quinta-feira, 29 de maio de 2014

Glúten, autoimunidade e diabetes tipo 1

Antes de ler esta postagem, por favor leia a postagem sobre autoimunidade.

Saiu no site de notícias médicas Medcenter.



Uma alimentação sem glúten diminui o risco de diabetes tipo 1
Novos experimentos em ratos mostram que as fêmeas podem proteger os filhos contra a apresentação de diabetes tipo 1 se consumirem uma alimentação sem glúten. Segundo os estudos preliminares realizados por pesquisadores da Universidade de Copenhague, os achados podem aplicar-se a seres humanos.
Mais de 1% da população dinamarquesa tem diabetes de tipo 1, uma das taxas de frequência mais alta no mundo. Novos experimentos realizados em ratos mostram agora uma correlação entre a saúde das crias e o consumo de uma alimentação sem glúten por suas mães. Esperamos que a doença possa ser prevenida mediante mudanças simples na alimentação, afirmam os investigadores.
«Os testes preliminares mostram que uma alimentação sem glúten em seres humanos tem um efeito positivo em crianças com diabetes tipo 1 recentemente diagnosticadas. Portanto, esperamos que uma alimentação sem glúten durante a gravidez e a amamentação sejam suficientes para proteger os meninos com alto risco de apresentar diabetes a uma idade mais avançada», disse a professora assistente Camilla Hartmann Friis Hansen do Departamento de Biologia de Doenças Veterinárias, Faculdade de Saúde e Ciências Médicas.
Os achados foram publicados recentemente na revista médica Diabetes.
14 anos de pesquisa em torno da alimentação sem glúten
Os achados de experimentos realizados em ratos não necessariamente são aplicáveis a seres humanos, mas neste caso temos bases para ser otimistas, diz o coautor do estudo Professor Axel Kornerup do Departamento de Biologia de Doenças Veterinárias, Faculdade de Saúde e Ciências Médicas.
«A intervenção em uma etapa precoce é muito congruente já que o diabetes de tipo 1 se apresenta em uma etapa inicial. Também sabemos pelos experimentos realizados antes que uma alimentação sem glúten tem um efeito favorável sobre o diabetes tipo 1», diz.
Os experimentos deste tipo tem sido realizados desde 1999, originalmente iniciados pelo professor Karsten Buschard do Bartholin Institute no Rigshospitalet em Copenhague, outro coautor do estudo.
«Este novo estudo fundamenta muito bem nossa pesquisa sobre a alimentação sem glúten como uma arma eficaz contra o diabetes de tipo 1», explica Karsten Buschard.
A alimentação sem glúten afeta as bactérias
O experimento demonstrou que a alimentação modificava as bactérias intestinais tanto na mãe como nas crias. A microflora intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento do sistema imunológico bem como no diabetes de tipo 1, e o estudo parece indicar que o efeito protetor de uma alimentação sem glúten pode ser atribuído a determinadas bactérias intestinais. A vantagem da alimentação sem glúten é que o único efeito secundário parece ser o desconforto de ter que evitar o glúten, mas não há e evidências contundentes do efeito ou dos efeitos secundários.
«Não pudemos começar um ensaio clínico a grande escala para comprovar ou rejeitar nossa hipótese em torno da alimentação sem glúten», diz Karsten Buschard.
A professora assistente Camilla Hartmann Friis Hansen espera que seja possível continuar a pesquisa.
«Se descobrirmos como o glúten ou determinadas bactérias intestinais modificam o sistema imunológico e a fisiologia da célula beta, poderá ser utilizado este conhecimento para pesquisar novos tratamentos», concluiu.
Cita bibliográfica:
C. H. F. Hansen,  ukasz Krych, K. Buschard, S. B. Metzdorff, C. Nellemann, L. H. Hansen, D. S. Nielsen, H. Frokiaer, S. Skov, A. K. Hansen. A maternal gluten-free diet reduces inflammation and diabetes incidence in the offspring of NOD mice. Diabetes, 2014; DOI: 10.2337/db13-1612    
Fonte:  Science Daily

E qual a evidência em humanos? Bem, já há um caso relatado na literatura:

 2012 Jun 21;2012. pii: bcr0220125878. doi: 10.1136/bcr.02.2012.5878.

Remission without insulin therapy on gluten-free diet in a 6-year old boy with type 1 diabetes mellitus.

