segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Diabetes

Há 6 anos escrevi pela primeira vez sobre low-carb e diabetes aqui no blog (veja aqui). Naquela época, quem poderia imaginar que em 2019 a Associação Americana do Diabetes - ADA - recomendaria low-carb como uma estratégia padrão no manejo nutricional desta doença, deixando explícito que low-carb é 1) a estratégia que produz os melhores resultados glicêmicos e 2) que é a estratégia embasada na maior quantidade de evidências científicas? Confira a postagem aqui.

A louvável mudança de atitude da ADA vem na esteira de uma quantidade avassaladora de evidências. Em 2018, um Consenso conjunto a Associação Americana do Diabetes (ADA) e da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) já havia colocado low-carb como uma das opções nutricionais oficialmente recomendadas (veja aqui). Muitas das evidências que justificam a mudança das diretrizes internacionais vêm sendo repercutidas há anos aqui no blog: clique aqui para ver um exemplo. E é interessante salientar que desde 2014 há artigos científicos publicados defendendo a mudança imediata das diretrizes.

O problema no Brasil é grave, e vem aumentado (dados do Ministério da Saúde - Vigitel 2016):


Aos 65 anos, 27% dos Brasileiros (sim, quase um terço!!) estão diagnosticados com diabetes. E sabemos que muitos outros já são diabéticos, mas ainda não sabem.


Como se vê, há uma crescente prevalência da doença; ao mesmo tempo, sabemos que existe uma solução simples e de baixo custo, que permite que até 60% das pessoas coloquem a doença em remissão, ao mesmo tempo em que reduzem ou eliminam medicamentos.

Nestes últimos anos, aplicando e aperfeiçoando a estratégia low-carb no manejo nutricional do diabetes, temos visto melhora importante, não apenas do controle glicêmico, mas também da síndrome metabólica, com perda de peso e redução da necessidade de medicamentos.
Por estes motivos, o Dr. Rodrigo Bomeny (endocrinologista e diretor médico da Associação Brasileira Low Carb) e eu elaboramos um e-book gratuito com as informações que você precisa saber para iniciar sua jornada consciente no controle e reversão do diabetes.

Clique na imagem abaixo, e compartilhe esta postagem com aqueles que você acha que também possam se beneficiar deste conhecimento. Esperamos que o conteúdo seja útil; em breve, divulgaremos mais novidades para vocês.



domingo, 28 de julho de 2019

São os carros, não as vacas

Compreendo e respeito o veganismo ético - a posição de que comer animais é moralmente errado. Discordo (já escrevi sobre isso aqui - tópico 7 da postagem), mas penso que é uma opção pessoal de natureza análoga à da religião. Desde que não seja IMPOSTA às pessoas na forma de legislação, Ok. Em uma democracia, há liberdade religiosa, não pode haver é uma religião do Estado.

No entanto, quando usam-se argumentos 'ditos' CIENTÍFICOS como forma de avançar uma agenda de natureza MORAL, isso me incomoda MUITO.

Recebi com muita alegria a iniciativa da Cooperativa Maria Macia, que está publicando uma série de vídeos (com as referências bibliográficas no final) retificando a ciência sobre o impacto ambiental do consumo de carne. Assista o primeiro vídeo da série:



Assista o segundo episódio da série, sobre o uso de água:

Para quem desejar se aprofundar no assunto, com muito mais dados numéricos e referências bibliográficas, sugiro fortemente assistir a esta aula do Dr. Frédéric Leroy:



***
Um excelente artigo foi publicado no jornal de Minnesota Star Tribune, sobre este assunto. O original está aqui.

Segue abaixo tradução:




São os carros, não as vacas


De PAUL JOHN SCOTT 
July 07, 2019 - 1:34 PM

As pessoas tendem a sentir-se estranhas a respeito de carne, mesmo que sem motivo aparente. Como Michael Pollan disse, "coma comida, não muito, principalmente plantas." Soava bem, de alguma forma.

Na realidade, o argumento para evitar alimentos de origem animal nunca foi forte. Quando se trata de saúde, o caso contra a carne é quase exclusivamente derivado de uma metodologia científica conhecida como epidemiologia nutricional, um fraco substituto para a verdadeira ciência experimental. Embora chegue ao noticiário como um evangelho, seus estudos típicos mostrando que ovos, manteiga ou carne bovina promovem doenças quase sempre dependem de questionários e das lembranças não verificáveis dos participantes, participantes estes que, frequentemente, fornecem respostas incorretas, em busca da aprovação de seus entrevistadores. Além disso, o resultado final de um estudo epidemiológico é capaz de mostras apenas associações, e não pode estabelecer relações de causa e efeito.

Mas você não saberia disso pela confiança com a qual, há cinco décadas, fomos direcionados para o bufê de saladas.

Tampouco grandes ensaios clínicos randomizados confirmaram o senso comum de que uma “maioria de plantas”, ou mesmo de que a chamada dieta mediterrânea leva a melhores resultados de saúde. Pelo contrário, é bastante desafiador tentar substituir completamente a alta densidade nutricional dos produtos minimamente processados de origem animal pelas frutas, legumes e grãos integrais do nosso suposto futuro dietético.

Carnes, ovos e laticínios são inquestionavelmente superiores aos carboidratos refinados e óleos vegetais que estão no centro da dieta americana padrão. Mas depois de um longo período culpando o açougueiro, esses detalhes inconvenientes sobre alimentos de origem animal permanecem pouco conhecidos, e é seguro dizer que a maioria dos americanos acredita que é mais saudável comer menos carne.

