sábado, 28 de março de 2015

Cuidado com o "junk food páleo"

Páleo e low carb estão ficando mainstream. Isso é bom, e isso é ruim. Há 4 anos, quem decidia se aventurar por este caminho enveredava por uma experiência de preconceito e ostracismo que, para alguns, era muito forte para suportar (poucas coisas superam o "peer pressure"). Isso está mudando. Quase todo mundo já ouviu falar em "dieta paleolítica" (embora de forma distorcida). Em centros urbanos maiores e em círculos mais esclarecidos, até mesmo o termo "low carb" já não causa tanta estranheza, sendo relegado ao status de opção alimentar minoritária (como vegetarianismo, por exemplo), e não mais ao equivalente nutricional do Estado Islâmico. Mas de que forma isso poderia ser ruim? Explico.

A popularização desse estilo de vida acabou por criar um mercado - um mercado em rápida expansão. E, como sabemos, novos nichos jamais permanecem vazios. Nos EUA, há uma explosão de produtos páleo, que são encontrados até mesmo em lojas de aeroporto. No Brasil, a indústria (como de hábito) está atrasada, mas a onda está chegando, através de empreendedores individuais.

Acontece que produto industrializado páleo é um oximoro. Páleo significa produtos não-industrializados. Páleo implica uma mudança de hábitos e de estilo de vida. No momento em os hábitos que levaram a pessoa a um estado de saúde sub-ótimo forem reproduzidos com suas "versões páleo", no momento em que o café da manhã tiver pão páleo, o almoço tiver macarrão sem glúten, os lanches virarem barrinhas de proteína páleo, e a janta for um congelado páleo, estaremos empobrecendo nossa saúde e enriquecendo corporações.

Nos tempos de hoje, a atitude mais subversiva que podemos ter é cozinhar. Produtos páleo devem ser uma opção eventual de conveniência, e não uma forma de preservar nosso estilo de vida anterior, com menos culpa, mais custos e uma boa dose de auto-engano.

Assim, foi com satisfação que li o texto da nutricionista Amy Kubal, no blog de Robb Wolf (cujo livro é leitura obrigatória), que reproduzo abaixo:

"Paleoização": só porque o rótulo diz "páleo", não significa que seja saudável

Ok, pessoal, segurem-se. Já faz um tempo desde a última vez em que eu me engajei em um libelo épico sobre alimentação, mas já está na hora. Não estou mudando a minha filosofia, e continuo achando que não há alimentos malignos, MAS há algumas coisas que precisam ser ditas - então segurem-se, pois isso pode doer...

Em nosso pequeno mundo páleo, nós gostamos de ridicularizar e destacar as principais falhas e erros da febre low fat (baixa gordura) e fat-free (sem gordura) que se abateu sobre o nós nos anos 1990 e no início dos anos 2000, e certamente há mérito nisso. As versões sem gordura de queijos, muffins , sorvetes, margarinas; manteiga de amendoim com redução de gordura; biscoitos Snackwell (biscoitos recheados e sem gordura), Lean Cuisine (uma marca de congelados de baixa gordura, vendida nos EUA pela Nestlé); pretzels e até mesmo doces sem gordura como balas de goma ganharam sinal verde, enquanto nozes, abacates, azeitonas e a maior parte das carnes foram relegadas à lista negra. A indústria alimentícia ganhou montanhas de dinheiro, e os americanos ficaram mais gordos. Enquanto nós comíamos todas estas comidas processadas com aura de saudáveis, negligenciávamos as comidas naturalmente baixas em gordura - você sabe, hortaliças, frutas, carnes magras... Então, basicamente o que fizemos foi trocar COMIDA DE VERDADE por lixo processado low fat, embalado, cheio de açúcar, e que não mata a fome - tudo porque nos foi dito que isso seria bom para nós, E que nós poderíamos comer à vontade e sem engordar. Bônus! Bem, isso acabou não dando certo no final, hein? Nós nos afastamos de comidas de verdade em direção a coisas que eram muito gostosas, e que eram rápidas e convenientes (afinal, até mesmo pegar um saco de vegetais congelados e uma caixa de atum já era trabalhoso DEMAIS...).

