Prezado Dr. Souto: paleofantasia?

Hoje, dia 22 de junho de 2015, a revista Galileu traz reportagem intitulada “Por que a dieta paleolítica não faz sentido” (clique aqui para ler).

A crítica é fraca e requentada, e eu não preciso escrever novamente sobre isso, pois já respondi a uma crítica de nível muito melhor (embora na mesma linha) em 2013. Além do mais, o texto é um bom exemplo de falácia do espantalho, sobre a qual também já escrevi.

Segue o texto de 02/03/2013:

Um leitor fez o seguinte comentário aqui no blog:

“Caro José Carlos, o estado da arte da biologia evolutiva indica que essas questões são mais complicadas do que parecem. Sugiro a leitura do texto no link abaixo que trata de várias concepções equivocadas sobre evolução que embasam a dieta paleolítica. Ainda que não seja suficiente para mudar suas ideias sobre o assunto, espero que pelo menos adicione um grão de incerteza na sua defesa da dieta paleo. Espero que aproveite a leitura!”

http://chronicle.com/article/Misguided-Nostalgia-for-Our/137285/

Infelizmente, o texto é muito extenso para que eu possa traduzi-lo aqui. É um texto muito interessante, e sugiro sua leitura. Para quem não domina o inglês, espero que a resposta dê uma ideia sobre o que trata o texto, e sobre minhas opiniões sobre o mesmo.

Prezado leitor:

O artigo é muito interessante. Há ali pontos válidos, outros nem tanto.

A Dra. Marlene Zuk descreve as evidências das mudanças evolutivas que permitiram a persistência da expressão do gene da lactase em adultos – em outras palavras, que permite que uma parte da humanidade possa digerir a lactose do leite depois dos 2 anos de idade. Tal fenômeno é muito recente, cerca de 8000 anos, uma vez que os animais só foram domesticados depois do advento da agricultura. Isto não é novidade, e isto não é questionado.

Aliás, eu posso citar OUTROS exemplos ainda melhores, que a Dra Marlene não citou. A concentração da enzima amilase na saliva humana é 10x maior do que na dos outros primatas, muitos dos quais sequer a possuem. A amilase é necessária para digerir o amido, presente nas raízes e nos grãos. Os outros primatas obtém seus carboidratos a partir de frutas (na forma de açúcar) e de folhas (podem digerir a celulose, que nós não podemos, pois seus intestinos são o de um herbívoro – voltaremos a isso mais adiante), mas não de amido. Mais uma evolução rápida, relacionada à nossa dieta neolítica. A alteração da cor da pele, com a diminuição de melanina nas populações que migraram para o norte, é outro exemplo óbvio. A prevalência do gene que determina a anemia falciforme na África é o exemplo sempre citado nos livros – este gene produz doença em quem herda duas cópias, mas protege contra a malária em quem herda uma cópia, e tal pressão seletiva induziu a seleção desta mutação em toda aquela região.

Ou seja, a evolução pode andar muito mais rápido do que pensamos, certo? Bem, depende. O que há de comum em todos os exemplos acima, persistência da lactase, aumento da amilase salivar, clareamento da pele das populações setentrionais e a anemia falciforme? Todos são exemplos de adaptações SIMPLES. Por adaptações simples, refiro-me aqui a adaptações que envolvem um único gene, ou muito poucos. No caso da lactase, trata-se de uma alteração da expressão gênica, de um gene que já existe. No caso da cor da pele, são poucos genes com mutações simples. No caso da amilase, trata-se de um fenômeno relativamente comum, de duplicação genética: às vezes, quando o DNA é copiado, um gene é acidentalmente duplicado; no caso da amilase, temos várias cópias, o que é uma forma SIMPLES de se adaptar a uma pressão seletiva importante (a presença de amido na dieta). No caso da anemia falciforme, é uma mutação pontual em um único gene.

