Remissão de diabetes tipo 2 com Low Carb

Como já escrevi longamente (leia aqui), em todas as patologias caracterizadas por intolerâncias o tratamento consiste na retirada da substância que desencadeia o problema. Quem tem alergia à camarão, ou amendoim, deve ficar longe destes alimentos. Intolerância à lactose? Não beba leite. Doença celíaca? Não coma glúten. Assim, causa espécie a cegueira coletiva de quem não vê que o diabetes tipo 2 é uma doença de intolerância à glicose, cujo tratamento é a retirada dessa substância da dieta. Mandar um diabético comer cereal matinal com leite desnatado, suco de laranja, pão integral, mingau de aveia, barrinhas de cereal e frutas é, portanto, ignorar conceitos muito básicos de fisiologia.

Em um estudo piloto, prospectivo e randomizado, de diabéticos tipo 2 sorteados para uma dieta de baixa gordura restrita em calorias e com restrição moderada de carbs (low fat – recomendada pela associação americana de diabetes) versus dieta low carb com calorias liberadas, 44% dos diabéticos do grupo low carb puderam suspender suas medicações, versus 11% no grupo low fat.



Ou seja, nem todos os casos de diabetes tipo 2 ficarão curados com dieta, mas a chance é MUITO maior com uma dieta low carb – o que deveria ser óbvio, visto que o grupo low fat está cortando o nutriente errado – diabetes se caracteriza por GLICOSE elevada.

Olhe a evolução das hemoglobina glicada nos dois grupos:

Feito este preâmbulo, segue o relato do leitor Renato Frate, mostrando na prática o que é possível obter quando se retira a glicose da dieta de um diabético:

“Quando descobri que estava diabético iniciei esta bobagem de comer a cada 3 horas e reduzir a quantidade de calorias para 1800/dia – sim, comecei a contar calorias (muito contrariado e estressado com essa orientação). Bem, os resultados eram desanimadores – a glicemia simplesmente mantinha-se em torno dos 270 mg/d, mesmo tomando a Metformina e Glibenclamida. Lia tudo sobre diabetes 2 nos “sites especializados” e nos “sites oficiais dos diabéticos mal informados” – tudo indicava que o meu endocrinologista estava no caminho certo e eu estaria ferrado mesmo. Comecei a pesquisar mais e caí de paraquedas neste blog, santo blog, aí sim meu sorriso voltou ao normal – pesquisei em todos os links e estudos indicados aqui, pelo Dr. Souto – não sou de acreditar em médicos, assim, tão facilmente (desculpe-me por isso Dr. Souto). Li, reli – busquei todas as informações que julguei pertinente e comecei a seguir o estilo LCHF – indicado com tantos argumentos científicos. Conclusão: como muito melhor que antes, apenas 2 refeições poderosas por dia, não conto nenhuma caloria, abandonei remédios e o meu endocrinologista (um velho amigo, que de vez em quando pergunta como ainda estou vivo comendo tão mal – ainda bem que somos amigos). Minha glicemia despencou, minhas neuropatias sumiram, minha visão voltou ao normal, meu peso reduziu e estabilizou em um valor adequado. Estou com saúde, feliz e agradecido.Um grande abraço.Renato Frate.”

P.S.: Não sugiro que ninguém abandone seu endocrinologista; ao contrário, sugiro que trabalhe COM ele, até mesmo para que o médico, vendo os benefícios obtidos com a mudança de estilo de vida, possa modificar sua postura, e, quem sabe, ajudar outros pacientes na mesma situação.