A midia se rende II – Dieta sem glúten – revista Istoé

Há alguns meses a revista veja publicou reportagem em que começava a admitir que as gorduras podem ser saudáveis.

Aquela reportagem, embora representasse um avanço, estava longe de ser perfeita.

Já a revista IstoÉ, contudo, acertou na mosca com a reportagem abaixo. É perfeita, e fecha 100% com o conteúdo deste blog e com a experiência clínica.

No artigo sobre trigo, escrito meses atrás, a seguinte frase aparecia com destaque :

É possível que a retirada total do trigo represente a intervenção isolada mais importante de toda a dieta paleolítica.

De fato, ao poucos, a mídia se rende às evidências.

P. S.: Como já coloquei em outras partes do blog, a quantidade de carboidratos que cada um tolera é variável. Para alguns, apenas cortar farináceos é o bastante para perder peso. Para outros, é necessário cortar os demais carboidratos. E, de uma forma geral, não adianta substituir farinha de trigo por farinha de arroz, etc. As pessoas da reportagem substituíram massa e pão por peixe com salada, ok?

Medicina & Bem-estar

|  N° Edição:  2241

|  19.Out.12 – 21:00

|  Atualizado em 21.Out.12 – 23:47

Mais magros sem glúten

Dieta que restringe o consumo de
alimentos que contêm a proteína conquista cada vez mais adeptos com a
promessa de emagrecimento rápido e saudável

Monique Oliveira

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BELEZA

Juliana Paes limitou a ingestão do composto e sentiu melhora no metabolismo

A lista de seguidores famosos é longa. No Brasil, celebridades do
porte de Juliana Paes, Luciana Gimenez, Camila Morgado e Alice Braga. Lá
fora, gente do calibre das atrizes Halle Berry, Rachel Weisz e Miley
Cyrus. Todas aderiram à dieta do glúten, a mais nova febre entre quem
pretende emagrecer e manter a silhueta desejada. Só nos Estados Unidos,
cerca de 1,6 milhão de pessoas estão seguindo o regime, de acordo com
levantamento recente realizado pela Clínica Mayo, prestigiada
instituição de pesquisa daquele país. Os relatos de sucesso de quem se
submeteu a esse método alimentar são impressionantes: dão conta da perda
de cinco quilos já na primeira semana e até 15, 20 e 30 quilos meses
depois. A apresentadora Luciana Gimenez, por exemplo, comemora cerca de
32 quilos a menos depois de aderir à restrição do glúten e aliar a
estratégia a uma rotina intensa de exercícios. “Deu para perceber a
diferença de resultado em relação a outros regimes”, conta. Juliana Paes
reduziu a ingestão da substância depois do nascimento do filho, Pedro. A
tática a ajudou a voltar à bela forma – e a mantê-la. “Comecei na época
em que o estava amamentando”, conta. “Senti que melhorou muito o meu
metabolismo, deixando-o mais acelerado, e também observei que diminuiu a
sensação de inchaço e desconforto abdominal”, disse.

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Na contabilidade dos especialistas que estão indicando o regime, o
saldo também é positivo. “A pessoa percebe uma mudança imediata, para
melhor, em todo o seu estado geral, além do declínio do peso corporal”,
afirma o endocrinologista Tércio Rocha, do Rio de Janeiro, integrante da
Academia Brasileira Antienvelhecimento. “Após duas semanas já é
possível notar nitidamente uma redução de inchaço”, diz a médica
nutróloga Vânia Assaly, de São Paulo. “E o emagrecimento torna-se bem
visível 45 dias depois do início da dieta”, completa.

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O glúten é uma proteína sem valor nutricional e sem calorias. Está
presente no trigo, na cevada, no centeio e no malte. É ele que
proporciona o aspecto viscoso e confere elasticidade a bolos, pães e
massas. Na indústria de alimentos, é adicionado a embutidos e até aos
chocolates, justamente por conta dessa propriedade. A dieta consiste em
diminuir sua ingestão, como fez a atriz Juliana Paes, ou bani-lo do
cardápio. Portanto, seus seguidores ficam sem comer a maioria dos
carboidratos presentes à mesa, devem se manter longe da cerveja e do
uísque e, na dúvida, precisam ficar de olho nos ingredientes contidos
nos alimentos vendidos nos supermercados. “No Brasil é obrigatória a
indicação, no rótulo, da ausência ou da presença da substância”, diz o
nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de
Nutrologia.

