quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Óleos vegetais extraídos de sementes

Reproduzo, abaixo, artigo da revista Forbes, escrita pelo grande Dr. DiNicolantonio. Como sempre, agradeço aos tradutores que contribuem com o Blog paleodiario (obrigado, Antônio Junior).


PODERIAM OS CHAMADOS "SAUDÁVEIS" ÓLEOS VEGETAIS ESTAREM NOS TORNANDO GORDOS E DOENTES?

Artigo traduzido por Antônio Junior. O original está aqui.

por James DiNicolantonio e Sean Lucan


Embora tenha sido reportado ao ponto de não chamar mais a atenção, ainda é chocante que 1/3 dos adultos americanos estejam acima do peso, com mais outro 1/3 (35,7%) sendo obeso. O atual nível de obesidade é particularmente notável quando se considera a trajetória surpreendente; de 1960-2010, a percentagem de americanos obesos quase triplicou em geral, e mais do que triplicou entre os homens. Além disso, o percentual de americanos extremamente obesos – essencialmente zero em 1960  –totalizou 6% da população em 2010. As linhas de tendência só parecem apontar para cima. E junto com cinturas em expansão, houve correspondentes altas em condições relacionadas, como diabetes, colesterol não-saudável e doença cardíaca.

Peritos têm adiantado os diversos culpados dietéticos como possíveis explicações para essas tendências alarmantes. Mas uma possibilidade interessante tem recebido pouca atenção: alguns dos óleos que fomos aconselhados a consumir.

A transição a partir de gorduras sólidas para gorduras líquidas


Com as preocupações do final do século XX acerca das gorduras saturadas na dieta e sua relação com doenças cardíacas, várias recomendações dietéticas apelaram para a substituição das gorduras saturadas por gorduras insaturadas. Como resultado, gorduras líquidas (vários óleos) substituíram gorduras sólidas (como manteiga).

Ao longo das últimas décadas, o consumo de óleos de vegetais e de sementes como as de algodão, de soja, milho, canola, cártamo e girassol, aumentaram substancialmente. Por exemplo, de 1970 a 2000, o consumo médio de óleo de soja passou de cerca de 2kg. por pessoa por ano para cerca de 13kg.

Todos os outros óleos mencionados acima, incluindo o óleo de soja, são ricas fontes de ácidos graxos insaturados. Em particular, muitos destes óleos são fontes ricas em ácido linoleico.

Podemos agora estar consumindo mais ácido linoleico do que nossos corpos evoluíram para lidar



Hoje, o ácido linoleico sozinho fornece até 8% do total de nossas calorias diárias, enquanto que para os seres humanos pré-agrícolas, o ácido linoleico teria contribuído apenas cerca de 1-3% do total de calorias diárias. Em outras palavras, podemos agora estar consumindo 2,5-8 mais vezes ácido linoleico do que nossos corpos podem ter evoluído para lidar durante as centenas de milhares de anos antes do relativamente recente advento da agricultura (e o advento ainda mais recente do processamento industrial de comida).

Poderia o evidente e recente aumento no consumo de ácido linoleico estar esmagado nossa tolerância, expandindo nossas cinturas e nos tornando doente? Talvez.

O ácido linoleico poderia estar aumentando nosso risco de obesidade e problemas de saúde relacionados


Sabemos a partir de experiências em camundongos, que o aumento da ingestão de ácido linoleico entre 1% e 8% pode resultar em sinais cerebrais que estimulam uma maior ingestão de alimentos e promover a engorda do corpo. Maior ingestão de ácido linoleico parece mascarar uma sensação de plenitude e de aumentar o tamanho das células adiposas. Administrando o ácido linoleico (ou melhor, a administração de óleo de soja, que é uma fonte generosa) parece produzir a obesidade e o diabetes em ratos e é mais prejudicial do que a administração quer do óleo de coco (alto teor de gorduras saturadas) ou frutose (um açúcar que demonstradamente promove a gordura abdominal e problemas de saúde associados).

No ser humano, o ácido linoleico pode contribuir igualmente para a obesidade e danos relacionados. Numa experimento randomizado, comparando a suplementação de óleo de soja contra a suplementação de óleo de coco, o óleo de coco (de novo, cheio de gordura saturada) parecia promover uma redução na gordura abdominal, ao passo que o óleo de soja, rico em ácido linoleico, não produziu tal redução e possivelmente tornou os participantes mais gordos enquanto definitivamente tornou seus perfis de colesterol piores.

Como ácido linoleico pode aumentar nosso risco de obesidade e problemas de saúde relacionados? Uma maneira pode ser que o ácido linoleico (um ácido poliinsaturado de tipo designado ômega-6) competecom e obstrui outros ácidos poliinsaturados (de um tipo designado como ômega-3) no corpo. Embora os seres humanos paleolíticos provavelmente consumissem uma dieta com teores de ômega-6 e ômega-3 na proporção de cerca de 1:1, a dieta ocidental típica hoje tem uma relação de mais perto de 16:1. Considerando que os efeitos de promoção de gordura de ácido linoleico podem ser evitados com o consumo suficiente de ácidos graxos ômega-3, o consumo de ácido linoleico sem consumo concomitante de ômega-3 suficiente pode levar à resistência à insulina e pré-diabetes. O excesso de ômega-6, como o ácido linoleico pode também evitar o chamado "escurecimento" da gordura branca, isto é, a conversão da gordura a partir de um tecido que armazena a gordura em um que queima gordura.