Nada do que foi acima citado envolve adaptações COMPLEXAS. Adaptações complexas são as que envolvem um GRANDE número de genes, e que levam milhões de anos. Por exemplo: os primatas dos quais descendemos tinham um cérebro bem menor, e um intestino muito maior do que o nosso.Este intestino era necessário para permitir que tais animais herbívoros pudessem fermentar a celulose – nenhum mamífero digere a celulose, apenas microorganismos os fazem, e é necessário um conjunto de estômagos e intestinos muito grandes que sirvam de câmara de fermentação. À medida que os hominídeos passaram a consumir alimentos caloricamente densos (carne), seu intestino foi encolhendo, seus dentes deixaram de ser os dentes de herbívoros, e seu cérebro (um órgão metabolicamente caro), passou a aumentar significativamente, a ponto de corresponder a apenas 2% do peso do corpo, mas consumir 25% das calorias, enquanto seus intestinos diminuíram para uma fração do tamanho do intestino dos primatas herbívoros. Esta é uma adaptação COMPLEXA, que envolve dezenas de milhares de gerações e milhões de anos. Um gorila é um animal herbívoro, que por isso mesmo precisa passar o dia inteiro comendo, dada à baixa densidade calórica de sua dieta. O homem de 16 mil anos cujos ossos a Dra. Marlene Zuk descreve em seu ensaio, era um ser humano que hoje em dia passaria completamente despercebido no metrô de qualquer grande cidade – com alguma variabilidade genética em relação a nós: certamente seria intolerante à lactose, como milhões de pessoas ainda são. Este homem tinha um cérebro igual ao nosso (ou MAIOR), pois ele já era um caçador, capaz de manter seu cérebro ávido por calorias nutrido com carne e gordura, podendo dedicar horas do seu dia à arte, manufatura de objetos, desenvolvimento de linguagem, etc, enquanto os demais primatas pouco podem fazer além de comer constantemente que, como sabemos, é a sina de todos os herbívoros. 

16.000 anos são o suficientes para mudar um tom de pele ou prolongar a expressão de uma enzima como a lactase, mas não é tempo suficiente para adaptações complexas, como mudar a postura de quadrúpede para bípede, ou tornar-se herbívoro.

Outro problema elementar – e infelizmente muito comum entre estudiosos acadêmicos – é que a realidade tem precedência sobre nossas teorias e desejos. Deixe-me explicar. Por muitos séculos, pessoas muito inteligentes (Aristóteles, Ptolomeu) acreditavam que o sol girava ao redor da terra. Nos séculos 16 e 17, houve uma mudança de paradigma, na qual pessoas igualmente brilhantes como Copérnico, Kepler e Galileu argumentaram que a terra é que girava ao redor do sol. Possivelmente quem vivesse na época teria dificuldade de afirmar com certeza quem estava certo, mas uma coisa era inegável: qualquer das teorias não podeira negar o mundo empírico: que o sol nascia, descrevia um arco no céu, e se punha TODOS os dias. 

Somente a ciência experimental foi capaz de estabelecer com certeza qual teoria descrevia o mundo como ele realmente era.  Mas nenhuma das teorias (geocentrismo ou heliocentrismo) negava o fato de que o sol nascia no leste e se punha no oeste. Aqui, o fato de a Dra. Marlene Zuk estudar apenas insetos, e não pessoas, pode ser um problema. Vejamos. O FATO da vida, demonstrado por todos os estudos prospectivos e randomizados, é que uma dieta pobre em açúcar e farináceos, sem glúten, menos processada, e rica em fibras, rica em proteínas, rica em gorduras naturais produz melhores resultados na saúde humana (ver aqui, ou aqui, ou aqui para alguns exemplos). Várias teorias podem ser utilizadas para explicar este fenômeno, de acordo com o paradigma que se adota. O Dr. Atkins e Gary Taubes diriam: “é claro, funciona pois reduziram-se os carboidratos e a insulina”; O Dr. Lustig diria “é claro, funciona pois removeu-se o açúcar, e com ele a frutose, que é uma toxina”; O Dr. William Davis diria “É claro que funciona, afinal é uma dieta sem glúten”; O Dr. Stephan Guyenet diria: “É claro que funciona, pois com a remoção dos alimentos processados e do açúcar, diminui a palatabilidade da comida, e come-se menos”; e Loren Cordain, Robb Wolf e Mark Sisson diriam “é claro que funciona, pois estes são os alimentos que nossos ancestrais consumiam, e aos quais estamos geneticamente adaptados”. Eu não sei se já está ficando claro para o leitor, mas alguns podem estar certos e outros errados, ou mesmo todos podem estar certos ao mesmo tempo. MAS ISSO NÃO MUDA os fatos. O sol continua a nascer e a se por, alheio aos devaneios geocêntricos ou heliocêntricos. A saúde das pessoas continua a melhorar de forma prodigiosa com estas modificações de estilo de vida, independentemente se isso se deve à adoção de uma dieta ancestral ou se é apenas pela redução da insulina. TANTO FAZ.

