terça-feira, 2 de setembro de 2014

Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 2) A epidemia começou pelos carbs

  • Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 2) As epidemias de obesidade e diabetes foram desencadeadas pelo consumo excessivo de carboidratos.
Esta é a segunda de 12 postagens explicado porque uma dieta de baixo carboidrato (Low Carb) deve ser a estratégia padrão, inicial, para o manejo do diabetes. Esta série de postagens é baseada no artigo Restrição de carboidratos na dieta como a primeira abordagem no manejo do diabetes: revisão crítica e base de evidências, sobre o qual já tratamos previamente (ver aqui). As referências bibliográficas estão no artigo original (clique aqui).


Se ainda não leu, leia antes esta postagem.

A primeira postagem desta série foi: 1) Manejo da hiperglicemia


2) Durante a epidemia de obesidade e diabetes tipo 2, o aumento do consumo calórico deveu-se quase que inteiramente aos carboidratos.

Dados do NHANES (uma pesquisa do governo americano sobre alimentação) indicam um grande aumento do consumo de carboidratos como o maior responsável pelo excesso calórico nos EUA de 1974 a 2000. Neste período, os carboidratos saíram de 42% para 49% das calorias. Em mulheres, foi de 45% para 52%. O consumo absoluto de gordura CAIU para homens nesse período, e apresentou apenas um mínimo aumento em mulheres. Mais recentemente, um estudo de disponibilidade de alimentos mostrou um diminuto aumento das gorduras mas, como no estudo NHANES, o aumento principal foi de carboidratos.


O gráfico menor, visto junto ao das mulheres, é a incidência de diabetes.

Tais dados epidemiológicos têm o suporte de mecanismos bioquímicos. O estímulo contínuo à produção de insulina pode levar a um estado de predomínio de síntese de triglicerídeos (criação de gordura) em detrimento da lipólise (queima de gordura). Além disso, o acúmulo de gordura no fígado e, secundariamente, no pâncreas, leva a um ciclo vicioso que, se acredita, pode levar ao diabetes tipo 2. O fígado gorduroso leva a alterações no metabolismo da glicose em jejum, e aumenta VLDL e triglicerídeos que, por sua vez, aumentam a distribuição de gordura para todos os tecidos, incluindo as células beta produtoras de insulina. Isto leva à gradativa diminuição na capacidade de produzir insulina. A lipogênese (produção de gordura) hepática é ativada direta e indiretamente pelos carboidratos. SREBP-1 e ChREBP são elementos responsivos a carboidratos que, ao ser estimulados pelo consumo de carbs, estimulam a síntese de gordura pelo fígado.  A esteatose resultante está fortemente associada ao desenvolvimento de obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

Independentemente de se a associação entre consumo de carboidratos e diabetes é causal ou não, a FALTA de associação entre o consumo de gordura e diabetes EM HUMANOS é muito significativa. Afinal, a FALTA de associação é considerada evidência forte de AUSÊNCIA de relação de causalidade.

O estudo prospectivo e randomizado publicado ontem no Annals of Internal Medicine obviamente reforça essa ideia ao demonstrar que uma dieta com menos carboidratos e mais gordura produziu não apenas uma perda de peso maior, mas também a melhora dos fatores de risco cardiovascular.

30 comentários:

  1. Douglas Teócrito de Aquino2 de setembro de 2014 20:55

    Dr. Souto, você tem alguma indicação de pediatra que trabalhe nessa linha Paleo na zona sul de São Paulo ou pelo menos no município? Se é que existe.

    ResponderExcluir
  2. Minha irmã. Olha na lista.


    2014-09-02 20:55 GMT-03:00 Disqus :

    ResponderExcluir
  3. Douglas Teócrito de Aquino2 de setembro de 2014 21:15

    Muito obrigado,

    ResponderExcluir
  4. Por qualquer via que seja analisada a relação é coerente e a causalidade mediante plausibilidade é evidente, apenas para citar nos três principais critérios de causalidade isso está claro, a incidência de diabetes foi precedida por aumento da ingestão de carbs, a força de associação entre ingestão de carboidratos e aumento da glicemia é muito distante da unidade, e existe uma série de evidências experimentais relacionando diminuição de ingestão de carboidratos com redução da glicemia, os cientistas parecem não querer aceitar o método científico que eles próprios criaram.

    ResponderExcluir
  5. Bingo

    Sent from mobile phone
    Em 02/09/2014 22:12, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  6. Eu diria que não são os cientistas que não querem aceitar (estes estão reproduzindo os reais resultados - vejam os papers), mas sim os pseudo-cientistas e os demais interessados em não sair da sua zona de conforto.
    A ciência sempre vence, demora, mas vence!

