Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 4) nem precisaria perder peso, mas perde

  • Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 4) Embora a perda de peso não seja necessária para a obtenção de benefícios, NENHUMA intervenção é melhor do que a restrição de carboidratos para perda de peso.

Esta é a quarta de 12 postagens explicado porque uma dieta de baixo carboidrato (Low Carb) deve ser a estratégia padrão, inicial, para o manejo do diabetes. Esta série de postagens é baseada no artigo Restrição de carboidratos na dieta como a primeira abordagem no manejo do diabetes: revisão crítica e base de evidências, sobre o qual já tratamos previamente (ver aqui). As referências bibliográficas estão no artigo original (clique aqui).

Se ainda não leu, leia antes esta postagem.

A primeira postagem desta série foi: 1) Manejo da hiperglicemia;
A segunda postagem desta série foi: 2) A epidemia começou pelos carbs;

A terceira postagem desta série foi: 3) Nem precisa perder peso
4) Embora a perda de peso não seja necessária para a obtenção de benefícios, NENHUMA intervenção é melhor do que a restrição de carboidratos para perda de peso.



A postagem prévia, número 3, enfatizou que dietas LOW CARB oferecem benefício mesmo na ausência de perda de peso. Não obstante, tais dietas superam as dietas de baixa gordura em todos os estudos e por qualquer duração em que sejam comparadas, frequentemente mostrando resultados dramaticamente superiores. A figura abaixo, já apresentada na postagem anterior, exemplifica esse fato:

Dyson e colaboradores aleatoriamente alocaram 26 pessoas para uma dieta de baixo carboidrato (40g/dia) ou uma “dieta saudável”, seguindo a recomendação nutricional da Associação de Diabetes do Reino Unido por 3 meses (gráfico A, da esquerda). 13 pessoas com diabetes tipo 2 e 13 pessoas normais foram incluídas. A perda de peso foi maior no grupo LOW CARB (6,9 versus 2,1 Kg em média). Mais importante, as respostas INDIVIDUAIS são mostradas na figura acima, à esquerda, gráfico A. Quase todas as pessoas no braço LOW CARB perderam no mínio 2 Kg durante esses 3 meses (um valor escolhido arbitrariamente), enquanto apenas metade do grupo “dieta saudável” atingiu essa marca.

O lado direito, gráfico B, acima, que é oriundo de OUTRO ESTUDO (Westman e colaboradores), compara a perda de peso entre dieta cetogênica VLCKD versus dieta de baixa gordura. Três coisas são notáveis: 1) perde-se muito mais peso com VLCKD do que com low fat (70% do grupo low fat perdeu menos do que 8 Kg, enquanto 80% do grupo Low Carb perdeu MAIS do que isso). A inspeção dos pontos no eixo X permite observar que mais do que UM TERÇO do grupo LOW FAT teve um aumento da hemoglobina glicada com dieta (ou seja, o diabetes PIOROU com a dieta de baixa gordura); no grupo VLCKD (Very Low Carb Ketogenic), apenas 10% teve elevação da hemoglobina glicada. E, como pode ser visto ainda no gráfico da direita, não há correlação entre o grau de perda de peso e a resposta da hemoglobina glicada. 

Dietas de baixa gordura, de fato, têm mostrado resultados muito pobres no longo prazo para perda de peso em indivíduos não diabéticos. O estudo Women’s Health Initiative (WHI) é o exemplo mais recente. Neste estudo, a performance da dieta em nada menos de 48 mil mulheres pós-menopáusicas foi comparada de forma prospectiva e randomizada com o comportamento usual (grupo controle). O grupo de intervenção, LOW FAT, foi encorajado a consumir uma dieta de apenas 20% de gordura, rica em frutas, vegetais e grãos. Uma perda modesta de peso (2,2 Kg) ocorreu no primeiro ano. Ao final da intervenção, este peso havia retornado. Os autores fazem a seguinte, modesta afirmação: “uma alimentação LOW FAT não resulta em GANHO de peso em mulheres pós-menopáusicas”. Em uma resposta editorial a este estudo, publicada no JAMA, Dansinger e Schaefer ressaltam que “…a despeito de alguns casos de sucesso, de uma forma geral a abordagem dietética LOW FAT tem sido um grande fracasso para com o público americano, que necessita desesperadamente estratégias eficazes de tratamento e prevenção da obesidade”. O WHI distingue-se ainda por ter falhado em mostrar qualquer benefício em prevenir diabetes ou doença cardiovascular.

Deve ser ainda enfatizado que as implementações populares de dietas de baixo carboidrato como a Dieta Atkins ou Protein Power não lançam mão de restrição calórica voluntária, partindo do princípio de que a maior saciedade oferecida pelo consumo de proteína e gordura controlará automaticamente o consumo. Como resultado, tem sido já tradicional conduzir estudos comparativos nos quais as dietas LOW CARB são ad libitum (à vontade), enquanto os controles (em geral, LOW FAT), são explicitamente reduzidos em calorias. O fato de as dietas LOW CARB geralmente saírem-se melhor mesmo sob tais circunstâncias dá suporte à ideia de auto-controle implícito da ingestão calórica, e precisa ser considerado um claro benefício em favor dessa abordagem para perda de peso.