Você pode pensar nisso como nosso grande ponto cego vegetariano, que nos deixou indefesos contra a escalada da cruzada contra a carne: a notável afirmação de que comer carne é ruim para o planeta. Um exagero e tanto! Antigamente, comer carne era considerado ruim apenas para as artérias de uma pessoa, mas agora devemos fazê-lo com a vergonha de que isso seria ruim para toda a vida na Terra.

Suponho que alguém tenha que dar crédito a eles por aumentar as apostas em torno do bife, mas foi necessário que isso acontecesse? Somente um monstro negaria aos seguidores das dietas vegetarianas e veganas a retidão moral que lhes é devida. Escolher comer apenas plantas ou “principalmente plantas”, como Pollan colocou, é, naturalmente, uma escolha pessoal legítima, totalmente admirável, por razões ética ao menos - por parte dos adultos que consentem.

Mas a campanha em andamento para forçar o mundo a desistir de alimentos de origem animal por meio da vergonha em nome do aquecimento global é pura projeção vegetariana, uma mistura low-calorie de fatos e suposições. Ela pega carona em nossa ansiedade sobre o aumento das marés, deslocando o medo dos gases do efeito estufa para um medo infundado da carne.

A apropriação vegetariana da crise climática é imprudente. A mudança climática exigirá nossa atenção concentrada, sacrifício coletivo e coragem política sem precedentes. Mudanças transformadoras e disruptivas serão necessárias para fazer os combustíveis fósseis refletirem seus custos ao meio ambiente e, em seguida, transformar a sociedade para 100% de energia renovável. Isso já será doloroso o suficiente sem lutar contra a percepção de que o ativismo alimentar pode ter sequestrado a agenda.

• • •

A segunda-feira sem carne tem reivindicado o argumento do carbono por um tempo, mas 2019 foi o ano em que Wall Street colocou uma recomendação de "compra" no tópico. Nos últimos meses, testemunhamos o aumento dos estoques dos fabricantes de hambúrgueres como Beyond Meat (22 ingredientes, US $ 240 milhões arrecadados, Nasdaq: BYND) e Impossible Foods (21 ingredientes, US $ 300 milhões arrecadados, de capital fechado). Ambos colocam mensagens sobre o clima no topo de suas vendas. Insetos comestíveis e “leites” feitos de amêndoas, soja e aveia foram todos financiados com foco nas preferências ambientalistas dos consumidores. Sem mencionar o ângulo climático, a Cargill já começou a cultivar carne em laboratório.

Então, vem a EAT Lancet, uma iniciativa global lançada em janeiro passado para propor uma dieta vegetariana planetária, quase vegana, que promete uma "transformação radical do sistema alimentar global". A campanha, financiada por uma bilionária vegana da Escandinávia e pelo Wellcome Trust, uma organização filantrópica com laços familiares com a Igreja Adventista do Sétimo Dia (vegetariana), cujo autor principal foi o nutricionista de Harvard Walt Willet, um antigo semeador de ansiedades sobre carne, e influente chefe da política federal de nutrição.

Outro coautor do EAT Lancet, o cientista ambiental da Universidade de Minnesota, David Tilman, vem promovendo uma mensagem relacionando carne com o clima desde pelo menos 2014. Foi quando, em uma publicação amplamente citada pela revista Nature, ele e um co-autor ganharam ampla atenção pelo artigo “Dietas Globais Conectam Sustentabilidade Ambiental e Saúde Humana”, um documento que vende os mesmos vínculos não comprovados de carne com doenças crônicas e ainda oferece uma assustadora série de cálculos para provar que os gases do efeito estufa estarão controlados até 2050 se todos concordarem em comer “a média entre as dietas mediterrânea, "piscitariana" e vegetariana ”. Foi uma extraordinária matemática...

Para uma campanha de matiz ambientalista, o EAT Lancet tem o apoio de alguns companheiros bem estranhos. Os co-patrocinadores incluem os fabricantes de produtos químicos Dupont, o gigante de tecnologia Google, a gigante de contabilidade Deloitte, o gigante de Relações Públicas Edelman, 13 outras empresas químicas e 27 fabricantes de alimentos e medicamentos, incluindo os vendedores de carboidratos refinados Kellogg's, Nestlé e PepsiCo e os gigantes dos óleos vegetais processado Cargill e Unilever. O que, alguém poderia perguntar, poderia persuadir esses motores do capitalismo a defender o fechamento de cada casa de carnes, bar de ostras e churrascaria?

Talvez a dieta da EAT Lancet nos dê algumas pistas. Da forma que foi imaginada, a dieta supostamente de baixa emissão de carbono que irá prolongar a saúde de amanhã é um prato pós-apocalíptico cheio de celulose, com apenas alguns gramas de carne por mês. Um paraíso anedônico, ele acaba com tudo que é sensorial sobre comida e ainda consegue incluir um pouco de fraude climática no processo, misturando estes alimentos básicos com frutas e legumes importados em aviões a jato.

Embora não fique claro como, sob o plano do EAT Lancet, devemos comer porções abundantes dos chamados PUFAs (ácidos graxos poliinsaturados), óleos industrializados de sementes que mantêm unidos os ingredientes da maioria das formas de alimentos processados, incluindo - surpresa! - substitutos de carne.