Mas eu entendo o argumento da autora. Nem tudo o que não existia há 15 mil anos é ruim. Laticínios são uma boa fonte de gordura e proteína, para aquelas pessoas que descendem de humanos adaptados ao seu consumo. Whey protein é algo que não existia no paleolítico, mas é uma maravilhosa fonte concentrada de aminoácidos (leia aqui sobre laticínios e dieta low carb). Aparentemente, até mesmo alguns carboidratos cultivados – tubérculos e raízes – são adições valiosas à dieta humana (para quem os tolera). Mas, tudo indica, simplesmente ainda não houve tempo para a adaptação humana ao consumo de grãos. Aparentemente, trata-se de uma adaptação complexa. 10 mil anos, ou 300 gerações, suficientes para alisar um cabelo ou mudar a cor dos olhos, simplesmente não são suficiente para permitir que tolerássemos sem problemas o consumo destas gramíneas. Os animais que naturalmente consomem grãos na sua dieta são bastante diferentes de nós em vários aspectos de seus tratos digestivos e de seu metabolismo.

Mas quero reiterar aqui: embora eu realmente creia que NADA em biologia faz sentido fora do contexto evolutivo, isso é irrelevante na prática, pois o FATO é que a saúde humana melhora sobremaneira com a retirada dos grãos e do açúcar.

A autora usa o termo “paleofantasia” para denominar a crença de que éramos perfeitamente adaptados ao ambiente paleolítico, uma espécie de éden idealizado. Isso provavelmente não era verdade. Mas fomos suficientemente adaptados para estarmos aqui escrevendo sobre isso. E isso, por si só, já garante, por definição, a existência prévia de um grande grau de adaptação. Que o registro fóssil corrobore isso (com a saúde dos ancestrais pré-agricultura, e a decadência física do neolítico), é apenas a cereja do bolo.

Por fim, há ainda dois argumentos importantes, um que a autora não cita, e outro que ela cita, mas negligencia. O primeiro diz respeito ao fato de que a evolução só se importa com o que acontece até a reprodução. O outro diz respeito ao efeito da medicina e da assistência social dobre a seleção natural.

Se você ainda não leu o livro O Gene Egoísta, de Richard Dawkins, por favor o faça. Este, sim, é uma obra prima sobre evolução. Ali, Dawkins explica que tudo que importa aos genes é passar para a próxima geração. Por este motivo, doenças crônicas e degenerativas (pense em câncer, síndrome metabólica, demência senil, etc) são raras em crianças e adolescentes. Os seus genes não se importam se você tiver câncer de próstata aos 50 anos, pois aos 50 anos seus genes já estão “vivos” em seus filhos. Ou seja, do ponto de vista dos seus genes, você já é descartável. Outra forma de ver isso é a seguinte: se você tiver um câncer com 10 anos no paleolítico, você e seus genes desaparecerão. Assim, a seleção natural tenderá a eliminar do pool genético este(s) gene(s). Mas suponhamos que você tenha um gene que lhe dê suscetibilidade para o desenvolvimento de câncer aos 50 anos. A seleção natural não tem como atuar sobre ele!! Por quê? Porque aos 50 anos estes genes já estarão irremediavelmente copiados nas células da próxima geração. O corolário desta compreensão é que, se você viver no paleolítico, com uma expectativa de vida de menos de 40 anos, você poderia comer qualquer coisa, pois a prioridade era a mera sobrevivência até a idade reprodutiva, e problemas de saúde só tendem a aparecer numa idade em que você já teria morrido de qualquer forma. Contudo, os únicos alimentos disponíveis no paleolítico eram, por definição, paleolíticos, de forma que a eles estamos, também por definição, adaptados. Hoje, contudo, vivemos MUITO além do nosso “prazo de validade”, que é a idade reprodutiva e os primeiros anos até que seus filhos tornem-se independentes, momento a partir do qual os pais tornam-se inúteis do ponto de vista genético. Assim, se você pudesse dar fast food para nossos ancestrais, suas vidas não mudariam muito, visto que costumavam morrer antes da idade em que se começa a adoecer devido ao fast food. Mas nós, ao contrário, no nosso afã de viver 3 vezes mais do que a quantidade original, não podemos nos dar ao mesmo luxo. Paradoxalmente, nossos ancestrais seriam menos prejudicados por nossa comida do que nós mesmos. Aqui, cabe mais uma analogia; Se você comprar um carro com o objetivo de trocá-lo em 2 ou 3 anos, não faz muito sentido cuidar muito dele, colocar combustível aditivado, dirigir devagar nas vias esburacadas. Afinal, quando você trocá-lo, azar será de quem comprar, certo? Mas, e se for um carro de colecionador? Um carro que você pretende manter por 30, 40 anos? Uma relíquia. Você cuidaria dele de que forma? Aposto que usaria somente peças originais, combustível de um posto de confiança, etc. Não é difícil ser um adolescente magro comendo porcarias. O problema é envelhecer com saúde e dignidade.

