigo de longa data, Dr. José Carlos Souto, que abriu possibilidades para quebra de paradigmas. "Apenas retire o açúcar e grãos e pare de contar calorias", disse ele. A partir daí , tudo em nutrição fez sentido, quantidade, qualidade, adequação, disposição, enfim, saúde física e mental. Sem restrições e amarras, uma experiência libertadora, comendo comida de verdade.
É isso que desejo a todos!!!"


A despeito do inexplicável sucesso das minhas toscas receitas (veja aqui, aqui e aqui), culinária não é o meu chão.

O blog pode ser acessado em http://nutridaspanelas.blogspot.com.br/



Os contatos para atendimento estão na página de profissionais.

Lembrando que há outros blogs recomendados, na coluna lateral direita - "Blogs em português"

sábado, 14 de setembro de 2013

Comida de verdade não tem corante Caramelo IV

O vídeo a seguir mostra uma história muito bizarra. Mas a parte mais importante começa aos 2 minutos e 53 segundos - a parte que fala do corante Caramelo IV.


Mas, no final - ufah! - diz que a Anvisa considera seguro. Puxa que alívio...

Ironias a parte, isto é um lembrete de que há mais coisas no rótulo do que a quantidade de carboidratos. Aliás, comida de verdade não tem rótulo!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Veja de 11 de abril de 2001 - Gordura não faz mal - Gary Taubes

Pesquisando no Google, eis que me deparo com esta pérola: uma bela reportagem da revista VEJA repercutindo o antológico artigo de Gary Taubes na revista Science em 2001: The soft science of dietary fat.

Este artigo marcou época por ter sido publicado na mais prestigiosa revista científica do mundo, e foi o germe do que viria a ser Good Calories, Bad Calories, a obra prima de Taubes.

Fascinante também é o fato do artigo ter sido escrito 2 anos antes da morte do Dr. Atkins. E, para aqueles que acreditam na lenda urbana de que ele morreu do coração e obeso, eu reproduzo aqui um pequeno trecho de outra reportagem de 2001 da Veja:

O Dr. Atkins deu uma entrevista a "Ângela Pimenta, de VEJA, que o entrevistou em sua clínica, que ocupa um prédio em Nova York" (..) "Isso tudo é uma grande besteira", rebate Atkins. "Você acha que se isso fosse verdade eu estaria vivo depois de 38 anos seguindo minha própria dieta?" De fato, o doutor Atkins parece estar em forma. Com 1,83 metro de altura e 89 quilos, ele é ativo e lúcido. Garante também que sua pressão arterial, níveis de açúcar e gordura do sangue estão estáveis."

E, por fim, achei o obituário dele na veja No. 1799 de 23 de abril de 2003:


Ou seja, como consta na Wikipedia, ele morreu após escorregar no gelo em Nova York e bater com a cabeça no meio-fio. Aos 72 anos. E com IMC de 26.

***** ATUALIZAÇÃO  18/09/13 *******
O leitor Newton Pessoa me enviou uma matéria de Veja de 2004, que mostra ter havido controvérsia real sobre o estado de saúde do Dr. Atkins no momento de sua morte: http://veja.abril.com.br/180204/p_086.html
Ao que parece, era portador de miocardiopatia dilatada (uma patologia que não tem nenhuma com dieta (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cardiomiopatia_dilatada). Para saber mais sobre a controvérsia, veja aqui: http://www.snopes.com/medical/doctor/atkins.asp
Mas, enfim, mesmo que fosse verdade, não muda muita coisa: se seu avô fumava todos os dias e viveu até os 100 anos, isso não prova que fumar é bom. Casos individuais são apenas isso - casos individuais.
**********


Mas, enfim, estou desviando do assunto principal.


Penso que rever este artigo de 2001 serve também de motivo para reflexão. Afinal, cá estamos, 12 anos depois, ainda tentando convencer o mundo daquilo que a revista Veja traduziu de forma tão genial em 2001: "a demonização da gordura na dieta nasceu sem muita base científica e se firmou na medicina moderna sem contestação, em parte, por absoluta falta de senso crítico dos pesquisadores."