Substituir gordura saturada por óleos de elevado teor de ômega-6 pode realmente aumentar o risco de doença cardíaca 


O ácido linoleico pode até mesmo ajudar predeterminar a obesidade através de efeitos in-útero e no início do desenvolvimento. Quando ratas grávidas/lactantes são alimentadas com uma dieta rica em ácido linoleico vs. uma dieta equilibrada em ômega-3 e ômega-6, somente a dieta rica em ácido linoleico ômega-6 provoca obesidade nos filhotes. Este efeito pode ser devido à capacidade do ácido linoleico estimular a formação de novas células de gordura a partir de células precursoras. Se os resultados se estendem para os seres humanos, a implicação seria que o consumo elevado de ácido linoleico em mulheres grávidas ou lactantes poderia predispor seus filhos a nascer mais pesados ou tornarem-se mais pesados mais tarde na vida. E fórmulas infantis ricas em ácido linoleico podem agravar o problema, promovendo a obesidade infantil.

Dada a ciência emergente, é preocupante que a recomendação dietética para os americanos ainda incentive a substituição de gorduras saturadas por óleos frequentemente ricos em ácido linoleico ômega-6. Por exemplo, a American Heart Association ainda recomenda que todos os americanos consumam pelo menos 5-10% de suas calorias totais a partir de óleos com elevado ômega-6. Parte da lógica por trás da recomendação é que as gorduras saturadas tendem a aumentar o colesterol não-saudável, enquanto que óleos ômega-6 tendem a abaixá-lo – partindo do princípio de que substituir o primeiro pelo segundo vai levar a menos doenças cardíacas e melhor saúde. Mas o oposto pode de fato ser verdade: substituir a gordura saturada por óleos elevados em ômega-6 pode realmente aumentar o risco de doença cardíaca e morte. É necessária uma re-avaliação da recomendação.

Nesse ínterim, cozinhar com óleos pobres em linoleico (por exemplo, azeite), ou mesmo os óleos mais elevados em gordura saturada (por exemplo, coco), pode nos ajudar a viver mais tempo, com cinturas mais finas e melhor saúde. O mesmo poderia valer para comer alimentos não-processados (por exemplo, sementes e produtos hortícolas não-processados), em oposição aos óleos isolados que vêm deles. Para o consumidor consciente sobre saúde, é importante notar que óleo linoleico elevado em ômega-6 é encontrados em maiores proporções nos alimentos ultra-processados. O teor de óleo desses produtos representa apenas mais uma razão convincente para evitar comê-los.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Fundação Canadense do Coração: a gordura saturada da dieta não é o problema

A Fundação Canadense do Coração e Derrame é mais uma respeitada instituição internacional a abandonar a condenação da gordura na dieta, inclusive a saturada.

O Hilton Sousa, do blog paleodiario.com, traduziu a notícia, que reproduzo abaixo:


GORDURAS SATURADAS NÃO SÃO MAIS O VERDADEIRO INIMIGO, DIZEM ESPECIALISTAS

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Carly Weeks

A study led by researchers at McMaster University, published in the British Medical Journal this week, found no association between the consumption of saturated fats, such as butter, and increased cardiovascular risks (Craig Veltri/Getty/iStockPhoto)Gorduras saturadas não são o inimigo. Mas comidas processadas são, de acordo com uma nova afirmação da Fundação Canadense do Coração e do AVC.

Na quinta-feira, a fundação publicou uma nova nota que questiona a sabedoria convencional sobre os perigos das gorduras saturadas ao coração.

A gordura saturada é encontrada naturalmente na carne vermelha, laticínios e certos óleos como o de palma. Por anos, um debate feroz tem acontecido sobre se as gorduras saturadas contribuem para uma saúde cardíaca ruim. Muitos experts em nutrição e dietética, incluindo a Associação Americana de Cardiologia, alertam que as gorduras saturadas podem elevar o risco de doença cardiovascular e instam as pessoas a limitar o consumo de laticínios, carne vermelha e comida processada frita.

Mas recentemente, mais evidência emergiu, que questiona essa relação. Apesar de mais pesquisas serem necessárias para compreender inteiramente como as gorduras saturadas afetam a saúde a longo prazo, a Fundação do Coração e do AVC disse que não faz mais sentido frisar isso. Ao invés, os canadenses devem focar-se em comer frutas e vegetais frescos, grãos integrais, carne e outros produtos que não foram processados, disse Manuel Arango, diretor de políticas de saúde da fundação. Não há dúvida de que alimentos fritos por imersão e processados contribuem para uma saúde ruim no longo prazo, ele disse.

A organização também diz aos canadenses para deixarem de fixar-se em um aspecto particular da comida – tal como gordura, sódio, calorias, açúcar – e ao invés focar-se em comer comidas não-processadas. Também passe longe de produtos propagandeados como "de baixa gordura" porque as chances é de que sejam cheios de outras coisas que você não quer, tais como calorias, sódio ou outros aditivos, de acordo com a associação.

"A marcação como 'pobre em gorduras' pode ser muito enganadora", disse Arango.

Russell de Souza, nutricionista epidemiologista na Universidade McAster em Hamilton, recentemente completou um estudo que mostrou que gorduras saturadas não estão ligadas a derrames, diabetes tipo 2, doença cardíaca ou morte.

O estudo, publicado mês passado no Jornal Britânico de Medicina, encontrou uma relação clara entre gorduras trans, que são frequentemente encontradas em produtos processados ou fritos, e problemas de saúde cardíacos.

No passado, Souza disse, estudos mostraram que pessoas que comiam níveis menores de gorduras saturadas tendiam a ter melhor saúde cardíaca.

Mas se você examinar suas escolhas alimentares, essas pessoas escolhiam comer mais alimentos vegetais que são ricos em antioxidantes e nutrientes importantes, que poderiam ter contribuído para sua saúde cardíaca.

A pesquisa nunca mostrou claramente que as gorduras saturadas são a causa dos problemas de saúde do coração. Agora, a maré parece estar mudando.