A autora menciona rapidamente a questão da medicina, mas não lhe dá o devido valor. Entenda: em muitos casos, a medicina moderna é capaz de interromper a atuação da seleção natural. E o mesmo se dá com a assistência social. Todos sabemos das terríveis histórias de infanticídio que existem desde a antiguidade clássica até os dias de hoje em sociedades primitivas. Não sabemos o que ocorria no paleolítico, mas com certeza a chance de uma “criança defeituosa” sobreviver era mínima. É cruel, mas é assim que a seleção natural funciona. Hoje, por sorte, isto seria impensável. Fazemos de tudo para preservar a vida, cujo valor é tido como absoluto. Mas, você percebe o que ocorre? A evolução da sociedade humana propiciou o fim da seleção natural. É curioso que a Dra Marlene Zuk, uma bióloga especializada em evolução, não se dê conta disso, mas a evolução só se dá através da morte e da impossibilidade de se reproduzir. Para que possamos tolerar os grãos na dieta, seria necessário que as pessoas que não os toleram morressem antes de poder ter filhos, e apenas aquelas pessoas que toleram os grãos sobrevivessem. E, assim, daqui a uns 100.000 anos, o trigo seria algo saudável. Mas há 2 problemas intransponíveis. O primeiro é que o trigo irá, sim, lhe matar, mas apenas depois da idade reprodutiva (diabetes, doença cardíaca, etc). O segundo é que a medicina vai lhe manter vivo, tomando 5 remédios diferentes, colocando stents nas suas coronárias, amputando suas pernas, de modo que NÃO HÁ MAIS seleção natural. Até mesmo a seleção sexual, que outrora fazia com que determinadas características mais atrativas levassem seu portador a ter mais filhos, praticamente desapareceu com a contracepção, que desvinculou sexo e reprodução. Em outras palavras: ao contrário do que pensa a autora, não apenas não houve tempo para a adaptação da espécie à uma dieta rica em açúcar e grãos, mas JAMAIS HAVERÁ, a não ser que comecemos a matar os gordinhos, os diabéticos e os celíacos antes que tenham chance de ter filhos. Elementar, meu caro.

Então, caro leitor, o objetivo deste blog é ajudar as pessoas a compreender a mensagem de que necessitam eliminar os grãos, açúcar e óleos vegetais extraídos de sementes, restringir carboidratos, e perder o medo da gordura natural dos alimentos. Se eu resolvesse me aprofundar em postagens bizantinas sobre pequenos detalhes da evolução humana, poderia até ser interessante para alguns, mas ajudará muito pouca gente. Assim, tenho de fazer escolhas. E minha escolha é simplificar o assunto, pelo bem de torná-lo acessível ao leitor. Mas espero que o texto acima tenha deixado claro que não tenho uma compreensão tão superficial do assunto. Paradoxalmente, quem parece ter uma visão simplista é justamente a Dra. Marlene Zuk (ou, como disseram alguns dos que comentaram seu artigo  no site, apenas quer criar polêmica para alavancar a venda de seu novo livro).

***** Atualização – 03/04/2013 ******

A Dra. Marlene Zuk lançou seu livro, e Mark Sisson fez uma resenha. Não terei tempo para traduzir todo o texto, mas as conclusões são semelhantes às que escrevi acima.