Isso me faz pensar em frases como estas:

The highest form of ignorance is when you reject something you don't know anything about.
Wayne Dyer 
Truth is by nature self-evident. As soon as you remove the cobwebs of ignorance that surround it, it shines clear.
Mahatma Gandhi 
Nothing is more terrible than to see ignorance in action.
Johann Wolfgang von Goethe 
I am one of those scientists who feels that it is no longer enough just to get on and do science. We have to devote a significant proportion of our time and resources to defending it from deliberate attack from organised ignorance.
Richard Dawkins 
Against logic there is no armor like ignorance.
Laurence J. Peter 


A seguir, o artigo da revista Veja:





 NOTÍCIAS DIÁRIAS

Geral Saúde

Pela primeira vez uma publicação científica
de prestígio abre suas páginas para um artigo
bombástico que afirma que a gordura não faz mal

Gabriela Carelli
Artigos como o publicado na semana passada pela mais prestigiosa revista científica do mundo, a americana Science, são raríssimos. Assinado pelo jornalista Gary Taubes, o artigo faz a demolição ponto por ponto de um dos dogmas mais aceitos da medicina moderna, o de que uma dieta rica em gorduras é prejudicial à saúde da maioria das pessoas. O articulista da Science lista uma seqüência impressionante de dados tirados de pesquisas de centros de excelência, como Harvard, Cambridge e Johns Hopkins. Ele mostra que a demonização da gordura na dieta nasceu sem muita base científica e se firmou na medicina moderna sem contestação, em parte, por absoluta falta de senso crítico dos pesquisadores. O artigo intitulado "A frágil ciência da gordura na dieta" é também um soco no estômago da indústria de alimentos. "Durante os últimos trinta anos, o conceito de comer saudavelmente passou pela eliminação ou redução da gordura nos alimentos. Cerca de 15.000 produtos dietéticos com teor mais baixo de gordura chegaram às prateleiras dos supermercados. Eles geraram bilhões de dólares para a indústria", diz Taubes. A conclusão dele é inevitável. Evidências de que a gordura dos alimentos não pode ser responsabilizada pela obesidade e pelas doenças do coração sempre existiram. Mas não foram aceitas em virtude da enorme influência da indústria alimentícia e de seus lobbies poderosos exercidos sobre as autoridades de saúde americanas.
"Nos Estados Unidos nós não tememos mais a Deus nem os comunistas. Nós só tememos a gordura." A frase acima, dita pelo médico David Kritchevsky, autor em 1958 de um dos primeiros livros sobre dietas pobres em gorduras, é usada por Taubes para mostrar a força que essa noção ganhou no país. "Apesar de tanta convicção, o que se sabe é que a ciência tradicional gastou milhões de dólares dos contribuintes em pesquisas que, na verdade, nunca provaram que as dietas pobres em gordura prolongam a vida das pessoas", escreveu Taubes. Segundo ele, o melhor dos dados compilados para provar a tese da malignidade da gordura chegou à patética conclusão de que deixar de comer carne, ovos ou manteiga ajuda as pessoas a viver "algumas semanas mais" que aquelas que não se privaram desses alimentos.
"Em toda a literatura médica, não há estudo científico que prove que uma dieta sem gordura evita infarto. Existe o contrário", sustenta. E que fim levaram essas pesquisas? Taubes garante que elas foram sistematicamente desprezadas pela ciência tradicional, mesmo quando vinham de fontes cujas credenciais não podiam ser colocadas em dúvida . É o caso de um grande levantamento feito pela Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard. Durante duas décadas, os pesquisadores avaliaram os hábitos de 300.000 profissionais de saúde americanos, na maioria enfermeiros e médicos, pessoas que, por seu conhecimento, técnica e disciplina, são consideradas ideais para esse tipo de investigação. Pois bem, os resultados mostraram que praticamente não havia diferenças de saúde entre os grupos que comiam alimentos gordurosos e os que se privavam deles. O estudo foi levado ao conhecimento das agências governamentais americanas e solenemente ignorado.
Enquanto os cientistas viravam o rosto para as evidências de que a gordura dos alimentos parecia não ser a causa da obesidade e da doença cardíaca, a população americana – e por influência dela boa parte dos moradores do mundo ocidental industrializado – continuava sendo vitimada pela epidemia de infartos. Mesmo com a redução da gordura na dieta, a doença cardíaca persistia e aumentava. Só muito recentemente o número de mortes por disfunções cardíacas diminuiu nos Estados Unidos. Também no Brasil, entre 1980 e 2000, houve um declínio de 10% no número de mortes por doenças do coração. "Isso é incontestável, mas com certeza não tem relação alguma com o fato de comer vegetais", diz um dos mais atualizados cardiologistas brasileiros, Whady Hueb, do Instituto do Coração, em São Paulo. "A diminuição está muito mais ligada aos avanços médicos e farmacológicos que à quantidade de verduras ingeridas. Os esquimós comem só gordura e alguns deles chegam a viver 120 anos", diz Hueb.