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O principal desafio dos adeptos do regime é encontrar substitutos à
altura do trigo e dos produtos com ele produzidos. Aos poucos, porém,
crescem as opções para quem deseja tirar o glúten da dieta. A Mundo
Verde, empresa consolidada no setor de alimentação saudável, com 170
lojas no País, por exemplo, tem um catálogo de três mil itens livres da
proteína. A Rede de Farmácias de Manipulação Officilab, do Rio de
Janeiro, criou 12 produtos isentos de glúten. Vários restaurantes também
estão incluindo no menu pratos sem o composto. É o caso do Biocarioca e
da Delicatessen Zona Zen, no Rio, e do Outback, do América e do
badalado Quattrino, em São Paulo, que possui opções no cardápio (leia
receita à pág. 86). “Conheci os efeitos da retirada do glúten porque
estudo muito sobre nutrição”, explica Mary Nigri, dona do Quattrino.
“Fiz um teste comigo, vi resultados e resolvi criar as receitas”,
lembra. Nos EUA, o mercado para atender à crescente demanda, o chamado
“gluten-free market”, já gira na casa dos US$ 2 bilhões anuais. Entre as
alternativas para substituir a farinha de trigo estão as farinhas de
arroz e de amêndoas. “Outra substituição pode ser feita usando mandioca e
batata”, explica Aline Möller, dona da consultoria Fit Gourmet, em São
Paulo. A empresa presta consultoria àqueles que querem adotar uma
alimentação livre de glúten “Ensinamos o cliente como seguir o regime”,
diz

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RESULTADO

A apresentadora Luciana Gimenez perdeu 32 quilos após iniciar

o regime e encarar um plano intensivo de exercícios físicos

Há algumas explicações para o êxito desse plano alimentar. A primeira
é a mais óbvia: as pessoas emagrecem porque, ao riscar do cardápio os
alimentos que contêm glúten, deixam de comer pães, bolos e massas
brancas. Desse modo, não ingerem mais uma enorme quantidade de calorias.
“Grande parte desses alimentos é bastante calórica”, explica Vânia
Assaly. A segunda razão – e as outras também – é mais complexa. A
proteína está associada a reações de intolerância. A mais intensa
desenha um quadro conhecido como doença celíaca. Trata-se de uma
resposta genética grave ao composto que pode deflagrar diarreia crônica,
desnutrição, fadiga e, em crianças, também pode levar a distúrbios do
crescimento. “É uma reação do sistema imunológico. Um anticorpo é criado
contra o glúten”, explicou à ISTOÉ o gastroenterologista Joe West, da
Universidade de Nottingham, no Reino Unido (leia mais no quadro à pág.
86). Estima-se que um a cada 214 brasileiros seja portador da
enfermidade. A atriz Isis Valverde, 25 anos, descobriu que tinha a
doença aos 19 anos. “Sentia dores abdominais, tontura, boca seca e perdi
cabelo”, diz. Desde que tirou o glúten do cardápio, não manifesta mais
os sintomas.

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Intolerâncias mais brandas também acontecem, e em número expressivo.
“São mais frequentes do que a doença celíaca”, afirma o médico Luiz
Carneiro, chefe do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo. “Hoje sabemos que a sensibilidade
ao glúten é dez vezes mais comum que a doença celíaca”, disse à ISTOÉ o
nutricionista Tom O’Brien, da Universidade de Chicago (EUA). Nesses
casos, o que ocorre é que, em vez de reações imediatas e mais fortes,
como nos celíacos, há a deflagração de um fenômeno conhecido como reação
alérgica tardia. “O indivíduo acumula anticorpos mais amenos ao
glúten”, explica o microbiologista Bruno Zylbergeld, estudioso do tema.
“Com o passar do tempo, isso pode desencadear os sintomas da
intolerância”, diz. O fato é que essas respostas – mais ou menos
severas, não importa – provocam no corpo inchaço, dificuldades
digestivas e processos inflamatórios que contribuem para o acúmulo de
peso. “A retirada do glúten evita essas reações”, explica a
nutricionista Lucyanna Kalluf, de São Paulo.