Mas os PUFAs são a coisa mais distante do natural. Como Nina Teicholz relatou em “Gordura Sem Medo” , estes substitutos de baixa qualidade para o sebo, banha e manteiga formam partículas oxidadas quando aquecidos, que requerem a compra, por parte das cozinhas industriais, de produtos de limpeza especiais para remover sólidos endurecidos de fritadeiras e roupas de trabalhadores de fast-food. Eles provavelmente deveriam ter permanecido restritos ao seu uso original, a lubrificação de máquinas.

A dieta EAT Lancet, sem surpresa, também é nutricionalmente deficiente. Segundo uma análise de Zoe Harcombe, pesquisadora com doutorado em nutrição em saúde pública, os adeptos ficariam deficientes em vitamina B12, vitamina D, retinol, sódio, potássio, cálcio e ferro. A dieta é uma vitória, no entanto, para qualquer fabricante capaz de colocar um V em sua embalagem. Por isso, os patrocínios.

***
O gado contribui para a mudança climática. Eles arrotam metano, um gás de efeito estufa. Os ruminantes têm um segundo estômago para a digestão de plantas fibrosas, quebrando a vegetação que não podemos digerir através do caminho anaeróbio e, assim, expelindo metano.

Embora mais potente que o CO2 na captura de calor, o metano é de duração relativamente curta na atmosfera. O metano também é expelido pela Mãe Natureza através de cupins, que, como o gado, também precisam digerir a celulose. O pântano, outro digestor natural de celulose (e uma reserva de biodiversidade), é uma das maiores fontes naturais de metano do planeta. Fontes humanas de metano incluem aterros sanitários, campos de petróleo e, numa reviravolta inesperada, uma prática agrícola que provavelmente aumentará exponencialmente se uma utopia vegana se tornar real: plantações de arroz.

A outra emissão direta por bovinos vem do esterco, que libera tanto o metano quanto o óxido nitroso, outro gás de feito estufa. Mas precisamos de esterco no ciclo de carbono dos ruminantes, um sistema regenerativo que remove carbono do ar ao longo do tempo, formando solo novo.

Funciona assim: ao pastar, o gado deposita estrume e urina no solo (reciclando a água que bebe), que são então pressionados pelos cascos no solo, fertilizando o sistema de raízes profundas das gramas dos pastos. Essas plantas gramíneas, vegetação que os humanos não conseguem comer, crescem em terras que os humanos não podem cultivar, retiram o CO2 do ar, sequestrando o carbono. Dessa forma, o gado alimentado de pasto é positivo para o clima— eles retiram mais carbono do ar do que liberam.

Com exceção das operações de confinamentos, que concentram o esterco de maneira não natural, tanto o arroto quanto o esterco de ruminantes estão conosco há milênios. Estima-se que 80 milhões de búfalos selvagens já cobriram as Grandes Planícies. Esses números quase equivalem aos 90 milhões de bovinos de corte vivos nos EUA hoje, dos quais 75 milhões estão localizados em campos a qualquer momento. No final do Pleistoceno Superior, acredita-se que 150 espécies de megafauna tenham existido nas Américas, incluindo mamutes lanosos, grandes felinos, preguiças-gigantes e ursos grandes. Cálculos de regressão sugerem que as emissões desses herbívoros superdimensionados teriam criado níveis de metano próximos aos emitidos hoje pelo gado doméstico.

Assim, nossa atmosfera mostrou-se capaz de lidar com os arrotos e os dejetos do reino animal, assim como com o metano liberado pelos cupins e pântanos. Se esse metano não fosse expelido pelo gado, teria sido liberado quando a grama não consumida começasse a apodrecer. Fontes verdadeiramente artificiais de metano - aterros sanitários, condicionadores de ar, arrozais agrícolas e, a um nível extraordinário, vazamentos na cadeia de produção de gás natural - são assuntos urgentes de preocupação para o combate às mudanças climáticas. Estima-se que vazamentos de gás devido ao fracking (fraturamento hidráulico para a exploração do gás natural), por exemplo, liberem desastrosos 13 Tg (teragramas) de metano a cada ano. Isso é o dobro do metano liberado a cada ano pelas vacas. O EAT Lancet deveria estar nos pressionando para renunciar ao gás de fogão e ao arroz. Mas isso não favoreceria o avanço do imperativo vegetariano.

• • •

Há, é claro, custos climáticos indiretos do gado, e esses perfazem a maior parte da culpa que agora está sendo colocada na carne. As vacas são culpadas por tudo, desde a liberação de CO2 por caminhões envolvidos no transporte de carne, até as chaminés de fábricas de embalagem, o carbono liberado pelo cultivo de terras para alimentação, incluindo a prática desastrosa de derrubar florestas (que armazenam CO2) para torná-las terras cultiváveis nos países em desenvolvimento. Esses argumentos surgiram já nos primeiros artigos culpando as vacas, e rapidamente levantaram dúvidas.

O problema começou em 2006, quando a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) relatou que 18% dos gases do efeito estufa eram devidos à pecuária, uma soma maior do que todo o setor de transporte. Mas a FAO acabaria por ajustar este valor para baixo (para 14,5%) depois que ficou claro que havia essencialmente comparado as emissões diretas e indiretas de vacas apenas às emissões diretas de carros. A FAO ainda não tem nenhum valor de comparação para os custos climáticos indiretos dos carros, sem dúvida porque o número é impossível calcular.