Um jornalista, obviamente, não tem autoridade para ditar regras sobre nutrição. O trabalho de Taubes só foi levado a sério porque é o primeiro a citar num mesmo artigo quase todas as fontes científicas dignas de crédito que pesquisaram o assunto. Entre elas, a mais respeitada é o epidemiologista americano Walter Willet, de Harvard. Ele considera "escandaloso" o fato de o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o famoso NIH, ter ignorado – e continuar ignorando – os resultados das pesquisas com enfermeiros e médicos que absolviam a gordura do crime de estar matando os americanos do coração. "Eles dizem que precisamos ainda de evidências mais sólidas para mudar as recomendações nutricionais tradicionalmente aceitas. Não deixa de ser irônico, porque eles próprios nunca tiveram evidências sólidas para fazer as recomendações." Willet põe o dedo na ferida. Ele explica que o desastre maior não foi deixar de comer gordura, mas substituí-la por um inimigo alimentar muito mais sutil e destruidor quando ingerido em grandes quantidades, os carboidratos. "As pessoas ficaram assustadas com as gorduras, mas deitaram e rolaram no açúcar, nos pães e nas massas", escreve Taubes. Resultado: enquanto a ingestão média de gordura caía para 34% do total de calorias da alimentação do americano médio, as artérias continuaram se entupindo.
Campeão da luta contra a ingestão de carboidratos, o médico americano Robert Atkins foi intelectualmente massacrado nos anos 70 quando reavivou a tese de que as gorduras sozinhas não eram as vilãs da saúde. "Quem advogava contra o dogma era tachado de irresponsável", disse Atkins a VEJA. Sua dieta, baseada na ingestão de 20 gramas de carboidratos por dia e na liberação da carne, dos ovos e cremes, foi dinamitada. Estava-se então no auge da ojeriza à gordura no prato. Mas, como nada de muito auspicioso ocorria na balança, ou seja, os americanos continuavam engordando, Atkins teve uma nova chance. O livro com os fundamentos de sua dieta foi reeditado recentemente e vendeu milhões de exemplares. Os compradores? Bem, os frustrados pacientes das mais variadas dietas.
O Centro Nacional de Estatísticas de Saúde do Centro de Controle e Prevenção de Doenças indica que o número de adultos obesos nos Estados Unidos aumentou 32% entre 1980 e 1991 e 57% de 1991 até hoje. Para essas pessoas, a chamada "pirâmide alimentar", a que prescreve uma dieta equilibrada com quantidades de carboidratos que Atkins abominaria, de nada adiantou. A pirâmide aconselha que se coma de 55% a 60% de carboidratos. "A literatura científica mostra que dietas de alto consumo de carboidratos não são melhores – e podem ser piores – que as de alto consumo de gorduras", diz Taubes.
O pavor à gordura nasceu de uma descoberta real. A primeira luz vermelha se acendeu durante a Guerra da Coréia, nos anos 50. Os soldados americanos mortos no conflito foram as primeiras vítimas de guerra sistematicamente submetidas a autópsia. Os médicos militares descobriram que muitos dos jovens abatidos pelos coreanos e seus aliados chineses tinham obstruções nas artérias que alimentam o coração. A análise dessas obstruções mostrou que eram feitas de substâncias gordurosas, entre elas o colesterol. Como um tigre sobre a presa, os médicos saltaram para a conclusão de que a gordura era a causa principal dos ataques cardíacos. Foram necessárias décadas de estudos para acreditar que talvez a história não seja tão simples. "O enredo ficou mais complexo", diz Taubes. Os pesquisadores citados por ele lembram que as dietas vegetarianas conseguem reduzir no máximo de 10% a 15% das gorduras no sangue, o que para eles é prova suficiente de que a relação entre nutrição e saúde é mais complicada do que parece. O raciocínio é reforçado pela constatação de que ainda é misterioso o processo pelo qual as estatinas, drogas mais eficientes e modernas usadas com o objetivo de baixar as gorduras no sangue, especialmente o colesterol, protegem o coração. Suspeita-se que parte significativa do efeito protetor das estatinas esteja em seu poder antiinflamatório, e não apenas no de diminuir a gordura circulante.
Os dados cuidadosamente garimpados por Taubes a pedido da revista Science e reproduzidos nesta reportagem não encerram a questão do papel das gorduras na dieta. Não devem ser tomados, obviamente, como um convite à indisciplina à mesa. "Dizer que gordura não faz mal é um risco à saúde de milhares de pessoas", diz Francisco Fonseca, coordenador do setor de lípides, aterosclerose e biologia vascular da Universidade Federal de São Paulo (não é não). Gary Taubes enfatiza que nenhum de seus entrevistados aconselha as pessoas com doenças cardíacas ou propensão a tê-las a comer gorduras. Eles apenas não acham razoável que essa restrição feita aos doentes possa ser tomada como uma regra de saúde pública. O artigo do americano teve enorme repercussão não por querer ditar novas regras de alimentação saudável, mas por abrir a discussão sobre uma questão tratada há décadas como um dogma.