    ResponderExcluir
  7. "Afinal, a FALTA de associação é considerada evidência forte de AUSÊNCIA de relação de causalidade"



    Pergunta: nos gráficos apresentados, entre 1970 e 75, a total falta de associação entre o consumo de carboidratos e o aumento de casos de diabetes nos EUA, não excluí a tua relação de causalidade?


    Segunda pergunta: o diabetes (tipo 2) é uma doença crônica que leva no mínimo uma década para se manifestar. Então, o gráfico da epidemia de diabetes não deveria começar lá por volta de 1986?


    É de se lamentar profundamente que um artigo como esse seja publicado numa revista científica e supostamente "peer reviewed"...

    ResponderExcluir
  8. Esse é apenas um dos 12 pontos de suporte do artigo. E é epidemiológico, portanto fraco.

    Para um estudo epidemiológico bem mais relevante, leia: http://lowcarb-paleo.blogspot.com/2013/03/o-acucar-causa-diabetes.html
    Sent from mobile phone
    Em 03/09/2014 09:16, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  9. Andrei Rocha de Almeida3 de setembro de 2014 10:17

    É bonito ver quem entra numa filosofia low carb (ou páleo) ter seus índices de triglicérides caindo e a esteatose regredindo. E é rapidamente que isto ocorre. Ouvi numa entrevista de Mary Vernon, médica bariátrica, que ela usa o triglicérides para saber se o paciente aderiu ou não à dieta low carb.

    ResponderExcluir
  10. Deixe me entender: esse gráfico é considerado por você fraco e, de maneira nenhuma, suporta a tua teoria. Mas ele foi incluído no artigo de sumidades, que, na tua palavra é a prova definitiva (como se existissem certezas em ciência!) de que a dieta de baixo carboidrato é a solução para os diabéticos e passou no peer review da revista em que foi publicado.

    Se ele não suporta a teoria carboidratos -> diabetes, porque as sumidades incluíram esse gráfico? Porque você postou ele aqui, como prova? Tiro no pé?

    Cada um dos outros 12 pontos do artigo também são altamente contestáveis.

    Por sinal, já assististe à palestra da Denise Minger no Ancestral Health Symposium 2014 (Lessons From Vegans), sobre a rice diet?

    https://www.youtube.com/watch?v=KFfK27B_qZY

    Ps. Citar outros artigos epidemiológicos que confirmam o nosso bias não faz desaparecer os "black swan" da vida...

    http://carbsanity.blogspot.com.br/2014/01/carbohydrate-and-diabetes.html

    ResponderExcluir
  11. Dr, recebeu minha mensagem no post anterior ?

    ResponderExcluir
  12. Todo o argumento epidemiológico é fraco. Tanto que os uso pouco. Estou traduzindo os 12 pontos, e vou colocar todos, os fortes e os fracos. No caso, o que importa é que MESMO o argumento epidemiológico suporta meu ponto de vista. Mas eu respeito o seu, tudo bem. Não vou poder me demorar aqui pois estou escrevendo em tela de dispositivo móvel, entre uma cirurgia e outra. E o artigo do Lustig, que mandei acima, me parece bem mais definitivo no que diz respeito à epidemiologia.

    Sent from mobile phone
    Em 03/09/2014 10:34, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  13. Sobre arroz e engordar ou não, leia http://lowcarb-paleo.blogspot.com/2013/08/tratamentos-e-causas.html

    Sent from mobile phone
    Em 03/09/2014 11:20, "Jose Carlos Souto" escreveu:

    ResponderExcluir
  14. Digo e repito: não é uma epidemiologia positiva (Lusting), que vai anular uma negativa (o gráfico acima). Repito as tuas próprias palavras:

    "Afinal, a FALTA de associação é considerada evidência forte de AUSÊNCIA de relação de causalidade."

    Com respeito à dieta cetogênica ou de baixíssimo carboidrato para diabéticos ou pré-diabéticos, aconselho fortemente quem segue a googlar os termos abaixo, porque a glicose não é nem de longe o único ou mais crítico problema na diabetes:

    free fatty acids and diabetes
    free fatty acids and beta-cell function
    free fatty acids and insulin resistance
    free fatty acids and ketogenic diet
    free fatty acids and sudden death
    ketogenic diet, selenium deficiency and sudden death

    ResponderExcluir
  15. Ah, e quando tiveres tempo, assista a palestra da Denise Minger, que te asseguro que vale a pena e é bem revelador.

    ResponderExcluir
  16. O papo aqui tá tão técnico que não entendi muita coisa, mas com relação a deficiência de selenio em dietas cetogenicas, quem faz cetogenica não pode duas ou três castanhas do Pará por dia? Fazer cetogenica na minha opinião não é viver apenas de gorduras e proteínas, as folhas, as frutas e as castanhas dentro da restrição de carboidratos podem e devem ser consumidos para evitar deficiência de vitaminas e minerais.

