A CHAVE de tudo – INSULINA

A insulina é conhecida por todos no contole da glicose (“açúcar no sangue”). De fato, a regulação da glicose sanguínea é a tarefa primordial da insulina, e não é para menos: uma glicose muito baixa o deixará em coma, e uma glicose muito alta também! Embora a insulina tenha muitas outras funções, é evidente que, do ponto de vista evolutivo, ser capaz de reduzir rapidamente níveis perigosos e tóxicos de glicose é mais importante para manter o animal vivo do que qualquer outra função. E daí que derivam nossos problemas. Sendo a regulação da glicose sua função principal, o maior estímulo para a produção de insulina é o aumento da glicose no sangue.

As prinicipais funções da insulina são:

  • reduzir o açúcar no sangue, fazendo com que os tecidos transportem a glicose para dentro das células;
  • estocar a gordura nas células adiposas, estimulando a síntese de triglicerídeos;
  • estocar a gordura nas células adiposas estimulando a sua remoção da corrente sanguínea (estimulando enzima LPL dos adipócito);
  • manter a gordura dentro das células adiposas, impedindo a enzima que degrada os triglicerídeos (através da enzima HSL) de funcionar;
  • estimular a transformação de glicose em gordura no fígado, aumentando os triglicerídeos no sangue e seu estoque nas células adiposas;
  • estimular a síntese de colesterol no fígado (através da enzima HMG-CoA sintase);
  • estimular a síntese de glicogênio (a forma como os animais estocam glicose);
  • estimular o uso da da glicose pelas células (estimulando a glicólise por exemplo);
  • inibir a enzima LPL nos músculos, forçando o uso da glicose como combustível ao invés da gordura;
  • reter sódio e água nos rins.

E resumo, as ações da insulina alteram o equilíbrio do tecido adiposo no sentido do acúmulo de gordura, além de outros efeitos relacionados à “síndrome metabólica”  (colesterol, triglicerídeos, hipertensão, diabetes, obesidade, etc – escreverei sobre isso futuramente).

Existem outros hormônios que atuam sobre os adipócitos, mas na vigência insulina elevada, seus efeitos são suprimidos. Assim, para todo os efeitos práticos, regular o tecido adiposo significa regular os níveis de insulina.

P.S.: a postagem acima foi escrita no blog em 2011. Desde então, novos estudos e teorias surgiram. Hoje, em 2020, considero a afirmação de que “regular o tecido adiposo significa regular os níveis de insulina” uma simplificação. Há, sem dúvida, mais fatores envolvidos. Porém, o modelo carboidrato-insulina, que descreveremos a seguir, segue vivo, com defensores de peso como o Dr David Ludwig (ver aqui).