quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Dr. Drauzio Varella: o problema são os carboidratos, e não a gordura

**** Atualização (02/12/13) ****
Novo texto do Dr. Dráuzio, dessa vez sobre colesterol - veja no final dessa postagem
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O Dr. Dráuzio Varella é mais uma personalidade de peso a dar suporte à visão alternativa de nutrição e saúde: a de que a ênfase descabida sobre a redução da gordura na dieta (cujos benefícios teóricos já foram refutados) teve como consequência não antecipada o consumo excessivo de carboidratos, levando à atual epidemia de obesidade, diabetes e síndrome metabólica.

E 2012 já divulguei um texto de sua autoria (veja aqui).

Hoje, ele publicou mais um excelente texto em sua coluna na Revista Carta Capital:

http://www.cartacapital.com.br/revista/776/gordura-na-dieta-840.html

Você está aqui: Página Inicial Revista Presos e privilegiados Gordura na dieta


Saúde

Saúde

Gordura na dieta

A relação entre carnes vermelhas, colesterol e doenças cardíacas não é definitiva. Os vilões podem ser os carboidratos
por Drauzio Varella — publicado 27/11/2013 06:33
Arte: Milena Branco
Saúde
"Um ataque cardíaco na próxima semana parece bem menos assustador do que a extinção eterna" Irving Howe
Gordura na dieta virou pecado capital. Os xiitas da alimentação saudável consideram fraqueza de caráter ir à churrascaria.
A relação entre colesterol, proporção de gordura animal nas refeições e ataques cardíacos foi estabelecida a partir de dois inquéritos epidemiológicos: Seven Countries Study e Framingham Study.
A partir dos anos 1970, os serviços de saúde norte-americanos adotaram a política de reduzir o consumo de gorduras para, no máximo, 30% das calorias diárias, e o de gordura animal (saturada) para 10%, recomendações em seguida adotadas no mundo inteiro.

Nenhum estudo mais recente, no entanto, foi capaz de demonstrar a existência da associação entre o consumo de carne vermelha e o risco de doenças cardiovasculares. Sabemos apenas que as carnes processadas podem aumentar a probabilidade de ataques cardíacos e diabetes, relação causal atribuída à presença de nitratos e de teores exagerados de sódio nesses alimentos.
Em artigo recém-publicado no British Medical Journal, Aseem Malhotra, do Croydon University Hospital, faz o seguinte comentário: “Hoje, dois terços das pessoas admitidas em hospitais com o diagnóstico de infarto do miocárdio apresentam a síndrome metabólica.
Mas 75% desses pacientes têm níveis de colesterol total absolutamente normais. Talvez o colesterol não seja o verdadeiro problema”.

O autor prossegue: 
“Apesar da crença geral de que o colesterol elevado represente fator de risco para doença coronariana, diversos estudos populacionais independentes demonstraram que níveis baixos de colesterol total estão associados ao aumento da mortalidade geral e da mortalidade por eventos cardiovasculares, indicando que colesterol alto não é fator de risco para a população saudável”.
Trouxe esse tema para a coluna, caro leitor, para ilustrar a reviravolta na literatura sobre o colesterol. Cada vez mais pesquisadores de renome contestam a conduta de reduzir os níveis de colesterol com medicamentos. A argumentação é consistente: não está demonstrado que essa estratégia faça cair a mortalidade por doenças cardiovasculares em pessoas saudáveis de qualquer idade.

Ontem, saiu mais um texto do Dr. Drauzio Varella, que vai no mesmo caminho do que tenho escrito aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2013/11/1378458-a-agonia-do-colesterol.shtml

drauzio varella

 

30/11/2013 - 03h00

A agonia do colesterol

Nunca me convenci de que essa obsessão para abaixar o colesterol às custas de remédio aumentasse a longevidade de pessoas saudáveis.
Essa crença --que fez das estatinas o maior sucesso comercial da história da medicina-- tomou conta da cardiologia a partir de dois estudos observacionais: Seven Cities Countries e Framingham, iniciados nos anos 1950.
Considerados tendenciosos por vários especialistas, o Seven Cities Countries pretendeu demonstrar que os ataques cardíacos estariam ligados ao consumo de gordura animal, enquanto o Framingham concluiu que eles guardariam relação direta com o colesterol.
A partir dos anos 1980, o aparecimento das estatinas (drogas que reduzem os níveis de colesterol) abafou as vozes discordantes, e a classe médica foi tomada por um furor anticolesterol que contagiou a população. Hoje, todos se preocupam com os alimentos gordurosos e tratam com intimidade o "bom" (HDL) e o "mau" colesterol (LDL).
As diretrizes americanas publicadas em 2001 recomendavam manter o LDL abaixo de cem a qualquer preço. Ainda que fosse preciso quadruplicar a dose de estatina ou combiná-la com outras drogas, sem nenhuma evidência científica que justificasse tal conduta.
Apenas nos Estados Unidos, esse alvo absolutamente arbitrário fez o número de usuários de estatinas saltar de 13 milhões para 36 milhões. Nenhum estudo posterior, patrocinado ou não pela indústria, conseguiu demonstrar que essa estratégia fez cair a mortalidade por doença cardiovascular.
Cardiologistas radicais foram mais longe: o LDL deveria ser mantido abaixo de 70, alvo inacessível a mortais como você e eu. Seríamos tantos os candidatos ao tratamento, que sairia mais barato acrescentar estatina ao suprimento de água domiciliar, conforme sugeriu um eminente professor americano.
Pois bem. Depois de cinco anos de análises dos estudos mais recentes, a American Heart Association e a American College of Cardiology, entidades sem fins lucrativos, mas que recebem auxílios generosos da indústria farmacêutica, atualizaram as diretrizes de 2001.
Pasme, leitor de inteligência mediana como eu. Segundo elas, os níveis de colesterol não interessam mais.
Portanto, se seu LDL é alto não fique aflito para reduzi-lo: o risco de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral não será modificado. Em português mais claro, esqueça tudo o que foi dito nos últimos 30 anos.
A indústria não sofrerá prejuízos, no entanto: as estatinas devem até ampliar sua participação no mercado. Agora serão prescritas para a multidão daqueles com mais de 7,5% de chance de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral nos dez anos seguintes, risco calculado a partir de uma fórmula nova que já recebe críticas dos especialistas.
Se reduzir os níveis de colesterol não confere proteção, por que insistir nas estatinas? Porque elas têm ações anti-inflamatórias e estabilizadoras das placas de aterosclerose, que podem dificultar o desprendimento de coágulos capazes de obstruir artérias menores.
O argumento é consistente, mas qual o custo-benefício?
Recém-publicado no "British Medical Journal", um artigo baseado nos mesmos estudos avaliados pelas diretrizes mostrou que naqueles com menos de 20% de risco em dez anos as estatinas não reduzem o número de mortes nem de eventos mais graves. Nesse grupo seria necessário tratar 140 pessoas para evitar um caso de infarto do miocárdio ou de derrame cerebral não fatais.
Ou seja, 139 tomarão inutilmente medicamentos caros que em até 20% dos casos podem provocar dores musculares, problemas gastrointestinais, distúrbios de sono e de memória e disfunção erétil.
A indicação de estatina no diabetes e para quem já sofreu ataque cardíaco, por enquanto, resiste às críticas.
Se você, leitor com boa saúde, toma remédio para o colesterol, converse com seu médico, mas esteja certo de que ele conhece a literatura e leu com espírito crítico as 32 páginas das novas diretrizes citadas nesta coluna.
Preste atenção: mais de 80% dos ataques cardíacos ocorrem por conta do cigarro, vida sedentária, obesidade, pressão alta e diabetes. Imaginar ser possível evitá-los sentado na poltrona, às custas de uma pílula para abaixar o colesterol, é pensamento mágico.

sábado, 23 de novembro de 2013

É ZERO, mesmo?

Uma das grandes vantagens da comida de verdade é a ausência de rótulos.

Mas os rótulos não servem para nos deixar mais seguros? Para sabermos exatamente o que estamos comendo. NÃO. Como já escrevi em outra postagem sobre o assunto, os rótulos são peças de ficção com o objetivo explícito de lhe passar a perna. Comida de verdade não tem rótulo e, portanto, não mente.

