sábado, 31 de janeiro de 2015

Em 2016, a continuação de Barriga de Trigo, em português

Fiquei sabendo, pela assessoria de imprensa da Martins Fontes, que a editora já comprou os direitos do novo livro de William Davis, "Wheat Belly Total Health" ("Barriga de Trigo - Saúde Total", em tradução livre). Trata-se de uma continuação do livro Barriga de Trigo, sobre o qual já escrevi aqui no blog.


Mais uma vez, a Martins Fontes brindará o leitor brasileiro com um livro voltado para o público low carb. Lembrando que é também a Martins Fontes que lançará a tradução do livro mais importante da década, também em 2016 - The Big Fat Susrpise.

Para os apressados, segue o link para o livro original, na Amazon:


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dois livros fundamentais em português! Cordain e Sisson.

Dois títulos absolutamente fundamentais estão sendo lançados em português (dica da Patrícia Ayres). Dessa vez, ambos foram lançados em Portugal antes do Brasil. Mas, graças à internet, basta comprar e receber pelo correio.

1) The Paleo Diet - Loren Cordain.

Título em Português: "A Dieta do Paleolítico"

Trata-se do livro original do moderno movimento de dieta páleo. É absolutamente indispensável à biblioteca de nutrição de qualquer pessoa, mesmo que não se leve tudo ao pé da letra. Está em pré-venda para 15 de fevereiro de 2015, aqui.


2) The Primal Blueprint - Mark Sisson

Título em Português: "Energia Paleo"

Se você só puder ler dois livros na vida, leia "Por que engordamos", de Gary Taubes, e em seguida (nessa ordem) leia o livro acima. Mark Sisson é um dos meus heróis. Consegue aliar a lógica evolutiva que caracteriza o conceito de dieta paleolítica com ciência e bom senso, SEM DOGMATISMO (ao contrário do Cordain). Mas não caiamos no maniqueísmo - sem Cordain, não haveria Mark Sisson - ambos devem ser lidos. O livro, que está em pré-venda para semana que vem, pode ser comprado aqui.

Com atraso de vários anos, nosso idioma aos poucos vai recuperando terreno. Que venham mais obras!

O GLOBO - Gordura saturada não é o problema - Nina Teicholz

Bela reportagem do jornal O Globo repercutindo o livro da década, The Big Fat Surprise: Why Butter, Meat and Cheese Belong in a Healthy Diet. Releia minha postagem sobre o livro aqui.


http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/novas-pesquisas-mostram-que-gordura-saturada-nao-faz-mal-saude-15181100

Novas pesquisas mostram que gordura saturada não faz mal à saúde

Dieta rica em manteiga, ovos e carnes não levaria a desequilíbrio de colesterol e a doenças cardíacas, mas nutricionista faz ressalva

POR 
Colesterol. Estudos mostram que a gordura saturada encontrada em carnes, ovos e queijos não está associada a doenças cardiovasculares - Reprodução/Corrientes 348

RIO - Para a maioria das pessoas preocupadas com a saúde, a gordura faz parte de uma lista quase proibitiva, ao lado da nicotina e do álcool. Mas o papel de vilã nutricional pode estar com os dias contados. Novos estudos mostram que a gordura saturada — encontrada em carnes, ovos e queijos — não está associada a doenças cardiovasculares.

Adepta de alimentação com baixo teor de gordura, a jornalista americana Nina Teicholz viu sua dieta mudar radicalmente quando conseguiu um trabalho como crítica gastronômica em Nova York. Ela passou a comer carnes, sopas cremosas e todo o foie gras que tinha evitado em sua vida. Como resultado, perdeu 4kg e seus níveis de colesterol mantiveram-se estáveis e saudáveis.

A experiência levou Nina a uma pesquisa de anos sobre como a ciência nos levou a um estado de “gordurofobia” e a uma crescente ingestão de carboidratos. No livro “The big fat surprise: why butter, meat and cheese belong in a healthy diet” (“A grande surpresa da gordura: por que manteiga, carne e queijo pertencem a uma dieta saudável”), lançado no ano passado nos Estados Unidos, a jornalista mostra que pesquisas recentes revelam falta de evidências sobre a gordura saturada ser responsável pelo desequilíbrio nos níveis de colesterol ou pela incidência de doenças cardíacas.