"Talvez a manteiga não seja tão ruim quanto achamos antes", disse Arango.

"No final das contas, a nossa lição de casa é que precisamos desse dieta balanceada e você não tem que preocupar-se tanto com a ingestão de gordura saturada".

Isso não significa que encher-se de manteiga e carne é uma boa idéia. Ao invés, a Fundação advoga por moderação e por escolher comidas não-processadas ao invés das processadas.

A nota original pode ser vista aqui.

Obviamente, a organização canadense não está sugerindo que as pessoas se entupam de gordura. Também não estão, a bem da verdade, advogando uma dieta low carb. Mas estão reconhecendo que o foco inadequado neste nutriente faz com que as pessoas fujam desnecessariamente de alimentos naturais, nutritivos e não processados (ovos, carnes, laticínios) e os substituam por lixo processado (doces, confeitos, cereais matinais açucarados, pães e massas), tendo como critério a gordura saturada, cuja presença não tem relação com o surgimento de doenças.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Credit Suisse: Invista em low carb

Credit Suisse é uma respeitada instituição financeira internacional. Parte do seu trabalho é empregar os melhores analistas, que deverão fornecer a seus investidores relatórios detalhados sobre diversas áreas (economia, energia, educação, saúde) a fim de dar-lhes subsídios para, a partir dos prováveis cenários futuros, montar uma estratégia de investimento de longo prazo. Há MUITO dinheiro envolvido, e portanto esse pessoal não brinca em serviço.

Em 2013, o Credit Suisse publicou um estudo sobre o impacto do consumo excessivo de açúcar, que foi resumido no pequeno vídeo legendado, abaixo:


Para ver com legendas, clique em CC, acima

Na semana passada, o Credit Suisse publicou um extenso relatório sobre as mudanças na ciência da nutrição, denominado Gordura: O Novo Paradigma (um verdadeiro livro de 84 páginas, cuja íntegra pode ser lida gratuitamente aqui). É impressionante. É também algo que me deixou perplexo: como pode uma instituição financeira dar-se conta disso tudo ANTES da maioria dos profissionais de saúde? O que isso diz sobre o grau de dogmatismo das ciências da saúde quando o assunto é nutrição?

Para um texto maravilhosamente sarcástico e inteligente sobre esse assunto, leia esta postagem de Malcolm Kendrick.

Vários bons artigos foram publicados na imprensa internacional repercutindo este relatório.

Veja por exemplo aqui, aqui, aqui e aqui.

Este último artigo, da Bloomberg, foi traduzido por Regiany Floriano em seu blog Menos Rótulos, e eu reproduzo, abaixo:



No Bread, Please, Just Pass the Butter as Fat Demand to Soar
Por  Lydia Mulvany


Artigo publicado no Bloomberg em 17/9/2015.
Traduzido por Regiany Floriano. O original está aqui.

  
Os consumidores estão evitando cada vez mais o pão e trocando por manteiga e carne vermelha, enquanto que os carboidratos estão ficando em segundo plano, depois da gordura e da proteína. Esta troca em todo o mundo é sustentada por uma mudança no consenso médico que promete transformar a indústria de alimentos.

A demanda global de gordura vai subir 43 por cento até 2030, com um consumo per capita saltando quase um quarto, de acordo com um relatório divulgado quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Credit Suisse. A demanda considerada é de 23 por cento de aumento para a carne vermelha e 8,3 por cento de queda para os carboidratos.

"Gorduras naturais não processadas são saudáveis e são essenciais para transformar nossa sociedade em uma que se concentra no desenvolvimento e manutenção de indivíduos saudáveis", disse Stefano Natella, chefe global de pesquisa de ações do Credit Suisse e um dos autores do relatório. "Os consumidores estão em momento de mudanças, e isso tem implicações distintas para os investidores".



A gordura tem estado no centro de um debate médico há pelo menos três décadas, com a recomendação tradicional dos EUA relacionando-a com a obesidade e doenças cardíacas. Mas a pesquisa mais recente tem jogado a dúvida sobre esta conexão e tem apoiado os consumidores a comprarem mais das coisas que antes eram consideradas prejudiciais.

Não é provável que o colesterol seja a causa de doença cardíaca e a ligação entre gordura saturada e risco cardiovascular nunca foi provada, de acordo com o relatório do Credit Suisse, cujos autores dizem ter avaliado mais de 400 trabalhos de pesquisa médica e livros de acadêmicos e especialistas do setor. Nos EUA agora, suspeita-se que os principais culpados pela obesidade são provavelmente os óleos vegetais e os carboidratos.

O consumo de gordura acabará responsável por 31 por cento  da ingestão de calorias até 2030, contra os 26 por cento dos dias de hoje, de acordo com o relatório.


A DEMANDA POR OVOS

As tendências, simbolizadas pelas dietas Paleo ricas em proteínas, também podem ser vistas no consumo mundial de manteiga, que está crescendo até 4 por cento a cada ano. As vendas de leite integral nos EUA aumentaram em 11 por cento, enquanto que as do leite desnatado tiveram um decréscimo de 14 por cento, como mostra o relatório.

Até mesmo os ovos, carregados de colesterol, estão na moda novamente - o consumo da variedade orgânica subiu até 21 por cento do ano passado. Em 2030 cada pessoa no mundo vai comer o equivalente a cinco ovos por semana, de acordo com o relatório.

Outros vencedores de consumo ao longo dos próximos 15 anos serão os laticínios, carne vermelha e peixe, enquanto os perdedores irão incluir o açúcar. As afirmações de que os alimentos mais saudáveis são os de origem natural será a chave para o sucesso a longo prazo, segundo o relatório.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Editorial no British Medical Journal: diretrizes ignoram a ciência

Saiu ontem no British Medical Journal (BMJ):



O original pode ser lido aqui.