Você sabe que um ovo tem proteína e gordura. Você sabe que uma batata tem montes de carboidratos. Você sabe que abacaxi tem açúcar. Mas você não faz ideia do que está dentro de uma embalagem, e a lei permite que o fabricante esconda a informação. De que forma?

1) Na tabela de Informações Nutricionais, qualquer coisa que pese menos do que 0,5g pode, por lei, ser considerada como ZERO
2) As informações nutricionais referem-se a UMA PORÇÃO, e não à totalidade da embalagem
3) O fabricante determina o que é uma porção.

Vamos a um exemplo. Toda a margarina (essa abominação) contém gorduras trans - é o produto natural da hidrogenação parcial dos óleos vegetais (o FDA está finalmente considerando bani-las nos EUA). Então, como é possível que haja margarinas no mercado anunciando conter ZERO de gordura trans?? É MUITO fácil!!

Digamos que 100g de margarina contenham 4,9g de gordura trans. Como eu faço para poder dizer que é ZERO, sem mudar nada na fórmula do produto?? Simples! Basta eu definir que uma PORÇÃO de margarina são DEZ gramas.

Se 100g contém 4,9g de gordura trans, 10g contém 0,49g de gordura trans. A a lei permite arredondar este valor para ZERO (afinal, é menos de 0,5g). Não é lindo?

O creme de leite de latinha, por exemplo, que alega ter ZERO gramas de carboidrato, será que tem mesmo? Um leitor deste blog ligou para o fabricante e descobriu que uma lata tem 9g de carboidratos. Então, porque o rótulo diz ZERO? Porque a porção a que o rótulo se refere é de 15 gramas, enquanto a lata de 395g de produto. E isso dá menos de 0,5g por porção.

E tem mais.

A legislação permite escrever ZERO açúcar no rótulo de um produto, independentemente do efeito que este produto possa ter no açúcar no sangue de um diabético (ou de você que quer perder peso). Como é que é?? Isso mesmo. Veja como.

Há várias substâncias que podem elevar a glicose no sangue e que não são, tecnicamente, açúcar. Nosso velho AMIDO é o exemplo mais óbvio (por isso não comemos farinhas em uma dieta low carb). Mas fique atento para 2 outros componentes:


A maltodextrina é um polímero de glicose. É rapidamente absorvida e eleva a glicose no sangue de forma extremamente rápida. É tão eficiente nisso, que é usada como suplemento por fisiculturistas que desejam um grande pico de insulina para aumentar o anabolismo. E a indústria coloca isso onde? Em um produto destinado a DIABÉTICOS!

Eis o que ocorre. Maltodextrina, tecnicamente, não é açúcar. Tudo bem, transforma-se em açúcar em segundos após entrar na sua boca mas, por lei, não é açúcar. O açúcar não serve apenas para adoçar. Ele serve para dar textura nas receitas, para da o "ponto". Ou seja, você não pode simplesmente pegar uma receita que pede 4 colheres de sopa de açúcar e trocar por 20 gotas de sucralose. Pode até ser que adoce tanto quanto, mas vai desandar, não terá a textura correta.

Então, para suprir esta deficiência, a indústria resolve fazer um adoçante de forno e fogão. Desses que você adapta a receita com facilidade, pois pode usar a mesma quantidade do adoçante. Por exemplo, se a receita original pede 4 colheres de sopa de açúcar, você usa 4 colheres de sopa do adoçante de forno e fogão.

Mas precisa ser algo que tenha as mesmas propriedades químicas do açúcar - que tenha a mesma textura, que caramelize ao ser assado, etc. E a solução é... usar açúcar, é claro! Mas um açúcar que, por lei, possa ficar escondido. Entra aí a MALTODEXTRINA. Ela é açúcar (segundos após sua ingestão), mas o fabricante pode colocar no rótulo ZERO açúcar. Como a maltodextrina não tem gosto, eles então acrescentam adoçantes artificiais à mistura para que seja doce. É o pior de todos os mundos: você está usando açúcar (maltodextrina), com todos os malefícios que isso pode lhe trazer, mas o gosto é de adoçante, ou seja, nem mesmo o benefício do sabor você recebe em troca!

Já vi vários pacientes que permaneciam com triglicerídeos elevados após um período em low carb (um marcador de que há açúcar escondido) e, quando perguntei, descobri que estavam fazendo todo o tipo de guloseimas usando essa coisa na receita.

O que fazer??

Troque isso:

 
Por isso:

Esta segunda foto é composta por comida de verdade. Que não quer lhe enganar e não precisa de rótulos. Nem tudo nessa foto é low carb. Mas você sabe, só de olhar, o que é e o que não é.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Palestra no Rio de Janeiro

Graças ao empenho pessoal de Felipe Barroso (autor da ideia e organizador de toda a logística necessária), ocorreu no último dia 09 de novembro de 2013 uma palestra sobre low carb páleo no Hotel Sheraton.



Para quem quiser ter um grande resumo do conteúdo deste blog, seguem os links para a palestra do Rio (é interessante usar fones de ouvido, visto que o som da gravação ficou baixo):

Primeira parte
Segunda parte
Terceira parte
Quarta parte (perguntas e respostas)
Quinta parte (perguntas e respostas)

sábado, 16 de novembro de 2013

Vegetarianismo


Já recebi várias vezes perguntas de leitores vegetarianos.

E compreendo que há motivos éticos e filosóficos para a adoção deste estilo de vida. Mas não de saúde.

Para quem é vegetariano por motivos não relacionados à saúde, é possível adaptar uma dieta low carb e até mesmo um pouco páleo. Para quem é vegano, bem, é complicado...

A primeira ponderação é a seguinte: folhas verdes não têm calorias, e uma dieta vegetariana, na ausência de carne, pode descambar facilmente para o junk food - afinal, pães, massas, bolos, croissants, batatas fritas, tudo isso e vegetal, não é mesmo?

Assim, os princípios permanecem os mesmos.

  • A maior parte das calorias deve vir de gorduras (abacate, nozes, castanhas e amêndoas, azeite de oliva e óleo de coco - e nada de óleos extraídos de sementes). Se consumir laticínios - coma queijo e manteiga; se consumir ovos - melhor ainda. Se consumir peixes, faça-o todo os dias.
  • O Açúcar está banido, não importa se for mascavo, agave, etc.
  • Os grãos (especialmente os que contém glúten) devem ser eliminados.
  • Sobre as frutas, aplicam-se as mesmas dicas descritas aqui
  • Proteína de soja deve ser evitada (saiba mais)
  • Se você não tiver problemas de auto-imunidade, coma feijão e lentilhas para ajudar a suprir a falta de proteínas
  • Há um autor que tem um ebook sobre como formular uma dieta vegetariana low carb, high fat, obtendo as proteínas a partir de Whey.
Todo o vegetariano deveria ler este livro:



Mas a leitora Eliana me fez um GRANDE favor. Há um texto maravilhoso, de uma ex-vegana, que há horas eu penso em traduzir, mas não tenho tempo. Muito do que está no livro acima, está também neste texto, que a leitora Eliana fez a gentileza de traduzir. Segue o texto:

VEGAN NUNCA MAIS – A HISTÓRIA DE UMA VEGAN EM RECUPERAÇÃO


Nota: Esta é a história de uma ex-incondicional vegan que desistiu de ser vegan  e voltou a comer carne. O veganismo a estava destruindo fisicamente e isso lhe trouxe uma revelação: os seres humanos precisam comer carne. Ela percebeu que o veganismo era uma incoerência para sua existência humana. Talvez um triste comentário sobre radicalismo do movimento vegan é que esta pessoa recebeu toneladas de mensagens de ódio por ter contado sua históriaincluindo ameaças contra ela e sua famíliaPara aqueles que desejam debater a história, eu também postei isso no forum de debate vegetariano (Vegetarian Debate Forum).