Segue o texto original:

http://www.marksdailyapple.com/is-it-all-just-a-paleofantasy/

Is It All Just a “Paleofantasy”?

paleofantasySo this is my review of the new book Paleofantasy: What Evolution Really Tells Us About Sex, Diet, and How We Live. It’s been making the rounds for a few weeks now, and although some other people have already weighed in, I’ll add my two cents. At the outset, I’d like to make very clear that I actually agree with a decent portion of Marlene Zuk’s individual arguments. Though it may surprise you to know that Mark Sisson agrees with the most prominent paleo debunker du jour on several topics, I’m not saying I support the overall product or her final conclusions. In fact, Paleofantasy is an odd, meandering book whose ultimate purpose I’m not really sure I truly understand.

There are two main problems with the book, as I see it. First, she’s working against a straw man. Many of the arguments she debunks, like “eyeglasses aren’t paleo” or “the paleo diet was carnivorous,” seems to have been dug up from some random Internet commenter or drawn from fringe camps. In other words, they aren’t arguments people like Robb Wolf, Chris Kresser, Paul Jaminet, or me (or our readers) are making. Second, many of her counterarguments or “nuanced approaches” are the very same ones we’ve been exploring at length for years! After reading the book, John Durant tweeted “Paleofantasy shouldn’t have been a book in 2013, it should have been a blog post in 2010,” and that’s as good a description as I can think of.

It’s all very uncontroversial:

There is no one paleo diet.

Who’s saying that? Humans have spanned the globe for millennia, surviving and even thriving in environments ranging from tropical to temperate, from arctic to near-aquatic, all the while subsisting on the wild foods available to those regions. Same basic diet of animals and plants, different configurations.

Evolution doesn’t just stop and humans didn’t just reach a state of perfect adaptation back before agriculture from which we’ve never progressed.

Sure. I talked about how we’re still “evolving” last year, even mentioning Zuk’s favorite topics – lactase persistence (35% worldwide, which is far from 100%) and amylase production. She discusses a few more recent changes, like malaria resistance, adaptation to high altitude, and earwax differentiation, but that’s it. If she wanted to, I’m sure she “could keep adding to the list” and mount an overwhelming case for widespread genetic adaptations to grain consumption, chronic stress tolerance, and sedentary living, but she’s saving up material for the next book. Or something. Either way, I’m not very convinced by her “list” of rapid evolutionary changes, especially considering most of them have little to do with the mismatches we discuss in this community and none of them are even present in a majority of humans.

Zuk is also quick to misrepresent “our” arguments so she can swoop in and take the sensible position – positions the ancestral health community has long occupied!

In her exercise chapter, she characterizes paleo exercise proscriptions as “short and intense” and “literal-minded,” mimicking activities like “having to run down a rabbit for dinner.” We type away at our computers on caveman forums, spend a little while lifting weights and running sprints, and sit back down. Then, Zuk explains that contrary to our reenactment fantasies, the real problem and the real divergence from our past is that modern humans sit too often. It is our inactivity, our hours and hours spent doing nothing physical that hurt us. What we should be doing is lots of slow moving, steady low-level activity like walking, hiking, gardening, yard work, house work, rather than sitting all day and trying to make up for it with a hard gym session. Hmm – where have I heard that kind of stuff before? Why hasn’t the ancestral health community addressed this pernicious force in our lives?

Later, she rightly claims that paleo authors are suspicious of endurance training, mocking my position that the idea that “natural selection redesigned our simian shapes to run the Boston Marathon is… ludicrous.” As support for her claims, she cites Louis Liebenberg’s persistence hunting studies (PDF) with the Kalahari bushmen of Botswana where men would go on hunts lasting “two to five hours, with an average running speed of 6.3 kilometers (about 4 miles) per hour.” Those are fifteen minute miles. If you were running the Boston Marathon at a 15 minute-mile pace, you’d finish in six and a half hours (roughly). That’s an easy run (fast walk?), especially for someone who’s reasonably fit. You could hold a conversation at that speed. You could get up and do it again the next day at that pace. That’s not chronic cardio. That’s not a competitive time for an endurance athlete – the dogged pursuit of which is precisely what I’ve always warned against. It’s easy aerobic activity, the kind I promote!

Even when she acknowledges the potential utility of an evolutionary approach to analyzing health or current environmental “mismatches,” they are glossed over or relegated to a single sentence buried in a paragraph. Zuk spends an entire chapter explaining how traditional child-rearing, with its extended family members available for childcare, extended breastfeedingco-sleepingbaby-wearing, parental “indulgence” of crying babies, is likely the biological and evolutionary norm for human infants, citing Dr. James McKenna’s extensive research on the benefits of the aforementioned methods… and then ends the chapter by saying “most children grow up fine” so let’s not bother with it. Let’s just keep on keepin’ on.