Editorial basicamente reafirmando a mesma coisa que tenho defendido há anos. Mas ver isso no BMJ é muito bom.

Acionei ainda ontem o Hilton Souza, do blog paleodiário que, com sua equipe de auxiliares, traduziu em tempo recorde o texto - que segue abaixo.

Leiam. Releiam. Divulguem para profissionais de saúde.


O RELATÓRIO CIENTÍFICO GUIANDO AS DIRETRIZES DIETÉTICAS AMERICANAS: ELE É CIENTÍFICO ?

Por Nina Teicholz
Artigo traduzido por Hilton Sousa e Antônio Junior. O original está aqui.


Ele tem um impacto grande na dieta dos cidadãos americano, e aqueles da maioria das nações ocidentais, então por que o aconselhamento dos experts que suporta as diretrizes dietéticas do governo americano não leva em consideração toda a evidência científica ?


O relatório dos experts que suporta o próximo conjunto de Diretrizes Dietéticas para os Americanos falha em refletir muita literatura científica relevante em suas revisões de tópicos cruciais, e por conseguinte arrisca-se a dar um panorama errôneo, mostrou uma investigação do Jornal Britânico de Medicina (BMJ). As omissões parecem sugerir uma relutância por parte do comitê por trás do relatório, em considerar quaisquer evidências que contradigam os últimos 35 anos de aconselhamento nutricional.


Publicadas uma vez a cada 5 anos, as diretrizes têm uma grande influência sobre a dieta dos EUA, determinando a educação nutricional, rotulagens, prioridades das pesquisas governamentais nos Institutos Nacionais de Saúde e nos programas públicos de alimentação – que são usados por cerca de 25% dos americanos todo ano [1]. As diretrizes, que foram publicadas pela primeira vez em 1980, também direcionaram as políticas da nutrição globais, com a maioria das nações ocidentais subsequentemente adotando aconselhamentos similares.


As diretrizes são baseadas em um relatório produzido por um comitê conselheiro – um grupo de 11-15 experts que são apontados para revisar a melhor e mais atual ciência para fazer recomendações nutricionais que ao mesmo tempo promovam ciência e combatam a doença. O último relatórido do comitê foi publicado em fevereiro [2] e está sob revisão pelas agências governamentais de saúde e agricultura, que vão finalizar as diretrizes no outono.


As preocupações sobre as diretrizes desse ano foram sem precedentes, com cerca de 29.000 comentários públicos submetidos, quando comparadas às 2000 submetidas em 2010. Em meses recentes, à medida que oficiais do governo convertem o relatório científico em diretrizes, o Congresso buscou intervir. Em junho, ele propôs um requisito de que as diretrizes sejam baseadas apenas em ciência "forte" e também que foquem-se em preocupações nutricionais sem consideração de sustentabilidade. Outros tópicos debatidos incluem as novas reduções propostas do consumo de açúcar e carne vermelha.


Estas questões vão provavelmente vir à tona numa audiência congressional sobre as diretrizes em outubro, quando dois secretários de gabinete estão agendados para testemunahr.


O BMJ também descobriu que o relatório do comitê usou padrões científicos fracos, revertendo esforços recentes feitos pelo governo para fortalecer o processo de revisão científica. Esse escorregão parece ter feito o relatório vulnerável a tendências internas, bem como a agendas externas.


O relatório de 2015 afirma que o comitê abandonou métodos estabelecidos para a maioria de suas análises. Desde seu surgimento, o processo das diretrizes sofreu de uma falta de métodos rigorosos de revisão da ciência da nutrição e da doença, mas um esforço enorme foi feito em 2010 para implementar revisões sistemáticas de estudos para trazer rigor científico e transparência ao processo de revisão. O Departamento Americano de Agricultura (USDA) produziu a Biblioteca de Evidências em Nutrição (NEL) para ajudar a conduzir revisões sistemáticas usando um processo padronizado para identificar, selecionar e avaliar estudos relevantes [3].


Entretanto, em seu relatório de 2015 o comitê afirmou que não usou as revisões do NEL em mais de 70% dos tópicos, incluindo alguns dos mais controversos em nutrição [4]. Ao invés, ele confiou em revisões sistemáticas feitas por associações profissionais externas, quase exclusivamente a Associação Americana de Cardiologia (AHA) e o Colegiado Americano de Cardiologia (ACC), ou conduziu um exame ad hoc da literatura científica sem critérios sistemáticos bem definidos para como os estudos ou revisões externas fora identificadas, selecionadas ou avaliadas.


O uso de revisões externas por associações profissionais é problemático porque esses grupos conduzem reviões de literatura de acordo com padrões diferentes, e são suportados por indústrias alimentícias e farmacêuticas. Os relatórios da ACC receberam da indústria 38% da sua renda em 2012, e a AHA reportou 20% da sua renda vinda da indústria em 2014. Conflitos de interesse potenciais incluem, por exemplo, décadas de suporte de fabricantes de óleos vegetais, cujos produtos a AHA há muito promove para saúde cardiovascular. Essa confiança em grupos financiados pela indústria claramente mina a credibilidade do relatório governamental.


Gorduras saturadas


Sobre as gorduras saturadas, por exemplo, o comitê não pediu à NEL para conduzir uma revisão formal da literatura dos últimos 5 anos, ainda que esse tópico claramente merecesse re-exame. Quando o comitê começou seus trabalhos em 2012, existiam diversos artigos proeminentes, incluindo uma meta-análise [5] e duas revisões grandes (uma delas, sistemática) [6, 7] que falhavam em confirmar associações entre gorduras saturadas e doença cardíaca.