Muitos de vocês sabem que venho recentemente lutando com problemas de saúde, pela primeira vez em minha vida. Quando descobri que meus problemas estavam diretamente relacionados com  minha dieta vegan, eu fiquei devastada. Dois meses atrás, depois de aprender da maneira mais difícil que nem todas as pessoas são capazes de manter a saúde sendo veganas, eu tomei uma das mais difíceis decisões de minha vida e desisti do veganismo, voltando a comer uma dieta onívora. Minha saúde foi imediatamente recuperada. Esta experiência tem sido despretensiosa, reveladora e profundamente transformadora. Para saber toda a história, apenas continue lendo...

Parte 1 - Impacto na saúde

A primeira vez que a médica me disse que eu estava com numerosas deficiências de vitaminas e minerais, que eu estava quase anêmica e que minha vitamina B12 estava tão baixa que ela quis me dar uma injeção imediatamente, eu me recusei a acreditar nela. Eu pedi a ela para me mostrar os resultados dos exames de sangue porque eu pensei que havia algum erro. Mas não havia nenhum erro, estava ali em preto e branco; deficiências e anormalidades por todos os lados.

Os resultados explicavam perfeitamente o motivo de eu me sentir fraca e exausta por mais de seis meses. Embora anteriormente eu tenha vivido para me exercitar e fazer uma hora de elíptico não era suficiente para mim, vi que posteriormente fazer mais de 20 minutos em ritmo calmo me fazia querer passar o resto do dia na cama me recuperando. Quando eu podia dormir até meio-dia, eu me sentia tonta quando me levantava, eu não podia me lembrar de simples palavras ou nomes de meus amigos, e eu sentia muito frio, mesmo no meio de um sufocante verão árabe. Dentre os inumeráveis sintomas que eu listei aqui e aqueles que não irei descrever publicamente, o pior de todos era a minha depressão. Este terrível e persistente inimigo contra o qual eu tenho lutado de modo intermitente, voltara sorrateiramente à minha vida, pintando as bordas do meu mundo de um preto doentio e roubando a alegria que eu havia lutado tanto para recuperar.

A médica, que era gentil e muito compreensiva, era surpreendentemente conhecedora de dietas veganas e tinha uma longa carreira em nutrição. Após descartar qualquer outro possível problema de saúde, ela pacientemente falou, em meio às minhas lágrimas e soluços, e explicou que - sim – humanos são mais saudáveis quando comem grande quantidade de variados vegetais, mas que estaríamos errados ao ignorar as pequenas quantidades de produtos animais que muitos de nós necessitamos tanto. “A maioria dos corpos humanos funcionam muito bem com produtos animais ocasionais. Ovos e pedaços de carne de vez em quando são uma pequena mas muito importante parte de uma dieta saudável.” Ela me disse isso com uma expressão de tristeza em seu rosto, porque ela podia ver o quanto aquilo era difícil para mim.

Ela me disse que enquanto há pessoas que conseguem muito bem ser saudáveis sendo veganas ou cuja dieta seja predominantemente vegan, há muitas pessoas que simplesmente não conseguem. Afinal, cada ser humano é biologicamente e psicologicamente diferente, ela explicou. Eu ouvi pacientemente, refutando suas afirmações com o conhecimento que eu havia adquirido ao longo dos anos. Afinal de contas, eu não era uma vegan comum, eu era radical, determinada e oh uma vegan tão crítica dos outros e tão "evangelizadora"!. Eu nunca deixei passar uma oportunidade de dar algum sermão. Ela estava preparada. Com muita paciência, ela me explicou como muitos dos “fatos” que eu estava citando estavam simplesmente errados ou foram apresentados de um jeito que distorceu a verdade. Foi horrível e eu quase desmaiei no consultório, porque eu estava muito agitada.

Ela respeitava o fato de que eu estava convicta a permanecer vegan e trabalhou isso comigo por mais de uma hora para tentar entender como eu podia maximizar os nutrientes em minha já  maravilhosamente  saudável dieta vegan. De acordo com ela, eu já estava fazendo tudo certo. Juntamente com algumas sugestões na dieta, ela também recomendou uma variedade de suplementos, além dos que eu já tomava diariamente, inclusive comprimidos de ferro.

Eu permaneci em silêncio quando ela me deu uma injeção de vitamina B e tentei não chorar enquanto esperava na fila da farmácia pelos meus comprimidos de ferro, e quando eu cheguei em casa, escondi os papéis e a caixa de comprimidos atrás da mesa de cabeceira. Não contei a ninguém durante dias, nem mesmo para Cody. Eu havia falhado e este seria meu pequeno segredo sujo.

Durante uma semana eu tomei os comprimidos de ferro obedientemente, de certo modo ignorando o fato de eles não serem veganos. Eu senti uma certa melhora imediatamente após a injeção de vitamina B e estava esperando o mesmo efeito dos comprimidos de ferro. Infelizmente, era óbvio após poucos dias, que eles estavam me deixando doente. Eu não conseguia manter a comida no estômago e passava horas no banheiro, alternando entre ficar debruçada ou sentada no vaso sanitário. Eu estava perdendo peso e me sentindo pior do que nunca.

Eu voltei ao consultório e, tão paciente como nunca, a médica disse que obviamente eu não estava tolerando bem os comprimidos. Eu sou sensível a praticamente todos os medicamentos, mesmo Advil me faz passar mal, então não foi nenhuma surpresa. Ela me pediu se eu podia considerar a inclusão de alguns ovos em minha dieta todos os dias. Eu balancei a cabeça, alguns ovos não podiam realmente ter tanta importância. Ela explicou que sim, eles realmente tinham. Mas eu ainda disse não. Absolutamente não. Depois de mais uma longa sessão de aconselhamento, ela prescreveu outro tipo de suplemento de ferro. Mais uma vez eu tentei lutar contra as lágrimas na farmácia.

A nova série de comprimidos foi ainda pior. Eu preferiria me sentir fraca, tonta e deprimida do que violentamente doente. Após 2 semanas eu joguei os comprimidos no lixo e voltei novamente ao médico.

Ela conversou longamente comigo, explicando mais uma vez, e com grandes detalhes, exatamente como a dieta vegan estava prejudicando meu corpo. Nutrição é uma ciência extremamente inexata; ninguém entende perfeitamente a complicada dança das vitaminas e minerais, muito menos a sinergia dos alimentos integrais e seu papel em nossa saúde. Mas ela tentava me mostrar uma análise abrangente, de forma que eu pudesse entender. Ela explicou sobre o ferro heme, a falta de nutrientes específicos que conduzem diretamente à depressão e à ansiedade, conversou em detalhes sobre a vitamina A, taurina, retinol, betacaroteno, vitamina D, ácidos graxos ômega, assim como a B12 e sobre os resultados desastrosos e irreversíveis  para a saúde que podem ocorrer quando o corpo finalmente depleta seus últimos estoques dessa crucial vitamina e muito mais.

Explicou como os problemas de saúde que nos afligem no mundo ocidental não são causados por produtos animais, longe disso. Os seres humanos vêm consumindo animais (em muito maior quantidade do que atualmente) por milhões de anos sem efeitos prejudiciais, e historicamente nunca houve uma única cultura vegan. Precisamos prestar atenção nas recentes adições à nossa dieta para descobrir as causas de nossas pragas modernasaçúcar refinado, óleos vegetais hidrogenados, gorduras trans, farinhas refinadas, produtos químicos tóxicos e a desnaturação de todas as formas de alimentos industrializados. De acordo com ela, evitar produtos animais orgânicos e saudáveis era não somente desnecessário para a saúde, mas na maioria dos casos positivamente prejudiciais ao nosso bem-estar.

“Veja, ela concluiu, “para muitas pessoas, talvez a maioria, uma dieta baseada somente em vegetais não é uma boa coisa. Isto obviamente não está funcionando para você e não há nada do que se envergonhar. O corpo humano tem evoluído para utilizar saudavelmente e de forma eficiente a carne, não comprimidos ou pílulas. Você vem tomando suplemento de vitamina B12 durante anos e tentando tomar suplementos de ferro há semanas, mas eles simplesmente não estão sendo utilizados por seu organismo. Suplementos são um substituto muito pobre para alimentos integrais. Tomar medicamentos não é a melhor opção e isto não é necessário; você poderia certamente recuperar sua saúde com uma dieta equilibrada. Minha recomendação é que você tente fazer isso.

