Ganhar peso comendo menos?

Se você ainda pensa na obesidade do ponto de vista do balanço calórico, quem sabe a notícia abaixo lhe ajuda a reconsiderar (http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=473405).

Médicos extraem tumor de 28kg de mulher na Alemanha

Paciente havia sido diagnosticada de forma errada com obesidade influenciada pelo diabetes

Médicos extraem tumor de 28kg de mulher na Alemanha<br /><b>Crédito: </b> AFP
Médicos extraem tumor de 28kg de mulher na Alemanha

Crédito: AFP

Médicos da Clínica Universitária de Dresden, no leste da Alemanha, extraíram um tumor de 28 quilos do corpo de uma paciente que havia sido diagnosticada com obesidade. A intervenção, que foi realizada no início de outubro e levou sete horas, transcorreu sem problemas. O tumor de baixo potencial maligno media 60 por 50 centímetros e estava situado num ovário da paciente, que havia ganhado peso de maneira extremamente rápida.

Seu médico atribuiu este aumento de peso a uma diabetes e à falta de atividade e prescreveu tratamento contra obesidade. Quando a paciente não conseguia mais se manter em pé pelo peso, a filha resolveu pedir uma segunda opinião e um exame proporcionou o diagnóstico correto. A paciente perdeu um total de 40 quilos durante a operação. “Jamais poderei agradecer o bastante aos médicos, sou uma nova pessoa”, destacou.

Observem o seguinte: a paciente estava sendo tratada para obesidade – lhe foi orientado gastar mais calorias com exercício e comer menos. Seu peso deveria ter diminuído, não?? Como então o tumor continuava crescendo? A resposta é: o tumor cresce, independentemente da situação nutricional ou do déficit calórico da paciente, pois há fatores de crescimento produzidos pelo próprio tumor que sustentam o seu crescimento. O corpo compensará as calorias sequestradas pelo tumor de alguma forma: aumento do apetite, cansaço/inatividade, etc. O paralelo é óbvio:

 – O tecido adiposo, na presença de fatores de crescimento (fundamentalmente insulina), não diminuirá de tamanho, mesmo que a pessoa esteja consumindo menos calorias do que gasta; as células adiposas não têm olhos nem ouvidos, elas só “enxergam” hormônios.

Se não fosse assim, seria fácil curar qualquer tumor: bastaria passar fome, e ele não cresceria, certo? Pense nisso.

Por fim, reflita sobre a seguinte pergunta: para ganhar 28 Kg de tumor, a paciente precisou comer mais calorias do que gastava (isso é inquestionável, é uma lei da termodinâmica). Mas você acha que o tumor cresceu por que ela comia demais, ou que ela comia demais por que o tumor estava crescendo?

Você dirá?: “é obvio que ela sentia mais fome pois havia um tumor enorme crescendo”. Afinal, as calorias abduzidas pelo tumor faziam falta no resto do corpo. Se você substituir tumor por “gordura” nesta frase, terá entendido o fenômeno da obesidade – não engordamos por que comemos demais, engordamos pois estimulamos o tecido adiposo a crescer (pelo consumo de carboidratos que levam ao hiperinsulinismo, pelo consumo de trigo que leva à inflamação crônica, pelo consumo de porcarias que bagunçam a flora intestinal), e isto leva à necessidade COMPENSATÓRIA de comer mais.

Se comer demais não é a causa, comer de menos não é a cura.