As restrições à gordura saturada têm sido um dos fundamentos da política nutricional desde as primeiras diretrizes em 1980 e têm tido um papel dominante em determinar quais comidas, tais como laticínios desnatados e carnes magras, são considerados "saudáveis". Ao invés de requisitar uma nova revisão à NEL sobre a literatura recente nesse tópico crucial, entretanto, o comitê de 2015 recomendou extender a restrição atual das gorduras saturadas, de 10% das calorias, baseado em uma revisão da AHA e da ACC [8], uma revisão da NEL de 2010 e a seleção ad hoc do próprio comitê de 7 artigos de revisão (ver a tabela A) [9].


A revisão sistemática da NEL sobre gorduras saturadas de 2010 [10] só cobria a literatura publicada de 2004 a 2009, o período no qual o comitê de 2010 tinha sido solicitado a revisar. Menos de 12 estudos pequenos são citados, e nenhum suporta a idéia de que as gorduras saturadas causem doença cardíaca (veja a tabela B).


Mais significativamente, essa revisão omite um grande ensaio clínico controlado, a Iniciativa da Saúde da Mulher (WHI), que incluiu 49.000 pessoas e conseguiu uma redução significativa da ingestão de gordura saturada no grupo de intervenção – e que comparado aos controles, não observou benefícios para esse grupo na incidência de eventos fatais e não fatais por doenças cardíacas coronarianas e por doença cardiovascular total, incluindo derrame [11].


Artigos sobre gorduras saturadas publicados desde 2010 foram cobertos pela revisão ad hoc do comitê, que não usou um método sistemático para selecionar ou avaliar estudos. Uma das meta-análises que ele citou foi discutivelmente inapropriadamente incluída porque considerava óleos poliinsaturados ao invés de gorduras saturadas [12]. Outra análise citada em grande detalhe já tinha sido coberta pelo review da NEL de 2010, então incluí-la novamente resulta em contagem dupla [13]. Três meta-análises concluíram que gorduras saturadas não aumentam a mortalidade cardiovascular [14, 15, 16], mas o comitê minimiza esses achados. E duas outras meta-análises incluídas tinham resultados mistos: gorduras saturadas geralmente pareciam mais aterogênicas que as poliinsaturadas, mas menos aterogênicas que os carboidratos ou as monoinsaturads [17, 18]. Apesar dessa evidência conflitante, entretanto, o relatório do comitê conclui que a evidência ligando o consumo de gorduras saturadas à doença cardiovascular é "forte".


Talvez mais importante sejam os estudos que nunca foram sistematicamente revisados por quaisquer dos comitês [19]. Esses incluem os grandes estudos randomizados controlados financiados pelo governo sobre gorduras saturadas e doença cardíaca dos anos 1960 e 1970. Somados, esses estudos acompanharam mais de 25.000 pessoas, algumas por até 12 anos. Eles são alguns dos mais ambiciosos e bem-controlados estudos nutricionais já feitos [20, 21, 22, 23, 24, 25]. Esses estudos mostraram desfechos de saúde mistos para gorduras saturadas, mas revisões críticas da época, incluindo uma feita pela Academia Nacional de Ciências, que aconselhava contra o inconclusivo estado da evidência sobre gorduras saturadas e doença cardíaca, foram descartados pelo USDA quando ele lançou as primeiras diretrizes dietéticas em 1980 [26]. Comitês subsequentes nunca voltaram para revisar sistematicamente aqueles estudos, e ao invés confiaram em outros relatórios governamentais.


Dietas de baixo carboidrato



Outro tópico importante que foi insuficientemente revisdo foi a eficácia de dietas de baixo carboidrato. Novamente, o comitê 2015 não requisitou à NEL revisões sistemáticas da literatura dos últimos 5 anos. O relatório diz que isso foi porque, após conduzir "pesquisas exploratórias" da literatura desde 2000, o comitê só pôde achar "apenas evidência limitada sobre dietas de baixo carboidrato e saúde, particularmente evidências derivadas de populações americanas" [27].


O relatório não provê documentação sobre essas "pesquisas exploratórias", ainda que muitos estudos de restrição de carboidratos tenham sido publicados em jornais revisados por pares desde 2000, quase todos feitos em populações americanas. Esses incluem 9 estudos piloto, 11 estudos de caso, 19 estudos observacionais e no mínimo 74 estudos randomizados controlados, 32 dos quais duraram 6 meses ou mais (veja a tabela C). Uma meta-análise e uma revisão crítica concluíram que dietas de baixo carboidrato são melhores que outras abordagens nutricionais para controlar diabetes tipo 2 [28, 29] e duas meta-análises concluíram que uma dieta moderada a pobre em carboidratos é altamente efetiva para obter perda de peso e melhorar a maioria dos fatores de risco para doença cardíaca no curto prazo (6 meses) [30, 31]. Os benefícios de perda de peso em diferentes dietas tenderam a convergir no longo prazo (12 meses), de acordo com várias revisões, mas uma meta-análise recente mostrou que se os carboidratos forem mantidos "muito baixos", a perda de peso é maior que uma dieta low-fat mantida por 1 ano [32]. Dado o preço crescente cobrado por essas condições e a falha de estratégias existentes em fazer progressos significativos no combate à obesidade e diabetes até hoje, seria de esperar que o comitê das diretrizes acolhesse quaisquer novas e promissoras estratégias dietéticas. É então surpreendente que os estudos listados acima foram considerados insuficientes para merecerem uma revisão.


Novas estratégias


A abordagem do comitê à evidência sobre gorduras saturadas e dietas de baixo carboidrato reflete uma falha aparente em endereçar quaisquer evidências que contradigam o que foi o aconselhamento nutricional oficial pelos últimos 35 anos. A fundação desse aconselhamento tem sido recomendar comer menos gorduras e produtos animais (carnes, laticínios, ovos) enquanto altera-se a ingestão calórica na direção d emais produtos vegetais (frutas, legumes, grãos e óleos vegetais) para uma boa saúde. E nas décadas passadas, esse aconselhamento permaneceu virtualmente inalterado [33].