Eu balancei a cabeça em silêncio.

“Desculpe, eu simplesmente não posso e não vou fazer isso”, disse a ela pela milionésima vez, enxugando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. “Isso simplesmente não vai acontecer. Eu não me importo o quão doente estou. É errado comer animais! "

Ela se inclinou sobre a mesa e fez mais um apelo para que eu pensasse mais cuidadosamente sobre minha saúde e bem-estar. “Natasha, você está prejudicando a si mesma. Você está muito, muito doente. Seu cabelo está caindo, sua depressão voltou e você está fazendo mal a si mesma. Você não pode continuar assim.”

Eu a encarei por vários segundos, então me levantei e saí da sala.

Voltei a dar seguimento às injeções de vitamina B dentro do cronograma (e várias visitas a outros vários tipos de médicos, incluindo um cardiologista – falarei mais sobre isso mais tarde), mas eu estava apenas sendo levada,  sempre me negava a pensar nos sérios problemas de saúde que eu vinha tendo, era tudo tão doloroso.

Continuei a comer saudavelmente, como sempre fiz. Um maço inteiro de verduras todas as manhãs em minha vitamina de frutas, feijão quase todos os dias, toneladas de frutas cítricas de lanche nos intervalos do almoço, tofu, patê de nozes, grãos integrais, grãos germinados, vegetais grelhados e, claro, minhas vitaminas diárias; toda a comida deliciosa e linda que eu adorava. Supunha-se que esta dieta iria me manter saudável, além de salvar o mundo e não me fazer ficar doente. Tudo que já tinha sido dito por veganos pregava que esta era a forma ideal de os seres humanos se alimentarem.

Eu desejei desesperadamente que isto estivesse correto, para que minha ética prevalecesse sobre minha fisiologia.

Obviamente, eu nunca questionei porque eu estava sempre com fome. Nem porque dois hambúrgueres vegetarianos, uma salada gigante de vegetais crus e uma tigela de nozes não podia me manter satisfeita por mais de duas horas. Era exaustivo, psicologicamente difícil e entediante tentar me manter alimentada, mas eu achava que valia a pena. Eu era saudável. Ao menos era o que eu pensava até que foi provado o contrário. Eu ainda não sei porque aceitei por tanto tempo que esse cansaço, essa exaustão e depressão crescente eram uma parte normal da vida, que isso era o esperado com o avanço dos anos. Afinal, tenho apenas 28 anos e nunca em minha vida tive problemas de saúde. Mas o fato é: eu queria que o veganismo funcionasse. Eu queria desesperadamente que isto estivesse correto, para que minha ética prevalecesse sobre minha fisiologia.

Eu delicadamente abordei o assunto do meu problema de saúde com vários amigos veganos. Ainda fiz comentários em outros blogs e no twitter, destacando minhas lutas. A resposta não foi nada menos do que chocante. No espaço de poucos dias, recebi uma enxurrada de emails de colegas blogueiros “veganos”, que me confidenciaram que eles não eram realmente veganos “por trás dos panos”. Eles comiam ovos, ocasionalmente peixe ou um pedaço de carne, tudo para se manterem saudáveis, mas era muito assustador para eles admitir isso em seus blogs. Também recebi emails de dois proeminentes e respeitados membros da comunidade vegan AR. Um deles era um autor muito querido de um livro de receitas veganas, o outro um famoso blogueiro dos direitos dos animais e seus emails detalhavam suas lutas para manter a saúde, o que os levou, sem o conhecimento de outras pessoas,  a  voltar a comer carne. Muitas pessoas me mandaram links de outros veganos que estavam lutando com o veganismo com relação aos problemas de saúde e foram forçados a voltar a comer animais e produtos animais, ou decidiram parar de seguir uma dieta vegana, tais como: Raw Model, Debbie Does Raw, Daniel Vitalis, Sweetly Raw, Chicken Tender, The Non-Practicing Vegan, e PaleoSister, para citar apenas alguns. Era estimulante saber que eu não era a única sofrendo desse problema, e, quanto mais eu ouvia, mais parecia que eu não estava  mesmo na minoria.

Infelizmente, também numerosas pessoas entraram em contato comigo para me oferecer conselhos não solicitados e muitas vezes desrespeitosamente arrogantes. Eles quiseram ter a certeza de que eu havia entendido que eu somente estava doente porque eu estava “fazendo veganismo incorreto”. “Você tem experimentado mais verduras/feijão/tofu/nozes?” As perguntas eram implacáveis. Eu estava perplexa com as sugestões para que comesse goji berries importadas, usasse maca em pó em minhas vitaminas ou comesse mais espirulina. Todas essas exóticas recomendações eram supostamente necessárias para que eu ficasse saudável numa dieta que é preconizada como natural e ideal; aquilo absolutamente não fazia sentido.

Muitos mais veganos apenas reviraram os olhos, descaradamente céticos de que eu estava me sentindo mal, a começar daí. A percepção de que as pessoas que eu considerava anteriormente como amigas estavam agora com toda energia  recusando-se a acreditar na veracidade dos meus problemas de saúde, foi chocante. Poderiam honestamente pensar que eu desistiria do veganismo imediatamente? Eles realmente acreditavam que eu não havia tentado de tudo ao meu alcance  antes de realizar essa mudança? “Passe um dia em meu corpo que mal consegue andar de exaustão, sentindo tonturas, frio e depressão, e então julgue-me!” Eu queria gritar para eles. Mas não o fiz. Eu somente parei de falar sobre isso.


Depois disso, continuei em silêncio por vários meses. Eu menti para mim mesma, para meus leitores, para o mundo, dizendo que eu me sentia saudável e bem, quando na realidade eu me sentia pior do que nunca. Durante esse tempo eu fui de médico em médico e tentei cada sugestão e recomendação, esperando desesperadamente por uma cura. Eu estava determinada a fazer o veganismo funcionar; estava sempre convencida de que eu iria encontrar uma solução, assim que dobrasse a esquina. Tentei evitar o assunto dos meus problemas de saúde com meus colegas veganos, me sentindo mortificada por eles insistirem em que aquele que não podia ser saudável com uma dieta vegan obviamente “não estava fazendo a coisa certa”. Eu queria gritar, mas me mantive calada, ouvindo suas arrogantes e ignorantes opiniões sobre o porquê de tantas pessoas “falharem” no veganismo. Alguns deles até sugeriram que aqueles que não podiam permanecer saudáveis como veganos deveriam, voluntariamente, sacrificar sua saúde pela causa. Como feminista, essa retórica de ódio ao corpo me enfurecia. A voluntária participação na negação e degradação das minhas necessidades físicas cheirava a machismo, controle patriarcal e violência contra o corpo feminino, e tudo aquilo que eu lutava contra. Mas, mesmo assim, mantive minha boca fechada. Eu não sabia mais o que fazer.

Durante 3 anos eu construí a minha vida inteira na premissa do veganismo. Era a paixão da minha vida, a luz que me guiava. Ser vegan era tudo para mim. Eu acreditava que minhas ações me faziam uma  ativista  dos direitos dos animais; eu estava salvando vidas e mudando o mundo. Agora sei que não é assim,    mas levou um longo tempo para que eu percebesse isso. Durante meses fui consumida por minha doença auto-induzida, mas ainda não podia abandonar o veganismo; eu não podia parar de lutar por aquilo em que acreditava. Mesmo que aquilo estivesse me prejudicando.

Parte 2 – Cura

A primeira mordida que dei em um pedaço de carne após 3 anos e meio de veganismo foi, ao mesmo tempo, a coisa mais difícil e a mais fácil que eu já tinha feito. Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto a saliva enchia a minha boca. O mundo ficou reduzido a um insignificante vazio e eu só comia, comia e comia. Chorei de tristeza e de raiva, enquanto suspirava de prazer e alegria. Quando terminei a última mordida, recuei e esperei começar a passar mal. Eu acabara de devorar um pedaço de animal morto, a coisa mais cruel que eu poderia imaginar e certamente meu corpo iria rejeitar essa degradação e então eu seria absolvida, o que significava que eu realmente devia ser vegan.

Eu me senti profundamente feliz por finalmente ouvir a sabedoria do meu corpo.