Voltemos agora à metade dos anos 2000 - finalmente nos demos conta de que a gordura não era o que estava nos prejudicando, e sim os carboidratos refinados e o açúcar. Surgem os heróis páleo Loren Cordain e Robb Wolf, e temos agora um novo movimento. Começamos a comer COMIDA DE VERDADE novamente, tais como carnes de animais alimentados com pasto, vegetais, frutas e gorduras naturais e - QUEM DIRIA - começamos a ficar saudáveis novamente. LOUCURA!! Mas, à medida que a popularidade do movimento páleo explodia, também explodia a popularidade da "paleoização" (vou patentear essa palavra) de comidas que, na idade da pedra, não estariam nem perto das geladeiras e despensas das cavernas... Nós temos agora as versões páleo de guloseimas (cookies, doces, bolos...), granola páleo, barrinhas páleo, pão páleo, proteína em pó páleo, ketchup páleo, molho barbecue páleo, e incontáveis receitas de sobremesas, panquecas, sorvetes, etc. Sério, praticamente todas as comidas comuns na alimentação das pessoas em geral já foram "paleoizadas" e estão disponíveis para venda em uma loja ou website próximo de você.




Ok, mas aqui começa ou meu libelo. Se você pensa, por um minuto, que o destino da páleo será diferente do destino da febre low-fat/fat-free, receio que você estará muito desapontado daqui a alguns anos. Estamos fazendo EXATAMENTE o que eles fizeram. Nós estamos engendrando e criando comidas que se encaixam em nossa pequena lista de regras, e comprando-as e comendo-as como se não houvesse amanhã. Bem - manchete, pessoal! - o seu corpo não reconhece nenhuma diferença entre uma colher da porcaria do açúcar de mesa e 1 colher de açúcar de coco natural e orgânico. Depois que essa mer...a atravessa os seus lábios - é tudo a mesma coisa. O mesmo se aplica a mel, maple syrup, néctar de coco, ou tâmaras e outras frutas empregadas para deixar as receitas doces. A história é a mesma para smoothies e sucos - o fato de você usar o seu liquidificador/juicer de mais de R$ 2.000,00 não o torna necessariamente melhor do que um copo de suco de caixa. É isso mesmo, dar a alguma coisa o halo de "páleo" não significa que quando você comê-lo ou bebê-lo, seu corpo dirá "oh, isso é páleo (ou orgânico, ou feito em casa, etc), então eu vou usar isso para queimar gordura e/ou convertê-lo diretamente em músculo". NÃO É ASSIM QUE FUNCIONA!! E eu estou de saco cheio de pessoas dizendo que não podem comer um droga de batata, cenoura ou pedaço de fruta porque contêm muito açúcar - MAS, ao mesmo tempo, estão comendo "panquecas páleo" com maple syrup (xarope de bordo) 100% natural no café da manhã, um sanduíche de "pão páleo" no almoço, "biscoitos páleo" e uma xícara de chá com mel no lanche, e "biscoitos páleo" de sobremesa após a janta. Sério?? E você quer me dizer que uma cenoura é ruim??


E (NÃO, eu ainda não terminei), há um ponto a partir do qual calorias contam, sim. NÃO, você não pode tomar duas xícaras de café com manteiga (cada uma com 2 ou 3 colheres de sopa cheias de manteiga de vacas alimentadas com pasto e óleo de coco), meio quilo de bacon, 3 xícaras de nozes, e um contra-filé de 700 gramas como parte de seu cardápio diário (a não ser que você esteja treinando como um animal, ou seja uma aberração genética), e ter esperanças de ficar magro. Sim, sim, é tudo páleo, mas há um limite.