Como as diretrizes obviamente não levaram a uma saúde melhor, entretanto, houve uma necessidade de encontrar novas estratégias para atacar as doenças relacionadas à nutrição. A nova proposta do comitê para um limite ao consumo de açúcar é uma idéia. A mudança mais significativa do comitê, que começou em 2010, entretanto, foi redobrar seus esforços em enfatizar uma dieta baseada em plantas. Isso pode ser visto de diversas maneiras no relatório de 2015, nenhuma das quais é suportada por evidências fortes.


Novas propostas feitas pelo relatório de 2015 incluem não apenas remover a carne da lista de alimentos recomendados como parte de dietas saudáveis, mas também ativamente aconslehar reduções de "carnes vermelhas e processadas" [34]. Esse conselho tem sido o assunto de muito debate, que os apoiadores das diretrizes caracterizaram como um conflito entre os auto-interesses da indústria da carne versus os esforços virtuosos para salvaguardar a saúde (e o meio-ambiente) [35, 36]. Mesmo formatado dessa maneira, o debate falha em endereçar a questão fundamental à nutrição: reduzir a carne leva a uma saúde melhor ? Consultando a NEL por uma revisão nesse tópico produz um fato surpreendente: uma revisão sistemática sobre saúde e carne vermelha não foi feita. Apesar de diversas análises observarem "produtos de proteína animal", essas revisões incluíram ovos, peixes e laticínios, e portanto não isolaram os efeitos da carne vermelha (ou de qualquer tipo) sobre a saúde [37].


Importante, alguns dos achados do relatório também contradizem o aconselhamento do comitê contra a carne vermelha. Por exemplo, para suportar a idéia de que a carne vermelha prejudique a saúde, o comitê repetidamente cita um grande estudo randomizado controlado conduzido na Espanha. Entretanto, esse estudo não procurou reduzir o consumo de carne vermelha e processada no grupo experimental, comparado ao grupo de controle – então não se pode dizer que suporte o conselho do comitê [38]. Além disso, o único diagrama sobre carne vermelha no relatório do comitê, que traça os dados de estudos observacionais, mostra um número aproximadamente igual de benefícios à saúde associados com dietas mais ricas e mais pobres em carnes vermelhas [39].


Dietas recomendadas


Outra movimentação clara em direção a uma abordagem baseada em plantas no relatório, é a introdução da "saudável dieta vegetariana" como uma das três dietas recomendadas (as outras sendo a "saudável dieta em estilo mediterrâneo" e a "saudável dieta em estilo americano") [2]. Uma revisão da NEL de uma dieta vegetariana saudável existe, mas conclui que a evidência para os poderes dessa dieta para o combate de doenças é apenas "limitada", que é a classificação mais baixa para dados disponíveis [40]. Além disso, apesar da NEL conduzir 8 revisões sobre frutas e legumes, nenhuma encontrou evidência forte (nível 1) para suportar a afirmação de que essas comidas podem prover benefícios à saúde [41].


Em geral, a qualidade da evidência suportando as três dietas recomendadas pelo relatório é limitada (tabela D). O comitê só pode achar eviências que vão de "limitadas" a "não atribuíveis" para mostrar que essas dietas protegem contra osteoporose, anormalidades congênitas ou doenças neurológicas e psicológicas [27]. A revisão da NEL encontrou apenas evidência "limitada" ou "insuficiente" de que as dietas poderiam combater o diabetes [42]. Em um movimento altamente heterodoxo, o comitê das diretrizes ignorou as revisões sistemáticas da NEL nesse tópico e decidiu aumentar a classificação para "moderada", baseado na sua opinião de que um artigo de revisão de dados observacionais, que mostrava resultados positivos, era particularmente forte.


E as dietas recomendadas são melhores que as outras para ajudar pessoas a perder peso ? Sobre essa questão, o relatório classificou a evidência como moderada, ainda que para suportar tal afirmação, atualmente só exista um único estudo clínico feito em 180 pessoas com síndrome metabólica, que descobriu que dieta mediterrânea produzia mais perda de peso que uma dieta com pouca gordura [43]. Um estudo randomizado controlado listado pela revisão na prática não avaliou perda de peso, apenas a capacidade de aderir à dieta [44] – o que, apesar de importante, é relevante apenas se a dieta funcionar. Três estudos [45, 46, 47] e uma revisão da AHA/ACC [8] concluíram que comparadas a outras dietas, as recomendadas pelas diretrizes dietéticas ofereciam no melhor caso uma vantagem marginal em combater a obesidade (menos de 450g em um período de testes de até 7 anos).


O relatório também deu uma classificação forte à evidência de que suas dietas recomendadas possam combater doenças cardíacas [27]. Novamente, diversos estudos são apresentados, mas nenhum suporta de maneira inambígua essa afirmação. Oito estudos revisados pela NEL para suportar essa classificação forte incluem um estudo que não deveria ter sido incluído por não ter grupo de controle comparável [49]: 3 mostraram nenhum efeito benéfico sobre a saúde cardiovascular a não ser pressão arterial melhorada (e estudaram populações hipertensas) [50, 51, 52]; outro, também feito com hipertensos, mostrando que a dieta recomendada tinha desfechos cardiovasculares piores que outras opções que eram mais ricas em gordura monoinsaturada ou proteína [53]; um mostrando resultados mistos sobre fatores de risco cardiovasculares (apesar de o nível de LDL cair, também caiu o nível do "bom" HDL) [54]; e o maior de todos, que concluiu que a dieta era ineficaz em reduzir risco cardiovascular [11]. O comitê também cita uma revisão da AHA/AAC, mas esse artigo examina artigos já cobertos pela revisão da NEL, então incluí-los novamente é fazer contagem dupla [8]. O comitê revisou outros estudos mais recentes, mas não usando quaisquer métodos sistemáticos ou pré-definidos.