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Intolerância desde o nascimento

O médico cirurgião Gustavo Mattos, 31 anos, de São Caetano do Sul, é celíaco.

Embora esteja bem adaptado e nunca fuja da dieta, ainda sofre para encontrar

pratos livres do composto em restaurantes. “Os funcionários não sabem

informa os clientes sobre esse tema. Falta informação.”

De acordo com o endocrinologista Tércio Rocha, entretanto, não
ingerir glúten traz benefícios para a silhueta de todos, intolerantes à
proteína ou não. “As pessoas apresentam redução do inchaço abdominal,
observam melhora no funcionamento do intestino e também têm diminuição
da compulsão alimentar”, assegura. Este último benefício seria resultado
da baixa ingestão de carboidratos vindos de alimentos produzidos com
farinha de trigo não integral – pães e massas brancas, por exemplo. Por
mecanismos complexos, essa categoria de alimentos agrava o impulso de
comer além da conta. Há também indicações de que a ausência da proteína
na dieta promoveria mudanças no perfil metabólico que favoreceriam a
queima calórica e elevariam a sensação de saciedade. Sobre esse ponto,
porém, não há consenso médico. “A literatura científica não descreve
essas interações”, ressalva o endocrinologista Freddy Goldberg, do
Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

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CUIDADO

A atriz Isis Valverde é portadora de doença celíaca. Por isso, não ingere mais a substância

Embora um dos maiores apelos da dieta seja a perda de peso, a
restrição do nutriente é vista como uma maneira de melhorar a saúde de
um modo mais amplo. Há muitos registros na ciência dando conta da
associação da proteína com várias doenças. Um estudo da Universidade
Karolinska, em Estocolmo, Suécia, por exemplo, relaciona o ingrediente à
piora da artrite reumatoide, doença que deflagra um processo
inflamatório crônico sobre as articulações. “Há evidências de que a
saúde pode se beneficiar de mudanças alimentares e a dieta livre de
glúten é uma delas”, disse o reumatologista Johan Frostegärd, da
universidade sueca. Ele comprovou os benefícios do regime em pacientes
que sofrem de artrite reumatoide.

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Cardápio familiar

O casal Rosa Araújo, 34 anos, e Marco Alberto Silva, 43, mudou as refeições da

família por conta do sobrepeso de Silva, que chegou a 126 quilos. Agora, não 

mais alimentos com glúten. Com o regime e uma rotina pesada de exercícios de duas a três

horas por dia, o empresário perdeu 38 quilos. Rosa acabou adotando a estratégia. Eles também

fornecem a mesma alimentação à filha Olívia, 3 anos. “É mais saudável”, explica Rosa

A ingestão do glúten está ainda vinculada à ocorrência de depressão,
dores de cabeça e déficit de atenção. As pesquisas dão como hipótese
mais provável para a relação entre a proteína e as doenças o processo
inflamatório desencadeado pelo composto. Na opinião da nutricionista
Lucyanna Kalluf, são os resultados em vários aspectos da saúde que
acabam fazendo com que as pessoas mantenham a dieta. “Elas melhoram
tanto que não querem mais voltar a ingerir a proteína.”

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O abandono do nutriente, porém, não seduz todos os especialistas. Há
médicos que acreditam que a restrição total de glúten é radical demais e
desnecessária. “Pessoas que não têm alergia ao composto dispõem de
outras maneiras de perder peso”, opina o nutrólogo Durval Ribas Filho. O
nutricionista Tom O’Brien é outro que chama a atenção para os problemas
que a exclusão da proteína pode oferecer. “Os indivíduos podem ter
dificuldade de encontrar alimentos substitutos e correm o risco de ter
uma alimentação desequilibrada”, diz. No entanto, o aquecimento do
mercado mostra que esse cenário está mudando. “Hoje é bem mais fácil
substituir os alimentos com glúten por versões sem o nutriente, pois as
lojas de produtos naturais já têm bastante variedade”, diz Juliana Paes,
que optou pela moderação, reduzindo a presença da proteína à mesa, mas
sem se privar dela por completo.

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Colaboraram: Mônica Tarantino e Simone Blanes

Foto: Felipe Lessa

Fotos: André Schliró; João Castellano/ag. istoé

Fotos: Kelsen Fernandes; João Castellano/ag. istoé; Steven Lawton/Getty
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