Author information

  • 1Paediatric Unit, Copenhagen University Hospital, Herlev, Denmark. stinesildorf@dadlnet.dk

Abstract

A 5-year and 10-month old boy was diagnosed with classical type 1 diabetes mellitus (T1DM) without celiac disease. He started on a gluten-free diet after 2-3 week without need of insulin treatment. At the initiation of gluten-free diet, HbA1c was 7.8% and was stabilised at 5.8%-6.0% without insulin therapy. Fasting blood glucose was maintained at 4.0-5.0 mmol/l. At 16 months after diagnosis the fasting blood glucose was 4.1 mmol/l and after 20 months he is still without daily insulin therapy. There was no alteration in glutamic acid decarboxylase positivity. The gluten-free diet was safe and without side effects. The authors propose that the gluten-free diet has prolonged remission in this patient with T1DM and that further trials are indicated.
PMID:
 
22729336
 
[PubMed - indexed for MEDLINE]

segunda-feira, 26 de maio de 2014

sábado, 24 de maio de 2014

Programa Fantástico e o teste dos gêmeos

Literalmente: O plural de anedota não é dados. Ou seja, algumas histórias individuais (casos "anedóticos") não substituem estudos científicos.

O fato de sua avó ter fumado e ter vivido até os 95 anos (caso anedótico) não significa que fumar faça bem à saúde. Se compararmos 100 fumantes e 100 não fumantes (um estudo científico), a verdade ficará clara. 

O programa Fantástico, da Rede Globo, vai apresentar amanhã (25/05/2014) um programa da BBC no qual a BBC faz exatamente essa confusão - um estudo mal conduzido, com dois gêmeos idênticos - caso anedótico - levando a conclusões que contrariam grandes estudos científicos. É a historinha da avó fumante, em horário nobre.

O assunto é requentado. Já foi analisado e criticados meses atrás, inclusive aqui no blog, em postagem datada de 3 de fevereiro. Por favor, releia aquela postagem.

Estamos em um momento no qual a visão alternativa está ganhando momento, com estudos de peso e editoriais de importantes periódicos médicos indicando que, de fato, a ênfase na restrição das gorduras e o passe livre dado aos carboidratos na dieta estavam equivocados. Eis que, mais de 3 meses depois, justamente agora, a Globo opta por trazer essa problemática reportagem à tona.

Minha primeira reação foi a de conspiração: "é a indústria, tentando manter a cabeça fora da água enquanto o chão se desfaz sob seus pés". Mas depois, pensando melhor, acho que se aplica aqui o velho adágio:


"Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez"

Bem, no que consiste o teste da BBC? Dois irmãos gêmeos idênticos, médicos, com 35 anos, fizeram um teste: 1 mês em dietas diferentes, um, de alto carboidrato e baixa gordura (Low Fat); outro, de baixo carboidrato e alta gordura (Low Carb).