Como indivíduos, e como parte dessa comunidade, nós temos que dar um basta a essa insanidade. Temos que voltar ao essencial - você sabe, COMIDA DE VERDADE. Todo mundo fica discutindo sobre como os homens paleolíticos não cozinhavam grãos e feijões - e provavelmente não o faziam mesmo - mas eles também não estavam fazendo farinha a partir de amêndoas (ou coco), extraindo açúcar de cocos, extraindo o xarope das árvores de bordo ou desidratando frutas de forma a usá-las para assar bolos - nem fazendo "ketchup páleo". Voltar ao BÁSICO: carnes alimentadas com pasto, muitos vegetais pobres em amido, quantidades moderadas de gorduras naturais, e um pouco de frutas frescas e/ou raízes. Não é complicado, e você não precisa de mais uma receita de muffins ou cookies páleo - essas não são comidas para o dia a dia!

Ok, fim do libelo. Agora, eu não estou dizendo que você deve abdicar de tudo o que tem gosto bom para sempre - CLARO QUE NÃO. Eu tenho a firme crença de que não há comida ruim - mas o excesso de QUALQUER coisa também não é bom, e se você quer pizza ou um biscoito ou uma guloseima, por favor, delicie-se - e já que isso é um mimo, um regalo eventual, e que você não faz isso o tempo todo, mesmo que não seja 100% "páleo" (e desde que não o deixe doente), é totalmente Ok. Coma aquilo que satisfaz o seu desejo, em uma quantidade razoável, e APROVEITE CADA MORDIDA. Mas se você está comendo alimentos "paleoizados" regularmente e não vê os resultados desejados, ou não se sente bem, não é porque "páleo não está funcionando". Volte atrás e revise o que é, realmente, a dieta páleo (clique aqui), e então diga-me, você mesmo, onde estava o problema.

Aqui vão algumas regras rápidas:


  • Só porque o rótulo ou a receita dizem "páleo" ou porque um site diz que um certo alimento é páleo, isso não significa que seja saudável comer o tempo todo e em grandes quantidades;
  • Se não está vendo os resultados desejados, volte às coisas básicas: COMIDA DE VERDADE E INTEGRAL;
  • Mesmo que um alimento seja compatível com a dieta páleo, isso não lhe dá uma licença para comer feito um louco (caso típico: várias xícaras de nozes, filés gigantescos, quilos de bacon,etc);
  • Páleo não é uma religião, e há espaço para regalos e coisas não-páleo - apenas não em excesso e nem com frequência;
  • APROVEITE CADA MORDIDA daquilo que comer, e coma conscientemente ("mindfully")
Não seja vítima da "paleoização". Dê ouvidos ao seu corpo. Faça o que funciona para VOCÊ e o mantém saudável e feliz. Se você fizer isso, não importa o que diz o rótulo."

*****

Epílogo - eu, Souto, escrevendo novamente. Evidentemente, um muffin páleo é melhor do que o comum, uma barrinha páleo é melhor do que uma barra de cereal. O objetivo da postagem não é negar isso. O objetivo é lembrar do básico: a barrinha e o muffin páleo, o bolinho e a sobremesa continuam sendo junk food. Só que páleo. Seu consumo deve ser eventual, e não uma forma de manter vivos velhos hábitos.

Eu gosto de contrastar essas duas fotos para mostrar a diferença entre o que é comida de verdade e o que não é:


Agora, leitor, reflita: em qual das fotos acima, as comidas "paleoizadas" abaixo encaixariam-se melhor?



Há um ditado em inglês que diz: "a barriga de tanquinho não se faz na academia, e sim na cozinha". Comida páleo, idem.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Mais importante centro de tratamento de diabetes do mundo sinaliza com low carb

Elliot P. Joslin (6 de junho de 1869 a 28 de janeiro de 1962) foi o primeiro médico nos EUA a se especializar em diabetes. Foi o primeiro a defender que os pacientes cuidassem de sua própria doença, e foi um pioneiro na orientação de que os níveis de glicose devessem ser mantidos o mais próximo possível do normal.