"Durante trinta anos, o conceito de comida saudável foi sinônimo de pouca gordura. Apesar de décadas de pesquisas, ainda não está devidamente comprovado que o consumo de gordura abrevie a vida de pessoas saudáveis."
"Uma pesquisa sobre dieta e saúde conduzida durante vinte anos pela Universidade Harvard concluiu que o total de gordura consumida não tem relação com doenças cardíacas. A gordura não saturada, como o azeite de oliva, não faz mal. A gordura saturada, das frituras, é um pouco pior, se tanto, que as massas e outros carboidratos."
  Gary Taubes, revista Science

"O movimento antigordura está baseado na noção puritana de que alguma coisa ruim tem de ter uma causa maligna. Se você sofreu um ataque cardíaco, é porque fez alguma coisa errada. O ataque cardíaco seria decorrente do fato de você ter comido uma quantidade enorme de coisas ruins, e não uma quantidade muito pequena de coisas boas."
John Powles, da Universidade de Cambridge

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Colesterol VII - vídeo legendado sobre LCHF e colesterol - Dr. David Diamond

Talvez eu ainda volte a escrever sobre o assunto, mas no momento não pretendo. Porque com este vídeo, além das demais postagens da série, eu penso que 95% de todas as dúvidas relacionadas a esse tópico estarão sanadas.

Em Colesterol I, eu expliquei como surgiu a ideia de que colestrol pudesse ser algo ruim: uma combinação de má ciência básica e de um estudo epidemiológico mal feito da década de 1950.

Em colestrol II, eu mostrei que até 1957 nem mesmo a Associação Americana de Cardiologia estava convencida de que se deveria mudar a dieta das pessoas por causa de colesterol. No entanto, apenas 4 anos após, a maré começava a mudar, por motivos políticos, e não científicos.

Em colesterol III, eu detalhei os grandes estudos prospectivos e randomizados que demonstraram que reduzir a gordura na dieta não tem NENHUM impacto na mortalidade em homens e mulheres. Além disso, que estudos epidemiológico mais bem feitos sugerem que quanto maior o consumo de gordura per capita, menor a incidência de doenças cardiovasculares.

Em colesterol IV, vimos como o colesterol é um marcador de risco sofrível, como a redução de colesterol não traz benefício para a maior parte das pessoas, como a indústria manipula as estatísticas para nos convencer de que intervenções que têm o potencial de ajudar apenas 1 em cada 250 pessoas seriam "essenciais", e como modificações de estilo de vida podem ter impacto superior ao das drogas, sem o custo e efeitos colaterais.

Em colesterol V, vimos como o reducionismo feriu de morte o pensamento científico, levando-nos à crença ingênua de que podemos efetivamente dominar a complexa teia de causas e efeitos que compõem sistemas infinitamente complexos como o organismo humano. E citamos o ilustrativo exemplo da droga torcetrapib, que aumentava o HDL (colesterol "bom") e diminuía o LDL (colesterol "ruim"). E, no entanto, os pacientes morreram MAIS com esta droga - estes exames de sangue são apenas isso: exames de sangue, e o que queremos é viver mais e MELHOR, e não apenas mudar os números impressos no papel, apenas para morrermos com resultados "normais".

Na postagem denominada Conflitos de Interesse, abordamos o grau extremo com que os vultuosos interesses financeiros contaminam de forma decisiva (e infundada) as diretrizes que estabelecem que o colesterol "normal" seja abaixo de 200 e o LDL abaixo de 130 (ou 100, ou mesmo 70 como se fala agora!).


Em colesterol VI mostramos um vídeo curto para salientar que não existe correlação entre os níveis de colesterol e doença cardiovascular em nível populacional (diversos países).

O vídeo abaixo foi uma grande descoberta recente. Neste vídeo, o Dr. Diamond resume, em UMA HORA de palestra, TODO este assunto. Deu MUITO trabalho para legendar, mas vale cada minuto!