— A gordura saturada foi condenada a partir de um estudo antiquado sobre o colesterol, baseado em hipóteses. A ideia de que ela elevava o colesterol total, aquele que obstrui as artérias e causa ataques cardíacos, surgiu nos anos 1950 pela teoria do cientista Ancel Keys. Nos anos 1980, já estava claro que o colesterol total não se alinhava muito bem com doenças cardíacas. Então, a história mudou: a gordura saturada aumenta o mau colesterol, o LDL. Só que a gordura saturada é o único alimento que aumenta o HDL, o colesterol bom — explica.

Agora, pesquisadores têm se debruçado sobre o LDL e o HDL na busca do biomarcador mais confiável.

— A dieta de baixo teor de gordura e as três gerações de cientistas que estão comprometidos com ela impediram que esse debate avançasse. É uma questão muito complicada, política e influenciada pela indústria, uma vez que as empresas sabem como diminuir o LDL, mas não como aumentar o HDL. O LDL sempre foi o foco de todos — aponta.

Diferentes recomendações: de 7% a 80%

A primeira diretriz sobre uma dieta de baixa gordura foi elaborada em 1961, pela Associação Americana de Cardiologistas, e adotada em muitos países, inclusive no Brasil. Desde 2013, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda a ingestão de 6% a 10% de gorduras totais, sendo que a de gordura saturada deve ser inferior a 7%. Defensor do consumo da boa gordura, o nutrólogo Wilson Rondó Jr. afirma que sua ingestão poderia chegar a 80%:

— A gordura boa deve predominar. Considero uma dieta equilibrada aquela com mais de 50% de gordura saturada, mas alguns artigos já falam em 80%. As populações do Pacífico, por exemplo, retiram 60% de suas calorias da gordura saturada e têm índices ínfimos de problemas cardiovasculares.

A nutróloga Nadia Borges é reticente quanto a uma dieta composta majoritariamente por gordura saturada:

— Não há como abolir a gordura saturada da dieta. Ela participa de processos como a formação de hormônios sexuais e da membrana celular, a absorção do cálcio e o fortalecimento da imunidade. Agora, ainda não há nível de evidência que comprove o sucesso de uma dieta composta majoritariamente por gordura saturada. Não há ainda nível de evidência que comprove o sucesso dessa dieta na sociedade médica. (P.S.: ninguém está sugerindo uma dieta majoritariamente de gordura saturada - de fato não há nível de evidência nesse sentido - lembrando que banha de porco, por exemplo, é 60% gordura insaturada. Mas também não há nível de evidência para indicar níveis de gordura total abaixo de 30% ou de saturada abaixo de 7% - o que existe é nível de evidência de que esta restrição NÃO reduz doenças).

Na gastronomia, as barreiras contra a gordura também estão diminuindo. No menu do T.T. Burguer, por exemplo, acém, fraldinha e contrafilé são combinados em 180g de um suculento hambúrguer. No Olympe, um porco confit é assado na própria gordura. Para o chef Thomas Troisgros gordura, definitivamente, não é um problema:

— Sou descendente de franceses. Desde pequeno como manteiga e creme de leite. Na minha cozinha uso bastante também, como mais um ingrediente de sabor. Hoje, um dos ingredientes que faz mais sucesso na gastronomia é a barriga de porco.

No Irajá, do chef Pedro de Artagão, o bacon reina. Presente em três pratos do cardápio — piamontese, picadinho e hambúrguer —, o ingrediente segue a linha artesanal. O corte vem de porcos criados na Serra Fluminense e custa mais caro do que o filé mignon: R$ 42, o quilo.

— Nosso hambúguer é 100% artesanal, com carne moída na casa, fermento artesanal, bacon que vem de Petrópolis. Não tem nada industrializado — afirma Artagão.