Quando você se atém às emissões passíveis de serem calculadas, diretas, a carga climática do gado cai dramaticamente. A EPA estima que 9% de todas as emissões diretas nos EUA são devidas à agricultura, em comparação com 20% da indústria, 28% da eletricidade e 28% do transporte. Apenas 3,9% são devidos ao gado. Isso é metade do CO2 atribuível ao concreto.

"Pecuária e Mudanças Climáticas", um relatório culpador de gado de 2009 do World Watch Institute, famosamente afirmou que a carne era responsável por 51% dos gases do efeito estufa, uma quantia repetida no documentário da Netflix "Cowspiracy". Mas a World Watch registrou não apenas o arroto de vacas e as lavouras para ração, mas até o próprio CO2 exalado pelo gado, gases que são, é claro, re-inalados. Eles basicamente penalizavam o gado por respirar. O que é estranho para uma organização de sustentabilidade, mas apenas marginalmente mais do que penalizar o gado por digerir. “A pecuária”, seus autores racionalizaram, “é uma invenção e conveniência humana (como o automóvel), e não parte dos tempos pré-humanos”.

Diga isso a Buffalo Bill.
• • •

A mudança climática é assustadora. Todos nós queremos fazer algo, e a tentação de combiná-lo com o jantar é forte. Oferece um sentimento de sucesso muito mais imediato do que o confuso negócio de mudanças políticas.
E seria bom, você sabe, unir saúde e ativismo ambiental ao mesmo tempo, depois ir à academia e à lavanderia. Bastaria migramos para a torta de feijão, as temperaturas parariam de subir, e o trabalho estaria feito.

Mas o feijão não é uma proteína completa. Você precisa adicionar arroz a ele. Arroz, a maior fonte de metano em toda a agricultura. E aquela soja no seu hambúrguer vegetal? É necessário fertilizante, que libera óxido nitroso, que é 300 vezes mais potente que o CO2.

“Para muitos americanos da Geração Z, agora com cerca de 7 a 22 anos de idade… eles querem marcas de alimentos autênticas e transparentes que estão desacelerando a mudança climática, e não contribuindo para isso.” Foi assim que um repórter descreveu a opinião vigente em uma recente matéria no Los Angeles Times. Entre os jovens de 20 e poucos anos, o desejo por “ovos livres de ovo” e maionese à base de plantas é, aparentemente, alto. Resulta que as crianças estão renunciando aos velhos hábitos ao comerem manteiga vegana e hambúrgueres com ingredientes mantidos unidos por óleo de semente de soja ou girassol, também conhecido como ácido linoléico, lipídios instáveis ​​que criam radicais livres cancerígenos quando aquecidos.

O que incrível pois, quando eu estava na faculdade, nós nos rebelávamos contra nossos pais ouvindo The Clash.

Joe Strummer (vocalista do The Clash) era vegetariano, tenho que admitir. Ele se importava com o destino de todas as coisas vivas. Mas ele também via os homens do dinheiro pelo que eles realmente eram. Eu gostaria de pensar que, se ele ainda estivesse vivo, ele teria nos advertido para que não fôssemos ingênuos quanto aos aproveitadores alinhando-se para capitalizar nossos medos. Que, ao direcionarmos nossas preocupações para os hambúrgueres, tiramos os olhos dos carros, das chaminés e dos vazamentos de gás. Ele nos diria que o que realmente precisamos, nesta hora tardia, é fazer valer cada alerta.

Paul John Scott é escritor em Rochester.


***

Observação: consultas médicas não podem ser realizadas via internet. Para informações sobre consultas em São Paulo e Porto Alegre, clique em cada uma das cidades.

sábado, 4 de maio de 2019

Austrália mais próxima da adoção de low-carb como primeira opção para diabetes

Recentemente falamos sobre a mudança de posição da Associação Americana no Diabetes, que agora considera low-carb como uma das opções padrão no manejo nutricional dessa patologia, dizendo de modo explícito que "Reduzir a quantidade total de carboidratos para indivíduos com diabetes [é a estratégia que] demonstrou a maior quantidade de evidências para a melhora da glicemia" e que "low-carb, especialmente very low-carb, tem demostrado reduzir a hemoglobina glicada e a necessidade de medicação no diabetes. Estes padrões alimentares ESTÃO ENTRE OS MAIS ESTUDADOS NO DIABETES TIPO 2". Se ainda não leu, leia aquela postagem.

A postagem teve imensa repercussão, tanto é verdade que o Facebook, o Instagram e Messenger censuraram o compartilhamento da mesma, sem que eu jamais tenha sido informado oficialmente sobre o motivo. Leia mais sobre isso aqui.

O site DietDoctor publicou recentemente uma notícia que vai ao encontro desta última: o governo da Autrália Ocidental - o maior dos estados australianos - acaba de produzir um documento urgindo a adoção de low-carb como uma das 3 opções principais para o manejo do diabetes tipo 2 (as demais seriam a dieta de muito baixa caloria - sobre a qual já escrevi aqui no blog - e cirurgia bariátrica):


Alguns pontos interessantes a ressaltar:

  • O relatório, apresentado pelo Comitê Permanente de Educação e Saúde do Parlamento da Austrália Ocidental, também diz que a remissão, não apenas o manejo, deve ser o objetivo das intervenções de diabetes tipo 2.
  • No relatório, o comitê concordou que as Diretrizes Dietéticas Australianas “não devem ser usadas para pessoas com diabetes”, acrescentando que “elas não se aplicam a pessoas com uma condição médica que precisa de aconselhamento dietético especial”. (isso é o contrário do que se costuma defender por aqui: que o diabético deveria comer a mesma "dieta saudável que todos comem", eu usar medicação ou insulina para controlar os efeitos adversos sobre a glicemia).
  • O relatório concluiu que uma dieta baixa em carboidratos é uma opção de tratamento valiosa, que deve ser oferecida a pessoas com diabetes tipo 2, devendo ser considerada para mulheres com diabetes gestacional. Os pacientes devem ter a oportunidade de evitar medicação pelo resta da vida e a piora progressiva de sua doença, mesmo se o profissional de saúde achar que o paciente não conseguirá aderir à dieta.
  • O relatório enfatiza repetidamente que muitas pessoas com diabetes tipo 2 prosperam com uma dieta baixa em carboidratos e merecem ter a oportunidade de escolher a dieta ao invés de medicação como primeira linha de tratamento. O relatório transmite uma mensagem do Dr. Unwin, de que um estilo de vida low-carb não é de privação, mas de substituição, reequilíbrio e florescimento por meio de escolhas alimentares que garantam a estabilidade dos níveis de açúcar no sangue, colocando os pacientes no controle de sua condição.
Além da admissão da evidência científica, me parece que um dos pontos mais importantes deste relatório é a ênfase em não roubar das pessoas o direito de escolha. Pode ser que muitos optem por não mudar seu estilo de vida - essa não é a questão. A questão é que o conceito de direito de escolha não existe quando a informação foi sonegada. Para poder optar por não fazer low-carb, antes de mais nada você precisa saber que 1) low-carb existe e 2) low-carb pode colocar o diabetes tipo 2 em remissão. Depois disso, a escolha é sua.

Como disse Victor Hugo: "On résiste à l'invasion des armées; on ne résiste pas à l'invasion des idées.", ou "Pode-se resistir à invasão dos exércitos, mas não se pode resistir à invasão das ideias".

Ou, numa versão mais atualizada, resistir é inútil:


sábado, 20 de abril de 2019

Associação Americana do Diabetes (ADA): low-carb agora oficialmente recomendada em diretriz

Em outubro de 2018, foi publicado um consenso conjunto da ADA (Associação Americana do Diabetes) e da EASD (Associação Europeia para o Estudo do Diabetes), que já havia posicionado low-carb como uma das estratégias padrão para o manejo nutricional do diabetes tipo 2 (veja aqui).

Agora, a ADA acaba de publicar suas diretrizes atualizadas para 2019, especificamente no que diz respeito à terapia nutricional para o diabetes e o pré-diabetes:



Como já expliquei aqui no blog, documento de consenso não é evidência - evidências são os estudos primários que lhe dão sustentação. Documentos de consenso são peças de opinião. As evidências sobre a eficácia de low-carb em diabetes já estavam aqui no blog há muitos anos, quando a ADA praticamente nem tomava conhecimento do assunto.

No entanto, muitas pessoas - a maioria - são vítimas da falácia da autoridade. Eu posso elencar mais de uma dezena de ensaios clínicos randomizados sobre low-carb e diabetes, mas se a ADA - que é tida como autoridade no assunto - não corroborar, de nada adianta. O problema é a faísca atrasada de certas entidades. Há 5 (CINCO) anos já falávamos sobre isso por aqui. Faz sentido a ADA estar vários anos atrasada em um assunto - diabetes - que lhe dá nome?

Então, que fique claro - nunca precisei de diretriz ou documento de consenso para ler os ensaios clínicos randomizados e chegar às minhas conclusões. O motivo pelo qual estou festejando é que a ADA - antes tarde do que nunca - está finalmente adotando posturas baseadas em evidência no que diz respeito a dieta e diabetes. O que deve tornar mais fácil a aceitação por parte daqueles que só aceitam algo se lhes for dado de cima pra baixo por uma figura de autoridade. Para alguns, falar sobre quinze ensaios clínicos randomizados tem menos peso do que afirmar "a ADA diz que low-carb é bom". Bem, que seja, então...

***

Com o insustentável acúmulo das evidências, não é mais possível tratar esta abordagem como "dieta da moda", e a ADA deixa isso claro em diversos trechos:


"As reduções da hemoglobina glicada (A1c) com terapia nutricional médica podem ser similares OU MAIORES do que o que se espera com o tratamento medicamentoso do diabetes tipo 2"

Neste trecho, pela primeira vez, a ADA admite com todas as letras que não se sabe qual a quantidade ideal de carboidratos para a saúde humana (portanto afirmações categóricas de que deveria ser mais de 45% das calorias não passam de meras opiniões - o mais baixo nível de evidência), mas que as necessidades energéticas do cérebro podem ser providas por gliconeogênese e cetogênese no contexto de uma dieta very low-carb. Sim, isso é sabido há décadas, e já foi explicado aqui neste blog há mais de 6 anos, mas finalmente a ADA publica algo que seria aceitável como resposta dos calouros nas provas de fisiologia humana 1 e bioquímica básica 1 do ano inaugural da faculdade. De fato, que o corpo é capaz de sintetizar toda a glicose de que necessita a partir dos aminoácidos da dieta e do glicerol das gorduras é algo sabido desde antes da segunda guerra mundial. Não foi no mesmo século, mas a ADA se atualizou - o que reforça o adágio de que antes 100 anos tarde do que nunca.