Eu pediria que as pessoas prestassem especial atenção à explicação dada aos 34 minutos e 10 segundos sobre as curvas de colesterol de pessoas doentes e pessoas normais (dica, são iguais até chegar em 300!); e prestem também atenção especial a partir de 37 minutos e 24 segundos até 42 minutos e 40 segundos  (dica: dentre 1900 pessoas com colesterol perto de 300 que estavam no grupo PLACEBO do estudo, 98% estavam vivas em SEM doença cardíaca após 7,5 anos sem NENHUM tratamento).


O único reparo que eu farei à brilhante palestra do Dr. Diamond é que ele afirma que a gordura na dieta não eleva o colesterol. O certo seria dizer que, em geral, o LDL não muda e o HDL aumenta, levando a uma elevação do colesterol total, porém com uma melhora da relação colesterol total / HDL. Mas algumas pessoas (cerca de 20-25%) respondem excessivamente à gordura na dieta, com níveis mais elevados de LDL e colesterol total.




No gráfico acima (retirado da metanálise já discutida aqui), cada ponto representa a média do efeito de uma dieta low carb sobre LDL em cada estudo individual. O grande risco vertical central é o 1, ou seja, o que fica sobre este risco indica não ter mudado com low carb; para a esquerda é redução de LDL, e para a direita é aumento. Os riscos horizontais mostram o quanto os resultados variam dentro da população daquele estudo específico. Observem que, muito embora a média total de todos os estudo juntos (seta vermelha mais de baixo) mostre uma mínima redução do LDL (não significativa), a variação dos resultados foi imensa, (outras setas vermelhas), desde grandes quedas no LDL até grandes aumentos.

Mas, após ler as outras 6 postagens e após assistir ao vídeo, espero que já esteja claro para você a pouca importância deste achado.

Assim, de agora em diante, só responderei a perguntas sobre colesterol que ainda não estejam respondidas nesta série (sobram poucas). Se seu LDL está elevado, mas você perdeu peso, seu HDL está alto, seus triglicerídeos estão baixos, e isto ainda assim lhe preocupa, você é livre para tratar do problema, juntamente com o seu médico, adotando outro tipo de estilo de vida ou então com o uso de medicamentos. Cada um deve buscar a informação e, de posse da mesma, decidir com o seu médico o melhor caminho a seguir.


sábado, 7 de setembro de 2013

Reportagem no jornal Zero Hora

Saiu na Zero Hora de hoje, com chamada de CAPA:




A reportagem ficou bem interessante, e os dois pacientes citados foram indicados por mim. Como é praxe, para manter o equilíbrio jornalísticos, foram entrevistadas também vozes discordantes.

Reproduzo, abaixo, a reportagem, com minhas respostas às críticas em vermelho.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/vida/noticia/2013/09/conheca-a-polemica-dieta-paleolitica-4260512.html
Conheça a polêmica dieta paleolítica

Proposta é comer apenas aquilo que se pode caçar, coletar ou tirar da terra. Ou seja, alimentos como arroz, feijão, trigo e cevada são excluídos

Conheça a polêmica dieta paleolítica Ilustração de Fernando Gonda/Arte ZH
Comparação entre a pirâmide alimentar tradicional e a pirâmida da dieta paleolíticaFoto: Ilustração de Fernando Gonda / Arte ZH
*Colaborou Lara Ely 

Você já viu um leão comendo vegetais? Ou uma vaca se alimentando de carne? Certamente não, já que esses produtos não fazem parte da dieta natural destes animais. Se eles ingerissem esses alimentos, ficariam doentes ou não teriam energia suficiente para viver. E qual seria a dieta natural do homem, aquela para a qual estamos biologicamente evoluídos e, portanto, preparados e adaptados para seguir? 

A resposta para essa pergunta é o principal mote de uma forma de alimentação que está ganhando adeptos em todo o mundo: a dieta paleolítica, ou, simplesmente, a paleo. 

Segundo seus defensores, a melhor dieta para o homem é aquela praticada pelos nossos ancestrais pré-históricos. Ou seja: coma apenas aquilo que você poderia caçar, matar, colher ou tirar da terra, como um homem das cavernas.

Um dos mentores da dieta paleolítica é o médico e professor da Universidade Estadual do Colorado (EUA) Loren Cordain. Apesar de ter conquistado popularidade recentemente, a teoria surgiu em um estudo publicado em 1985 no The New England Journal of Medicine. O artigo argumentava que o genoma humano não teve tempo de se adaptar a alimentos que não faziam parte da nossa dieta antes do advento da agricultura.