Em vez disso, meu rosto estava corado, minha mente serena e meu estômago cheio, mas… busquei uma palavra para descrever como me sentia… confortável. Percebi que, pela primeira vez em meses, eu me sentia saciada sem sentir dor de estômago. Eu havia comido somente um pequeno pedaço de carne de vaca e mesmo assim me sentia totalmente saciada, mas ainda leve e revigorada, tudo de uma vez. Eu estava radiante com aquela nova e inesperada combinação de sensações. Como era incrível não ser mais necessário comer durante uma hora inteira até meu estômago ficar esticado e distendido sobre minhas calças, apenas para ganhar uma hora ou duas de saciedade. Que maravilhoso ser capaz de comer a exata a comida que há muito tempo meu corpo estava pedindo. Eu me senti profundamente feliz em finalmente ouvir a sabedoria do meu corpo. Que revelação.

Foi então que percebi algo estranho: meu coração estava batendo devagar, compassado. Normalmente, após uma típica refeição com vegetais, arroz e feijão ou outra comida rica em amido, meu coração galopava e pulava  por uma hora ou mais depois. Várias consultas com um cardiologista, mais exames de sangue, eletrocardiograma e um ecocardiograma confirmaram que meu coração estava em perfeita ordem. O cardiologista me explicou que  as palpitações que eu sentia após as refeições eram um sintoma de minhas deficiências, mas eram também um sinal da instabilidade da glicose no meu sangue, causada pelo alto teor de carboidratos que eu estava consumindo. Agora, após comer um único pedaço de carne, meu coração batia forte,   compassado e lento. Isso me fez chorar por todos os cantos de novo, desta vez de alegria.

Nos últimos dois meses, eu tenho comido diariamente peixe, um pedaço de carne ou ovos. Para meu constante espanto, percebi que consigo digerir um bife com vegetais muito, muito melhor do que eu digeria grãos integrais/nozes/vegetais. Agora sei que a teoria lipídica é completamente infundada, esses alimentos de origem animal não irão me prejudicar ou fazer com que eu fique doente, de forma alguma; na verdade, as vitaminas e minerais que eles fornecem, juntamente com o colesterol benéfico e a saudável gordura saturada, irão restaurar a minha saúde. E eles têm feito isso. Há poucas coisas tão saudáveis e nutritivas quanto produtos animais orgânicos, alimentados com grama. Assim, nos últimos meses, eu tenho comido animais e produtos animais todo santo dia. E eu posso falar com um grande e agradecido sorriso no rosto: Eu estou de volta! Após um mês em minha nova dieta, meus exames de sangue já estavam normais, ou quase normais. Após dois meses, cada uma das deficiências e valores que estavam fora da normalidade foram completamente restaurados para níveis normais e saudáveis. Não tive nenhum problema. Nenhum.

Sempre dizem que você só sabe o que é ter saúde quando você a perde. E eu nunca percebi o quanto estava doente até começar a me sentir melhor. Radiante é a única palavra que eu poderia usar para começar a descrever como me sinto agora. Se eu fosse uma mulher religiosa, milagrosa deveria ser a palavra de escolha para expressar a transformação que sofri nos últimos dois meses. Estou encantada com minha saúde agora; deleitando-me com o comando claro e preciso dos meus pensamentos, a força das minhas pernas quando corro, o calor que irradia da minha pele, a força melódica e lenta do meu coração e o perfeito conhecimento do meu corpo quando ele me fala exatamente o que devo comer, quanto e quando.

Comer carne todos os dias tornou-se incrivelmente fácil porque era exatamente o que eu estava precisando todo o tempo.

Minha dieta é agora, obviamente, muito, mas muito diferente do que era antes. No começo, quando a médica sugeriu que eu comesse pequenas porções de carne ou ovos diariamente para recuperar minha saúde, entrei em pânico. Que nojento, pensei. Certamente eu teria que forçar esses alimentos dentro da boca e seria uma batalha somente para engolir aquilo sem vomitar imediatamente. A médica apenas sorriu e me disse para observar o que eu queria. Não aquilo que eu pensava que devia comer, mas aquilo que eu honestamente, realmente queria. Isso imediatamente afetou meu lado emocional. Então, com o apoio de minha médica, eu realmente ouvi o meu corpo pela primeira vez em anos. E, talvez sem nenhuma surpresa para mim, me encontrei  regressando para o modo como eu havia me alimentado toda a minha vida antes de me tornar vegan, de volta aos anos em que eu me sentia saudável e invencível e quando nunca precisei lidar com as quedas bruscas de açúcar no sangue, com oscilações de humor e fome insaciável, que era acompanhada de barriga estufada e inchada. Comer carne diariamente tornou-se extremamente fácil porque era disso que eu precisava durante todo o tempo.

As mudanças que experimentei eram diversas e ocorreram tão rapidamente e decisivamente, que eu quase não podia acreditar. Dentro de uma semana eu já podia me levantar sem enxergar pontos escuros nos olhos e eu estava dormindo tranquilamente a noite inteira. Para meu alívio, minhas constantes dores de estômago e inchaço desapareceram completamente. Em duas semanas, pude notar que minhas alergias estavam diminuindo, mesmo na época em que todas as árvores e flores estavam começando a florescer em nossa vizinhança. Também nessas duas semanas, eu não precisava mais colocar um agasalho apenas para me sentar no sofá e meus dedos dos pés e das mãos não estavam mais parecendo estar congelados. Na terceira semana, eu já conseguia completar 20 minutos de exercício aeróbico leve sem sentir tonturas ou náuseas, algo que eu tinha sido incapaz de realizar durante meses. Nessas 3 semanas, também notei a mais incrível mudança de todas: minha depressão estava diminuindo. Dias se passariam até que eu não mais caísse num choro convulsivo durante horas, ou estivesse em estado letárgico. Em 4 semanas, notei três coisas muito estranhas: minha misteriosa dor lombar, que vinha me aborrecendo por quase um ano, havia desaparecido, embora eu não tivesse mudado o tipo de calçado ou feito qualquer fisioterapia; a pele do meu rosto estava exuberante e viçosa e as linhas finas que eu achava que eram um sinal por eu estar perto dos 30, estavam tão atenuadas que mal podiam ser percebidas, embora eu não tivesse mudado nada nos cuidados de rotina da minha pele; e, finalmente, notei que meu cabelo estava farto, brilhante e muito mais encorpado do que esteve durante anos, embora eu não tivesse mudado nada em relação aos meus cuidados de rotina com eles.

E agora, após 2 meses completos de não-veganismo, eu posso honestamente dizer que me sinto renascida.

Na quinta semana, notei uma constante e permanente onda de energia que me acompanhou durante todo o dia. Comecei a me sentir capaz de executar tarefas, fazer exercícios e escrever, tudo no mesmo dia, sem necessidade de paradas frequentes para descansar. Fiquei esperando que a exaustão se apoderasse de mim… mas não vi sua cara feia nenhuma vez. Após 6 semanas, eu estava eufórica com minha força e energia e literalmente andava pela academia de boca aberta, admirando minha resistência e a nova força que encontrei. Eu era incansável.  Também em 6 semanas eu sabia com certeza, de um jeito que só uma pessoa com as cicatrizes da batalha contra a  depressão pode saber, que meus sentimentos de tristeza tinham ido embora para sempre. Alegria e a mais indescritível sensação de alívio e tranquilidade eram agora apenas um fato quando eu acordava pela manhã. E agora, após completar 2 meses de não-veganismo, posso dizer honestamente que renasci. Nem mesmo a palavra curada poderia descrever isso, porque foram ultrapassadas as minhas mais ardentes expectativas. Estou saudável, em forma e feliz, mais do que  me lembro de um dia ter sido. Meus dias estão abarrotados com horas de exercícios, além de  montar meu cavalo, passear com meus cachorros, rir com meus amigos, trabalhar, escrever e estou apenas levando uma vida simples. Eu me sinto mais saudável e forte (tão forte que nem tenho como descrever) do que me senti durante anos e isso não é algo que irei desistir novamente. Estou de volta!