O primeiro prato que criou foi justamente usando o bacon, ainda em 2001, com o picadinho:

— Vivemos um momento na gastronomia em que as pessoas estão se entregando mais aos ingredientes, menos preocupadas com dietas e restrições. A comida brasileira é a minha base. Comida da vovó, de refogado de fundo de panela, com muitas camadas de sabor. E essa origem da comida brasileira não se faz sem gordura. A dieta dos nossos ancestrais era muito mais rica em gordura do que agora. E não existia esse estado de calamidade na saúde pública.

Uma das vertentes mais claras dessa nova onda da gordura são os produtos artesanais, que usam normalmente gorduras saturadas como base.

— Os projetos de gastronomia têm buscado uma identidade nos sabores mais naturais, muito ligados ao comfort food. A indústria artesanal tem surgido com força. E esses novos produtos focados na rusticidade têm base nessas manteigas e gorduras de origem animal — ressalta a consultora de projetos gastronômicos Heloisa Mäder.

O caminho para emancipar definitivamente a gordura, no entanto, não será fácil.

Tivemos três gerações de especialistas acreditando na dieta de baixo teor de gordura. Nós temos não apenas um universo de especialistas, mas instituições, nutrólogos, diretrizes, uma grande infraestrutura que depende do fato de a dieta funcionar. É extremamente difícil reverter isso. Mas acreditar que comer gordura faz mal à saúde é tão infeliz quanto falso — defende Nina Teicholz.



Reportagem foi publicada originalmente no Globo A Mais.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/novas-pesquisas-mostram-que-gordura-saturada-nao-faz-mal-saude-15181100#ixzz3QFBHocJq
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A falácia do espantalho

O termo é rotineiramente empregado em inglês: “straw man fallacy”, a falácia do espantalho.

O espantalho é aquele boneco de palha, vestido com roupas velhas e um chapéu, que tem alguma semelhança com uma pessoa. Com sorte, os pássaros confundirão esse boneco com o fazendeiro real, poupando a plantação.



O que é, então, a falácia do espantalho?

Da wikipédia:

“Falácia do homem de palha (também Falácia do espantalho) é um argumento em que a pessoa ignora a posição do adversário no debate e a substitui por uma versão distorcida, que representa de forma errada esta posição. A falácia existe quando a distorção é proposital, de forma a tornar o argumento mais facilmente refutável, ou quando é acidental, quando quem usa a falácia não entendeu o argumento que quer refutar.
Nesta falácia, a refutação é feita contra um argumento criado por quem está atacando o argumento original, e não é uma refutação deste argumento original. Para alguém que não esteja familiarizado com o argumento original, a refutação pode parecer válida, como refutação daquele argumento.”

Outra boa definição está no quadro abaixo:



O nome dieta paleolítica presta-se muito à falácia do espantalho. Do ponto de vista de marketing científico, é um total desastre. Pois, uma vez que seja caracterizada como “dieta das cavernas”, comer exatamente como nossos ancestrais comiam, etc, passa a ser FÁCIL atacar o conceito. É evidente que o que se está atacando é apenas um espantalho, mas as pessoas não sabem disso.

Exemplos não faltam. Na reportagem de capa da revista Época do ano passado sobre dieta paleolítca, o texto inicia com a seguinte pérola:

“Num primeiro momento, a reação é de risos, seguida de incredulidade. Não raro, seguem-se comentários sobre as loucuras que as pessoas fazem para emagrecer. Alguns ficam extremamente curiosos, outros se espantam com tamanha bobagem e não querem prosseguir a conversa.”
Qual a justificativa para tratar de forma tão jocosa o assunto? É que as pessoas estão debochando não do argumento real, mas de um espantalho de dieta paleolítica. Nas palavras da revista: “(...) dieta paleolítica, ou dieta neandertal, ou, ainda, dieta dos homens da caverna”.

Ora, posto dessa forma, a coisa fica mesmo ridícula, o que permite à reportagem dar esse tipo de tratamento ao tema. Como diz a wikipedia, isso pode ser proposital, ou apenas fruto da ignorância. Mas o resultado é o mesmo - dar ao conceito um aspecto risível, para então desconstruí-lo com facilidade.

Mesmo autores acadêmicos sérios, como Marlene Zuk (sobre a qual escrevi longamente aqui), cometem o erro (proposital?) de construir um espantalho, para depois atacar impiedosamente o mesmo. Mas o que está sendo atacado é o homem de palha, não aquilo que efetivamente está sendo proposto.