— Estamos na Terra há mais de 2 milhões de anos, e a agricultura foi desenvolvida há menos de 10 mil anos, o que corresponde a apenas 0,5% do tempo da nossa existência. A agricultura, portanto, é muito recente do ponto de vista evolutivo, e é evidente que estamos geneticamente adaptados à alimentação do período paleolítico, e não à que temos hoje — sustenta o médico urologista e autor de um blog sobre o tema José Carlos Souto.

No paleolítico, os fatores geográficos eram determinantes, e diversas dietas eram seguidas pelos humanos. Os esquimós alimentavam-se basicamente de carne de baleia, peixe e poucas frutas. Os aborígenes australianos, de diversos tipos de caças. Os habitantes da floresta amazônica tinham uma farta oferta de frutas, raízes e folhas, mas poucas carnes. 

Alimentos "plantados", como arroz, feijão, trigo e cevada, são excluídos
A dieta paleolítica proposta para os dias atuais opta por encontrar pontos em comum a todas essas versões: a ausência de grãos, de óleos extraídos de sementes (soja, algodão, canola e milho) e de produtos processados e artificiais. A presença do leite é polêmica: alguns aceitam, outros rejeitam. 

— A dieta paleo contém raízes e tubérculos como batatas (doce ou inglesa), aipim e todos os tipos de carne. O que não faz parte são os alimentos plantados: cereais (aveia, trigo, centeio, cevada, arroz, milho) e leguminosas (feijões, lentilha, ervilha), além, é claro, dos industrializados — diz o nutricionista e bioquímico Gabriel de Carvalho.

Comida de verdade
Apesar de considerarem a dieta de nossos ancestrais a mais apropriada para o organismo dos humanos modernos, os seguidores da paleo ressaltam que o modo de vida e o atual acesso aos alimentos tornam impossível comer hoje o que um homem das cavernas comia. 

— É absolutamente impossível seguir a dieta paleolítica com rigor. Hoje, você compra a carne no supermercado, e ela não tem nada a ver com a carne paleolítica. Vem de animais estressados, que não recebem sol, não têm vida livre, comem ração. A composição da carne e da gordura do animal é completamente diferente. Só aí já acabou a dieta — enfatiza o nutricionista e bioquímico Gabriel de Carvalho.

A saída estaria em apostar em alimentos de procedência mais natural possível. Dar preferência a vegetais orgânicos, à carne de animais criados no pasto, a ovos de galinhas não confinadas e que não comam ração. E rejeitar tudo que for processado e industrializado. 

— Desconfie de todos os alimentos processados que venham dentro de uma embalagem, com rótulo e ingredientes impronunciáveis. As pessoas devem se focar no que chamamos de comida de verdade. Se eu perguntar como se faz um bife com ovo, todo mundo sabe a resposta. Mas para fazer um salgadinho de pacote é preciso uma fábrica, processos industriais, corantes, conservantes, enfim, não é comida de verdade — afirma Souto.

Trigo, o vilão da vez
Base para alimentos fartamente consumidos, como pães, massas, bolos e pizzas, o trigo tem uma alta capacidade de "viciar" os consumidores. Isso poderia ser a causa de uma série de doenças e seria a razão principal da epidemia mundial de obesidade 

— Com sua tradição italiana, a gastronomia do Rio Grande do Sul teria uma perda considerável se fosse banido do cardápio todo e qualquer alimento feito de trigo. Pizzas, lasanhas, massas e até o sagrado pãozinho ficam de fora da chamada dieta paleolítica. Isso porque, segundo os que acreditam nesta corrente, o trigo é um dos principais vilões da alimentação moderna.

— Lançado este ano no Brasil, o livro Barriga de Trigo, do cardiologista americano William Davis, embasa cientificamente essa teoria ao trazer argumentos que dão suporte ao fato de que doenças como a obesidade, o diabetes, problemas imunológicos e neurológicos, como a doença celíaca, a artrite reumatoide e a demência, além de doenças do intestino e do coração, podem estar associadas ao consumo exagerado do grão.

— De acordo com o autor, as mudanças genéticas responsáveis por tornar o trigo resistente a pragas e mais produtivo nas lavouras também influenciaram para torná-lo prejudicial à saúde humana. Outro motivo é a alta capacidade do alimento de viciar os consumidores e elevar o índice glicêmico — em certas ocasiões, para níveis mais altos até do que alguns doces. 