Part 3 – Repensando minhas crenças

Três anos e meio de veganismo não somente me deixou exausta, depressiva e muito doente, mas também encheu minha mente de dúvidas e perguntas sobre a ética acerca do veganismo. Se realmente preciso comer animais para ser saudável, como isso pode ser tão errado? Isso tem sido uma jornada complicada e reveladora e agora eu me encontro numa situação muito diferente da que eu estava 3 anos atrás, um ano atrás, ou mesmo vários meses atrás. Talvez, se minha saúde não tivesse melhorado tão dramaticamente em consequência de eu ter voltado a comer carne, eu não estaria tão certa, mas acontece que ela melhorou extraordinariamente, e agora que eu tenho minha vida e felicidade de volta e que nunca mais desistirei disso. Resumindo: eu não posso mais pensar que é errado comer animais.

Vários anos atrás, eu acreditava que o veganismo combinava perfeitamente com minha determinação de remodelar drasticamente o mundo. Como feminista revolucionária e anti-imperialista, o veganismo parecia ser ainda uma nova maneira de lutar contra as injustiças que estamos enfrentando. Mas com o passar dos anos e com meu corpo devorando-se para conseguir o sustento que minha dieta vegan não podia fornecer, comecei a perder a vontade e a energia para fazer o trabalho vital que eu adorava tanto. Eu não tinha mais a clareza mental para escrever minhas famosas denúncias contundentes, ou energia física para ensinar, organizar e conseguir solidariedade. Eu estava perdendo as forças, aproximando-me de um colapso. Eu percebi que o veganismo e minha opção em comprar alimentos “livres de crueldade” estavam se tornando rapidamente meu único caminho para o ativismo. Era a única  coisa para a qual eu realmente não tinha mais energia. Como uma fanática radical, sempre fui contrária à ênfase do capitalismo nas soluções pessoais e me recuso a aceitar o mito dominante de que podemos comprar nossa saída da catástrofe. E ainda… com o declínio das minhas reservas de energia e meus problemas de saúde devastadores, percebi que era exatamente isso que eu estava fazendo. Quando tropecei nessas palavras de uma citação de Megan Mackin sobre veganismo: "Surge de uma maneira muito eficaz para fazer alguém se  associar a um movimento: pegam  o ativista mais compassivo, especialmente garotas, e fazem com que  o foco delas se mantenha direcionado para um  jeito de viver que drena energias e reforça a adesão de outros. Os rapazes continuam aderindo, mas agora mais livremente, sem muita interferência.

Finalmente, me forcei a aplicar a mesma ética que eu havia utilizado para analisar os alimentos vegetais a fim de analisar também os alimentos de origem animal, e tentei calcular o impacto global das escolhas dos meus alimentos. Logo percebi que eu tinha que fazer uma séria mudança. Como eu havia escrito anteriormente, os alimentos que eu estava comendo sendo vegan não salvaram mais vidas animais e não eram eticamente melhores do que os alimentos que estou comendo agora como onívora, com duas diferenças principais. Em primeiro lugar, agora não minto mais para mim mesma sobre o fato de que a vida requer a morte. Em segundo lugar, agora sou saudável. Assim como sempre foi, eu ainda me importo imensamente com o meio ambiente, o bem-estar dos animais e a política dos alimentos, mas meus conceitos de como fazer o meu melhor e efetuar a maioria das mudanças mudou drasticamente. Eu reexaminei a linha de partido do veganismo, que tem uma base moral, e admiti para mim mesma que eu nunca me senti confortável com a declaração arbitrária de que devemos desenhar uma linha na areia da ética. Na verdade, nos meus tempos de vegan, nunca deixei de procurar por uma solução ainda melhor e uma maneira mais ética de se viver. Acredito definitivamente que estou no caminho certo. Meus novos pensamentos não possuem mais os slogans apelativos do veganismo, tais como “Comer carne é assassinato”, mas eis aqui um rápido resumo:

Em uma daquelas estranhas coincidências que a vida está sempre colocando em nosso caminho, meus problemas de saúde causados pelo veganismo coincidiram com com um período intenso de ativismo pela justiça em relação aos alimentos em minha própria vida. Nessa época do meu trabalho como defensora dos direitos à alimentação eu tive muitas, muitas discussões com agrônomos, fazendeiros, agroecologistas e defensores dos países do hemisfério sul e aprendi como eu estava errada em minha convicção anterior de que o veganismo poderia salvar o mundo. Enquanto o veganismo apresenta uma solução para os problemas do mundo muito simples e fácil de entender, e além disso tem se tornado uma tentativa de estratégia politicamente correta, é no máximo um band-aid para a ecologia e para as crises de fome mundial que estamos enfrentando. A necessidade de fazer o mundo inteiro ser vegan com o objetivo de bloquear o aquecimento global ou prevenir a fome crônica é simples e indiscutivelmente falsa.

Como aprendi enquanto estava sentada aos pés dos principais ecologistas revolucionários do mundo e de defensores dos direitos da alimentação, a única maneira de a humanidade sobreviver de um modo sustentável e significativo é vivermos inteiramente dentro dos nossos sistemas alimentares locais, comendo plantas e animais que vivem naturalmente  em terras próximas. E isso não inclui, logicamente, milhões de acres de grãos, cujo cultivo é compreensível somente para lugares muito pequenos no globo. Para produzir a comida vegan que eu costumava considerar tão livre de crueldade, a agricultura moderna e industrializada força o crescimento das plantações na terra que são incompatíveis e antinaturais, priva o planeta de seus recursos, destrói ecossistemas inteiros, extermina espécies inteiras de plantas e animais e cria um caos de morte e destruição conforme mais e mais terras não cultivadas são necessárias para substituir as terras cultivadas.

Esta devastação planetária (e as implicações sócio-culturais resultantes) vem acontecendo muito mais do que o advento da exploração agrícola das fazendas industriais, que foram introduzidas somente nas últimas décadas. Claro que, como qualquer ser humano decente, eu abomino o mal que é a pecuária industrial, e me oponho à escravidão, tortura e abuso. Também reconheço que a produção em massa de grãos é o que leva à criação das fazendas industriais, em primeiro lugar; isto simplesmente não seria possível de outra maneira. Não produzimos tantos grãos porque queremos ter fazendas industriais; temos fazendas industriais porque estamos plantando uma avalanche de grãos. O veganismo, embora venha da premissa decente da compaixão, tem, em última análise, uma visão limitada e não resolve os nossos problemas. A única maneira de vivermos sem causar devastação a este planeta é através de alimentos genuinamente locais, de preferência não cultivados. E viver realmente de culturas locais, sem o consumo massivo de monoculturas industrializadas de grãos ou soja, em quase todas as partes do mundo, necessita o consumo de carne animal para sermos saudáveis.

Como vegan, não gosto de pensar sobre o fato de que sem os produtos dos resíduos animais, como ossos e sangue, a agricultura é, literalmente, um jogo perdido.

Partiu meu coração vegan saber o quanto é absolutamente essencial para os seres humanos abolir o uso de fertilizantes de combustíveis fósseis e reintegrar os animais de volta para a vida agrícola.

Sem matéria orgânica para alimentar as plantas e com solo empobrecido, a preciosa camada superior da terra irá morrer e nada poderá germinar, fato que estamos presenciando no mundo todo, onde milhões de fazendas dependentes de combustíveis fósseis estão entrando em colapso. Quando usamos recursos como água e comida para os animais, somos recompensados dez vezes. Não somente porque a água e a comida podem ser utilizadas novamente, como forma de adubo que alimenta o solo, de um jeito que a água sozinha não pode fazer, mas os animais são comidos por nós e os restos de seus corpos utilizados para alimentar a terra faminta. É chocante perceber que eu havia exposto a necessidade de transformar a agricultura e a produção sem mesmo conhecer o mínimo necessário daquilo que mantém um ecossistema saudável. Agora percebo que as estatísticas que usei para argumentar sobre devastação ambiental, consumo de água e grãos, poluição e doenças, eram todas baseadas em números provenientes das fazendas industriais e não da realidade da fazenda tradicional, local e específica, que é o único tipo de fazenda que pode curar o nosso planeta e a nós mesmos.

De agora em diante, irei escolher as mortes que mantêm a mim e ao planeta saudáveis.