As dietas já começam mal. O irmão Low Carb não podia comer salada - isso não é proibido em uma dieta Low Carb - pelo contrário, é estimulado; por outro lado, podia beber leite, que não faz parte de dietas Low Carb. E sua dieta era altamente processada, o que é frontalmente contrário ao moderno movimento LCHF, que propõe o consumo de alimentos não processados. Vamos adiante:


  • O Peso: O irmão Low Carb perdeu mais peso do que o irmão low fat, o que é o esperado, visto que todos os estudos que comparam as dietas indicam perdas de peso maiores em Low Carb. A perda de peso foi pequena, sugerindo que os carboidratos presentes no leite, hamburgers, maionese e outros produtos processados pudessem ter prejudicado.
  • A massa muscular: aqui, o programa comete um erro CRASSO. Acontece que o aparelho BodPod, utilizado, só mede massa gorda versus massa magra. E massa magra é tudo o que não for gordura - INCLUSIVE ÁGUA. Assim, trata-se de método não acurado, e que irá superestimar a perda de massa magra em low carb SEMPRE. Por quê? Porque em low carb perde-se glicogênio, junto com o qual perde-se alguns litros de água. Como já foi dito aqui no blog, parte da perda inicial de peso em low carb é água e glicogênio - dizer que isso foi perda de músculos é ridículo - esse aparelho simplesmente não mede isso!
  • O teste mental: esse é ridículo. O teste poderia ter sido o de qualquer atividade cognitiva, testes com matemática, lógica, atenção. No entanto, foi escolhido um teste de Mercado Acionário!! Ora, todo mundo sabe que isso é uma loteria, nem vou perder meu tempo comentando (mas, para quem quiser uma boa leitura, segue a sugestão: O Andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas) - ou talvez eu tenha que comer um pão para poder escrever o resto dessa postagem :-)
  • O teste físico: foi escolhido a dedo para deixar a dieta low carb em maus lençóis:
    • Não houve tempo adequado para cetoadaptação (isto é, adaptação completa ao uso de  gorduras como fonte principal. Estudos indicam que, para performance em nível competitivo, são necessárias pelo menos SEIS semanas de cetoadaptação.
    • A capacidade de "sprint", isso é, de realizar um grande esforço anaeróbico, no limite de suas forças, é - de fato - reduzido por uma dieta low carb. (Já abordamos aqui no blog o fato de que dieta cetogênica tem objetivo terapêutico e não está indicada para fins de performance em esportes anaeróbicos competitivos). Em compensação, a capacidade de "endurance", isto é, de manter a atividade física aeróbica por muito tempo, é preservada e até aumentada.
Para um artigo científico sobre o assunto (e não casos anedóticos), veja:
  • Ou seja, você pega dois irmãos, depleta o glicogênio de um deles e, enquanto ele ainda não está cetoadaptado, dá açúcar ao outro, e manda-os fazer uma corrida de bicicleta morro acima - uma atividade essencialmente glicolítica e anaeróbica - e se surpreende que o irmão low carb foi pior? As cartas já estavam marcadas!! É como licitação no Brasil - já se sabe de antemão que vai ganhar. Se eu quisesse "fraudar" o processo em favor das dietas low carb, bastaria em colocar ambos irmãos para correr uma meia-maratona em jejum. Posso apostar que o low carb, metabolizando gorduras com maior eficiência, ganharia; já o outro, sem poder usar a própria gordura em virtude da insulina alta, consumiria todo glicogênio do corpo antes do fim da prova, e ficaria para trás se não pudesse beber algo com açúcar.
  • A glicose. Ok, ambos irmãos fizeram seus exames de sangue. O colesterol de ambos ficou igual, antes e depois das respectivas dietas. Isso é praticamente IGNORADO pelo programa de TV!!! Afinal, os autores desenharam um programa com o objetivo claro de mostrar que low carb faz mal. Se o colesterol do irmão low carb houvesse subido, metade do programa seria dedicado a isso. Mas não subiu, então... temos que procurar outra coisa!! A glicose! Mas a glicose deu NORMAL, em ambos irmãos, e foi medida uma única vez (e estava dentro da margem de erro de medição de glicose, que chega a 20%). Azar, é o que temos, então é o que vamos usar para dizer que low carb faz mal.
    • Como já escrevi tempos atrás aqui no blog, é NORMAL que a glicose em jejum suba em dieta cetogênica. Isso se deve a um fenômeno chamado de resistência à insulina fisiológica. (para ler um breve artigo científico escrito por um leitor aqui do blog, o Dr. Rennan Caminhotto, clique aqui). Isto não tem NADA a ver com o risco de desenvolver diabetes. Pelo contrário, está BEM estabelecido que o risco de diabetes está relacionado ao consumo de AÇÚCAR -  LEIA AQUI E AQUI.
    • Reproduzo aqui a explicação simplificada da postagem de 2013 sobre o assunto:
      • quando reduzimos significativamente os carboidratos da dieta, o corpo passa a usar a gordura como fonte de energia (por isso perde-se peso!). Mas alguns tecidos necessitam de certa quantidade de glicose (sistema nervoso central, rins, células do sangue), e o fígado produz esta quantidade. Ao mesmo tempo, os demais tecidos (músculos, gordura) deixam de utilizar esta glicose para que a mesma fique disponível para os órgãos que precisam. Isso faz com que, às vezes, a glicemia de jejum fique mais alta (pois os músculos estão usando gordura, e não glicose!) - mas o fato de a hemoglobina glicada continuar normal (ou mesmo baixar) prova que a sua glicemia, durante as 24 horas do dia, nos últimos meses, está mais BAIXA, na média, e não mais alta.
      • Aliás, como já expliquei em outra postagem, a relação epidemiológica do diabetes é justamente com a redução da gordura e com o aumento dos carboidratos na dieta:



