Diferença entre Low-Carb e Páleo

Restringir carboidratos (açúcar, farináceos e amidos em geral) é uma condição necessária, mas não suficiente para uma boa saúde. Se você restringir o consumo de carboidratos a menos de 30 gramas por dia, você irá perder peso, não há dúvida. Mas apenas isso não garante uma saúde melhor. Você perderá peso consumindo o dia inteiro galinha frita em óleo de soja e comendo 30 balas de morango como sobremesa (30 gramas de açúcar), mas quanto à saúde, bem, é óbvio que sairá prejudicado. Assim, é bom relembrar o que constitui uma dieta paleolítica, e suas diferenças em relação a uma dieta low-carb tradicional (como a dieta Atkins, por exemplo):

  • Na dieta lowcarb, o que conta é apenas a quantidade de carboidratos (quantas gramas) se consome por dia, e não a sua qualidade;
  • Na dieta Páleo, evita-se alimentos industrializados ou processados, e os carboidratos são oriundos de vegetais e frutas. Além disso, grãos tais como trigo, aveia e soja, que não faziam parte da dieta pré-agricultura, são eliminandos. Ou seja, é uma dieta com mais hortaliças e frutas, mas completamente sem grãos.
  • Na dieta Low Carb, todas as gorduras são iguais (afinal, é fato que o consumo de gordura ajuda na perda de peso, pois é saciante e não aumenta a insulina).
  • Na dieta Páleo, é um pouco mais complexo. As carnes consumidas por nossos antepassados eram magras (animais de caça), e “grass-fed”, isto é, animais alimentados com grama. Qual a diferença? Escreverei um post exclusivamente dedicado às gorduras ômega-6 e ômega-3, mas no momento basta dizer que devemos ter um consumo balanceado de ambas. No paleolítico, a relação de ácidos graxos ômega-6/ômega-3 era de 1:1 a 2:1. Na nossa dieta atual, é de 10 a 20:1. Ou seja, precisamos diminuir muito o consumo de ômega 6 e aumentar o de ômega 3. Animais que comem grama tem boa proporção de ômega 3 em sua gordura; já aqueles engordados com grãos (ração, sorgo, etc.) tem muito ômega 6. Os óleos vegetais extraídos de sementes (soja, algodão, girassol, etc) também tem muito ômega 6, diferentemente do azeite de oliva. Os frutos do mar são fontes de ômega 3, desde que alimentados com algas (salmão criado em fazendas e alimentado com ração à base de grãos contém menos omega 3).
  • Nas dietas low-carb, não há restrição a laticínios fermentados (o leite é restrito por causa da lactose, que é um açúcar);
  • Na dieta paleolítica original não havia leite, nem laticínios. Eu, particularmente, acho difícil removê-los da dieta sem deixá-la muito restrita. Assim, cada um decidirá o quanto de laticínios fementados (queijo, iogurte) consumirá, sabendo-se que a sua restrição é, provavelmente, saudável.
  • Ambas dietas restringem os legumes (legumes não são saladas em geral, mas sim grãos que crescem em vagens, como feijões e lentilhas), mas por motivos diferentes: os legumes tem certa quantidade de carboidratos, motivo pelo qual são restritos nas dietas low-carb. Legumes (feijões, lentilhas) contém alguns antinutrientes (substâncias que impedem a absorção de nutrientes pelo intestino), algumas substâncias irritantes/inflamatórias e não faziam parte da dieta paleolítica original, e por isso também são restritas na diea páleo. Não confundir legumes com hortaliças (saladas), que podem e devem ser consumidas em abundância e sem restrições.

Em resumo, uma dieta low-carb é apenas isso, uma dieta de baixo carboidrato. Uma dieta paleolítica, por outro lado, é muito semelhante a uma dieta mediterrânea, porém sem grãos. O grau de restição de carboidratos (ou seja, quantas frutas se pode comer por dia) depende de quanto peso a pessoa precisa perder, e de quanto açúcar cada um pode tolerar (diabéticos e pessoas com síndrome metabólica não podem comer frutas à vontade, conforme já discutimos em outro post). Pessoas sem problemas metabólicos ou de peso podem (e devem) consumir frutas à vontade.