Em conclusão, as dietas recomendadas são suportadas por uma quantidade minúscula de evidência rigorosa que apenas marginalmente apoia as afirmações de que elas podem promover melhor saúde que as alternativas. Além disso, as revisões da NEL das dietas recomendadas descontam ou omitem dados importante. Houve no mínimo 3 estudos financiados pelo NIH, envolvendo cerca de 50.000 pessoas, mostrando que uma dieta pobre em gorduras e em gorduras saturadas é ineficaz para combater doença cardiovascular, obesidade, diabetes ou câncer [11, 46, 55, 56, 57, 58, 59]. Dois desses estudos foram omitidos da revisão da NEL. O terceiro estudo foi incluído, mas seus resultados são ignorados. Essa ignorância é particularmente chamativa porque esse estudo, o WHI, foi o maior experimento nutricional da história [55, 56]. Cerca de 49.000 mulheres seguiram uma dieta pobre em gordura e rica em frutas, legumes e grãos, por uma média de 7 anos – ao final dos quais os investigadores não encontraram vantagem significativa dessa dieta para perda de peso, diabetes, doença cardíaca ou câncer de qualquer tipo [11, 56, 57, 58, 59]. Críticos descartam esse experimento por várias razões, incluindo o fato de que o consumo de gordura não variou o suficiente entre os grupos de intervenção e de controle, mas o percentual de calorias tanto de gorduras quanto de gorduras saturadas foram mais de 25% mais baixos no grupo de intervenção que no de controle (26.7 x 36.2% na gordura total, e 8.8 x 12.1% nas gorduras saturadas) [57]. Os achados do WHI foram confirmados por outros estudos de tamanho considerável e são portanto difíceis de descartar. Quando os achados omitidos desses estudos são fatorados na revisão, a preponderância esmagadora da evidência rigorosa não suporta quaisquer das afirmações de saúde do comitê para suas dietas recomendadas.


Uma área final examinada pelo BMJ, na qual o relatório oferece aconselhamento que contradiz seus dados, é a respeito do sódio. O comitê diz que "concorda" com um relatório recente do Instituto de Medicina, que afirma que a evidência é "inconsistente e insuficiente para concluir que reduzir a ingestão de sódio a menos de 2300mg/dia tenha qualquer efeito sobre o risco cardiovascular ou mortalidade por todas as causas" [9]. E apesar disso o relatório recomenda que a ingestão de sódio "deveria ser menor que 2300mg/dia" e encoraja a escolha sem reservas de opções com menos sal.



Perguntas sobre viés


A total falta de dados científicos sólidos e métodos adequados no relatório de 2015 poderia ser vista como uma relutância em afastar recomendações dietéticas existentes. Muitos especialistas, instituições e indústrias têm interesse em manter a opinião de status quo, e esses interesses criam um viés em seu favor. Abandonar os métodos de revisão da NEL, como o comitê de 2015 fez, abre a porta não só para a polarização, mas também para a influência de agendas externas e os interesses comerciais, e tudo isso pode ser observado no relatório.


Por exemplo, um viés para a visão de longa data que as gorduras saturadas são prejudiciais pode ser visto no relatório de designação delas, juntamente com açúcar, como uma nova categoria que chama de "calorias vazias". O relatório menciona várias vezes a necessidade de reduzir o "açúcar e gorduras sólidas", porque, "ambos fornecem calorias, mas pouco ou nenhum nutriente". No entanto, esta associação não é apoiada pela ciência da nutrição. Ao contrário do açúcar, gorduras saturadas são principalmente consumidos como parte inerente de alimentos como ovos, carne e laticínios, que juntos contêm quase todas as vitaminas e minerais necessários para uma boa saúde.


Não seguir os métodos da NEL também permitiu a agendas externas entrar no relatório, mais claramente na forma do nova consideração para a sustentabilidade ambiental. Embora, como afirma o relatório, os efeitos ambientais de produção de comida e bebida sejam consideráveis, eles estão fora do mandato formal da comissão para fornecer ao governo federal com a "evidência científica atual sobre temas relacionados com a dieta, nutrição e saúde." Em um novo desenvolvimento para 2015, o USDA contratou um analista de política alimentar centrado em questões ambientais para supervisionar as diretrizes do trabalho do comitê, refletindo uma nova agenda no processo.


Muito tem sido escrito sobre como as indústrias tentam influenciar a política da nutrição, por isso é de estranhar que ao contrário de autores na maioria das principais revistas médicas, os membros da comissão diretriz não são obrigados a listar os seus potenciais conflitos de interesse. Uma investigação superficial mostra vários desses conflitos possíveis: um membro recebeu financiamento de pesquisa da California Walnut Commission e da Tree Nut Council, bem como das gigantes dos óleos vegetais Bunge e Unilever. Outro recebeu mais de US$10.000 da Lluminari, que produz conteúdos multimídia relacionados com a saúde para a General Mills, PepsiCo, Stonyfield Farm, Newman's Own, e "outras empresas". E, pela primeira vez, o presidente da comissão não vem de uma universidade, mas da indústria: Barbara Millen é presidente da Millennium Prevention, uma empresa sediada em Westwood, MA, que vende plataformas baseadas na web e aplicações móveis para o auto-monitoramento de saúde. Enquanto não há nenhuma evidência de que estes potenciais conflitos de interesse influenciaram os membros da comissão, o relatório recomenda um consumo elevado de óleos vegetais e nozes, bem como o uso de tecnologias de auto-monitoramento em programas de controle de peso.