O grande problema com as mancadas da mídia é que a ignorância tem infinitas permutações, mas o sábado só tem 24 horas. Espero que o Fantástico me dê uma folga nos próximos finais de semana...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Novo Blog: Lipidofobia

O Dr. José Carlos Peixoto, médico de Porto Alegre, que trabalha com tratamento de distúrbios metabólicos através de dieta low carb, está com um novo blog, denominado LIPIDOFOBIA (nome sensacional).

Sensacional também é o conteúdo, que recomendo a todos:


Eu não sei o que há em Porto Alegre que gera tantos blogs bons, médicos arrojados e nutricionistas corajosas - deve ser a comida.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A mudança de paradigma está chegando

O Dr. Flávio José Kanter é um cardiologista conhecido aqui em Porto Alegre. E é dele este breve texto, publicado no Jornal Zero Hora de hoje, que capta de forma sucinta e ao mesmo tempo eloquente os ventos da mudança que sopram cada dia mais fortemente. Parabéns, Dr. Kanter!

20 de maio de 2014 | N° 17802

ARTIGO

OS CORAÇÕES DOS FRANCESES

por Flavio José Kanter*

A Dra. Rita Redberg é editora do Jama, o periódico científico da Associação Médica Americana, e chefia o serviço de doenças cardiovasculares em mulheres na Universidade da Califórnia em San Francisco. Ela assinala as inconveniências do uso crescente das estatinas (drogas para baixar o colesterol). Critica os novos critérios que incluem mais pessoas no uso desses remédios. Diz que o que previne doenças cardiovasculares são mudanças no estilo de vida.

Atividade física regular é indispensável. Ingerir calorias em equilíbrio com o consumo causa menos doenças. Não há dúvida de que não fumar e controlar a pressão arterial reduz risco.

Conhecimentos científicos estão em evolução. É preciso estar atento e ter humildade para reconhecer e incorporar mudanças. Há evidências de que o maior inimigo está nos carboidratos. Gorduras podem ser ingeridas em proporção balanceada. O conteúdo calórico total da dieta em equilíbrio com o que se queima, um cálice de vinho ao dia, meia hora de caminhada ou outro exercício são novos paradigmas.

Não é preciso olhar os franceses como paradoxais. Podemos aprender o que há de bom em seus hábitos, desvendar seus segredos. Quem sabe, seja hora de entender que não é paradoxo, e sim paradigma francês?
*MÉDICO

sábado, 17 de maio de 2014

Evento em São Paulo - 7 de junho

Divulgando...




