Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 2) A epidemia começou pelos carbs

  • Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 2) As epidemias de obesidade e diabetes foram desencadeadas pelo consumo excessivo de carboidratos.

Esta é a segunda de 12 postagens explicado porque uma dieta de baixo carboidrato (Low Carb) deve ser a estratégia padrão, inicial, para o manejo do diabetes. Esta série de postagens é baseada no artigo Restrição de carboidratos na dieta como a primeira abordagem no manejo do diabetes: revisão crítica e base de evidências, sobre o qual já tratamos previamente (ver aqui). As referências bibliográficas estão no artigo original (clique aqui).

Se ainda não leu, leia antes esta postagem.

A primeira postagem desta série foi: 1) Manejo da hiperglicemia

2) Durante a epidemia de obesidade e diabetes tipo 2, o aumento do consumo calórico deveu-se quase que inteiramente aos carboidratos.

Dados do NHANES (uma pesquisa do governo americano sobre alimentação) indicam um grande aumento do consumo de carboidratos como o maior responsável pelo excesso calórico nos EUA de 1974 a 2000. Neste período, os carboidratos saíram de 42% para 49% das calorias. Em mulheres, foi de 45% para 52%. O consumo absoluto de gordura CAIU para homens nesse período, e apresentou apenas um mínimo aumento em mulheres. Mais recentemente, um estudo de disponibilidade de alimentos mostrou um diminuto aumento das gorduras mas, como no estudo NHANES, o aumento principal foi de carboidratos.

O gráfico menor, visto junto ao das mulheres, é a incidência de diabetes.

Tais dados epidemiológicos têm o suporte de mecanismos bioquímicos. O estímulo contínuo à produção de insulina pode levar a um estado de predomínio de síntese de triglicerídeos (criação de gordura) em detrimento da lipólise (queima de gordura). Além disso, o acúmulo de gordura no fígado e, secundariamente, no pâncreas, leva a um ciclo vicioso que, se acredita, pode levar ao diabetes tipo 2. O fígado gorduroso leva a alterações no metabolismo da glicose em jejum, e aumenta VLDL e triglicerídeos que, por sua vez, aumentam a distribuição de gordura para todos os tecidos, incluindo as células beta produtoras de insulina. Isto leva à gradativa diminuição na capacidade de produzir insulina. A lipogênese (produção de gordura) hepática é ativada direta e indiretamente pelos carboidratos. SREBP-1 e ChREBP são elementos responsivos a carboidratos que, ao ser estimulados pelo consumo de carbs, estimulam a síntese de gordura pelo fígado.  A esteatose resultante está fortemente associada ao desenvolvimento de obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

Independentemente de se a associação entre consumo de carboidratos e diabetes é causal ou não, a FALTA de associação entre o consumo de gordura e diabetes EM HUMANOS é muito significativa. Afinal, a FALTA de associação é considerada evidência forte de AUSÊNCIA de relação de causalidade.


O estudo prospectivo e randomizado publicado ontem no Annals of Internal Medicine obviamente reforça essa ideia ao demonstrar que uma dieta com menos carboidratos e mais gordura produziu não apenas uma perda de peso maior, mas também a melhora dos fatores de risco cardiovascular.