Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 3) nem precisa perder peso

  • Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 3) Os benefícios da restrição de carboidratos na dieta não requerem perda de peso.

Esta é a terceira de 12 postagens explicado porque uma dieta de baixo carboidrato (Low Carb) deve ser a estratégia padrão, inicial, para o manejo do diabetes. Esta série de postagens é baseada no artigo Restrição de carboidratos na dieta como a primeira abordagem no manejo do diabetes: revisão crítica e base de evidências, sobre o qual já tratamos previamente (ver aqui). As referências bibliográficas estão no artigo original (clique aqui).

Se ainda não leu, leia antes esta postagem.

A primeira postagem desta série foi: 1) Manejo da hiperglicemia;
A segunda postagem desta série foi: 2) A epidemia começou pelos carbs;

3) Os benefícios da restrição de carboidratos na dieta não requerem perda de peso.

Como descrito na postagem 1, dietas de baixo carboidrato (LOW CARB) em geral têm desempenho superior a dietas que explicitamente restringem calorias, mas como muitos destes estudos são desenhados para serem hipocalóricos ou apresentam reduções espontâneas da ingesta calórica, nem sempre é possível excluir o efeito direto da restrição calórica ou o efeitos hormonais indiretos. Esta é uma consideração importante, visto que está bem estabelecido que os sintomas do diabetes tipo 2 melhoram com a perda de peso. No que diz respeito à Associação Americana de Diabetes e outras agências, a dieta low carb deveria ser recomendada APENAS para perda de peso. Muitas pessoas com diabetes tipo 2, contudo, são magras, e muitas pessoas com sobrepeso nunca desenvolvem diabetes. Pessoas com diabetes tipo 1 em geral não têm sobrepeso, embora – ao menos de forma anedótica – o ganho de peso associado ao uso de insulina possa ser um motivo para uma adesão ruim ao tratamento. Além disso, vários estudos sugerem que a perda de peso não seja necessária para melhoria do controle glicêmico e de outros sintomas do diabetes.

Nuttall e Gannon conduziram uma série de experimentos bem desenhados demonstrando melhora no controle da glicose, dos hormônios e dos lipídios em condições nas quais os pacientes eram mantidos sempre com o mesmo peso. O nível mais eficaz foi a restrição de carboidratos a 20% do total – este foi o nível mais baixo testado pelos autores, embora uma restrição maior provavelmente fosse ainda mais efetiva. 

Os resultados de um estudo recente são mostrados abaixo:

Cada linha colorida é a GLICEMIA de um paciente diabético; o gráfico de cima é antes da dieta,

o gráfico de baixo é após 10 semanas de uma restrição leve (30%) de carboidratos e manutenção do peso

Embora a dieta empregada pelos autores do estudo acima restrinja muito pouco os carboidratos (30% das calorias – ou seja, não é LOW CARB, é apenas MODERADA em carbs), é possível observar sensível melhora das curvas de glicemia, embora o PESO dos pacientes tenha sido mantido constante, e mesmo com uma restrição apenas moderada de carbs.

Em estudos nos quais HÁ perda de peso, e há melhora da glicemia, não há nenhuma relação entre esses dois desfechos. Veja esta figura:

Trata-se de um estudo de dieta cetogênica VLCKD versus dieta de baixa gordura. Três coisas são notáveis: 1) perde-se muito mais peso com VLCKD do que com low fat (70% do grupo low fat perdeu menos do que 8 Kg, enquanto 80% do grupo Low Carb perdeu MAIS do que isso); à direita, vê-se que mais do que UM TERÇO do grupo LOW FAT teve um aumento da hemoglobina glicada com dieta (ou seja, o diabetes PIOROU com a dieta de baixa gordura); no grupo VLCKD (Very Low Carb Ketogenic), 90% teve REDUÇÃO da hemoglobina glicada. E, como pode ser visto ainda no gráfico da direita, não há correlação entre o grau de perda de peso e a resposta da hemoglobina glicada. 

Dada a dificuldade que muitas pessoas têm em perder peso (veja aqui e aqui), este fato por si só já se constitui em grande vantagem a favor de uma dieta Low Carb para o diabete.