A mídia se rende III – Gordura saturada não é a vilã

Toda verdade passa por três estágios.
No primeiro, ela é ridicularizada.
No segundo, é rejeitada com violência.
No terceiro, é aceita como evidente por si própria.

Arthur Schopenhauer
Se você já acompanha o blog há algum tempo, já sabe que a gordura saturada não faz mal à saúde, e que isso já não é mais passível de discussão do ponto de vista científico, na medida em que há ampla evidência científica de nível I neste sentido. Para ler algumas postagens que já escrevi sobre este tema, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

No que diz respeito a esse assunto, creio que já passamos da primeira fase, e estamos em plena fase 2: a ideia ainda é rejeitada com violência.

Porém, matérias como a que reproduzo abaixo, que foi traduzida pela mídia brasileira a partir de matéria original da BBC, me fazem pensar que em poucos anos estaremos chegando na fase em que as pessoas, DO NADA, começarão a dizer que SEMPRE SOUBERAM que a gordura não era o problema, e que o problema reside no excesso de carboidratos (fase 3  de Schopenhauer).

Schopenhauer nasceu em 1788, de modo que o comportamento humano tem sido assim, e será sempre assim. Mas, quando todo mundo “descobrir” que a gordura não é a vilã, lembre-se: você leu primeiro aqui 🙂

http://folha.com/no1360847

23/10/2013 – 13h05

Gordura saturada não é a vilã para o coração, diz artigo

DA EFE

As gorduras saturadas da manteiga, do queijo e da carne vermelha não são tão prejudiciais para o coração como se pensava até agora, de acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira na revista “British Medical Journal” por Aseem Malhotra, um dos cardiologistas mais prestigiados do Reino Unido e especialista do hospital universitário de Croydon, em Londres.

Em seu artigo, Malhotra afirma que o consumo de produtos com pouca gordura “paradoxalmente” aumentou o risco de ter doenças cardiovasculares.

Segundo o especialista, as pessoas consomem todo tipo de produtos desnatados pensando que são melhores para a saúde e que ajudarão a perder peso, mas que, na realidade, muitos deles contêm grandes quantidades de açúcar adicionado.

A explicação é que a indústria alimentícia substitui as gorduras eliminadas nos alimentos por açúcares e adoçantes, já que a comida livre de gordura não é tão saborosa, acrescentou Malhotra.

No entanto, afirma o especialista, é necessário diferenciar as chamadas “gorduras trans” (encontradas em fast food, produtos de confeitaria e margarina), que são prejudiciais, e as gorduras do leite, do queijo e da carne, que não são ruins para a saúde.

O especialista criticou a “obsessão” médica com os níveis de colesterol (clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), que levou milhões de pessoas a tomarem remédios para reduzir a quantidade de gorduras prejudiciais no sangue.

Para isso, o cardiologista recomenda que as pessoas com risco de sofrer doenças cardiovasculares façam uma dieta mediterrânea rica em peixes oleosos, azeite de oliva, verduras e frutos secos.

“É hora de romper o mito do papel das gorduras saturadas nas doenças do coração” que esteve presente na indicação dietética e nas recomendações nutricionais durante quase quatro décadas, afirmou Malhotra.

A teoria foi respaldada por outros especialistas como David Haslam, Chefe do Fórum Nacional sobre a Obesidade, que afirmou que a evidência científica está demonstrando atualmente que os carboidratos refinados e o açúcar são na realidade os culpados pelo aumento da gordura no sangue.

Timothy Noakes, professor de ciências do esporte e da atividade física na Universidade da Cidade do Cabo, acrescentou que “o pior erro médico de nossa época foi considerar a alta concentração de colesterol no sangue como a causa exclusiva da doença cardíaca coronária”.