Joslin foi o fundador do maior centro mundial para a pesquisa e tratamento da diabetes, o Joslin Diabetes Center, em Boston, Massachusetts, uma instituição afiliada à Universidade de Harvard.




Há inclusive um famoso livro-texto sobre diabetes chamado? Adivinhou, Joslin's Diabetes Mellitus:



Então, uma vez estabelecida a devida importância desta instituição e de seu fundador, é nesse contexto que o leitor deverá ler este texto, postado no site do Joslin Diabetes Center (observe que o texto NÃO É MEU - se seu médico/nutricionista discorda, o endereço para queixas é em Harvard):


Joslin Diabetes Center & Joslin Clinic

One Joslin Place
Boston, MA 02215
General Info and Appointments: (617) 309-2400


Revolução na Nutrição: O Fim da Era de Alto Carboidrato para a Prevenção e Manejo do Diabetes Tipo 2.

"Em 1977, o Comitê Especial de Nutrição e Necessidades Humanas do Senado dos EUA recomendou que as pessoas aumentassem seu consumo de carboidratos para 55 a 60% de suas calorias, reduzindo ao mesmo tempo o consumo de gordura de 40 para 30% das calorias totais. O objetivo destas recomendações era reduzir os crescentes gastos com saúde e maximizar a qualidade de vida dos americanos, como explicou o senador George McGovern, o presidente daquela comissão.

A suposta redução de custos seria o resultado de uma possível redução na incidência de doença cardíaca, câncer e derrames, assim como de outras doenças letais. A despeito de controvérsias sobre fato de que tais recomendações eram baseadas em evidências científicas fracas, o Departamento Americano de Agricultura (USDA) criou em 1980 uma pirâmide alimentar para representar o que seria o número ótimo de porções a ser consumido a cada dia, de cada um dos grupos alimentares básicos. Os carboidratos foram colocados na base da pirâmide (perfazendo a maior porção da ingestão calórica - 6 a 11 porções por dia), e as gorduras foram relegadas ao ápice da pirâmide, a fim de mostrar que deveriam ser consumidas em pouca quantidade.


O que foi descrito corretamente como um "experimento nutricional em âmbito nacional" contribuiu, como agora sabemos, para aumentar a prevalência da obesidade. E, contrariamente aos principais objetivos das recomendações, a prevalências do diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares também aumentou significativamente.

Por que isso aconteceu? Fisiologicamente, um aumento no consumo de carboidratos resulta em um aumento da resposta da INSULINA aos carboidratos e, devido à ação promotora do armazenamento de gordura deste hormônio, promove a obesidade. E, como já foi demonstrado, este acúmulo de gordura abdominal ("gordura visceral") está associado com inflamação crônica, que é diretamente ligada à diabetes tipo 2 e ataques cardíacos.

"um aumento no consumo de carboidratos resulta em um aumento da resposta da INSULINA aos carboidratos e, devido à ação promotora do armazenamento de gordura deste hormônio, promove a obesidade. E, como já foi demonstrado, este acúmulo de gordura abdominal ("gordura visceral") está associado com inflamação crônica, que é diretamente ligada à diabetes tipo 2 e ataques cardíacos."

O problema é igualmente ruim para aquelas pessoas que já são portadoras de diabetes tipo 2. Hoje nós sabemos que aumentar a quantidade de carboidratos na dieta de um diabético aumenta a chamada toxicidade da glicose (ou "glicotoxicidade") e, consequentemente, aumenta a resistência à insulina, os triglicerídeos e reduz o benéfico HDL.


"Hoje nós sabemos que aumentar a quantidade de carboidratos na dieta de um diabético aumenta a chamada toxicidade da glicose (ou "glicotoxicidade") e, consequentemente, aumenta a resistência à insulina, os triglicerídeos e reduz o benéfico HDL."