— Depois de prescrever um regime sem trigo para mais de 2 mil de seus pacientes em situação de risco e observar resultados satisfatórios, o cardiologista concluiu que não é a gordura, o açúcar (na verdade, o autor não isenta o açúcar, pelo contrário, considera-o um dos grandes problemas, juntamente com o trigo) ou o sedentarismo que está causando a epidemia mundial de obesidade, mas sim o trigo.

Muita carne e nada de grãos
Longe de ser unanimidade, a dieta paleolítica já conquistou a antipatia de muita gente. Os pontos mais controversos são a total liberação de carnes e a exclusão dos grãos. A desconstrução da pirâmide alimentar, que tradicionalmente tem como base os cereais, pães, tubérculos e raízes, é um dos princípios da paleo.

— A pirâmide alimentar está completamente equivocada, não tem nenhuma base em ciência. Ninguém vai perder peso adequadamente com uma alimentação cuja base são farináceos, pães, massas, bolos e mingaus — diz o médico José Carlos Souto. A fonte para os nutrientes que seriam fornecidos pelos cereais e grãos é substituída por outros alimentos na dieta paleo, explica o nutricionista Gabriel de Carvalho.

— O consumo de grãos pode ser eliminado. Não existe nutriente presente exclusivamente nestes alimentos. O que temos no trigo, na aveia, na cevada, no arroz, obtemos nas raízes como batata-doce, que é muito saudável, batata inglesa, aipim, carnes, frutas, sementes, folhas, legumes, tubérculos, cenoura, beterraba.

Embutidos e frituras são o problema
A alta ingestão de carnes, outro ponto fundamental da dieta paleolítica, também gera controvérsia. A gordura saturada das carnes seria um dos principais problemas, o que, segundo Carvalho, não passa de um mito (Os estudos prospectivos e randomizados e todas as metanálises são unânimes em afirmar que a gordura da dieta não está relacionada ao risco de doenças cardiovasculares. Se você é novo neste blog, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.).

— A gordura saturada não mata do coração. A maioria dos estudos recentes não relaciona o consumo de gorduras saturadas de carnes gordas (Os estudos prospectivos e randomizados e TODAS as metanálises são unânimes em afirmar que a gordura da dieta não está relacionada ao risco de doenças cardiovasculares. Se você é novo neste blog, clique aquiaquiaquiaquiaquiaquiaquiaquiaqui,aquiaquiaquiaqui, e aqui.), mas sim de embutidos, com a morte cardiovascular. Embutidos são um problema grave na alimentação. Óbvio que ninguém está recomendando comer carnes fritas, que também é um problema comprovado. Embutidos e frituras são o problema, não a gordura em si — defende Carvalho.

Nem todos concordam. A nutricionista e especialista em nutrição clínica Joselaine Sturmer vê com desconfiança tanto a liberação total das carnes quanto a exclusão dos grãos.

— Eu não indicaria essa dieta para ninguém. Temos que ter cuidado porque, ao excluir grupos alimentares, podemos retirar nutrientes que fazem falta ao organismo (discordo. A densidade nutricional aumenta muito em uma dieta paleo. Clique aqui. É só parar para pensar: de que forma uma dieta na qual farináceos e açúcar são removidos e substituídos por vegetais variados, carnes, ovos, poderia ter MENOS nutrientes?). Não comer carboidrato pode levar à perda de massa magra (discordo: embora qualquer perda de peso possa acompanhar-se de alguma perda de massa magra, uma dieta dieta pobre em carboidratos, adequada em proteínas e rica em gorduras naturais favorece a preservação da massa magra - clique aqui) e de fonte de energia (discordo, nosso corpo pode usar carboidratos ou gordura como fonte de energia). Tem uma hora em que o corpo tem necessidade de uma fonte de energia (ibid). Além disso, comer carnes à vontade é perigoso (discordo, clique aqui e aqui), porque elas têm gordura (Os estudos prospectivos e randomizados e TODAS as metanálises são unânimes em afirmar que a gordura da dieta não está relacionada ao risco de doenças cardiovasculares. Se você é novo neste blog, clique aquiaquiaquiaquiaquiaquiaquiaquiaqui,aquiaquiaquiaqui, e aqui.) e podem roubar nutrientes (afirmação bizarra demais para comentar, deve ter sido citada de forma errada pelo jornal) de nosso organismo. A proteína em exagero pode roubar cálcio (discordo, clique aqui), e você acaba consumindo mais sódio (mesmo que fosse verdade, ainda assim estaria errado, clique aqui), o que pode causar uma sobrecarga renal (discordo, clique aqui) — afirma. 

