Entrevista com Staffan Lindeberg

Staffan Lindeberg é um médico sueco que em 1989 resolveu estudar uma das últimas sociedades que ainda viviam em estilo de vida tradicional. Ele mudou-se para Kitava, umas das ilhas Trobriand – um dos locais mais isolados do mundo, no meio do pacífico.

Lindeberg conduziu um minucioso estudo nesta população:

Este estudo levou à publicação de um livro espetacular, primeiramente somente em sueco, e, por sorte, em inglês em 2010. O livro, denso, altamente técnico, com literalmente milhares de referências bibliográficas chama-se “Food and Western Disease: Health and nutrition from an evolutionary perspective” (Comida e doenças ocidentais: saúde e nutrição sob uma perspectiva evolutiva). O livro tem pequena tiragem, e custa horrores. Mas, enfim, às vezes gastamos dinheiro em cada bobagem…

Eis algumas conclusões fascinantes do trabalho de Lindeberg:

  • A despeito de uma boa quantidade de pessoas idosas, não havia casos (e nem relatos) de demência ou memória ruim
  • As únicas causas de morte súbita que as pessoas conheciam eram acidentes como afogamento ou cair de um coqueiro. Homicídio também ocorria.
  • As principais causas de morte eram infecções (especialmente malária), acidentes, complicações da gravidez e velhice.
  • Não foi possível detectar NENHUM caso de cardiopatia isquêmica (doença coronariana)
  • Não foi possível detectar NENHUM caso de derrame
  • Não foi encontrado NENHUM caso de diabetes
  • NENHUM caso de insuficiência cardíaca
  • NENHUM caso de hipertesão
  • NENHUM caso de obesidade
  • NENHUM caso de espinhas, mesmo em adolescentes
  • Outro pesquisador (Jüptner) que morou por 5 anos na ilha não detectou NENHUM caso de angina, infarto do miocárdio ou morte súbita.

 Acima: homem de Kitava com 100 anos de idade, sem sinais de demência. Este homem não lembra de jamais ter visto ou ouvido falar de um caso de derrame ou de morte súbita em sua vida.

Acima: forma física de um típico morador de Kitava (sem academia, sem contar calorias)

É interessante notar que a dieta dos “Kitavanos” não é low carb. É uma dieta paleolítica à base de peixes, raízes e coco (ou seja, gordura saturada). Como já disse em outra postagem, uma pessoa não precisa comer low carb para ser saudável – desde que os carbs sejam naturais e não refinados. CONTUDO, depois que esta pessoa já detonou seu pâncreas e/ou fígado comendo carbs refinados por décadas, a TRATAMENTO desta condição patológica (diabetes e/ou síndrome meatólica) implica a restrição de carboidratos, MESMO os naturais.

Abaixo, uma breve reportagem e entrevista da televisão portuguesa com este brilhante pesquisador (descobri a entrevista no excelente blog português http://www.fat-new-world.com/)