No início do século 20 (portanto muito antes das recomendações do USDA representados na pirâmide alimentar), aquilo que hoje conhecemos como diabetes tipo 2 era predominantemente definido como uma doença de intolerância os carboidratos, e era tratado fundamentalmente através da redução dos carboidratos. A restrição dos carboidratos era uma forma particularmente bem sucedida de tratar o diabetes antes da descoberta da insulina. Os Drs. Elliot P. Joslin e Frederick Allen, os pais da ciência do diabetes, tratavam com sucesso seus pacientes diagnosticados com "diabetes gorda" (mais tarde conhecida como diabetes tipo 2) com uma dieta de muito baixo carboidrato ("very low carb diet"). Hoje, a dieta de Joslin seria considerada excêntrica, como se pode ver pela reação da comunidade médica à Dieta Atkins, que nada mais é do que a sua reencarnação.

"Hoje, a dieta de Joslin seria considerada excêntrica, como se pode ver pela reação da comunidade médica à Dieta Atkins, que nada mais é do que a sua reencarnação."

Tal redução extrema dos carboidratos, embora fosse altamente bem sucedida em tratar o diabetes tipo 2 antes da descoberta da insulina, era associada a alguns efeitos colaterais desconfortáveis, tais como constipação, dor de cabeça, mau hálito e cãibras. Mas, embora a recomendação quanto à quantidade de carboidratos tivesse sido um pouco afrouxada após a descoberta da insulina em 1922, tal recomendação nunca excedeu 40% das calorias, uma quantidade que já demonstrava reduções na glicemia e nos triglicerídeos. Assim, foi um grande absurdo o fato de que, quando as recomendações do USDA foram publicadas, várias sociedades médicas passaram a recomendar um aumento dos carboidratos e uma redução do consumo de gordura para os pacientes com diabetes.

"(...) foi um grande absurdo o fato de que, quando as recomendações do USDA foram publicadas, várias sociedades médicas passaram a recomendar um aumento dos carboidratos e uma redução do consumo de gordura para os pacientes com diabetes."

Desde 2003, muitos ensaios clínicos confirmaram que reduzir os carboidratos é superior à reduzir as gorduras, tanto na redução do peso, quanto em melhorar o controle da glicose. Também foi demonstrado que reduzir os carboidratos em pacientes com diabetes tipo 2 melhora a sensibilidade dos mesmos à sua própria insulina, reduz a gordura abdominal, os triglicerídeos, e aumenta o HDL (colesterol "bom").

"Desde 2003, muitos ensaios clínicos confirmaram que reduzir os carboidratos é superior à reduzir as gorduras, tanto na redução do peso, quanto em melhorar o controle da glicose. Também foi demonstrado que reduzir os carboidratos em pacientes com diabetes tipo 2 melhora a sensibilidade dos mesmos à sua própria insulina, reduz a gordura abdominal, os triglicerídeos, e aumenta o HDL (colesterol "bom")."

Recentemente uma análise de vários estudos (metanálise) mostrou que reduzir a carga glicêmica (quantidade de glicose) e o índice glicêmico (o efeito de um determinado alimento na glicemia) estava associado com uma redução no risco de desenvolver diabetes tipo 2. Após a redução do peso, manter uma dieta com redução de alimentos de alto índice glicêmico e com mais proteína demonstrou ser uma estratégia superior em manter a perda de peso já atingida, por um tempo maior do que qualquer outra composição de dieta.
(...) 
Recentemente, a maior parte das sociedades médicas afastou-se das recomendações de alto consumo de carboidratos e passaram a recomendar a individualização das necessidades nutricionais. Na Clínica Joslin nós temos prova de que esta é uma decisão acertada. Desde 2005 nós temos seguido a diretrizes Joslin para manejo do peso (N.T.: redução de carboidratos). Os 44 grupos de pacientes com diabetes tipo 2 que passaram pelo programa e seguiram as diretrizes Joslin perderam um total de 5 mil quilos, melhoram seu controle do diabetes e cortaram significativamente sua necessidade de medicamentos.

"Recentemente, a maior parte das sociedades médicas afastou-se das recomendações de alto consumo de carboidratos (...)"