Ótima oportunidade para você conhecer mais sobre a alimentação lowcarb/paleo em São Paulo!

Eu, o Dr Thiago Louvalho e a nutricionista Alice Dalpicolli vamos tirar o rótulo de dieta da moda desse tipo de alimentação, e mostrar porque comer comida de verdade é a melhor solução tanto para saúde quanto para manejo do peso. Além de quebrar alguns mitos, queremos lhe ensinar como começar, e tembém esclarecer as suas principais dúvidas.

E você ainda vai poder degustar um coffee-break totalmente saudável e alinhado à alimentação lowcarb/paleo.

Não fique de fora, participe!

Inscrições e mais informações acesse: 
http://www.eventick.com.br/comacomidadeverdade
E o melhor! Para os leitores do blog, as organizadoras estão dando um cupom de desconto até o dia 21/05, envie e-mail para comacomidadeverdade@gmail.com e peça o código.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Relato de caso - perda de peso e melhora dos exames

O que se segue é interessante relato de um leitor que escapou da cirurgia bariátrica com a restrição de carboidratos, melhorando os exames e revertendo a esteatose no processo.

Bom… Acho que devo começar dizendo que tive o primeiro contato com a dieta através do livro “A Nova Dieta revolucionária do Dr. Atkins”, através de um colega de trabalho que abordou um aspecto interessante desta dieta: coma quando sentir fome e a quantidade de comida suficiente para estar satisfeito, sem se “empanturrar”, desde que faça parte dos alimentos permitidos.

Nesse ponto senti que a dieta poderia ser uma saída interessante, visto que o meu insucesso com as dietas anteriores se deu por conta de não conseguir seguir a premissa básica de comer de 3 em 3 horas. O meu hábito alimentar regular, por motivos profissionais e até mesmo por já estar acostumado com esse hábito há anos, fazia com que eu ficasse sem me alimentar por 10, 12 horas sem me sentir incomodado com isso.

Esse ritmo de trabalho puxado também contribuía para meu sedentarismo, sendo difícil achar um horário regular para fazer atividades físicas quando o ritmo de trabalho regular chegava a 16 horas de trabalho por dia, regado a muito refrigerante (Coca-Cola) e energéticos.

Diante dessa indefinida situação de postergar indefinidamente minha posição de cuidar da minha saúde, aliado a uma dieta descontrolada (apesar de não comer muito em quantidade), me levou a pesar 118Kg no início de 2013 e começar a cogitar com seriedade uma cirurgia bariátrica.

Parti para a primeira consulta com este objetivo, segui o procedimento padrão (acompanhamento com endocrinologista por alguns meses), peguei todas as solicitações de exames pré-cirúrgicos porém, por motivos alheios à minha vontade, não pude fazê-los por um tempo.

No momento que se havia removido o empecilho que me impedira de prosseguir a busca pelo tratamento cirúrgico, tive o contato descrito no começo da história, que me chamou a atenção e comecei a ler o livro do Dr. Atkins. (Sobre Atkins, clique aqui)

Como qualquer um, na medida que lia o livro e conhecia melhor as propostas do Dr. Atkins, ia achando que era uma idéia absurda e completamente fora da realidade. Porém, tenho em mim um pouco dessa natureza experimentadora e não tenho problemas em questionar parâmetros e padrões estabelecidos, ciente de que os maiores avanços se dão quando a gente resolve desafiar o que é comum e passa a experimentar aquilo que, num primeiro momento, possa parecer absurdo, mas que tenha uma possibilidade, ainda que mínima, de lograr êxito.

Como a minha dieta já tinha alguma coisa de gordura como dizia o livro, achei que seria menos arriscado manter os parâmetros permitidos (quantidade de proteínas e gorduras na dieta) e limitar os parâmetros não permitidos (controlar a ingestão de carboidratos e cortar o consumo de açúcar).