Ainda assim, é importante notar que em um campo onde dólares em pesquisas públicas são escassos, quase todos os cientistas de nutrição aceitam financiamento da indústria. De longe a maior influência é provável que seja viés em favor de uma hipótese institucionalizada, bem como um viés de "boa pessoa" para distorcer informações para o que é percebido como fins justos.


O relatório é altamente confiante de que suas conclusões são apoiadas por boa ciência, afirmando que "A base de evidência nunca foi tão forte para orientar soluções." Millen disse ao BMJ, "Você simplesmente não responde a estas perguntas sobre a base da NEL. Onde nós não sentimos que precisávamos, nós não fizemos. Sobre temas onde não havia diretrizes abrangentes, nós não fizemos. Nós usamos esses recursos e aquele tempo para cobrir outras questões. A noção de que cada pergunta que nós colocamos deveria ter uma NEL é falha". Ela disse que iria para o tapete "para defender a abordagem da comissão". "É por isso que você tem um comitê de peritos... para trazer conhecimentos, incluindo as nossas próprias análises originais ".


"Essas pessoas sabem como fazer este trabalho. As pessoas que criticam isto estão vindo do ponto de vista de que elas não gostaram da resposta. Eles não gostam do fato de que estudos randomizados controlados testando esses padrões alimentares foram bem-sucedidos. Eu acho que você tem que ler o relatório. NEL nos ajudou a fazer as buscas para fazer a atualização da literatura. Isso é indicado. Se ele não o satisfizer, isso é tudo que posso dizer. É bem-definido e foi revisado por dezenas de pessoas".


Sobre gorduras saturadas, especialmente, ela disse: "Nós pensamos que acertamos em cheio." Millen disse que o trabalho de sua comissão não tinha sido inteiramente sem metodologia, mas tinha "funcionado com a assistência NEL e USDA para identificar a literatura de pesquisa." Ela disse que "ficou claro que as gorduras poliinsaturadas reduzem o risco de doença cardíaca e mortalidade, ainda que a "evidência não seja tão clara sobre se a substituição de gordura saturada por gorduras monoinsaturadas ou carboidratos reduz o risco de doença cardiovascular, e provavelmente depende do tipo e origem."


Em dietas pobres em carboidratos, ela disse que não havia "provas substanciais" a considerar. "Muitas dietas populares não têm provas. Mas você pode conseguir boa saúde, a resposta é sim. "


Em relação a conflitos de interesse do comitê, ela disse que os membros foram vetados pelo conselho do governo federal. Ela não quis revelar detalhes das atividades de sua empresa. Os críticos do relatório, ela disse, "estão partindo do ponto de vista de que eles não gostam da resposta."


No entanto, dada o aumento cada vez maior de obesidade, diabetes e doenças cardíacas, e do fracasso das estratégias existentes para fazer incursões na luta contra essas doenças, há uma necessidade urgente de fornecer aconselhamento nutricional baseado em dados científicos sólidos. Pode ser hora de pedir às nossas autoridades para convocarem um painel imparcial e equilibrado de cientistas para realizar uma análise abrangente, a fim de garantir que a seleção da comissão das diretrizes dietéticas torne-se mais transparente, com uma melhor divulgação dos conflitos de interesses, e que a mais rigorosa evidência científica seja utilizada de forma confiável para produzir a melhor política de nutrição possível.


O que você precisa saber


As novas diretrizes dietéticas para americanos são iminentes e vão afetar a dieta de dezenas de milhões de cidadãos, bem como a rotulagem de alimentos, educação e as prioridades de pesquisa. No passado a maioria das nações ocidentais adotaram recomendação dietética semelhante


O comitê científico assessorando o governo dos EUA não usou métodos padronizados para a maioria de suas análises e, como alternativa depende fortemente de revisões sistemáticas de organismos profissionais, como a AHA e a ACC, que são fortemente apoiados por empresas de alimentos e medicamentos. Os membros da comissão, que não são obrigados a listar os seus potenciais conflitos de interesse, também realizaram avaliações ad hoc da literatura, sem definir critérios de identificação ou avaliação de estudos.


Este ano, em seu relatório ao governo, a comissão amplamente aponta para o mesmo conselho que deu ao longo de décadas – comer menos gordura e menos produtos animais e comer mais alimentos de origem vegetal para uma boa saúde. Mas esta decisão de manter o status quo falha em refletir muito da atual ciência relevante.


As exceções incluem uma proposta de um limite para o consumo de açúcar.


A comissão recomenda três dietas para promover uma melhor saúde, mais uma vez sem o acompanhamento de rigorosa evidência.


O Congresso dos EUA entrou em cena, com uma audiência marcada para outubro.


Notas de Rodapé


Conflito de interesses: Eu li e compreendi a política da BMJ sobre declaração de interesses, e declaro que eu sou o autora de "The Big Fat Surprise" (Simon & Schuster, 2014), sobre a história, a ciência e a política de recomendações de gordura na dieta. Tenho recebido honorários modestos para apresentar meus resultados de pesquisa apresentados no livro para uma variedade de grupos relacionados como médicos, restaurantes, financeiras, carne e indústria de laticínios. Eu também sou um membro do conselho de uma organização sem fins lucrativos, a Nutrition Coalition, dedicada a garantir que a política de nutrição seja baseada em ciência rigorosa.


Este artigo foi totalmente financiado com uma doação da Laura and John Arnold Foundation (www.arnoldfoundation.org). A análise foi realizada de forma independente, bem como o relatório reflecte as opiniões do autor e não necessariamente aqueles da fundação. Proveniência e revisão por pares:


Encomendado; externamente revisados e verificado.

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