Síndrome metabólica – o flagelo moderno

Dificilmente uma pessoa é apenas obesa. Ou apenas hipertensa. Ou tem apenas triglicerídeos elevados. Normalmente, estas e outras anormalidades ocorrem em conjunto, constituindo uma síndrome. Isto não é novidade, e tem sido relatado desde a década de 1950. Em 1988, o Dr. Gerald Reaven introduziu o conceito de forma ampla, e o denominou de “Síndrome X“. O Dr. Reaven propunha a teoria de que a gordura abdominal (na barriga), a hipertensão, o diabetes e as alterações de colesterol e triglicerídeos tinham todos em comum a resistência à insulina como causa.

O termo síndrome X foi substituído, modernamente, por síndrome metabólica. Há diferentes critérios para o diagnóstico desta síndrome mas, de uma forma geral, uma pessoa que preencha pelo menos três dos critérios abaixo já pode ser considerada como portadora de síndrome metabólica:

  • Obesidade abdominal (índice cintura/quadril > 0,9 para homens e 0,85 para mulheres, ou ainda cintura masculina com mais de 102 cm e a feminina com mais de 88 cm;
  • Triglicerídeos acima de 150 mg/dl;
  • Colesterol HDL < 40 mg/dl (homens) ou < 50 (mulheres) (ou já estar em tratamento para isso);
  • Pressão acima de 130/85 (ou já estar em tratamento para isso);
  • Glicose em jejum acima de 100 mg/dl;
  • Diabetes tipo II

Há ainda um grande número de outras patologias associadas à síndrome metabólica, incluindo ácido úrico elevado, gota, cálculos renais, esteatose hepática (“gordura no fígado”), cálculos de vesícula biliar, transtornos psiquiátricos, doenças autoimunes tais como artrite reumatóide e psoríase, entre outros.

O mais fascinante é que, se você re-ler o post sobre as ações da insulina, é evidente que os níveis permanentemente elevados de insulina estão por trás de quase todas as patologias acima. Junte-se a isso o fato de que estas doenças são características da civilização, isto é, inexistem nas poucas sociedades caçadoras e coletoras que ainda restam. A solução não parece simples? Se o problema é a insulina elevada, basta reduzi-la. E, de fato, uma dieta de baixo carboidrato é capaz de melhorar e mesmo eliminar completamente a síndrome metabólica em sua totalidade. Para os colegas médicos, sugiro a leitura deste artigo.

A abordagem equivocada da medicina nos últimos 40 anos tem sido a de tratar cada um dos sintomas da Síndrome Metabólica com uma medicação diferente (remédio para pressão, para colesterol, para ácido úrico, etc.), sem atacar a causa (hiperisulinemia causada pelo excesso de carboidratos na dieta). Por isso é chocante para nós, médicos, observar o impressionante efeito de uma dieta lowcarb/páleo sobre todos os parâmetros da síndrome em períodos tão curtos como 30 dias.

O fato de que as pessoas não melhoram com as orientações nutricionais convencionais (restrição de gorduras e aumento do consumo de grãos) não se deve ao fato de que as pessoas não seguem as orientações, e sim do fato de que tais orientações estão erradas do ponto de vista científico e metabólico.