quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mais evidências

Há 4 dias publiquei 3 relatos de casos nos quais a síndrome metabólica havia entrado em remissão com dieta low carb.

Mas eu sou o primeiro a admitir que casos individuais são a forma mais fraca de evidência.

Mas ontem, dia 12 de agosto de 2015, saiu a primeira metanálise de ensaios clínicos randomizados (o mais alto nível de evidência) comparando a dieta paleolítica com as diretrizes nutricionais vigentes para o manejo de síndrome metabólica. O resultado? As diretrizes nutricionais vigentes são INFERIORES à dieta paleolítica no que diz respeito aos marcadores de síndrome metabólica:



A conclusão: a dieta páleo foi superior às dietas apregoadas pelas diretrizes nutricionais vigentes no que diz respeito ao controle dos componentes da síndrome metabólica.

Ou seja, os resultados vistos na postagem anterior não são exceções. São os resultados esperados com esse tipo de intervenção.

Você pode não gostar. Você pode preferir outras abordagens, você pode achar que não lhe serve. A única coisa que você não pode dizer, em 2015, é que é uma "dieta da moda", e que carece de evidências científicas.

Falando em evidências científicas...

Nosso Guia Alimentar para a População Brasileira, que tem muitos méritos (veja aqui e aqui), afirma, em vários locais, que a gordura saturada é ruim. Veja, por exemplo, na página 82:

"(...) gorduras saturadas, que, quando consumidas em excesso, aumentam o risco de doenças do coração e de várias outras doenças crônicas."

Aqui no blog, já publiquei incontáveis referências que contestam essa afirmação. Ontem, saiu publicada MAIS UMA metanálise, dessa vez no British Medical Journal, demonstrando que isso não é verdade:



Esta metanálise reafirma o resultado de metanálises anteriores:
A gordura saturada não está associada com:
  • Mortalidade por todas as causas;
  • Mortalidade cardiovascular
  • Doença coronariana
  • AVC isquêmico
  • Diabetes
  • Gorduras trans industriais (mas NÃO as naturalmente existentes em ruminantes) estão associadas com mortalidade.
As manchetes já estão brotando na mídia internacional:
Ok, ok, tablóides ingleses são exagerados mesmo, coloquei apenas por ser engraçado. Mas a frase de Zoe Harcombe, no texto da reportagem, sintetiza o que penso:

The fact we ever thought real food was bad for us is one of the most stupid things we have ever seen in the field of nutrition.

Traduzindo: "O fato de um dia termos pensado que comida de verdade pudesse ser ruim para nós é uma das coisas mais estúpidas que já se viu no campo da nutrição".

Seguem, abaixo, mais algumas metanálises. Afinal, evidências nesse sentido não faltam. Você pode não gostar, pode não recomendar mas - por uma questão de honestidade intelectual - não pode criticar quem segue ou recomenda.


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