Por que algumas dietas funcionam e outras não?

Estudos comparativos (inclusive os estudos prospectivos randomizados – aqueles de melhor qualidade) sempre mostram superioridade das dietas de baixo carboidrato (“low carb”). Se você leu os posts anteriores, isto não chega a ser uma surpresa, já que resta claro que é necessário controlar a insulina para obter-se a lipólise (“queimar a gordura”).

Mas o fato e que é algumas pessoas perdem peso mesmo em dietas pobres em gordura, por exemplo, e que por definição serão mais ricas em carboidratos. Como se explica este fato? A explicação mais provável é que estas pessoas estão restringindo os carboidratos mais refinados e de maior índice glicêmico, mesmo que inconscientemente. Por exemplo: suponhamos que você receba uma prescrição de uma dieta “balanceada”, isto é, matendo as proporções de macronutrientes (gorduras, proteína e carboidratos) inalterada, e apenas diminuindo a quantidade. A primeira coisa que será riscada pelo seu nutricionista (mesmo sem ser uma dieta “low carb”) são as calorias líquidas (refrigerantes), doces, pão branco, etc. Além disso, há uma diminuição das porções, de modo que a quantidade absoluta de carboidratos diminui. Ou seja, restringe-se os carboidratos inconscientemente, e a pessoa perde peso devido à lipólise que se segue.

Qual o problema de uma dieta como a descrita acima? Ocorre uma restrição calórica desnecessária (bastaria restringir os carboidratos para regular a insulina), e o paciente fica com fome, Após uma perda incial de peso, os mesmos mecanismos homeostáticos que descrevemos nos modelos animais passam a agir: aumento constante da fome, falta de energia para as atividades diárias e para o exercício físico, e perda de massa magra. Este é o motivo pelo qual quase 100% dos pacientes que perdem peso em dietas de restrição calórica ganham o peso novamente no primeiro ano: o corpo buscará novamente o equilíbrio perdido, pois o tratamento não está sendo focado primariamente no defeito metabólico (hiperinsulinismo).

Existem aminoácidos essenciais, isto é, que só podem ser obtidos através da dieta. Da mesma forma, existem ácidos graxos essenciais. Mas não existem carboidratos essenciais, ou seja, o corpo é capaz de sintetizar todos os carboidratos (inclusive a glicose) de que necessita a partir de outros precursores (aminoácidos e glicerol, por exemplo, um processo denominado gliconeogênese, que ocorre em condiçõe de baixa insulina).

Mais adiante, quando abordarmos o assunto da dieta paleolítica, veremos que isto faz sentindo evolutivo, pois durante 99,5% do período evolutivo de nossa espécie, os carboidratos mais simples estiveram virtualmente ausentes da dieta humana.