A dieta de baixa gordura está morta – 2

Nesta semana foi publicado outro artigo que julgo de suma importância – mas este não recebeu atenção da mídia. Não obstante, eis aqui o estudo:

Dieta Low Carb + alta proteína melhora a função cardíaca diastólica e a síndrome metabólica em pacientes diabéticos tipo 2 obesos ou com sobrepeso.


Não se assuste com o título pomposo – vamos adiante.

Sob pena de estragar a história contando o final do filme, eis a conclusão do estudo:

“These data indicate, that a low-glycaemic/high-protein but not a low-fat/high-carbohydrate nutrition modulates diastolic dysfunction in overweight T2D patients, improves insulin resistance and may prevent or delay the onset of diabetic cardiomyopathy and the metabolic syndrome.”

Traduzindo: “Estes dados indicam que uma dieta low carb, MAS NÃO uma dieta de baixa gordura (e alto carboidrato), modulam a disfunção diastólica [função cardíaca] em pacientes diabéticos com sobrepeso, melhora a resistência à insulina e pode prevenir ou retardar o início da miocardiopatia e da síndrome metabólica”

Traduzindo o jargão: o estudo demonstra que uma dieta low carb melhora não apenas a resistência à insulina e a síndrome metabólica, mas melhora também o funcionamento do coração em diabéticos obesos. Mais do que isso: a dieta low fat – a pirâmide alimentar – não melhora NENHUM desses parâmetros.

Lendo os detalhes do estudo, observamos que – como costuma ocorrer – a dieta de baixa gordura tinha restrição calórica imposta. Ou seja, a única forma de fazer com que as pessoas percam peso comendo uma dieta de alto carboidrato é deixando-as com fome. Já o grupo Low Carb podia comer à vontade. 45% das calorias deste grupo eram na forma de GORDURA. Por que os autores escolheram uma dieta de fome, com 55% de calorias na forma de carboidratos, para o outro grupo? Porque eles odeiam diabéticos? Não. Porque essa é a dieta RECOMENDADA pela Associação Europeia para o Estudo do Diabetes. Isto mesmo. 55% de carboidratos para uma doença que, bem, é diagnosticada baseada na intolerância a, bem, carboidratos (já comentamos isso em detalhe nesta outra postagem).

Trata-se de um estudo com 32 voluntários – mas é um EXPERIMENTO, e é PROSPECTIVO, ou seja, este é um estudo com implicações científicas reais, não um estudo observacional como os que a mídia costuma alardear.

E isto não é nem mesmo uma novidade, visto em em 2013 um estudo prospectivo e randomizado com milhares de pacientes já havia sido interrompido antes do tempo pois uma dieta de baixa gordura estava produzindo um excesso de mortalidade de 30% – comer pouca gordura é comprovadamente prejudicial.

Enfim, eis um resumo gráfico deste mais novo artigo:

Você come isso:

Até desenvolver síndrome metabólica, obesidade e diabetes.

Então, você tem duas opções:

OPÇÃO 1 -> Low Fat, baixa caloria:

Esta opção implica passar fome para o resto da vida (restrição calórica voluntária), e comer cada 3 horas para aguentar.

OPÇÃO 2 -> Dieta Paleo/Low Carb:

Esta opção implica comer assim, até ficar saciado, para o resto da vida. Ao contrário do que ocorre com low fat, isto não seria uma desgraça, e sim motivo de alegria.

Como demonstra o estudo em pauta, quem opta pela opção 2, sem restrição calórica, obtém “melhora não apenas da resistência à insulina e da síndrome metabólica, mas melhora também da função cardíaca”.

E por que alguém então escolheria a opção 1? Porque nos foi ensinado que uma dieta low fat com restrição calórica reduz o risco cardiovascular. Mas, como vimos na postagem anterior, isto DEFINITIVAMENTE não é verdade, está PROVADO que reduzir a gordura na dieta não reduz a mortalidade (ver postagem anterior) – pelo contrário, está provado em estudo prospectivo e randomizado que uma dieta pobre em gorduras leva a uma maior mortalidade (veja aqui), e nada disso é novo – veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui e aqui.

A dieta de baixa gordura lembra muito uma galinha que continua correndo depois que sua cabeça já foi cortada – pode não parecer, mas já está morta. Hoje, para mim, está claro, olhando para trás, que low fat foi uma dessas anomalias históricas, uma espécie alucinação coletiva que se apossou da humanidade nos anos 1970. Esta foi – e sempre será – a verdadeira dieta da moda. Sua introdução (pelo departamento de agricultura dos EUA) desencadeou o maior desastre de saúde pública de que temos notícia – a epidemia de obesidade, síndrome metabólica e diabetes (veja aqui). Mas não passou, no fundo, de uma breve solução de continuidade dentro de uma evolução alimentar que jamais incluiu a restrição voluntária de calorias ou de gordura (pelo contrário, veja aqui)

Assim como Elvis, que continua vivo para alguns de seus fãs, tenho para mim que a moda low fat continuará viva nos estômagos famintos de seus seguidores e nas mentes dogmáticas de alguns profissionais de saúde. Mas – sinto dizer – Elvis morreu.