Colesterol IX – Documentário australiano legendado – parte 2 – espetacular!

Muito obrigado à leitora Daniela Cabral, que traduziu todo este episódio, de forma que só precisei sincronizar a legenda.

Semana passada, na Parte 1 do documentário Heart of the Matter, vimos como surgiu o MITO dos males do consumo de colesterol e gordura saturada na dieta. Clique aqui para assistir.

Hoje, com a segunda parte do documentário, que foi ao ar na Austrália anteontem, veremos porque 75% das pessoas que usam estatinas para baixar o colesterol o fazem sem necessidade.


Esta é a nona postagem sobre o tema.

Em Colesterol I, eu expliquei como surgiu a ideia de que colestrol pudesse ser algo ruim: uma combinação de má ciência básica e de um estudo epidemiológico mal feito da década de 1950.

Em colestrol II, eu mostrei que até 1957 nem mesmo a Associação Americana de Cardiologia estava convencida de que se deveria mudar a dieta das pessoas por causa de colesterol. No entanto, apenas 4 anos após, a maré começava a mudar, por motivos políticos, e não científicos.

Em colesterol III, eu detalhei os grandes estudos prospectivos e randomizados que demonstraram que reduzir a gordura na dieta não tem NENHUM impacto na mortalidade em homens e mulheres. Além disso, que estudos epidemiológico mais bem feitos sugerem que quanto maior o consumo de gordura per capita, menor a incidência de doenças cardiovasculares.

Em colesterol IV, vimos como o colesterol é um marcador de risco sofrível, como a redução de colesterol não traz benefício para a maior parte das pessoas, como a indústria manipula as estatísticas para nos convencer de que intervenções que têm o potencial de ajudar apenas 1 em cada 250 pessoas seriam “essenciais”, e como modificações de estilo de vida podem ter impacto superior ao das drogas, sem o custo e efeitos colaterais.

Em colesterol V, vimos como o reducionismo feriu de morte o pensamento científico, levando-nos à crença ingênua de que podemos efetivamente dominar a complexa teia de causas e efeitos que compõem sistemas infinitamente complexos como o organismo humano. E citamos o ilustrativo exemplo da droga torcetrapib, que aumentava o HDL (colesterol “bom”) e diminuía o LDL (colesterol “ruim”). E, no entanto, os pacientes morreram MAIS com esta droga – estes exames de sangue são apenas isso: exames de sangue, e o que queremos é viver mais e MELHOR, e não apenas mudar os números impressos no papel, apenas para morrermos com resultados “normais”.

Na postagem denominada Conflitos de Interesse, abordamos o grau extremo com que os vultuosos interesses financeiros contaminam de forma decisiva (e infundada) as diretrizes que estabelecem que o colesterol “normal” seja abaixo de 200 e o LDL abaixo de 130 (ou 100, ou mesmo 70 como se fala agora!).

Em colesterol VI mostramos um vídeo curto para salientar que não existe correlação entre os níveis de colesterol e doença cardiovascular em nível populacional (diversos países).

Em colesterol VII, legendei uma longa palestra do Dr. David Diamond, que faz um belo sumário de todo este assunto.

Em colesterol VIII, vimos que o colesterol muito baixo aumenta o risco de morte por todas as causas, e que a faixa de colesterol com menor mortalidade está entre 200 e 240. Além disso, vimos que, em mulheres, há uma relação INVERSA entre colesterol e mortalidade.