Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 6) + proteína é melhor do que + carbs

  • Os 12 motivos pelos quais low carb é melhor para diabetes: 6) substituição de carboidratos por proteína é geralmente benéfico.

Esta é a sexta de 12 postagens explicado porque uma dieta de baixo carboidrato (Low Carb) deve ser a estratégia padrão, inicial, para o manejo do diabetes. Esta série de postagens é baseada no artigo Restrição de carboidratos na dieta como a primeira abordagem no manejo do diabetes: revisão crítica e base de evidências, sobre o qual já tratamos previamente (ver aqui). As referências bibliográficas estão no artigo original (clique aqui).


Se ainda não leu, leia antes esta postagem.

A primeira postagem desta série foi: 1) Manejo da hiperglicemia;
A segunda postagem desta série foi: 2) A epidemia começou pelos carbs;

A terceira postagem desta série foi: 3) Nem precisa perder peso;

A quarta postagem desta série foi: 4) Nem precisa perder peso, mas perde;

A quinta postagem desta série foi 5) Melhor aderência;

6) substituição de carboidratos por proteína é geralmente benéfico.

Na prática, dietas de redução de carboidratos (LOW CARB) em geral NÃO são de de alta proteína, exceto quando comparadas com os baixos níveis de proteína recomendados nas dietas de alto carboidrato. Normalmente, os carboidratos de uma dieta LOW CARB são substituídos por gorduras. Entretanto, um grande número de ensaios clínicos randomizados comparou dietas LOW CARB de alta proteína (LCHP) versus dietas de baixa gordura (low fat), e várias revisões sistemáticas e metanálises verificaram sua eficácia e segurança no curto prazo. Essas análises descobriram que dietas de alta proteína e baixo carboidrato tem um efeito mais favorável em perda de peso, composição corporal, taxa metabólica em repouso e risco cardiovascular do que dietas de redução de gordura. Santos e colaboradores conduziram uma metanálise de 27 ensaios clínicos randomizados com 1141 pacientes obesos não diabéticos em dieta LOW CARB, independentemente da composição do restante da dieta e do grau de restrição de carboidratos. Mudanças dentro do grupo low carb, ao invés da comparação com low fat, foram avaliadas. As dietas restritas em carboidrato estavam associadas com reduções significativas de peso, IMC, triglicerídeos e pressão arterial. Além disso, houve melhora em vários outros marcadores metabólicos e no perfil lipídico.

Krieger e colaboradores usaram a técnica de meta-regressão de ensaios clínicos randomizados para determinar os efeitos comparativos de proteínas e carboidratos durante restrição calórica. Eles examinaram 87 estudos com 165 grupos de intervenção, comparando dietas com um mínimo de 1000 Kcal/d. As dietas compostas por menos de 35-41% de carboidratos eram associadas com uma perda de peso média 1,7 Kg maior, uma perda de peso magro de 0,7 Kg, e uma perda de peso gordo 2 Kg maior do que em dietas com um percentual maior de carboidratos. Em estudos que duraram mais de 12 semanas, o efeito aumentou para 6,6 Kg de perda de peso, e 5,6 Kg de gordura perdida A MAIS nos grupos com menos carboidratos em comparação aos grupos com mais carbs. Ingestão de mais de 1,05g de proteína por Kg de peso foi associada a uma retenção adicional de 0,60 Kg de massa magra quando comparado com ingestão de menos proteína. Em estudos com mais de 12 semanas de duração, essa diferença aumentou para uma retenção ADICIONAL de 1,2 Kg de massa magra. Krieger e colegas concluíram que dietas LOW CARB com mais proteínas afetam favoravelmente a massa e a composição corporal independentemente da ingesta calórica, o que, em parte, dá suporte à vantagem metabólica dessas dietas.