Infelizmente, muitos profissionais de saúde e nutricionistas em todo o país ainda recomendam uma dieta de alto carboidrato para pacientes com diabetes, uma recomendação que pode prejudicá-los e contribuir para o aumento de sua obesidade e piora do controle de seu diabetes, consequentemente aumentando sua chance de vir a desenvolver complicações da doença no futuro.

"Infelizmente, muitos profissionais de saúde e nutricionistas em todo o país ainda recomendam uma dieta de alto carboidrato para pacientes com diabetes, uma recomendação que pode prejudicá-los e contribuir para o aumento de sua obesidade e piora do controle de seu diabetes, consequentemente aumentando sua chance de vir a desenvolver complicações da doença no futuro."

Agora está CLARO que um GRANDE ERRO foi cometido nos anos 1970 quando se recomendou um aumento dos carboidratos para mais de 40% das calorias totais. Este período precisa terminar, se nós realmente queremos reduzir a epidemia de obesidade e de diabetes tipo 2."

References:

1- U. S. Government Printing Office: Stock No. 052-070-03913-2/catalog No. Y 4.N95:D 63/3 accessed at http://zerodisease.com/archive/Dietary_Goals_For_The_United_States.pdf

2- U.S. Department of Agriculture and U.S. Department of Health and Human Services. Nutrition and Your Health: Dietary Guidelines for Americans. Home and Garden Bulletin No. 232, 1980.

3- Flegal KM1, Carroll MD, Kuczmarski RJ, Johnson CL. Overweight and obesity in the United States: prevalence and trends, 1960-1994. Int J Obes Relat Metab Disord. 1998;22(1):39-47.

4- Hedley AA1, Ogden CL, Johnson CL, Carroll MD, Curtin LR, Flegal KM Prevalence of overweight and obesity among US children, adolescents, and adults, 1999-2002. JAMA. 2004;291(23):2847-50.

5- Flegal KM1, Carroll MD, Kit BK, Ogden CL. Prevalence of obesity and trends in the distribution of body mass index among US adults, 1999-2010. JAMA. 2012;307(5):491-7.

6- Aldhahi W, Hamdy O. Adipokines, inflammation, and the endothelium in diabetes. Curr Diab Rep. 2003;3(4):293-8.

7- Osler W & McCrae T, The Principles and Practice of Medicine, 1923; Westman EC, Perspect Biol Med, 2006

8- Yancy WS Jr1, Olsen MK, Guyton JR, Bakst RP, Westman EC. A low-carbohydrate, ketogenic diet versus a low-fat diet to treat obesity and hyperlipidemia: a randomized, controlled trial. Ann Intern Med. 2004;140(10):769-77.

9- Gannon MC1, Nuttall FQ, Saeed A, Jordan K, Hoover H. An increase in dietary protein improves the blood glucose response in persons with type 2 diabetes. Am J Clin Nutr. 2003;78(4):734-41.

10- Foster GD, Wyatt HR, Hill JO, McGuckin BG, Brill C, Mohammed BS, Szapary PO, Rader DJ, Edman JS, Klein S. A randomized trial of a low-carbohydrate diet for obesity.

N Engl J Med. 2003;348(21):2082-90.

11- Stern L, Iqbal N, Seshadri P, Chicano KL, Daily DA, McGrory J, Williams M, Gracely EJ, Samaha FF. The effects of low-carbohydrate versus conventional weight loss diets in severely obese adults: one-year follow-up of a randomized trial. Ann Intern Med. 2004;140(10):778-85.

12- Gardner CD, Kiazand A, Alhassan S, Kim S, Stafford RS, Balise RR, Kraemer HC, King AC. Comparison of the Atkins, Zone, Ornish, and LEARN diets for change in weight and related risk factors among overweight premenopausal women: the A TO Z Weight Loss Study: a randomized trial. JAMA. 2007;297(9):969-77.