Quando simplesmente deixei de defender um tipo de alimentação e comecei a ouvir as pessoas vivendo nas linhas de frente da luta global pela justiça dos alimentos, tive meus olhos  definitivamente abertos. Percebi que o veganismo nos remove do nosso lugar na ordem natural das coisas, nega nossa participação necessária na cadeia alimentar e faz com que o mundo natural entre num domínio alienígena que já não podemos entender totalmente. Veganos gostam de dizer que são nossas intenções  que importam, mas pergunto: “importam a quem?” Agora acredito que em vez de arbitrariamente decidir que as mortes causadas pelo veganismo são corretas, enquanto as mortes causadas por onívoros são imperdoáveis e que algumas mortes de animais poderiam ser evitadas a qualquer custo, enquanto outras são um mal necessário, sei que devemos abolir toda a hierarquia fabricada que construímos e chegar a um acordo em relação ao ciclo de vida e morte. Todos nós estamos conectados nesta terra e, afinal, a morte é uma parte necessária e inevitável da vida. Seja a morte de animais causadas por uma dieta vegan que impõe ao planeta um ciclo de produção antinatural e insustentável, enquanto falha em providenciar a muitos de nós os nutrientes necessários, seja pela morte de animais confinados, alimentados por fazendas integradas para fornecer sua alimentação da maneira tradicional, sempre haverá morte em nossos pratos. De agora em diante, escolherei mortes que mantêm saudáveis a mim e ao planeta.

Obviamente o planeta não pode sustentar 7 bilhões de pessoas de nenhuma maneira significativamente sustentável, vegan ou não vegan. Assim, para a nossa parte essencial, viver genuina e respeitosamente no meio ambiente não significa que todos nós devemos ser veganos, mas que se diminuirmos a taxa de natalidade e a população poderemos viver realmente da produção local. Em primeiro lugar e acima de tudo, isso exigirá um avanço nos direitos e poderes das mulheres no mundo (é realmente incrível quantas feministas têm poder para isso!). E, quanto à fome no mundo, todos vocês que têm lido meus artigos sobre este tema sabem que já existe comida mais do que suficiente sendo produzida para alimentar generosamente todas as pessoas no planeta. O capitalismo transformou a comida, especialmente os grãos, em mercadoria, em arma de guerra para dar lucro, em vez de um direito inalienável que deveria ser. Evitar a fome não é alimentar massas famintas com a mesma comida com que alimentamos os animais (a produção de comida em excesso e a comida que é jogada fora são as causas da fome, em primeiro lugar), mas as pessoas que estão constantemente famintas precisam se libertar das correntes do neo-imperialismo, para ganhar de volta o controle de seus sistemas alimentares locais.

A maioria dos ecossistemas neste planeta simplesmente não consegue suportar a agrigultura anual de grãos, e a insistência dos veganos para que os habitantes adotem um estilo de vida vegan está de qualquer forma prejudicando essas comunidades, porque eventualmente ocorrerá o esgotamento do solo e a fome será inevitável.

Na minha própria vida, minha decisão de voltar para a dieta onívora está reduzindo drasticamente minha emissão de carbono na atmosfera. A verdade que eu não gostava de enfrentar quando eu era vegan,  é a de que muitos lugares neste planeta não comportam a agricultura anual de grãos, mas sim um manejo misto de plantas e animais. A Arábia Saudita, onde vivo, é um desses lugares. Agora, em vez de eu me deleitar com grãos e feijão crescidos em países estrangeiros, cheios de pesticidas e cultivados através de métodos agrícolas insustentáveis para formar a maior parte da minha dieta, posso voltar meu foco para produtos animais locais, tais como cabras, carneiros ou frangos. Por exemplo, eu posso ir ao mercado local e comprar carne de cabra proveniente de rebanhos caprinos que pastam a poucas milhas daqui, em deserto aberto, pastoreados por beduínos, de oásis a oásis, numa tradição secular. Essas cabras fazem uso da terra seca e arenosa do deserto, que seria completamente impossível de ser usada para o cultivo agrícola, e bebem água de antigos poços artesianos. Se a terra que elas usam fosse transformada em grandes fileiras de campos cultivados, isso iria requerer quantidades impensáveis de fertilizantes sintéticos e água importada, e iria quebrar o delicado ecossistema que atualmente existe no deserto. Não somente me sinto melhor física e mentalmente como onívora, mas minhas escolhas estão mais consistentes com minha convicção de que nós devemos viver o mais ética e sustentavelmente possível dentro de nossa comunidade local.

Quer a destruição inaceitável seja causada pelas fazendas agrícolas, quer uma destruição ligeiramente mais aceitável - mas não menos devastadora - seja causada pela agricultura vegan, nosso planeta está sendo irremediavelmente aniquilado e devemos parar de tratar os sintomas da doença e abandonar soluções de curto prazo. Não podemos comprar nossa saída para esta crise, soluções pessoais não são suficientes. Apresentar o veganismo como uma panacéia que irá impedir o aquecimento global, salvar todos os animais e alimentar as massas famintas, é uma visão curta  e infundada. E me envergonho, como pessoa instruída, de que eu nunca me permiti acreditar nisso. Devemos, ao contrário, direcionar nossos esforços para uma completa reformulação sobre a maneira como vivemos neste planeta. Qualquer coisa menos que isso é suicídio.
 Parte 4 – Para onde irei daqui?

Mesmo que minha escolha em ser vegan tenha se originado através do sempre nobre impulso de fazer as coisas certas e ser o mais compassiva quanto possível, cometi um erro e foi uma escolha que eu nunca deveria ter feito. Se eu tivesse feito minha pesquisa e tivesse realmente me feito as perguntas difíceis desde o começo, em vez de me deixar levar pelos gráficos das fazendas agrícolas, eu teria me poupado 3 anos de esforços inúteis, além da minha saúde física e mental. Se eu tivesse aderido a padrões acadêmicos rigorosos, nos quais me baseio em todos os outros aspectos da minha vida, eu poderia ter passado esse tempo lutando efetivamente em busca de soluções reais, além de me sentir saudável e feliz. Queria que eu também tivesse olhado para mim mesma, para ver como eu me sentia ótima. Passei minha vida me sentindo bem comendo carne e eu era mais saudável do que ninguém. Preciso reconhecer que venho de uma longa linhagem de insensíveis comedores de carne pra lá de saudáveis, até onde alguém pode se lembrar. Meu corpo sempre soube do que preciso para ser saudável, mas mesmo assim ignorei isso e por muito tempo sacrifiquei minha saúde.

Muitas pessoas sugeriram que eu precisava somente comer produtos animais que eu detestava ou que me causassem nojo, assim eu teria certeza de que nunca sentiria prazer em comer carne. Me entristece agora saber que eu considerei aquilo por uns instantes. Após pensar sobre isso, eu me pergunto por que a constante repulsa e aflição a cada refeição precisa ser o preço que preciso pagar para ficar saudável? Por que não posso cozinhar as refeições mais deliciosas e me deleitar de prazer por estar comendo uma comida fabulosa, saudável e incrível? Finalmente percebi que não há nenhum problema em sentir alegria ao fritar um bife, ou ter prazer sonhando acordada com todas as maneiras de preparar meu salmão à noite. Eu me recuso a jogar o jogo que tantas mulheres (veganas ou não) são forçadas a jogar por nossa sociedade que odeia violentamente as mulheres; eu nunca sentiria vergonha ou culpa por comer aquilo que meu corpo quer e precisa para ser saudável. Sentirei alegria e não terei vergonha, além de sentir inegável prazer em cada gloriosa mordida. Eu serei sempre grata e comemorarei o tempo todo, sem nunca me esquecer da lição que aprendi sobre a necessidade de ouvir o meu corpo e respeitar o fato de que eu mereço ser saudável e feliz.