Durante a leitura do livro descobri que realmente não há regras de quando eu devo comer ou o quanto eu devo comer, meu organismo sabe quando e o quanto eu preciso comer, e a fome é um fenômeno fisiológico tão normal quanto urinar (já pensou se o médico recomendasse que a gente urinasse uma quantidade de vezes limitada por dia?). O conforto derivado deste fato é algo libertador diante das dietas comuns.

Assim, depois de ler o livro e me sentir motivado por todos os exemplos nele citados, marquei uma consulta antes de iniciar a dieta e peguei a solicitação dos exames que deveria fazer. Fiz os primeiros exames e verifiquei que os meus resultados estavam bastante ruins (não tanto quanto eu pensava que estariam, mas mesmo assim, alarmantes):

Colesterol Total: 228
HDL: 36,1
Triglicerídeos: 199
Glicose: 170,6 (ou seja, diabetes)


Fiquei receoso, mas, decidi prosseguir com a experiência dos 14 dias, como indicado pelo livro. Marquei outra consulta para poder repetir os exames e o resultado, medido cerca de 15 dias depois, foi, no mínimo, impressionante:


Colesterol Total: 174
HDL: 33
Triglicerídeos: 74
Glicose: 83,8 (leia aqui sobre low carb e diabetes)


Todos os índices voltaram aos patamares normais! Como pode? Estava comendo bacon, carne vermelha com gordura e os meus índices caíram! E não foi apenas isso. Meu peso antes de iniciar a dieta era de 113Kg. Na primeira semana já estava abaixo dos 110… E mesmo quando o peso não caía, a perda de medidas era impressionante: Havia comprado camisas tamanho 7 algumas semanas atrás e, agora, voltei a vestir camisas do tamanho 4!

OK, com isso, fiquei decido em seguir a dieta proposta. A maioria das pessoas (mesmo diante dos resultados mais do que visíveis) achava um absurdo e que essa dieta me prejudicaria. Era muito comum escutar: “Você PRECISA de comer carboidratos!”. Passei, então, a pesquisar na internet todos os indícios de resultados da dieta, descobri muita coisa:


1) A dieta do Dr. Atkins faz parte de um grupo de dietas que focam na redução do consumo de carboidratos, com algumas variações, mas a mesma premissa.

2) A maioria das pessoas que fazem relato dessa dieta a adotaram por um período de tempo curto, para atingir uma perda de peso rápida, mas, aconselhadas por profissionais, não seguiram com a dieta por mais de 90 dias, mesmo ficando impressionadas com os resultados da dieta além da perda de peso em si.

3) Existem centenas de relatos de pessoas que prosseguiram com alguma dieta de restrição de carboidratos por vários meses e até mesmo vários anos sem NENHUMA consequência negativa desse hábito (aliás, a evidência científica aponta justamente para consequências POSITIVAS).

4) O site da Associação Americana de Cardiologistas que concentra todos os motivos para não seguir uma dieta com restrição de carboidratos possui apenas 3 relatos de pessoas que tiveram algum tipo de problema com a dieta do Dr. Atkins. E não achei NENHUM outro relato relevante diferente desses. (Observação: Existem relatos de pessoas que sentem algum tipo de fraqueza nos primeiros dias da dieta. Mas esse sintoma foi relatado pelo próprio Dr. Atkins, inclusive recomendando que as atividades físicas fossem iniciadas algumas semanas após iniciar a dieta)

5) Há registros de pessoas para as quais a dieta com restrição de carboidratos resolveu problemas não associados à síndrome metabólica (Diabetes, Obesidade e Doenças Cardíacas), como: Esclerose Múltipla, Alergias, Intolerâncias Alimentares, Dores Crônicas, etc.

6) 90% da perda de peso está associada à dieta e apenas 10% associado a exercícios físicos.