13- Miyashita Y1, Koide N, Ohtsuka M, Ozaki H, Itoh Y, Oyama T, Uetake T, Ariga K, Shirai K. Beneficial effect of low carbohydrate in low calorie diets on visceral fat reduction in type 2 diabetic patients with obesity. Diabetes Res Clin Pract. 2004;65(3):235-41.

14- Larsen TM1, Dalskov SM, van Baak M, Jebb SA, Papadaki A, Pfeiffer AF, Martinez JA, Handjieva-Darlenska T, Kunešová M, Pihlsgård M, Stender S, Holst C, Saris WH, Astrup A; Diet, Obesity, and Genes (Diogenes) Project. Diets with high or low protein content and glycemic index for weight-loss maintenance. N Engl J Med. 2010;363(22):2102-13. doi: 10.1056/NEJMoa1007137.

15- Ludwig DS. Clinical update: the low-glycaemic-index diet.Lancet. 2007;369(9565):890-2.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Por que fiquei tantos dias sem postar? GVT



Rápido desabafo.

Antes de sair de férias, meu telefone ficou mudo e fiquei sem internet em casa. Liguei para a GVT, e só poderiam vir depois da saída do meu voo - não havia como vir antes. Marquei para minha volta. Voltei, e nada - telefone mudo. E na data acertada, ninguém apareceu. Liguei novamente, e marcaram para dois dias depois - à tarde. Tive de pedir a uma pessoa que ficasse na minha casa a tarde inteira. E a pessoa ficou lá inutilmente. Mais uma vez, ninguém apareceu. Liguei novamente e marcaram NOVAMENTE para 2 dias depois. Isso era um sábado à tarde. Deixei de passear, deixei de ir ao cinema, deixei de viajar pois eu tinha que estar em casa das 12 às 18 horas de sábado. Às 16 horas de sábado eu liguei novamente, e apenas me informaram de que eu deveria esperar até as 18. As 18 horas vieram, as 18 horas passaram, e nada da GVT.

Então, liguei para cancelar. Aí, como é de praxe, fizeram ofertas: "mandaremos um técnico amanhã de manhã na sua casa, e o senhor terá um plano com desconto por 12 meses", dizia a voz com sotaque de sabe-se-lá-de-onde. Ok, engoli a raiva e aceitei. Preciso dizer o que houve? Ninguém apareceu no dia seguinte. Isso tudo foi em fevereiro. Desde então, lutei para conseguir que uma das duas concorrentes (Oi e NET) instalassem a banda larga para mim. Sem sucesso. Oi marcou de vir duas vezes e não veio. NET dizia que ligaria em 30 minutos para agendar a visita e não ligava. Aí, eu ligava novamente e o processo recomeçava. Umas 4 ou 5 vezes.

Foram 4 semanas de uma situação completamente kafkiana. Na definição da wikipedia:

A escrita de Kafka inspirou a criação do termo “kafkiana”, usado tanto em português como em outras línguas (em inglês, fala-se “Kafkaesque”) para descrever conceitos e situações que remetem à sua obra, principalmente O processo e A metamorfose. Entre os exemplos de situações usadas estão momentos quando a burocracia subjuga as pessoas, geralmente de forma surreal, evocando distorção, falta de sentido e impossibilidade de ajuda. Personagens em uma cena kafkiana geralmente carecem de autossuficiência para escapara das situações labirínticas. Elementos kafkianos muitas vezes aparecem em obras existencialistas, mas o termo ultrapassou o meio literário e também é usado em ocorrências reais que são incompreensíveis, complexas, bizarras ou ilógicas.
Mas, enfim, acabei pagando mais caro, comprando um Web-box da VIVO, e tenho banda larga novamente em casa (embora com franquia de consumo...). Prefiro pagar mais e ter um serviço que funciona imediatamente após ligar na tomada, do que ter um infarto ou um derrame selecionando opções em menus, falando com atendentes em "call centers" na lua, e agendando visitas que nunca se concretizam.

Assim, desculpem-me pela ausência, em breve retomarei as postagens.