Então, é preciso que fique claro o que queremos dizer com o termo "dieta paleolítica".

O termo dieta paleolítica foi cunhado em um estudo acadêmico, publicado no New England Journal of Medicine em 1985 (N Engl J Med. 1985 Jan 31;312(5):283-9.), e tinha como objetivo caracterizar a dieta dos vários povos caçadores-coletores ainda existentes à época, nos quais as chamadas doenças da civilização (obesidade, síndrome metabólica, diabetes, doença cardiovascular, câncer e Alzheimer) eram virtualmente ausentes, mesmo controlando-se para a idade. Eis o cabeçalho do famoso estudo - circunspecto e sério, como qualquer coisa que consiga ser publicado em um periódico peer reviewed dessa categoria:


O estudo do New England não tratava de outra espécie (Homo neanderthalensis), apenas na nossa (Homo sapiens), portanto falar em "dieta dos neandertais" é duplamente ridículo. Tampouco de “homens das cavernas”, seja lá o que for isso. Tratava de seres humanos como nós, cuja cultura e modo de vida divergem dos nossos. Tratar essas pessoas como “homens das cavernas” é de um etnocentrismo constrangedor para o século 21. Lembra os romanos que, durante o reinado de seu Império, denominavam todos os demais povos de Europa de “bárbaros”.

Como fotos e técnicas de marketing criam espantalhos

As fotos publicadas nas reportagens também caracterizam a falácia do espantalho. A revista Superinteressante dessa semana tem uma reportagem sobre dieta paleolítica (a reportagem não chega a ser ruim).




Mas, a despeito do texto equilibrado, o leitor depara-se com a seguinte foto de página inteira:


Uma foto grotesca de uma pessoa atacando um pedaço de carne ao passo que se suja todo, como se esperaria de um “homem das cavernas” - um esteriótipo atrás do outro, um insulto à inteligência do leitor - é a falácia do espantalho: qual a pessoa de bom senso pensaria que comer assim é saudável? Será isso que o New England Journal of Medicine aceitou para publicação nos anos 80? É isso que os livros sobre o assunto defendem? Não, esse é o homem de palha: pega-se o respeitável conceito de princípios evolutivos aplicados à nutrição humana, e o substitui por uma caricatura bizarra, para então ridicularizar e desconstruir.

Agora compare com essa foto que ilustra uma dieta mediterrânea:


Qual das duas parece mais saudável?

Prezado leitor, isso não é ciência, isso é MARKETING - percebem??

Mais um exemplo, mais uma vez retirado da revista Superinteressante, porém dessa vez e sua versão portuguesa - cujo título já constitui um espantalho: "a dieta da caverna":

A figura de um homem de aspecto aparvalhado, vestido como um personagem do Flintstones, diz bem mais a repeito dos jornalistas contemporâneos do que de nossos antepassados.

Quando pesquiso "dieta saudável" no Google imagens, por outro lado, o que vejo são variações disso:



Mais uma vez, a primeira foto é um espantalho apenas. Uma dieta paleolítica nem sequer precisa ter carne no seu cardápio!! Já escrevi aqui sobre o povo de Kitava, cuja dieta é baseada em raízes selvagens, coco e peixe. Na verdade, como também já escrevi, caracteriza-se muito mais pelo que exclui - alimentos processados, açúcar, farináceos (grãos cereais), óleos refinados e - na versão original de Loren Cordain - laticínios e coisas que crescem e vagens.

Se não for IGUAL ao que se se comia no paleolítico, não vale?

A versão-espantalho da dieta paleolítica também seria, de acordo com seus criadores, IGUAL à dieta do paleolítico. Isso permite dois tipos de críticas comuns:

  • É impossível comer exatamente como se comia no paleolítico, pois muitos dos animais nem sequer existem mais, os vegetais cultivados são completamente diferentes, e os animais atuais são alimentados com ração.
  • Nossos ancestrais viviam até (escolha seu número chutado preferido) anos de idade, portanto por que motivo eu quereria emular seu estilo de vida?
E deveríamos mesmo criticar tais pontos - exceto pelo pequeno detalhe de que eles NÃO estão presentes nos artigos e livros sobre dieta páleo - apenas nas versões-espantalho da mesma !