Sobre proteína na dieta, a ADA também reconhece que aumentar o consumo de proteínas parece ser vantajoso para o diabético:



E, finalmente, a tabela sobre os diferentes tipos de dieta - elencando várias vantagens de low-carb e very low-carb:
Nas palavras da própria ADA (tabela acima), as vantagens comprovadas, baseadas em evidência, de low-carb para diabetes incluem redução da hemoglobina glicada (A1c), perda de peso, redução da pressão arterial, aumento do HDL ("colesterol bom") e redução dos triglicerídeos. Um detalhe curioso, quase engraçado, é o fato de que a única estratégia que a ADA não recomendou para o diabetes tipo 2 foi o "Dietary Guidelines for Americans", ou seja, a pirâmide alimentar - na coluna "vantagens" da tabela, não aparece nenhuma!

Escondido em outra tabela, temos um dos parágrafos mais importantes deste texto. Trata-se da admissão clara de que low-carb é a estratégia nutricional 1) mais estudada dentre TODAS no contexto do diabetes e 2) é a que tem maior evidência na melhora da glicemia. Eis o trecho, seguido de sua tradução:

"Reduzir a quantidade total de carboidratos para indivíduos com diabetes [é a estratégia que] demonstrou a maior quantidade de evidências para a melhora da glicemia, e pode ser aplicada em uma variedade de padrões alimentares de acordo com a necessidades e preferências de cada indivíduo"
Ao descrever os diferentes tipos de abordagens nutricionais, a ADA deixa clara a futilidade da abordagem low-fat (a que é ensinada nas faculdades, e que embasa, por exemplo, a alimentação oferecida aos diabéticos nos hospitais):

 "Reduzir a gordura total não melhorou a glicemia ou os fatores de risco cardiovascular em pessoas com diabetes tipo 2 baseado em uma revisão sistemática, vários estudos, e em uma metanálise (...) a dieta low-fat tem sido usada como "grupo controle" para testar outros padrões alimentares"

Em outras palavras, low-fat literalmente não serve pra nada: sua única utilidade é servir de controle inerte para testar coisas melhores. E é - repito - o padrão alimentar que se ensina nas nossas faculdades de nutrição.  

E aí, vem o momento de falar sobre low-carb e sobre very low-carb:




"Low-carb, especialmente very low-carb, tem demostrado reduzir a hemoglobina glicada e a necessidade de medicação no diabetes. Estes padrões alimentares ESTÃO ENTRE OS MAIS ESTUDADOS NO DIABETES TIPO 2".

Se você é profissional da saúde, poupe-se do embaraço causado pela admissão pública do desconhecimento da literatura: não chame low-carb de dieta da moda. Provoca vergonha alheia, e pega mal para você. Low-carb é a estratégia alimentar MAIS ESTUDADA em diabetes, e sabidamente produz melhora do controle glicêmico ao mesmo tempo em que reduz a necessidade de medicamentos.

Segue o texto da ADA:
"Em estudos de até 6 meses de duração, a dieta low-carb melhorou mais a hemoglobina glicada (A1c), baixou os triglicerídeos, aumentou o HDL, baixou a pressão arterial e resultou em maiores reduções nos medicamentos"
Ou seja, low-carb foi superior para diabetes, e ainda tratou toda a síndrome metabólica (como, aliás, já se sabia em 2013). Segue ainda o texto do parágrafo acima:


"Quanto maior a restrição de carboidratos, maior a redução da hemoglobina glicada"
Comer menos glicose melhora a glicose... quem diria, não é mesmo?

O texto continua (sim, low-carb ocupa um espaço e tanto nesse consenso), alertando para a eficácia rápida e até mesmo excessiva de low-carb em diabetes:


O trecho acima alerta para a rápida redução da glicemia que ocorre quando se adota low-carb, motivo pelo qual deve haver acompanhamento de um profissional com experiência, para poder reduzir as doses de insulina (em quem usa) e de medicamentos para diabetes. Nada mal para uma dieta da moda...

E quanto à gordura saturada da dieta? Eis o que a ADA tem a dizer:
"A maioria dos ensaios clínicos de low-carb não restringiram a gordura saturada; pela evidência atual, este padrão alimentar não parece aumentar o risco cardiovascular".
O texto explica que estudos mais longos são necessários para confirmar isso a longo prazo. Mas isso é verdade para os outros padrões alimentares também. Até onde foi estudado, os benefícios estão demonstrados, e riscos não surgiram. Como as mesmas ressalvas aplicam-se aos demais padrões alimentares, resta evidente que as condutas devem basear-se na evidência disponível sobre a eficácia e a segurança, e não em riscos teóricos (todas as estratégias os têm).

Em diabetes tipo 1, a ADA já começa a prestar atenção aos estudos que indicam benefício - mas aponta a duração curta e o n pequeno dos mesmos:

Pela primeira vez, a ADA endossa a ideia de se buscar não apenas o controle do diabetes, e sim a sua REMISSÃO, definida como glicemia normal ou em nível de pré-diabetes sem medicação por pelo menos um ano. Veja o título dessa seção:

A seção questiona: "Qual o papel da perda de peso na potencial remissão do diabetes tipo 2?"
Este título dá a entender que a única coisa que afeta a chance de remissão é a perda de peso. No entanto, um pouco mais abaixo, vem o seguinte trecho:
"A composição da dieta também pode ser importante. Em um ensaio clínico randomizado, o grupo seguindo uma low-carb mediterrânea teve taxas maiores de remissão ao menos parcial do diabetes, embora a diferença de perda de peso tenha sido de apenas 2 Kg a mais, do que o grupo low-fat"
Ao discorrer sobre o tema das proteínas na dieta dos diabéticos com doença renal crônica, a ADA diz o seguinte:
Felizmente, a ADA também admite, pela primeira vez, que não há indicação de restrição de proteínas em diabéticos portadores de doença renal. Isso já foi tratado aqui no blog em mais de uma ocasião (veja aqui e aqui), mas é muito bom ver que a ADA finalmente se atualizou, e substituiu as orientações baseadas em senso comum por outras baseadas em evidência. No texto acima, se lê:
"historicamente, dietas de baixa proteína ERAM indicadas para pacientes diabéticos com albuminúria e progressão de doença renal crônica (...) Há indicações de que uma dieta pobre em proteínas possa levar esses pacientes à desnutrição (...) o consumo médio de proteínas de diabéticos sem doença renal é em torno de 1 a 1,5 g por Kg de peso (...) As evidências NÃO sugerem que diabéticos com doença renal precisem restringir as proteínas para menos do que isso."
Por fim, o prêmio DISSONÂNCIA COGNITIVA do ano:
Por que eu digo isso? Vamos à tradução literal do parágrafo:
"Para adultos selecionados com diabetes tipo 2 que não estejam conseguindo atingir os alvos de glicemia ou nos quais reduzir as medicações hipoglicemiantes seja uma prioridade, reduzir a quantidade total de carboidratos com um plano alimentar low-carb ou very low-carb é uma abordagem viável"
Há coisas que só soam normais no distópico mundo em que a nutrição colide com a endocrinologia. Vou reescrever o parágrafo acima, como se fosse nas diretrizes para a hipertensão: "Para adultos selecionados com hipertensão arterial que não estejam conseguindo atingir os alvos pressóricos apenas com medicação, ou nos quais reduzir os remédios seja uma prioridade, exercício físico e redução de peso são uma abordagem viável". É evidente que isso seria UM ABSURDO. Pois é EVIDENTE que a ordem está invertida!! As diretrizes para o tratamento da hipertensão leve indicam o manejo não-farmacológico primeiro - exercício físico, perda de peso - e o uso da medicação fica reservado para aqueles casos nos quais os alvos pressóricos não foram atingidos APENAS com as medidas de estilo de vida.

O bizarro parágrafo da ADA deveria dizer que low-carb (ou outras estratégias alimentares menos eficazes) deveria ser a primeira abordagem no diabetes tipo 2 (há uma revisão narrativa da literatura dizendo justamente isso - publicada há CINCO anos). Caso os alvos de glicemia não seja atingidos APENAS com dieta e atividade física, então o tratamento farmacológico deve ser ADICIONADO.

***

Sempre lutei contra a falácia da autoridade. Quando a ADA desconsiderava a estratégia low-carb, este blog já publicava as evidências. Quem mudou neste quesito foi a ADA, não o blog. Mas, se for para salvar vidas, membros, rins e retinas, que usemos a falácia da autoridade a nosso favor. Quando alguém disser que low carb é dieta da moda para diabéticos, tente argumentar com evidências. Mas, se não der certo, basta dizer "a ADA recomenda".

sábado, 12 de janeiro de 2019

Se fibras realmente forem importantes, low-carb é uma boa opção

Manchetes como essa têm surgido nos últimos dias:

Até aí, nada contra. Mas a reportagem segue e encontramos o seguinte:



Em que mundo bizarro, em que universo paralelo bolotas de amido com uma fina casca de celulose (grãos) têm mais fibras do que couve ou espinafre??

A Associação Brasileira Low-Carb fez a seguinte postagem no Instagram:


ablc.org.br

Recentemente, a mídia publicou matérias sobre um novo relatório da OMS a respeito dos benefícios do consumo de fibras para a saúde. O estudo sugere que o consumo de fibras deveria ser de pelo menos 25 a 29 gramas, idealmente acima de 30g. Tal consumo estaria ASSOCIADO com redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer colorretal. Há que se salientar 3 pontos.
.
1)
O relatório em questão não estudou dietas de baixo carboidrato. O assunto não era esse, e é bastante bizarro que low-carb tenha surgido no contexto dessa notícia;
2) Este tipo de estudo (de natureza observacional / epidemiológica) não é capaz de estabelecer causa e efeito. Em outras palavras,
não é possível saber se comer mais fibras reduz o risco dessas doenças, ou se pessoas mais preocupadas com sua própria saúde (e que, portanto, têm menor risco de adoecer) optam por comer mais fibras;
3) Quem disse que uma alimentação low-carb é pobre em fibras?
O item 3, acima, é talvez o mais importante. Porque, mesmo que a fibra alimentar efetivamente fornecesse proteção contra doenças, este seria um motivo A MAIS para adotar uma alimentação low-carb, que tipicamente contém MAIS fibras do que a alimentação ocidental padrão. Pode parecer chocante para muita gente, mas pão integral e aveia são formas ineficientes de consumir fibras quando comparadas com vegetais de baixo amido, abundantemente presentes em dietas de baixo carboidrato.