7) Exercícios anaeróbicos são mais eficazes na perda de peso do que os aeróbicos (na verdade, os aeróbicos perdem a eficácia bastante rápido se não forem de alta intensidade) (Sobre exercício, leia aqui)

Os fatos descritos acima podem ser facilmente encontrados, em incontáveis sites (infelizmente, na maioria das vezes, em inglês). No meio da busca, encontrei o blog do dr. Souto, médico do Rio Grande do Sul que possui um vasto material amplamente baseado em pesquisas científicas atuais que comprovam a eficácia das dietas com restrição de carboidratos, com muitas traduções e informações complementares às do livro do Dr. Atkins, principalmente referente ao Colesterol, ao sal e a todos os mitos associados às dietas com restrição de consumo de carboidratos. Este blog é de visita obrigatória para todos que desejam ingressar nesta dieta:http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/.


Meus efeitos "colaterais" imediatos:


- Passei a usar escadas em alguns trajetos que usava elevador

- Não consigo ficar acordado até as 3h da manhã trabalhando como antes. Agora durmo às 22h e acordo às 4:30.

- Não sinto mais sonolência durante o dia

- As poucas vezes que pratiquei exercícios puxados não vieram acompanhadas de dores musculares

- Sem roncos

- Sinto prazer de comer comida de verdade ao invés de culpa ao saborear carnes, ovos e queijos

- Muito mais disposição em geral

- É muito mais fácil controlar carboidratos do que calorias

- Perdi muito peso com quase nenhuma atividade física

- Posso comer com intervalos grandes (ou até mesmo fazer jejuns compridos) sem que isso afete em nada a dieta


Sei que muitos que lerão este texto ainda estão receosos e presos ao conceito dito normal relativos às dietas de que “gordura faz mal” (leia aqui), “carboidratos são essenciais” (leia aqui) ou “cetose é perigoso” (leia aqui). Antes de qualquer coisa, meu intuito aqui não é convencer ninguém de que todos precisam adotar esta dieta/estilo de vida. Apenas registro aqui algo que mudou minha vida, me livrou de uma cirurgia arriscada e me devolveu a auto-estima como não me lembro de sentir antes.

Reduzi de 3 para ZERO a quantidade de medicação para controle de Pressão Arterial (A média antes, mesmo com medicação era de 150/100, hoje chega no máximo a 120/90, com média de 115/85).

Como os primeiros exames mostraram alterações em alguns índices ligados ao fígado, meu cardiologista me encaminhou ao gastro para uma averiguação mais profunda. O gastro olhou meu exame e me disse que isso poderia ser um problema grave ou apenas consequência de uma perda acelerada de peso. Solicitou outros exames de sangue e um ultrassom para averiguar com mais precisão a quantidade de gordura no meu fígado, pois aqueles índices indicavam que poderia haver uma quantidade de gordura excessiva no fígado ou alguma doença relacionada.

Quando fui realizar o ultrassom, a médica confirmou comigo algumas vezes o motivo do exame e me disse: "Mas você não tem nenhuma gordura no seu fígado...". Desde a realização do exame, que indicou que havia gordura no fígado, até a realização do ultrassom se passaram cerca de 60 dias. Peguei o resultado dos exames e levei novamente ao gastro que afirmou "não ser possível" ter aqueles resultados, devia ter alguma coisa de errado no ultrassom, e me pediu para retornar posteriormente para repetir os exames. O que fiz recentemente e o resultado confirmou o desaparecimento da gordura no fígado com a dieta (que é o resultado esperado: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/12/o-figado.html)

Apesar do texto comprido, espero ter contribuído para que todos se mantenham firmes nesse propósito, vale a pena.

Anderson A. Barcelos


domingo, 4 de maio de 2014

Lista de profissionais de saúde páleo / low carb

A lista de profissionais tem seu próprio blog:


Profissionais de saúde alinhados com a abordagem low carb podem enviar seus dados para o email profissionaislowcarb@gmail.com, que é lido por um conjunto pessoas que administra aquela página.