A primeira questão é exemplo TÍPICO de espantalho, pois ninguém disse, em nenhum momento, que queremos uma dieta IGUAL à dos ancestrais. Nenhum dos autores jamais escreveu isso. Repito, isso é criar um espantalho de dieta páleo para logo em seguida atacar o espantalho. Na realidade, trata-se de partir de uma matriz baseada em critérios evolutivos, para tentar reconstruir com alimentos modernos algo que não esteja TÃO distante daquilo com o que evoluímos (como é o caso da dieta ocidental padrão).

O postulado evolutivo, por exemplo, parte do princípio de que a carne de uma ovelha, embora domesticada e inexistente há 15 mil anos, seja mais parecida com a dieta com a qual evoluímos, do que Sucrilhos - não obstante este último não conter colesterol e ser enriquecido com vitaminas e minerais (e ser uma bomba de açúcar e amido). Um é comida de verdade, o outro é uma ração industrial que empobrece dietas e enriquece bolsos corporativos.

O termo “The Paleo Diet” foi patenteado pelo Dr. Loren Cordain, que foi introduzido ao tema pela leitura do artigo de Boyd Eaton, referido acima. Cordain ateve-se aos conceitos originais: se emularmos a dieta de nossos ancestrais com alimentos modernos, lidaremos melhor com as doenças da civilização.

Quem acompanha esse blog há mais tempo já sabe que sigo muito mais a abordagem de Mark Sisson, baseada em partes iguais de emprego uma matriz evolutiva para pensar sobre assuntos nutricionais, ciência e bom senso. O termo empregado por Sisson é "Primal" ao invés de "Paleo", justamente para se diferenciar da abordagem Paleo que, como já disse, é marca registrada de Loren Cordain. Sisson libera o uso de laticínios fermentados full-fat, por exemplo, embora os mesmos não estivessem presentes na paleolítico. Libera-os pois são low carb, são gostosos, são saciantes, e a preponderância da ciência mostra que são benéficos (para quem os tolera). Escreverei mais sobre os pontos em que discordo do Dr. Cordain em postagens futuras.

O argumento da longevidade não se sustenta por dois motivos: primeiramente, porque é FATO que nas sociedades caçadoras-coletoras que ainda existem na atualidade, os indivíduos que atingem idade mais avançada (sim, eles existem) não apresentam as patologias crônicas e degenerativas típicas da civilização. Segundo, as pessoas confundem longevidade com expectativa de vida média. Quando digo que nossos antepassados tinham uma expectativa de vida média de 40 anos, não significa que as pessoas assopravam 40 velinhas e em seguida sucumbiam. Significa que 1/3 das crianças morria ainda na infância (sem vacinas, sem antibióticos, sem plano de saúde...). Exemplo: se em um grupo de 10 pessoas, 5 viverem até os 100 anos, e 5 morrerem antes de completar 1 ano, a expectativa de vida média será de 50 anos. Pode-se dizer dessa população que são extremamente longevos, e que sua expectativa de vida média é de 50 anos, e AMBAS afirmativas estarão corretas.

A mensagem, portanto, é a seguinte: quando você ler uma crítica ferrenha à dieta paleolítca, tenha o cuidado de ver o que está sendo criticado: a coisa real, ou um espantalho caricato. Fotos bizarras e expressões como "dieta das cavernas", neandertal, etc, apontam sempre para o segundo caso.


P.S.: Para quem quiser conhecer os originais, e não as versões-espantalho, seguem os 3 principais livros (desabilite, nessa página, o AdBlockPlus ou outro bloqueador de anúncios que você tenha, para que os links da Amazon apareçam):


1) Primal Blueprint - o melhor (na minha forma de ver), justamente por não ser dogmático:


2) O original -> "The Paleo Diet". Levar em conta que é um livro com mais de 10 anos:


3) O mais divertido de se ler:
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

5 milhões

Só pra não deixar passar em branco:



5 milhões de acessos


Obrigado a todos pelo interesse - e feliz 2015.