Muito Além do Peso – documentário

Muitos de vocês me mandaram links para este documentário, e fico até embaraçado pelo tempo que levei para finalmente assisti-lo. Mas, lá vai:

Muito além do peso é um documentário assustador. Trata da obesidade infantil no Brasil, de uma forma que você nunca viu.

O filme produziu em mim uma mistura de sentimentos, que incluíram tristeza, raiva, incredulidade, surpresa, enfim, tudo o que um bom documentário deve fazer.

O filme está disponível de forma gratuita em vários formatos: youtube (na íntegra), e com diferentes definições para ser baixado e visto na TV (ou mesmo gravado em DVD). Clique aqui para escolher o formato desejado.

Há alguns pontos que a mim, particularmente, chamaram muita atenção:

  • O problema afeta crianças em todo o país, e em todas as classes sociais (já comentei em outra postagem sobre o fato de que a obesidade, paradoxalmente, afeta mais os pobres);
  • As crianças não sabem mais identificar a comida de verdade: confundem pimentão com abacate, cebola com batata, etc. Afinal, só comem coisas que vem dentro de embalagens!
  • Há uma cena impagável, em que uma menina, acho que com 8 anos, é questionada ao ser apresentada a um saco de batatas fritas, “o que é isso?”. Resposta: “batatas”; então, lhe entregam uma batata na mão. “O que é isso?”, perguntam-lhe. Resposta: “uma cebola”?
  • Pessoas realmente paupérrimas gastando dinheiro todos os dias em refrigerante (que, na minha infância, eram consumidos somente no domingo, mesmo por quem tinha dinheiro);
  • Um supermercado flutuante de produtos Nestlé, vendendo todo o tipo de porcaria para gente pobre no meio da floresta amazônica, num local tão remoto do Pará que só se chega de barco;
  • Metade dos bebês recebem refrigerante na mamadeira
  • Boa parte dos entrevistados acha que açúcar não é um carboidrato.

O filme não parte de um viés low carb ou páleo. E eu penso que isto o torna ainda mais valioso. Por quê? Porque a diretora, simplesmente seguindo as pistas fornecidas pela realidade, chegou, por uma via diferente às mesmas conclusões que o movimento páleo/low carb: o problema reside na comida processada e no açúcar. O filme não menciona nada sobre os efeitos dos carboidratos na insulina, e sobre o efeito da insulina no acúmulo de gordura – mas, e precisa? Assistam o filme e vejam o que as crianças comem – é só açúcar, amidos, farináceos, refrigerante e sucos de fruta (não a fruta; sucos cheios de açúcar).

Enfim, é um filme sensacional, que mostra a nossa realidade (mostra até a rua em que eu moro!!). Estamos acostumados a ver os dados dos EUA, documentários com americanos gordinhos comendo fast food. Está na hora de olhar para o próprio umbigo.

A diretora Estela Renner fez um trabalho de qualidade singular e de extrema importância para a saúde de nosso país e nossas crianças. Ajudem a divulgar este filme. Gravem em DVD’s e distribuam para os familiares e amigos. Somos pequenos, mas podemos fazer a nossa parte.