    ResponderExcluir
  17. Gosto da Denise

    Sent from mobile phone
    Em 03/09/2014 13:02, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  18. Claro que pode

    Sent from mobile phone
    Em 03/09/2014 13:26, "Disqus" escreveu:

    ResponderExcluir
  19. Então presume se que em casos de morte súbita por deficiência de selenio em dietas cetogenicas para tratamento de epilepsia (que aliás também se beneficia do óleo de coco pelo mesmo princípio, corpos cetonicos e sem a necessidade de se entrar em cetose) no mínimo a dieta foi feita de forma errada ao não se comer os alimentos corretos dentro da restrição de carboidratos.

    ResponderExcluir
  20. As dietas cetogênicas para epilepsia originais eram terríveis!


    Em 3 de setembro de 2014 13:39, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  21. Caso encerrado.

    ResponderExcluir
  22. Esse é um problema, problema sério na verdade. A maioria das pessoas não entende muito de medicina ou nutrição e sai fazendo coisas sem orientação ou com orientação ruim.

    Castanha do Pará, dependendo do estado em que foi plantada pode conter uma quantidade ínfima de selênio:

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7889353

    Então, se fosse eu, e como a deficiência de selênio ocorre rapidamente na dieta cetogênica, me garantiria tomando suplementação de selenio. Mas, a suplementação de selênio não vai proteger dos efeitos deletérios dos FFA, que são elevados nesse tipo de dieta.

    Em tempo, dieta cetogênica é uma dieta radical, nunca, em nenhum momento da evolução humana, uma dieta dessas foi adotada por nenhum grupo, nem os esquimós/inuits vivem em cetose:

    http://freetheanimal.com/2014/03/reiterate-elevated-ketone.html

    ResponderExcluir
  23. Bem, desde a invenção da medicina, da ciência e etc o ser humano faz as coisas sem orientação, dieta, remédios, etc. Então na minha opinião não podemos culpar a dieta em si se feita da forma errada. De qualquer maneira já foi falado aqui no blog que o corpo não aproveita o selenio quando ele provém de suplementos, apenas quando vem de comida de verdade. Ou seja, melhor castanha do Pará quando pouca quantidade de selenio, do que suplemento. Na dúvida, coma um pouco mais das mesmas, até porque excesso de selenio é igualmente prejudicial. De qualquer maneira dando uma rápida pesquisada aqui, achei alguns lugares falando que ainda não está claro se índices altos de ffa são a causa ou a consequência do aumento do risco cardiovascular por exemplo.

    ResponderExcluir
  24. Posso ter entendido errado mas neste artigo os testes foram feitos nas fitas que medem na urina (trip paper technique). E a cetose na urina não é um bom aferidor. Ou seja, eles poderiam estar em cetose e não acusou. Isso porque corpos cetônicos são reabsorvidos nos túbulos renais, onde se encontram células especializadas pra reabsorver o que é de importante para o corpo, como glicose, aminoácidos,
    cálcio, e corpos cetônicos.

    ResponderExcluir
  25. Não, a cetose foi testada tanto na urina quanto no hálito, deu zero nos dois no periodo inicial e foi aumentando (em ambos, urina e hálito) no jejum de 3 dias a que foram submetidos:

    http://www.jbc.org/content/80/2/461



    Conheces algum outro estudo científico (de esquimós ou qq outra) que comprove que esta cultura vive/viveu em cetose permanente? Eu não conheço.

    ResponderExcluir
  26. Andrei Rocha de Almeida3 de setembro de 2014 15:32

    Mripoa,
    lembre-se que FFA ou Plasma free fatty acids são gorduras presentes no plasma sanguíneo, e de forma alguma estão relacionadas ao consumo de gorduras saturadas, por exemplo.
    Esta gordura no plasma é principalmente produzida pelo fígado e influenciada pelo consumo de carboidratos, entre eles frutose. Low Carb costuma baixar FFA.

    ResponderExcluir
  27. MARCOS DE SOUZA DA SILVA FILHO3 de setembro de 2014 17:43

    Dr. Souto, eu tenho uma dúvida: porque o paradoxo francês funciona positivamente para os franceses? Ou esse troço de paradoxo francês é apenas um mito? Uns dizem que o fator determinante é o clima, outros a ingestão de vinho...elementos muito estranhos... por acaso, essa seria uma evidência de que um consumo alto de gordura saturada é saudável?

    ResponderExcluir
  28. http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/08/tratamentos-e-causas.html



    Em 3 de setembro de 2014 17:43, Disqus escreveu:

    ResponderExcluir
  29. MARCOS DE SOUZA DA SILVA FILHO3 de setembro de 2014 18:00

    entendi!

    ResponderExcluir
  30. eu não entedin kkkk

    ResponderExcluir