Tenho certeza de que muitos de vocês ficarão aborrecidos ou desapontados com minha declaração. Alguns de vocês podem até mesmo tentar racionalizar meu “fracasso” ou ignorar minha experiência, assim não terão que enfrentar a realidade de que o veganismo pode não ser o único jeito de se viver. Muitos de vocês podem mesmo estar zangados comigo, afinal vocês me tinham como uma aliada, alguns de vocês até se tornaram veganos, em parte,  por minha causa. Espero que vocês sejam capazes de perceber que eu preciso fazer aquilo que acredito ser o melhor e o certo para mim. E se acontecer de vocês serem saudáveis e felizes como veganos, então eu fico feliz por vocês! Continuem fazendo aquilo que funciona para suas vidas, mas talvez possam assimilar de minha estória que o veganismo nem sempre é a melhor coisa que podemos fazer para nossa saúde, pelo planeta, ou pelos animais. E se você é vegan e não se sente tão saudável como costumava ser ou como gostaria de ser, não perca mais tempo para perceber o que está errado e faça o que quer que precise ser feito para se sentir melhor. Você merece ser saudável e feliz também.

Os últimos meses têm sido humilhantes e dolorosos mas, ainda assim, felizes. Eu comecei nesse caminho quando estava nas profundezas do desespero, meus olhos estavam quase que permanentemente inchados de tanto chorar, imaginando para onde ir daqui, o que fazer. Com quem poderia contar e o que eles iriam dizer? Deveria manter segredo ou escrever sobre isso no blog, ou simplesmente desaparecer da face da terra e nunca atualizar meu blog novamente?  Pensei muito no meu blog, meu espaço pessoal precioso, onde eu compartilhava minhas mais tolas estórias, as fotos mais estúpidas e minhas receitas favoritas. Não queria deixar isso acabar, mas como eu poderia continuar? Assim que fiz esta declaração, eu já sabia que receberia mensagens de ódio. Na verdade, a partir de comentários no twitter e em outros blogs, vi que já tinha sido inundada com cartas furiosas, acusando-me de ser uma tirana anti-vegan e que eu havia conspirado isso durante anos, ou que eu estava a serviço da indústria da carne.

Então, eu sabia  que iria receber mensagens de ódio assim que fizesse esta declaração, mas eu não achei certo manter esse segredo por mais tempo. Sou por natureza uma pessoa extremamente honesta. Mas assim que  a declaração foi feita, me perguntei: o que eu faço agora? Mantenho o blog? Acabo com o blog? Tiro fotos de refeições contendo carne ou mostro somente minhas refeições veganas? Eu não quis esconder uma parte de minha vida, como se eu estivesse envergonhada disso. Eu não queria negar minha própria decisão, a qual havia restaurado minha saúde e felicidade, só porque nunca proferi uma só palavra de minhas escolhas alimentares com ninguém. Acima de tudo, eu queria manter o meu blog, porque adoro comida. Adoro pensar nisso, escrever sobre isso, cozinhar e, principalmente, comer. Adoro comida e adoro ser uma blogueira que fala sobre comida. Adoro a comunidade, os amigos, as risadas, as lembranças. Eu não quero desistir de nada disso. Então, eu vou continuar. Como vocês irão ver, eu renovei o blog, logicamente mudando o título e algumas das páginas, para refletir a minha mudança de vida. Estarei mudando permanentemente para um novo site (www.voraciouseats.com) dentro de uma semana. Mas, de qualquer forma, continuarei a postar as refeições e receitas que eu adoro. Minha vida é tão saborosa – eu quero compartilhar cada mordida!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Blogs, muitos blogs!

Quando eu comecei, não havia quase nada em Português. O que havia era basicamente blogs de receitas Atkins, nem sempre compatíveis com os princípios de uma dieta Low Carb Páleo (por conter glúten e óleos de sementes, por exemplo).

Puxa, como as coisas mudaram! A cada semana surge um novo blog ou um novo site que aborda diferentes facetas desse estilo de vida. Quem sabe, finalmente, o Brasil esteja vendo surgir o fenômeno do crescimento de popularidade desta abordagem que começou há 10 anos nos EUA?

Meu objetivo é divulgar este tópico, com o maior embasamento científico possível. Mais importante do que EU ter algumas centenas de milhares de acessos por mês, é que o CONJUNTO dos sites e blogues em português possa ter milhões de acessos mensais - ganhando um porte que não possa ser ignorado pela mídia e, quem sabe um dia, pelas diretrizes oficiais (sonhar não paga imposto).


  • Primal Brasil

http://primalbrasil.com.br/
Site sensacional. Meu preferido em português. É, no Brasil, o que o blog do Mark Sisson é nos EUA. Sinceramente, é melhor do que o meu. Você não conhece ainda? Está esperando o quê?? Os autores são a Bruna e o Caio. E o Caio, é bom lembrar, é o autor no único livro páleo nacional (clique aqui para ler minha postagem sobre o livro):


  • Blog/Site Nutrição do Futuro
http://nutricaodofuturo.wordpress.com/
Um blog muito bem escrito, e que vai fazer você pensar.

  • Blog/Site Fat New World
http://www.fat-new-world.com/
Excelente site, diretamente de Portugal, por Sérgio Veloso, um autor com sólida formação científica - vale muito a pena conferir!

  • Blog/site do Dr. Patrick Rocha
http://drrocha.com.br/blog/
O Dr. Patrick atua em Jericoacoara e Fortaleza, e faz um belo trabalho por lá. Excelente conteúdo.

  • Blog Paleodiário
http://paleodiario.blogspot.com.br/
O excelente Hilton Souza traduz para o Português vários artigos interessantes, e o faz com muita rapidez e competência. Não deixe de ler especialmente os artigos traduzidos do http://www.marksdailyapple.com/


  • Site Emagrecerdevez.com
http://emagrecerdevez.com/
Grandes incentivadores do low carb, o Rodrigo Polesso e o Geosh fazem um excelente trabalho ao manter um site bastante profissional, com um fórum para seus leitores. Já gravei alguns podcasts a convite dessa dupla - uma experiência bem interessante. Ah, sim, e tem o Livro eletrônico do Rodrigo, disponível por lá. Quase todos os dias recebo novos leitores no meu blog, que me descobriram através do emagrecerdevez.

  • Blogs de corredores low carb
Não adianta muito perguntar para mim como se preparar para uma meia-maratona low carb - pergunte para que faz isso na prática:



O blog do professor Adolfo Neto é um MUST para quem se interessa por corrida no contexto low carb. E o Adolfo está sempre presente nas redes sociais - grande fonte de informação para vocês, corredores, que não encontram apoio nos profissionais de saúde da antiga escola (gel de açúcar, etc).
O Carlinhos, educador físico e corredor aqui de Porto Alegre, é o autor do blog acima - gente boa, com quem já tive a oportunidade de saborear um churrasco. Sabe muito sobre low carb e corrida, além de escrever bons textos sobre dieta-esporte-evolução.

Blog de corrida low carb do Augusto Verrengia, o famoso corredor retratado na reportagem da revista Runners sobre dieta low carb páleo para corredores. Está recém começando, e já está ótimo.


  • Blog da Cláudia Vilaça
http://claudiafitblog.blogspot.com.br/
Fisiculturista brasileira de 51 anos (acreditem), que obteve os resultados que vocês vêem nas fotos sem NADA de carboidrato - em dieta totalmente cetogênica. Cada vez que eu digo aqui no blog que um pouco de carboidrato no pós-treino pode ajudar a ganhar músculos, lembro da Cláudia como exemplo vivo de que isso até pode ser verdade, mas não é essencial.


  • Blog/site Mais Gordura, Menos Carboidratos
http://maisgorduramenoscarboidratos.com/
Escrito por uma sueca que mora no Brasil desde 2006, o nome do blog já diz tudo, não é mesmo! Grande quantidade de receitas - e todas as que eu olhei são compatíveis com o que apregoamos aqui. E o VISUAL das receitas é ALGO.


  • Nutri das Panelas
http://nutridaspanelas.blogspot.com.br/
Blog de receitas da Polyana Freitas. Mando todos meus pacientes para ela - preciso dizer mais?


Há outros blogs (ver na coluna da direita, ao lado), e todos os dias surgem mais. Vamos prestigiar o belo trabalho destes dedicados colegas que ajudam a divulgar estas informações em Português. Nosso mercado editorial continua sendo um deserto (com algumas poucas exceções, como essa, essa e essa), mas nossa blogosfera está viva, brilhante e efervescente.