Neste estudo, https://bmjopen.bmj.com/content/8/2/e018846, dois cardápios low-carb distintos redundaram em 44 e 45 gramas de fibra alimentar por dia, respectivamente.
.
Se fibra realmente for importante (e não apenas ASSOCIADA com desfechos), a OMS deveria recomendar uma alimentação low-carb como primeira opção.
.
.
#ablc #lowcarb #selolowcarb#associacaobrasileiralowcarb #fibras


(seja você também sócio-contribuinte da ABLC - ajude a combater a ignorância nutricional) 

Por fim, reproduzo, abaixo, uma postagem de 2015 na qual eu já salientava o fato de que low-carb pode ter muitas fibras, enquanto high carb pode não ter nenhuma:

Voltando ao básico sobre dieta low carb:

A dieta da maioria das pessoas contém algo como 300 gramas de carboidratos por dia, quando não mais. Em uma dieta de 2000 calorias, isso corresponderia a 60% das calorias na forma de carboidratos. E 60% é o que os profissionais de saúde aprendem na faculdade como sendo o ideal, inclusive para diabéticos.




Você sabe quanto açúcar existe diluído no sangue de cada um de nós em um dado momento? Se pegarmos os 5 litros de sangue que temos no corpo, extrairmos a totalidade da glicose diluída no mesmo, teremos... 5 gramas. 1 colher de chá de açúcar. Quantidades muito maiores do que isso são potencialmente fatais.


10 x


Assim, imagine que você consuma 100 gramas de carboidrato por refeição - seguindo, assim, as orientações da pirâmide alimentar. Você estará consumindo, em cada uma delas, 20 vezes a quantidade de açúcar que existe no sangue em um dado momento. O que impede que você morra? O hormônio INSULINA, que rapidamente remove esta grande quantidade da corrente sanguínea, jogando-a para dentro das células.

Quanto mais alta a insulina, menos gordura você queima, mais gordura você armazena. Se você é jovem, muito ativo, ou premiado pela loteria genética, você é altamente sensível à insulina, e pequenas doses desse hormônio retiram de circulação grandes quantidade de glicose. Mas, para os cerca de 2/3 da população que são resistentes à insulina, a grande quantidade de insulina requerida para produzir o mesmo efeito desloca as calorias disponíveis no sentido do armazenamento.  Se, em virtude disso, você armazenar 20 gramas de gordura a mais por dia, em 10 dias serão 200g, em 100 dias 2Kg, em 1 ano 3,5Kg, em 2 anos 7 Kg....

Uma dieta low carb atua, entre outras coisas, mantendo a insulina daqueles indivíduos resistentes à este hormônio, mais baixa. Insulina baixa favorece a lipólise (uso, ou "queima", da gordura). E, dependendo da situação (loteria genética, idade, etc), pode ser necessário manter o consumo de carboidratos BEM baixo.



Ok, vamos supor que queiramos manter um consumo de carboidratos 10 vezes menor do que os 300 gramas a que me referi no primeiro parágrafo. Uma dieta Very Low Carb, com 30 gramas de carboidratos diários.

Na cabeça de muitas pessoas, trata-se de comer apenas carne, queijo, presunto e ovos.

Pudera que muitas pessoas tentam e desistem, por apresentar constipação, enjôo e por não ser possível manter tal plano indefinidamente. Além, é claro, de eventuais problemas com os examesIsto não é a forma correta de se fazer low carb!!

O que me traz novamente ao título da postagem: 30 gramas de carboidrato, é muito ou pouco? Bem, depende da QUALIDADE destes carboidratos.


Isso são 30 gramas de carboidrato. 1 pãozinho de hambúrguer, pequeno. Então, se esse é o tipo de carboidrato que você come, 30 gramas é pouco. E, em termos de valor nutricional... é de chorar. Afinal, farinha é amido, e amido nada mais é do que um polímero de glicose. Grande picos de glicose no sangue, grande picos de insulina - durante os quais armazena-se gordura, e após os quais a queda da glicose desencadeia FOME.

 Agora, veja a foto abaixo (do blog www.dietdoctor.com):

Isso são 30 gramas de carboidrato (descontado-se as fibras, que não têm impacto glicêmico nem calórico). Bem, se esse é o tipo de carboidrato que você come, já não é tão pouco assim! E, em termos de valor nutricional... alguém precisa de multivitamínicos? Alguém vê falta de nutrientes aqui? Será que o intestino sofrerá com falta de fibras? O que tem mais fibras, o pãozinho, ou os vegetais acima?

Aproveito para reproduzir, mais uma vez, uma sequência de fotos de pratos que tive a oportunidade de comer em uma janta de um congresso:
Salada com queijo, bacon e berries



Primeiro prato servido - isso não é "dieta da proteína", isso é páleo low carb



Segundo prato servido - isso não é "dieta da proteína", isso é páleo low carb



Sem fugir da gordura NATURAL dos alimentos.


Já que essa é uma postagem bastante ilustrada, vamos a mais fotos? Esse é um restaurante de buffet que fica em frente ao meu consultório, bom e barato. Vamos aos pratos:

1) Salada (com queijo ralado e azeite de oliva)

2) Prato principal: peixe na chapa (e um pouco mais de salada)

3) Sobremesa (opcional, se sua tolerâncias aos carboidratos permitir): algumas frutas (não dois potes de salada de fruta, não um abacaxi inteiro, apenas uns pedacinhos de fruta)

Quer uma sobremesa low carb diferente? 

Mais fotos?


Mais uma foto?

Espero que essa sequência de fotos tenha ajudado a ilustrar, para quem já vive esse estilo de vida, mas principalmente para os iniciantes, o que significa uma dieta low carb (não é apenas ovo com bacon!!).

Com as fotos acima em mente, releia as postagens essenciais:

Se precisar de dicas de receitas, consulte, à direita, a lista de "blogs em português". Bon Appétit.