In response to the idea that limiting artificial light at night and getting plenty of natural light during the day might improve sleep and preserve our circadian rhythms, she asks “is this really the solution to our health problems?” She creates an argument that we are all apparently positing – that smashing light bulbs and waking up at dawn are the cure to all our health problems – and then proceeds to dismiss it, to laugh it off. And yeah, it’s ridiculous to say that unnatural light is the cause of all our health ills… but who’s saying that? Who’s making this argument but her? And on that note, what about the negative effects of artificial light at night? Aren’t they worth investigating? Isn’t the data we already have fairly compelling?

(If you notice me asking a lot of questions in apparent exasperation, it’s because I’m puzzled and exasperated and driven to inquiry by some of these “arguments.” Forgive me.)

A worrisome theme starts to emerge: that the past is murky and we need more data so let’s not make any sudden changes to the way we live, especially not if they’re couched in evolution. I disagree. Whatever most people are doing isn’t really working for most people, whereas whatever we’re doing (whether it’s a paleofantasy or not) seems to be working.

To her credit, Zuk doesn’t throw out the idea of evolutionary mismatch altogether (although you could have fooled me). She just rails against “denouncing modern living as unsuitable to our Stone Age genes,” calling for research into “just what parts of that life send us too far out of our evolutionary zone of tolerance,” as if she’s stumbled upon some revolutionary concept. Really, though, we are exploring and identifying the specific aspects of modern life that trigger a mismatch. We are gathering data. Academics and scientists and bloggers and lay individuals are figuring out, in fits and starts and lurches and self-experiments and clinical trials and study analyses, just what works about modern life and what does not work. We’re not resting on our laurels, on our assumptions.

So we kind of agree, even though it appears she doesn’t know it.

I don’t necessarily blame Marlene Zuk for her failure to comb the ancestral health community’s tomes, read all the blogs, study the comment sections (although she seems to have a fondness for anonymous blog commenters), attend the symposiums and conferences (although much of the material is available online for free), and explore the message boards. There’s a lot of material to cover. It’d probably take years to really do a thorough job. But if she hoped to publish a relevant critique of the community, she probably should have understood its actual claims instead of erecting a straw man for easy defeat.

In John Hawks’ favorable review of the book, he says that we must “play with hypotheses, explore their predictions and try very hard to falsify them.”

I completely agree. I think Zuk agrees, too, and I think I may have divined her ultimate goal with this book. In her 2009 NY Times piece on the same subject, she said “we shouldn’t flagellate ourselves for having modern bodies, and we shouldn’t assume that tweaking our diets or our posture will rescue us from all our current ills.”She thinks people are rushing headlong into such dangerous lifestyle changes as giving up grainssugar, and seed oils without doing their due diligence.

You’ll have no arguments from me. Assume nothing, test/tweak/research everything. It’s not like I’m sitting here typing away, conjuring up fantastical stories about the past and making big lifestyle proscriptions based on said stories. Those success stories are actual success stories from actual people. Those studies cited are actual studies from real journals. I suppose you could make the argument that all these folks losing weight and gaining muscle and getting off meds and regaining their lives after adopting a Primal way of eating, living, and moving cannot definitively establish the lifestyle was the precipitating factor. They can’t “prove” it works. It could all be a big dream.

A big paleofantasy. I could be making this entire world up in my head as I go along, a lonely brain in some amniotic sac with electrodes attached, my entire history and the blog and the books and my relationships all constructs of my mind. I don’t think I am, though. I think this is real, flesh-and-blood stuff.

Are improved blood sugars, better blood lipids, a hundred pounds of weight loss, newly emergent abs, steady midday energy, improvement of autoimmune disease, and new leases on life paleofantasies? No.

Are sitting in front of an LCD screen until 2 AM, spending zero time in nature, living off of Cheetos and Coke, walking under a thousand steps a day, and working 20 hour days at a miserable job evolutionary mismatches with drastic health consequences as shown by current science (and hinted at by anthropology)? Yes.

And that’s what it comes down to in the end: results. We got ‘em, and people recognize that.

Have you read Paleofantasy? What do you think? Let everyone know in the comment board, and thanks for reading!



Read more: http://www.marksdailyapple.com/is-it-all-just-a-paleofantasy/#ixzz2PQ8yeBqY