O nutricionista e professor de bioquímica e nutrição esportiva do Unilasalle Joelso dos Santos Peralta também tem ressalvas às restrições da dieta paleo.

— A deficiência de carboidratos afeta o cérebro (discordo, clique aqui) e aumenta o catabolismo proteico (discordo, clique aqui), onde os indivíduos verdadeiramente perdem peso, mas muitas vezes à custa de massa muscular (discordo, clique no link acima, ou veja este exemplo; o emagrecimento pode sim implicar algum grau de perda de massa magra com qualquer dieta, embora low carb páleo facilite a preservação da mesma) — afirma. (não deixe ainda de ler este artigo para constatar que até mesmo atletas de elite não perdem desempenho nem massa magra com low carb: Paoli, A. et al., 2012. Ketogenic diet does not affect strength performance in elite artistic gymnasts. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 9, p.34. Available at:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3411406/ [Accessed September 7, 2013].)

A adaptação genética também é discutível, afirma o professor de História da UFRGS Anderson Vargas. Sendo o homem onívoro desde sempre, não há regra para determinar a dieta natural do ser humano, diz ele (leia aqui e aqui).

— Penso que a medicina não tem condições de determinar nossa dieta conforme nossa misteriosa biologia. Historicamente, posso dizer que o homem não tem sido determinado pelo DNA nesse aspecto (o DNA é que foi moldado pelo ambiente). Se os homens das cavernas se preocupassem com seu DNA, talvez ainda estivéssemos morando nas mesmas cavernas", pondera Vargas (este é outro caso em que, seguramente, o entrevistado foi citado erroneamente, e não requer comentário).

Balança e exames em dia
 
Leonardo Petersen Pires, segue a dieta paleolítica a cerca de dois anos e emagreceu 30 quilos 

Foto: Fernando Gomes
Os possíveis malefícios (imaginários) de optar por uma dieta do tempo das cavernas não foram sentidos pelo programador Leonardo Pires, 28 anos. Seguindo as premissas da paleo há um ano e três meses, ele viu o ponteiro da balança, o colesterol ruim e os triglicerídeos caírem (isto é o efeito esperado, veja aqui). Acostumado a seguir diversas dietas e sempre ser vítima do efeito sanfona, ele conseguiu emagrecer cerca de 30 quilos, manter o peso e a saúde sem sofrimento.

— Meu neurologista ficou impressionado com a evolução dos meus exames e achou inacreditáveis os resultados com o tanto de gordura saturada que eu como — conta.

Apesar de parecer bastante restritiva, Leonardo conta que não sente dificuldade em segui-la. Ele optou por limitar a quantidade de carboidratos diários e deixar que a fome ditasse o que e quanto come.

— A principal diferença entre as dietas que eu segui anteriormente é que tudo era baseado em contagem de calorias: eu comia menos calorias do que precisava para viver, meu corpo passava fome, e eu emagrecia. E eu cortava tudo o que eu gostava, só podia comer alimentos que para mim não têm gosto — conta.

Satisfeito com o resultado positivo na balança e na autoestima, Leonardo encara a sua nova alimentação como um estilo de vida, sem prazo para acabar.

— Não faz sentido eu voltar a comer carboidratos indiscriminadamente se eu sei que é algo que faz mal para a minha saúde. É só ver meus exames, estou muito melhor hoje — declara.

O fotógrafo Luis Felipe Ulbrich, 41 anos, segue a dieta paleolítica há oito meses. A indicação veio a partir do diagnóstico de uma neuropatia periférica, doença que afeta os nervos das extremidades do corpo, como as mãos e os pés.

— Eu comecei a sentir os dedos dormentes e perder o equilíbrio. Busquei um especialista em coluna, mas ele não conseguiu diagnosticar a problema. Me indicou outro médico (adivinhe quem?), que me propôs um teste: retirar o glúten da minha alimentação por um mês. O resultado foi absurdo, já me senti muito melhor —conta.

Após o teste, Luis passou a seguir a dieta paleolítica completa. Perdeu 15 quilos, mesmo sem considerar que estava acima do peso, melhorou da neuropatia e voltou a praticar esportes.

— Sempre que como algo fora da dieta, os sintomas da neuropatia aparecem imediatamente. Estou bem entusiasmado com o que estou fazendo, eu tive uma melhora bem grande.